sábado, 20 de fevereiro de 2016

Morrer (2015)

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Morrer de Flávio Pires é uma curta-metragem de ficção portuguesa presente na secção competitiva nacional desta edição do Córtex - Festival de Curtas-Metragens de Sintra que decorre no Centro Cultural Olga de Cadaval até amanhã dia 21.
Aos 18 anos de idade foi diagnosticado a Daniel um cancro. Depois de vários anos de tratamento ele venceu a doença... até um dia.
É com extrema curiosidade e antecipação que tomo conhecimento de mais uma obra de Flávio Pires, realizador que já entregou o hilariante Artur (2010) e o reflexivo Noite (2012), dois distintos mas bem dinâmicos filmes curtos que nos remetem para intensas abordagens sobre a vida e a morte (ou seu prenúncio).
Se no mockumentary de 2010 o espectador encontra o bem elaborado relato de uma vida imaginada, e se no segundo o realizador nos leva a privar de perto com duas vidas distintas que se cruzam e dependem uma da outra é com Morrer que Flávio Pires nos transporta para uma viagem que prolonga - noutra "vida" - a temática da morte mas aqui sentida e principalmente sofrida com a proximidade daqueles que lhe - a Daniel - querem bem mas sentindo e percebendo a sua impotência perante a mesma.
"Daniel" é um jovem que vive com a mãe e o irmão mais novo. Distanciado de uma namorada que partilhou com ele o momento em que percebe que a doença não "partiu" de vez, "Daniel" vive os primeiros instantes dentro daquela casa omitindo o que então descobre e depois num sofrimento que aos poucos vai sendo conhecido por todos e que precede os seus instantes finais.
Sempre com um plano fechado onde nada para lá da expressão e reacção de "Daniel" deve importar para o espectador, Morrer apresenta-se sempre com uma ausência de luz e principalmente de espaços onde os sons ao redor contam apenas para se compreender que não se está sózinho ou isolado do mundo exterior mas onde a dor pessoal impede de lhe dar grande atenção. Desta forma o mundo perde-se - para "Daniel" e para o espectador - concentrando-se mutuamente apenas na proximidade de um fim mais do que anunciado evitando até as reacções e "momentos" daqueles que com ele vivem.
Intenso pela sua temática e pela forma como não só a morte como o próprio definhar são filmados, Flávio Pires dá continuidade a este relatar de um "fim" que chega sem se anunciar e que se faz sentir e notar de forma ruidosa.
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7 / 10
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