quarta-feira, 7 de junho de 2017

He Said to Leave (2017)

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He Said to Leave de J. Clay Harmon é uma curta-metragem norte-americana na qual dois jovens falam sobre um deles ter assumido ao seu pai a sua homossexualidade.
Enquanto um se debate com os dilemas de uma vida agora incerta, o outro conforta-o dizendo-lhe que a sua casa e a sua amizade continuarão a ser uma certeza. No entanto, quando ele se prepara para a tomada de uma atitude drástica, o telefone toca e inesperadas revelações irão abalar todas as suas certezas.
Ainda que o realizador e argumentista pretenda ilustrar a sensível mensagem da aceitação do "outro" - neste caso na personagem de um pai aparentemente austero e pouco letrado que, na realidade, o espectador nunca chega a ver - He Said to Leave falha naquilo que é um elemento principal capaz de dinamizar não só a atenção ao espectador como principalmente a dinâmica de uma história que, desde cedo, cai no banal... ou seja, nas interpretações. Os dois jovens actores - amadores e ainda com muito amadurecimento pelo caminho (na eventualidade desta curta-metragem não ter sido um "acaso" - debitam um conjunto de diálogos que parecem nem sequer perceber (ou sentir), limitando-se a uma pouco inspirada sessão sobre as questões da aceitação, do amor (e sua falta) assim como daquilo que será a sua vida... daí em diante.
A esta inexperiência dos actores vem acrescida uma pouco sentida e profissional realização que muito se aproxima de um trabalho feito "em cima do joelho", pouco explorando não só o espaço como a dimensão psicológica dos dois intervenientes ou mesmo a relação de amizade que os une. É certo, o espectador percebe que o amigo está lá para todas as ocasiões - mesmo as más - mas, na prática, estando lá ou não... fará algum tipo de diferença?
Se este filme curto não estivesse já repleto de banalidades e momentos onde a falta de exploração sentimental reina, o seu final previsível e francamente mal executado boicota qualquer tipo de esperança que o espectador pudesse depositar neste filme que, no geral, se resume a uma boa intenção (espero!) do seu realizador em poder contar uma história mas que, na prática, está muito longe de poder ser um filme referência no género - ainda que já seja difícil sê-lo nesta temática muito particular - remetendo-se para a prateleira dos filmes falhados que não surpreendem para lá da sua óbvia fragilidade e amadorismo.
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