sábado, 11 de dezembro de 2010

The Blind Side (2009)

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Um Sonho Possível de John Lee Hancock foi o filme que finalmente conseguiu dar algum crédito ao talento de Sandra Bullock pois ao entregar-lhe esta interpretação dramática e vencedora de um Oscar, um SAG e um Globo de Ouro Drama, colocou-a junto da galeria de actores com reputação credível ao contrário daquilo que vinha a acontecer já há algum tempo por não se descolar dos papéis de comédia onde o seu talento era altamente questionado.
Leigh Anne Tuohy (Sandra Bullock) é uma forte e decidida mãe e mulher do sul que um dia conhece Michael Oher (Quinton Aaron) um jovem sem-abrigo que ajuda dando-lhe um lar, uma educação, uma família e amor como se de um filho próprio se tratasse, até ao dia em que ele se torna numa estrela de futebol americano.
Contra a opinião de uma sociedade mais fechada que não aceita outros não iguais a entrarem no seu pequeno círculo, Leigh Anne assume uma postura diferente e sabe que sem o devido apoio e atenção, Michael estaria perdido e desamparado.
Esta história, aparentemente banal, não só deu o devido reconhecimento em Sandra Bullock como já referi como é, acima de tudo, uma encantadora história de amor de uma pessoa para com outra, e de como esse amor pode assumir contornos maternais independentemente de haver ou não laços consanguíneos.
E é essencialmente nisto que o filme se baseia. Na capacidade que as pessoas têm de se ligarem entre si. De criarem laços e empatias. Na possibilidade de se formarem famílias, verdadeiras famílias, entre pessoas que aparentemente nada têm a ver umas com as outras. Pessoas vindas de meios sociais diferentes, com nível de cultura e de educação em extremos opostos entre si mas que devido a forças maiores e à presença de sentimentos e de Humanidade no seu coração conseguem quebrar barreiras e assumir laços afectivos que são, por vezes, superiores aos de sangue.
Sandra Bullock obteve aqui aquele que é possivelmente o papel da sua vida. Nunca desgostei de um papel que tenha feito. Há sempre aqueles com que simpatizamos mais... outros menos... Mas este é sem sombra para dúvidas aquele que a lançou definitivamente como uma estrela do cinema e claro, todos os prémios que obteve com ele só a ajudaram e isto apesar de ter também obtido o troféu de pior actriz do ano. Este foi de facto o ano de Bullock.
O elenco é, na sua globalidade, também muito coerente. Temos desempenhos de Kathy Bates, Tim McGraw, Lily Collins e do jovem Jae Head que são profundamente sentidos e elaborados com grande rigor que ora variam entre um registo sentido e dramático e com o jovem filho do casal elevam-se bem alto no registo da comédia. Sentimos realmente que estão ali como se de uma família verdadeira se tratasse.
Um bom e emocionante filme dramático que apela ao melhor de cada um de nós sem que, para isso, seja preciso chorar baba e ranho. Muito bom... e Bullock (não canso de referir) no seu melhor.
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8 / 10
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