sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

El Secreto de Sus Ojos (2009)

.
O Segredo dos Seus Olhos de Juan José Campanella, vencedor de dois Goya, tornou-se na grande surpresa do ano ao sair vencedor em 2010 do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.
Esta história que começa com uma violenta cena de agressão e violação toma contornos bem mais fortes que passam desde o amor ao medo e da esperança ao temor numa Argentina politicamente instável como pano de fundo.
Benjamín (Ricardo Darín) um investigador policial vive atormentado por um crime que não teve solução vinte e cinco anos antes. Atormentado por não o ter conseguido resolver, por ter perdido o seu parceiro e especialmente por ter sido na época em que se apaixonou e deixou o crime e a sua resolução, envolver-se no seu potencial amor.
À medida que acompanhamos a vida de Benjamín presentemente vamos ao mesmo tempo assistindo a situações passadas nesses anos que criaram os respectivos distanciamentos que os inteveninentes virão a sentir no futuro.
Irene (Soledad Villamil) a grande paixão de Benjamín, e por quem ainda sente um grande amor, tenta dissuadi-lo de continuar a investigar o que se havia passado tantos anos antes, mas facilmente percebemos que apenas com o desfecho daquele crime que o atormentara toda a sua vida poderá Benjamín finalmente assumir o seu amor pela mulher que ama.
Este fantástico filme, que confesso ter sido para mim uma enorme surpresa, tem excelentes e fortes interpretações a seu cargo. De Ricardo Darín já não me espanta pois após tê-lo visto nesse fantástico O Filho da Noiva só poderia esperar gandes feitos deste actor.
É no entanto do restante elenco que chegam as mais agradáveis surpresas e que são também não só em termos de interpretes como de personagens na história, as mais essenciais para compreendermos aquilo que realmente ocorreu naqueles dias mais negros da História da Argentina.
Quer Soledad Villamil como Pablo Rago são dois actores com aquelas que são provavelmente as interpretações mais fortes de todo o filme. Villamil como "Irene", a jovem inspectora que tenta tudo por tudo para se afirmar num mundo de homens, e Pablo Rago como "Ricardo", o choroso marido que desespera por saber quem foi o homicida e violador da sua mulher, são as forças (des)controladas deste filme. É inclusive Pablo Rago que nos dá já bem perto do filme a interpretação que é, a meu ver, a mais forte e a que aparenta ser mais instável dentro de uma sanidade quase impossível. É preciso ver para realmente acreditar o tão bons que eles são.
O argumento também da autoria de Campanella em parceria com Eduardo Sacheri é no mínimo entusiasmante. Se de início pensamos ir assistir a uma história que nos vai desvendar quem está por detrás de um brutal homicídio, depressa percebemos que são muitos maiores os contornos desta história.
Temos não só a resolução do brutal acontecimento que lança o mote para todo o filme, como temos à mistura uma relação de amizade e amor por concretizar numa Argentina viciada por cunhas e por esquemas políticas que safam os mais bárbaros criminosos em nome de uma perseguição política sem limites. Mas acima de tudo, de tudo isto, temos a mais brilhante e original história de vingança que o cinema nos entrega desde há uns largos anos.
Para aqueles que julgam que a meio do filme vão sair insatisfeitos da sala de cinema... Não se deixem enganar... Se todo o filme está brilhantemente dirigido, as sequências com que nos brindam os últimosquinze minutos são aquelas pelas quais esperamos por ver durante todo o filme... E acreditem... Vale muito a pena...
É certo que estava a torcer pel' Um Profeta na cerimónia dos Oscars. É certo que esperava que ganhasse O Laço Branco... Mas mais certo ainda é que este Segredo foi um justíssimo vencedor de um Oscar de Filme Estrangeiro bem como de todo os outros prémios que galardoaram os brilhantes profissionais que dele fazem parte.
Só deixo uma nota final de apreço pela magnífica banda-sonora que intensifica ao limite os momentos mais tensos do filme. Se eles já valem pelo que valem, esta banda-sonora da autoria de Federico Jusid e Emilio Kauderer apenas os tornam num clímax constante.
Uma palavra apenas.... B R I L H A N T E...
.
.
8 / 10
.

Sem comentários:

Publicar um comentário