terça-feira, 6 de junho de 2017

Wonder Woman (2017)

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Mulher-Maravilha de Patty Jenkins é uma longa-metragem norte-americana que se insere na lista de obas e figuras da Marvel adaptadas ao cinema, desta vez, sobre as origens de Diana - a Mulher-Maravilha - e os seus destinos junto daqueles que jurou defender... a Humanidade.
Depois do piloto Steve Trevor (Chris Pine) se despenhar nas águas junto à sua ilha, Diana (Gal Gadot), uma guerreira amazónica, descobre que o mundo para lá das suas fronteiras se encontra em guerra. Com o intuito de destruir o poderoso deus Ares, Diana embarca numa viagem por uma Europa devastada pela Primeira Guerra Mundial onde irá desvendar todo o seu potencial enquanto salvadora dos destinos do planeta.
Adaptado da realidade Marvel por Allan Heinberg, Zack Snyder e Jason Fuchs, Wonder Woman é o mais recente título cinematográfico retirado às inúmeras aventuras do referido franchise que o espectador facilmente entende como o primeiro de muitos que irão cruzar vários super-heróis nos mais intensos blockbusters de Verão... E se as dúvidas persistissem, os primeiros instantes de "Diana" no seu trabalho no Louvre da actualidade tudo esclareciam ou não fosse ela receber uma encomenda da já famosa Wayne Enterprises.
Tido essencialmente como um filme de acção e aventura, este Wonder Woman tem o cuidado de se assumir como mais um veículo da acção britânica - e norte-americana - num dos conflitos mundiais que atravessaram a Europa assumindo-se como a tal super-potência dominante num século cheio de crises onde se intensificaram inúmeros confrontos armados mas, ao mesmo tempo, dá um certo toque ao século XXI em que nos encontramos assumindo algumas preocupações actuais. Começando pela principal - e de certa forma como uma incontornável continuação do século passado -, Wonder Woman tem o "cuidado" de alertar o espectador para que "atenção"... não foi só nos idos 1900 que o mundo esteve nesta corrida ao armamento. Pelo contrário, que o espectador mais desatento note... estamos hoje realidade tão ou mais preocupante do que na altura e se dúvidas existissem... bastava ligar a televisão num qualquer noticiário e percebemos onde nos encontramos. Mas, apesar deste soar do alarme anti-bélico, Wonder Woman é acima de tudo um inesperado e algo inexplorado alerta para as questões ambientais que tanto afectam o nosso planeta neste século XXI. Nesta longa-metragem de Patty Jenkins - que alguns acusam de feminista mas eu a tenho como mais pretenso-ecológica - até os vilões são dotados de uma consciência quando querem conquistar não pelo prazer do domínio mas sim com o propósito de livrar o planeta do seu verdadeiro cancro... o Homem. No tempo dos deuses do Olimpo que comandavam os destinos da Humanidade do alto de um monte místico e mítico, toda a Terra era pura e limpa da desertificação e da poluição que ganhou nesse século XX, dimensões para lá de suportáveis. Agora, cem anos depois, encontramos um planeta com os mesmos dramas ecológicos mas potenciados ao seu máximo para níveis incalculáveis. Livrando-se a Terra do Homem... poderá ela finalmente ter uma nova hipótese de sobreviver?!
Assim, e para lá da questão da pegada ecológica - de então mas com um piscar de olho ao nosso presente -, Wonder Woman consegue (tal como anteriormente referi), consciencializar o vilão, ou seja, normalmente associado à destruição pela destruição, pelo comando de um planeta em ruínas e por um poder déspota e livre de responsabilização, aqui o vilão surge como um rosto "armado" (literalmente) de um planeta que lentamente definha e que, desprovido de defensores, nele encontra um justiceiro capaz de tudo para vingar a acção do Homem.
Pelo meio destas pretensas mensagens o que encontramos mais em Wonder Woman? Um bem construído filme de acção e entretenimento cujo propósito é essencialmente deslumbrar pelos seus efeitos especiais e sequências de acção construindo, ao mesmo tempo, uma ponte de ligação a todos os demais contos de super-heróis que povoam o grande ecrã neste época do ano, apresentando mais uma das inúmeras personagens Marvel - esperam-se as novas entregas e o cruzamentos entre todas as histórias de super-heróis e vilões - e. no fundo, entreter o espectador que segue fielmente os mais variados comics em que todos eles se encontram.
Longe de ser a obra referência do momento ou até mesmo deste género, Wonder Woman consegue, por sua vez, levar ao grande ecrã uma super-heroína distanciando o género que coloca o protagonista masculino em primeiro plano remetendo-o aqui para um desempenho quase secundário e de suporte à acção motivada pelo coração da protagonista. Aqui reside - talvez - a única característica dita feminista desta longa-metragem e de uma indústria que já deveria ter compreendido há muito que também uma mulher, uma actriz e até uma personagem feminina central consegue levar espectadores às salas e ganhar dinheiro com esse pseudo-"fenómeno".
Com um conjunto de simpáticos secundários onde se destacam Robin Wright, Connie Nielsen, Danny Huston ou Elena Anaya, este Wonder Woman é essencialmente um objecto de puro entretenimento, divertido e frenético quanto-baste não lhe faltando portanto as batalhas, as lutas pelo poder, as revelações e até mesmo as confirmações (até do próprio amor). Wonder Woman é portanto, o filme de super-heróis (heroína) do ano mas, tal como todos os demais do referido género, está longe de contribuir para se afirmar como uma peça fundamental do mesmo, apenas conseguindo confirmar que abriu a porta ao género agora também liderado (e bem por Gal Gadot) por uma mulher capaz de ser tão "bad ass" como qualquer herói protagonizado por um homem.
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7 / 10
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