quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Rosewater (2014)

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Rosewater - Uma Esperança de Liberdade de Jon Stewart é a primeira longa-metragem do apresentador do The Daily Show que conta com a interpretação principal de Gael García Bernal.
Maziar Bahari (Bernal) desloca-se ao Irão para filmar as reacções populares durante a campanha eleitoral de Ahmedinejad.
Enquanto filma o descontentamento das populações dos arredores de Teerão, Bahari consegue filmar vários confrontos com as milícias e após transmissão para Londres é detido para interrogatório sob suspeita de ser um espião da CIA utilizando como prova para a sua detenção um vídeo cómico que havia feito para o programa The Daily Show.
Baseado no livro de Bahari e Aimee Molloy, Then They Came for Me: A Family's Story of Love, Captivity, and Survival, esta longa-metragem inicia o seu percurso pelas ruas dando voz a uma população descontente mas tem, no entanto, todo o seu clímax por detrás das quatro paredes de uma Prisão de Evin onde se colocam em causa os valores principais da dignidade humana. A tortura psicológica a que Bahari foi sujeito durante 118 dias mantém todo o filme em suspenso desde o primeiro instante, criando não só um repúdio por um regime obsoleto que se sustenta em preconceitos estabelecidos contra todo o elemento estrangeiro mas, ao mesmo tempo, sobre a forma como Bahari conseguiu manter a sua sanidade - se bem que frágil durante vários períodos - graças às recordações da sua família, dos seus que também sofreram às mãos das ditaduras e principalmente dos pequenos elementos que, apesar das circunstâncias, o mantiveram consciente do local em que se encontrava e que o faziam criar um elo com o seu próprio cativeiro e interrogador... o cheiro a água de rosas - Rosewater - que o caracterizava.
Este filme leva o espectador a uma parceria imediata com "Bahari". Desde o seu espírito tranquilamente interventivo e disponível para filmar um país que também é o seu e onde estão todas as suas referências enquanto família e ser passando por todo os conflitos e confusões naturais de alguém que é detido por todos os motivos errados sem esquecer os duros 118 dias de prisão solitária nos quais todas as suas memórias da família passada também detida num regime onde era proibido pensar e exigir liberdade, Gael García Bernal expõe o melhor do espírito humano... a sua resistência.
Resistência esta que sobrevive não só à tortura física como principalmente à psicológica no qual "Bahari" se viu confrontado com elementos que o induziam a acreditar no abandono e esquecimento por parte dos seus como forma a favorecer a sua quebra e cedência a um espírito de regime ditatorial que o queria forçar à cumplicidade e à traição.
Rosewater é assim, para lá de um registo sobre a opressão, uma análise à resistência do espírito, da esperança e de uma lucidez apenas capaz para poucos. Uma lucidez que apenas pode ser garantida através de uma resiliência sem limites mesmo quando a morte se tenta impôr.
Com interessantes interpretações do já referido Gael García Bernal que a cada passo se impõe como um dos mais destacados actores latino-americanos, mas também do britânico Dimitri Leonidas enquanto "Davood" - o amigo imediato de "Bahari" - Shohreh Aghdashloo como "Moloojoon", a sua mãe e ainda Kim Bodnia como o intenso "Javadi" - conhecido como "Rosewater" - o polícia e torturador que estabelece uma estranha e violenta relação com "Bahari".
Comedido - para lá dos intensos interrogatórios - nas incessantes auto-confissões de "Bahari", Rosewater é uma auspiciosa estreia na realização de Jon Stewart que consegue colocar de lado o seu estatuto de vedeta televisiva entregando dessa forma extrema credibilidade a uma história onde a condição e os direitos humanos se assumem como actores principais.
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7 / 10
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