sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

There's Too Many of These Crows (2016)

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There's Too Many of These Crows de Morgan Miller é uma curta-metragem norte-americana de animação presente na segunda sessão da Competição Internacional do Córtex - Festival de Curtas-Metragens de Sintra e que ultrapassa os limites normalmente estabelecidos pelo género com a sua respectiva mensagem moralista.
O que acontece quando num descampado onde nada existe para lá de um grupo de pessoas que tenta fazer a sua rotina diária e se vêem subitamente perturbados pela existência de um bando de corvos muito "presentes"?
Morgan Miller cria um mordaz e pertinente argumento em There's Too Many of These Crows no qual se estabelece através de umas inicialmente inocentes imagens, o princípio de um acto de agressão que tudo demonstra querer propositadamente escalar para uma violência que parece não ter fim. Se começamos por encontrar um conjunto de indivíduos que agridem e são agredidos por um bando de corvos que voam por um determinado local estes são - pensamos - eliminados do espaço apenas para surgir em maior número para retribuir a agressão.
De forma concertada e cada vez em maior número regressam para destruir um carro de socorro logo após a terem feito despenhar um avião. Eliminados com o poder militar de uma metralhadora e de seguida com um lança chamas, estes corvos parecem indestrutíveis quando resistem ao poder de uma bomba que a tudo põe fim... mas será que põe? Sempre de forma concertada e com a noção de que em grupo reside a sua força e sobrevivência, o animal "irracional" consegue afirmar-se perante o Homem e todos os seus infindáveis recursos que, aos poucos, desmoronam qualquer réstia de esperança na sua própria preservação.
A violência, por mais "inofensiva" que pareça apenas gera mais violência e os ódios acumulados apenas transgridem a hipótese de uma negociação que jamais poderia ser negociada e a animação de Morgan Miller é assim tão pertinente, actual e tão pensada que nos relata não só uma imagem da História como principalmente dos dias cada vez mais negros que insistem em ensombrar os destinos de uma Humanidade que parece caminhar a passos largos para um ressurgimento de um qualquer conflito.
Brilhante, mordaz mas acima de tudo uma animação simples e bem construída que faz-nos (sor)rir pela forma como na ausência da sua inocência tão bem nos retrata e ao mundo em que vivemos deixando no ar - literalmente falando - que nem sempre o aparentemente mais inofensivo e indefeso... o é.
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7 / 10
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