domingo, 20 de novembro de 2016

Banho de Paragem (2016)

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Banho de Paragem de Nuno Rocha é uma curta-metragem de ficção portuguesa elaborada no decurso da quinta edição do curso de Cinemalogia dos Caminhos do Cinema Português, em Coimbra e apresentada ao público no âmbito da XXII edição do festival que decorre até ao próximo dia 26 de Novembro.
Joaquim é um reputado professor universitário e ex-militar na Guerra Colonial recentemente falecido. Alexandre (Nelso Azenha), o seu filho, ao desenvolver a biografia de homenagem ao pai descobre um negativo que irá revelar muito da história oculta do seu pai, colocando em questão o seu lado humanitário.
Irá Alexandre revelar este passado oculto ou, por sua vez, manter intacta a reputação de um homem cuja carreira o elevou como um justo?
Fruto da ideia de um conjunto de estudantes do já referido curso, Banho de Paragem é, tecnicamente falando, um simpático e interessante resultado da execução do trabalho de todo um ano de estudos. Competente a nível de imagem e som, esta curta-metragem revela-se ainda pertinente pelo seu argumento que expõe e volta a colocar "sobre a mesa", uma temática que já tantas vezes por aqui referi ser ainda "escondida" dos olhares e do estudo de todo um público que desconhece os anos e os intervenientes de uma Guerra Colonial que é, ainda, um tabu por explorar.
Para lá do conflito moral com o qual se depara "Alexandre", a mensagem aqui tentada é questionar o espectador - no seu colectivo - primeiramente sobre os silêncios que a década final da ditadura ainda esconde - desde a sua própria decadência aos crimes cometidos numa guerra em nome de uma pátria que já não o era (se alguma vez o foi!) - e, de seguida, levantar um pouco o véu sobre aquelas inúmeras histórias que tantas famílias têm que, não sendo necessariamente trágicas pela barbárie, o são pelos receios e traumas que provocaram e que persistem ainda hoje pelo silêncio a que foram condenadas mantendo uma desconhecida tortura psicológica naqueles que as viveram e nos que se sucederam habituados a viver com esses mesmos traumas como sendo traços de personalidade.
A maior fragilidade de Banho de Paragem está, no entanto, na execução prática deste mesmo argumento por parte dos dois actores protagonistas - Nilce Carvalho como mulher de "Alexandre" - que tentam representar um luto recente (?) deixando, no entanto, arrefecer a esperada química entre um casal que parece começar a viver com a perda e a redescobrir-se nos seus silêncios, também eles (talvez?!), um fruto dessa herança transmitida mas não assimilada como um trauma de guerra.
Claramente interessante na ideia e no argumento mas suficientemente frágil na sua execução para não se deixar brilhar naquilo que poderia - e deveria - ser sendo, no entanto, uma clara marca positiva para o realizador - coordenador de projecto - e para os alunos recém chegados ao cinema que aqui entregam o seu primeiro trabalho profissional.
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5 / 10
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