sábado, 12 de novembro de 2016

Ángel (2015)

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Ángel de Bartolomé Rebollo e Rosa Cabello é uma curta-metragem espanhola de ficção que relata a história de Sara (Verónica Goya), uma mulher vítima de diferentes abusos físicos e psicológicos. Num momento em que se vê forçada a abdicar da sua dignidade e do seu poder de escolha e decisão, poderá esta mulher sobreviver à humilhação de que é constantemente alvo?
Os realizadores e argumentistas centram toda a dinâmica de Ángel na infelizmente cada vez mais presente violência de género que afecta pública ou de forma anónima cada vez mais mulheres um pouco por toda a parte.
Num mundo onde se caracteriza o sucesso de um indivíduo pela sua forma de estar em sociedade, ou seja, no reino das aparências tantas vezes ilusórias, o que acontece a alguém que sofre abusos físicos e psicológicos por detrás dessa cortina que afasta o domínio público de um espectro social mais recatado e até mesmo anónimo? No fundo, a grande questão que se pode colocar depois de ver este Ángel é sobre onde ficam as vítimas?! Desde violentas agressões sexuais consumadas na privacidade de um lar àquelas que expõem a mulher ao ridículo público, o que poderá esperar quando tudo e todos no mundo parecem não reagir ao seu tormento?
Com um conjunto de perguntas que permanecem em aberto face a uma realidade que é tantas vezes ofuscada pela vergonha e exposição públicas, Ángel aborda uma importante e sempre pertinente temática por vezes sob a forma de um documentário ficcionado que ilustra essa violência mas, ao mesmo tempo, cede pela notória pouca preparação dos seus actores em alguns dos momentos que pretendem ilustrar que, nem sempre, parecem espontâneos ou sequer dispostos a arriscar ilustrando assim o verdadeiro sofrimento de quem por ele passa.
Importante por trazer à luz um dos flagelos silenciosos desta sociedade moderna Ángel é, no entanto, um daqueles filmes que não se poderia - ou deveria - tomar de ânimo leve sendo necessária toda uma preparação para a sua execução e comprometimento individual para que essa mesma violência não fosse, por vezes, tomada de forma ligeira... mesmo por parte do espectador. If you do it... make it count!
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6 / 10
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