terça-feira, 22 de novembro de 2016

Zootrópio (2016)

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Zootrópio de Tiago Rosa-Rosso é uma curta-metragem portuguesa de ficção presente na Selecção Oficial da XXIIª edição dos Caminhos do Cinema Português que decorre até ao próximo dia 26 de Novembro, em Coimbra.
O zootrópio é um objecto anterior ao animatório que, quando rodado, exibe um conjunto de imagens animadas em sequência. Tendo isto em mente, o mais recente trabalho de Tiago Rosa-Rosso revela, ao espectador, um segmento animado que retrata uma conversa mais ou menos banal - quase desconstruída - de um momento entre dois pares de personagens. Entre conversas à janela e a leitura de um jornal... até que ponto os assuntos são de facto reveladores ou apenas momentos repetidos de uma história sem fim?
Depois dos magníficos e originais Ao Deus Dará (2013), Lei da Gravidade (2014) e Despedida (2015), Tiago Rosa-Rosso apresenta esta história em estilo homenagem às origens do cinema. No fundo o que já fizera com as suas obras Lei da Gravidade - com uma homenagem à importância de um bom argumento - e em Despedida - numa reflexão sobre o abraçar uma nova etapa ao som de temas de séries televisivas (cinema versus televisão) dos anos 80 e 90 -, e que aqui tenta dar continuidade a esta temática como se de uma trilogia se tratasse.
Ainda que as intenções de Rosa-Rosso sejam este filme-homenagem às origens da Sétima Arte, o resultado final desde Zootrópio - ainda que compreensíveis na sua forma - fazem da curta-metragem enquanto objecto para o público, uma obra com a qual se torna difícil de empatizar ao desprovê-la de conteúdo narrativo que lhe dê uma devida sequência. Por outras palavras, se o aspecto "técnico" de Zootrópio se enquadra na referida homenagem, de argumento esta curta-metragem perde-se num total e completo vazio - certo que o zootrópio também não tinha um "argumento" mas apenas a sucessão de imagens - que não agradam ou provocam qualquer tipo de interesse de o continuar a ver para lá de cinco - já de si longos e exaustivos - minutos.
De longe a obra menos conseguida de Rosa-Rosso - irei remetê-la para o âmbito das obras "experimentais" e de aprendizagem - que é seguramente um dos realizadores mais imaginativos e bem sucedidos de uma nova geração e, o qual, se deve manter sob um olhar atento pela capacidade que tem de inovar e contar histórias originais, apelativas e universais.
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