quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Talvez (2013)

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Talvez de Luciano Sazo é uma curta-metragem portuguesa de ficção que reúne um dos casais "camera-friendly" do momento, ou seja, Mafalda Teixeira e Jorge Kapinha.
A curta-metragem cujo argumento é também de Luciano Sazo conta-nos a história de amor interrompido de Bruno (Kapinha) e Rita (Teixeira) que oito anos depois do seu abrupto afastamento se reencontram num jantar de amigos.
Conseguirá Bruno recuperar a sua antiga paixão ou estará a mesma danificada de forma irreparável mantendo assim estas duas almas gémeas perdidas num tempo que já não irão conseguir recuperar?
Com uma interessante abordagem à temática das relações perdidas, Sazo entrega uma primeira, e longa, metade desta sua curta-metragem que nos insere na dinâmica do grupo, das amizades que se mantiveram e cultivaram com o passar dos anos e que apesar da proximidade que se sente entre eles denota, ao mesmo tempo, a não existência de uma sentida cumplicidade entre este conjunto de amigos. Aqui, contrariamente ao que acontece em por exemplo The Big Chill (Os Amigos de Alex no título utilizado por Portugal), a distância física sentida entre os amigos não os aproxima nas suas confidências e sentimentos. Quem são eles verdadeiramente mantêm-se um segredo e todos remetem a sua convivência ao recordar de um passado em que se divertiam e nas experiências que todos viveram sendo que, pelo contrário, as confidências sobre o "eu" se mantém apenas presentes para o casal protagonista que desespera por uma explicação para o seu passado por resolver.
Se esta mesma primeira metade da curta-metragem parece não elucidar muito mais além deste convívio que se repete ano após ano entre este conjunto de amigos, não é menos verdade afirmar que a segunda metade da mesma obriga a uma sentida envolvência do espectador com as personagens "Bruno" e "Rita" ao ponto de querermos saber muito mais não só do seu passado em comum como principalmente do resultado das escolhas que a "fuga" de "Bruno" teve na vida sentimental de ambos. É sentida a cumplicidade que têm e a forma como desejam, cada um à sua forma, uma maior proximidade que parecem não conseguir concretizar.
É assim que a dinâmica entre Jorge Kapinha e Mafalda Teixeira se torna francamente notória. Desde o primeiro instante em que se cruzam no ecrã que percebemos que o mesmo está dominado pelas suas trocas de olhares e pela clara química que ambos partilham no ecrã. Sentimos que querem comunicar para além desses mesmos olhares e que o que sentem e têm para dizer ultrapassa em muito os oito anos em que se mantiveram afastados tal não é a cumplicidade que partilharam.
É esta mesma segunda metade de Talvez que detém também uma maior qualidade técnica desde a sua direcção de fotografia por Alexandre Valentim que capta as cores quentes de uma noite climatérica e sentimentalmente fria, bem como o som consegue ser francamente melhor nos exteriores fazendo-nos não só alhear dos ruídos que nos rodeiam como nos concentrarmos em cada palavra que é proferida ao contrário do que acontece nos primeiros instantes da mesma, motivo pelo qual no final de Talvez ficarmos com a nítida sensação que esta dinâmica entre os dois actores principais deveria ter sido mais aprofundada pois tinha potencial para ser francamente mais explorado.
Talvez versa sobre a capacidade de conseguir, ou não, perdoar as mágoas que o passado deixou, os traumas que dele vieram e a forma como o mesmo afectou um futuro que era, à altura, desconhecido (im)possibilitando as segundas oportunidades que poderiam surgir no caminho de todos, conseguindo ao mesmo tempo fazer pensar sobre a importância que as pessoas com quem nos cruzamos têm nas nossas vidas... Aspecto este no qual só pensamos quando elas partiram das mesmas deixando um vazio que parece não ser possível preencher.
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7 / 10
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