domingo, 19 de dezembro de 2010

Where the Wild Things Are (2009)

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O Sítio das Coisas Selvagens de Spike Jonze foi um dos filmes sensação de 2009/10 que conta com a participação do jovem actor Max Records no principal desempenho, secundado por Catherine Keener e Mark Ruffalo.
Iniciamos este filme com a presença de Max (Records) um miúdo com sérios problemas de atenção por parte não só da sua mãe como da sua irmã e que se sente literalmente inadaptado junto da sua família. A única forma que pensa ter de chamar a atenção é literalmente comportar-se como um miúdo mimado e birrento e de facto confirma-se... não pelo melhor dos sentidos.
Um dia numa discussão com a mãe que tenta fazê-lo perceber que o seu comportamento não é o melhor, Max foge indo parar a um local onde vivem monstruosas e imaginárias criaturas.
Bom, dito isto... admito que o que me levou inicialmente a ver este filme foi o extraordinário trailer de apresentação que era, de facto, muito bom e com uma banda-sonora que aguçava o apetite de qualquer um de nós.
O filme em si é, de uma forma geral, engraçado. Sei perfeitamente que não é daqueles filmes que alguma vez irei considerar ser "da vida", mas sei também que é uma muito boa história sobre a fase de crescimento pela qual todos nós passamos, bem como os medos do desconhecido pelos quais todas as crianças passam. Todos anseiam ser adultos, mas é uma vez lá chegados que todos percebem que afinal a melhor etapa das nossas vidas é de facto a infância. No entanto só o sabemos, e percebemos, quando já a perdemos definitivamente.
Também a fuga de Max tem uma justificação... Ela mais não é do que uma representação da sua fuga física e psicológica à indiferença que sente dentro da sua casa. Enquanto a sua irmã adolescente se prepara ela para ter a sua vida e a sua mãe se prepara para refazer a sua, Max é, de certa forma, "abandonado". É uma criança, que necessidades terá ele? Comparando com os outros... poucas.
Esta fuga é assim a sua forma de se revoltar e rebelar contra a indiferença de que se sente vítima. Refugiar-se num mundo alternativo, onde os monstros mais não são do que representações gigantescas dos seus medos, tal como eles aparentam ser a qualquer criança com receio do que está para "além" daquilo que se controla... A solidão, o medo ou a vontade de pertencer e integrar algo são constantes da sua jovem e curta vida.
No entanto estes mesmos monstros não representam só os medos de Max. Eles são também representações daquilo em que Max, ou qualquer outra pessoa, se transforma. Futuros adultos com ânsia e impaciências. Medos e receios que, de uma ou outra forma, poderão resultar em impulsos mais violentos como reacção àquilo com que se depara.
Não será para mim, como disse, um filme genial. Existirão (existem) filmes melhores e que poderei considerar como os grandes filmes do ano. Este, no entanto, se não me conseguiu conquistar gande simpatia durante uma boa parte da sua história é no entanto no final que consegue captar mais da minha atenção e da minha empatia para com ela.
É a percepção por parte dos monstros de que Max vai abandonar a ilha (que é como quem diz abandonar a sua jovem idade e entrar numa adolescência) que conseguimos perceber a nostalgia que ele inconscientemente e de imediato sente ao ver que aquela fora a sua melhor idade e que jamais a poderá repetir. É talvez aqui que todos nós enquanto espectadores percebemos que a nossa melhor fase de vida foi de facto a infância. Uma altura de sonhos, de aventuras e de sermos nós próprios sem rótulos, fachadas ou representações a que a sociedade obriga. Uma altura simplesmente natural em que somos nós próprios.
Será esta a grande mensagem que a mim, tal como a tantos outros, este filme conseguiu transmitir e olhando-o assim consegue ser uma história engraçada e agradável de se ver.
Além destes imensos "detalhes" é de destacar ainda a participação de nomes reconhecidos como James Gandolfini, Catherine O'Hara, Paul Dano, Forest Whitaker ou Chris Cooper a dar voz aos monstros bem como é de referir ainda a magnífica banda-sonora da autoria de Carter Burwell e Karen Orzolek como pontos altos deste filme.
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"Judith: Happiness is not always the best way to be happy."
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7 / 10
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