quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Mandy (2018)

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Mandy de Panos Cosmatos (EUA/Bélgica) foi uma das longas-metragens da secção Serviço de Quarto ontem exibidas no decorrer da décima-segunda edição do MOTELx - Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa que decorre actualmente no Cinema São Jorge.
1983. Red (Nicolas Cage) e Mandy (Andrea Riseborough) vivem uma pacata existência nas profundezas de uma floresta. Ele é lenhador e ela uma artista gráfica que passa os dias a desenhar e a ler um dos muitos contos de fantasia que lhe dão inspiração. Um dia, durante um passeio pela floresta, Mandy é observada por Jeremiah (Linus Roache), líder de um culto extremista que a deseja ter como uma das suas seguidoras. Depois de planear raptá-la e sodomizá-la, Mandy ridiculariza as pretensões de Jeremiah que a assassina e faz despertar os desejos de uma brutal e sangrenta vingança às mãos de Red.
O realizador e Aaron Stewart-Ahn colaboraram neste argumento repleto de elementos religiosos, místicos e por vezes profanos que, numa América profunda, dão corpo a uma história de vandalismo e vingança onde o néon e uma potente caracterização do espaço e da época fazem relembrar muitas histórias à la The Punisher (1989) no qual se perseguem não os esgotos de uma qualquer cidade mas sim uma floresta onde as almas não adormecidas do passado esperam por reclamar as almas dos desprotegidos inocentes.
Dividido em três distintos momentos, Mandy inicia a sua dinâmica dando corpo àquela que será, provavelmente, a sua principal personagem; a floresta. É através de um extenso vislumbre que ocupa todos os créditos iniciais que o espectador entra, de facto, no seu primeiro segmento que, curiosamente, o situa geograficamente... The Shadow Mountains, local em que ambos vivem e onde se compreende a dinâmica de "Mandy", uma mulher despreocupada e com uma vida relativamente mundana perdida no seu próprio imaginário de fantasia. Com um trabalho de poucas preocupações, "Mandy" passeia pela floresta ao seu redor descobrindo pequenos elementos inspiracionais e que a fascinam, por vezes até de forma mórbida, e que a fazem auto-excluir-se dessa sociedade "lá fora" da qual não parece ter pretensões a pertencer.
Num segundo momento o espectador é transportado para Children of the New Dawn onde se cruza com os elementos deste culto liderado por "Jeremiah" (brilhante interpretação de Linus Roache), centrados no poder supremo de um Deus de vingança e de uma justiça ultra-conservadora - um honesto retrato dessa já referida América profunda centrada em valores que são (para si) impossíveis de questionar -, que usa as suas vítimas (e seguidores) para a satisfação dos seus prazeres carnais não sem antes pedir auxílio da versão gore dos Cavaleiros do Apocalipse aqui intitulados Black Skulls, um grupo de demónios motards com força sobre-humana e capazes de arrasar tudo por onde passam.
Se nestes dois segmentos a presença de Cage é meramente simbólica apenas despertando nos instantes finais deste último, é no desfecho Mandy - segmento homónimo - que o actor ganha todo o seu esplendor, recuperando muita da energia que o espectador lhe conhecera de outras entregas... já bem distantes que o "Red" de Cage se revla primeiro como um homem marcado pela perda, pela revolta, pela compreensão da sua impotência mas, sobretudo, pelo assumido desejo de uma vingança sem limites como um anjo exterminador que terá de pôr fim as intenções finais dos Cavaleiros do Apocalipse. No meio de uma trip de rock psicadélico - se a floresta é uma personagem, a música original de Jóhann Jóhannsson juntamente com a direcção de fotografia de Benjamin Loeb também o são -, com todo um conjunto de referências bíblicas - novamente, a América ultra-conservadora em voga - o cinema que também se poderia intitular de ultra-gore de Panos Cosmatos ganha vida graças a esta inspirada interpretação de Cage que pega naquilo que o seu Ghost Rider (2007) deveria ter sido e o transforma num homem, que poderia ser real e capaz de ter enfrentado uma provação em tudo menos divina, e lhe entrega uma alma perdida e em conflito pelas devidas provações que demónios bem humanos lhe colocaram, envergando toda uma postura de homem disposto a tudo para reclamar justiça para aqueles que (já) não podem e até mesmo para si... demonstrando que a sua então impotência agora será inexistente.
Mas, se esta longa-metragem que se assume sem dificuldade como uma das melhores - até ao momento - desta edição do MOTELx vive muito desta explosão de vigor de Cage no último segmento, não se pode esquecer o empenho que Andrea Riseborough entregou ao primeiro, revelando-se como uma improvável donzela - também marcada - que paira no espaço não deixando nele qualquer tipo de prova da sua existência - afinal a sua vida é quase reclusiva e limitada ao local em que vive e trabalha - mas especialmente a um intenso Linus Roache como o não tão improvável fanático que percorre as ruas desprotegidas dessa América em busca da próxima vítima - ou seguidor - do seu culto que pretende espalhar uma justiça moral (mente corrupta) em nome de Deus (pelo seu olhar cruel e lascivo), e claramente a personagem mais intensa, medonha e provavelmente real - não proliferam estes falsos profetas nas nossas sociedades ainda nos dias de hoje?! -, que domina todo o segmento dedicado ao seu culto e boa parte do último onde o vemos na sua igreja e no seu altar para adoração de algo que compreendemos - já o tínhamos compreendido - não só ser corrupto, imoral, hediondo e francamente perigoso que tudo apregoa menos qualquer tipo de moral... pelo menos moralmente justa.
Com uma atmosfera fantasmagórica que emerge o espectador num espaço que tanto é de fantasia como de terror, de sobrenatural como de espectáculo repleto de néon e brilho onde, no entanto, as sombras ganham uma dimensão muito própria e particular, Mandy é de longe uma das melhores e mais bem sucedidas apostas dos últimos anos do percurso cinematográfico de Nicolas Cage que aqui sim... volta a figurar como um dos mais importantes nomes dessa Hollywood onde, por vezes, os sonhos parecem não querer sair da mente daqueles que os ousam ter.
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9 / 10
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quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Insanium (2018)

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Insanium de Rui Pedro Sousa (Portugal) é uma das doze curtas-metragens candidatas ao Prémio MOTELx de Melhor Curta-Metragem Portuguesa de Terror da décima-segunda edição do festival.
Ao passearem pela floresta, as inocentes conversas dos irmãos Adam (Sonny Chatters) e Eric (Daniel Stewart) são bruscamente interrompidas quando encontram um corpo e as suas vidas a partir desse momento modificam radicalmente.
Dividido em três distintos segmentos (ou volumes), Insanium dá os primeiros passos através da história escrita por Joey Fidler, Vol 01 - Zombie a qual dá o mote de saída a toda a trama. "Eric" tenta provar os seus conhecimentos e a sua destreza face a "Adam", o irmão mais velho aparentemente pouco crente da sua capacidade enquanto exterminador de zombies. Mas, é no seu breve passeio que o inesperado acontece e que o jovem rapaz se vê confrontado com as suas habilidades. Será ele capaz de responder?
Com a provação final consumada - e a qual só será do conhecimento do espectador após visionar esta belíssima trilogia -, Insanium dá corpo ao seu segundo momento através de Vol 02 - Whispers onde já na casa dos jovens, pequenos murmúrios parecem encher uma casa semi-abandonada onde não conhecemos qualquer poder parental até já bem perto do final e onde os dois jovens parecem fazer aquilo que o seu isolamento lhes permite na ausência de pais por perto. É, no entanto, quando a mãe chega, que o espectador fica a conhecer um pouco mais da realidade desta família privada de um pai, e dos tormentos e receios que parecem ecoar não só nas paredes das casas como principalmente nas suas jovens mentes ainda em formação.
Finalmente, é no seu último segmento intitulado Vol 03 - Awoken (estes dois últimos com argumento da autoria do próprio realizador), que o espectador fica finalmente a conhecer a realidade por detrás dos receios e temores destes dois jovens e daquilo que se esconde por detrás das sombras que invadem lentamente a sua casa.
Funcionando com um crescendo em potência de segmento para segmento, estas três curtas-metragens conseguiriam, em boa medida, funcionar como filmes curtos independentes e isolados mostrando cada um deles os seus aspectos mais positivos e contribuindo para o imaginário mais ou menos perturbado de cada um de nós. Numa arte como a cinematográfica que, tal como a literatura, permite deixar voara imaginação para caminhos desconhecidos onde os respectivos universos são construídos lentamente através daquilo que os contos nos fornecem e como a nossa mente os recebe, Insanium - como um todo - transforma-se no culminar de uma história que funciona não só pelo que é revelado como principalmente graças a todos os pequenos detalhes que são ocultados do espectador mas que, já no final, são subentendidos pelo menos de forma a compôr as ausências dos respectivos segmentos.
Assim, Vol 01 - Zombie é o momento em que se conhecem os medos e a dinâmica cúmplice, mas não assumida, de dois irmãos capazes de tudo para a sua própria protecção. Vol 02 - Whispers assume-se como o momento em que o espectador compreende finalmente que algo de errado se esconde na sua residência e finalmente Vol 03 - Awoken como o segmento em que a "besta" por detrás das sombras e dos murmúrios se revela finalmente. Se Vol 01 - Zombie é técnica e apenas inicialmente o momento mais pueril na medida em que tudo parece uma inocente e por vezes incoerente conversa entre duas crianças revelando o seu clímax no exacto momento final, são os Vol 02 e 03 aqueles que realmente constroem toda uma dinâmica de suspense e terror capaz de figurar entre os melhores exemplares do género. Uma casa assombrada... uma família desfeita... dois jovens atormentados não só pelo passado como por um presente violento... uma mãe semi-ausente... um monstro "debaixo da cama" e tudo isto... com os tradicionais pesadelos que as crianças sentem, fruto de uma qualquer sombra mais duvidosa que a noite aparenta querer esconder. Mas, no final, e se tudo fosse mais do que aquilo que aparenta ser? E se tudo tivesse um fundamento mais violento do que aquele que é revelado ao longo dos três segmentos? E se, no final, se descobrisse que o monstro pode viver dentro de cada um de nós pura e simplesmente porque... "é possível". É possível quebrar barreiras, limites, consciências e, finalmente, libertar de todas as amarras que supostamente nos ligam a uma sociedade de valores. Valores esses que se desprezam e que se menosprezam dando corpo a toda uma onda de violência que, no fundo, caracterizam cada um de "nós". Afinal, poderão as sombras realmente esconder algo de tenebroso ou, por sua vez, essas trevas vivem dentro de cada um de nós disfarçando-se com as máscaras que a sociedade nos impõe desde o momento em que nascemos?!
Mas, se é verdade que estes três volumes podem funcionar como pequenos filmes independentes contando, cada um deles, um momento específico na vida destes jovens e que apesar de interligados não têm uma linha temporal exacta, é também real que é nesta harmoniosa junção das três que funciona um filme curto capaz de criar toda uma muito própria atmosfera de suspense e terror que deixa o espectador naquele limbo, suspenso de encontrar soluções ou explicações imediatas para o que observa mas, ao mesmo tempo, construindo a sua empatia com as personagens que parecem rendidas a um qualquer mal que os espreita à noite. É este ambiente que funciona, que se instala e que é construído desde os primeiros instantes mesmo com as inesperadas surpresas que entregam informação sem que, no entanto, revelem o seu final e que primeiro transformam as suas personagens em vítimas, depois uma casa num labirinto assombrado e onde algo - que o espectador desconhece - parece ganhar forma para um final inesperado mas bem construído.
Da direcção de fotografia de Vittorio Sala que tira partido da luz exterior nos primeiros dois segmentos e que entrega o espectador à escuridão no último, passando pela direcção de arte da Carina Gaspar que transforma uma acolhedora casa britânica num espaço confinado que parece encolher à medida que os minutos passam, sem esquecer a mais uma vez brilhante direcção musical de Alexander Arntzen, Insanium comprova o rigor técnico e narrativo do realizador de Limbo (2016) que já então havia criado uma história de género fantástico aqui repetido esquecendo agora os pequenos detalhes que podem conduzir uma história, apresentando os momentos necessários para que o espectador se mantenha interessado na conclusão da dinâmica entre os dois irmãos, deles com a sua família e de todos numa casa notoriamente marcada por um passado (presente) e talvez futuro violento que transformará para sempre as suas vidas. É, no entanto, já bem perto do final que esta tensão é menorizada quando os dois jovens se riem descontroladamente do seu presente quando... um breve e irónico sorriso teria feito tremer mais todos aqueles que assistem a esta história e lançando na incerteza as convicções que, até então, o público tinha firmado.
Não sendo uma história absolutamente inovadora - pois o espectador consegue (no final e apenas no final) relacioná-la com outros filmes nos quais este género facilmente se insere -, Insanium é um filme curto inteligente do ponto de vista da sua narrativa e da sua composição técnica capaz de sobreviver enquanto filme uno ou como três pequenos filmes independentes - à la trilogia - que deixam o espectador com expectativa sobre o capítulo seguinte, mas também convincente do ponto de vista das suas interpretações apenas "fragilizadas" por aquele breve momento final e por toda uma atmosfera ligeira que, no entanto, se afirma pela qualidade com que constrói todo um espaço de terror numa casa onde, afinal, o espectador pouco vê sobre o terror que se "esconde".
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8 / 10
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Fake Blood (2017)

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Fake Blood de Rob Grant (Canadá) é um documentário presente na secção Serviço de Quarto da décima-segunda edição do MOTELx - Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa que ontem começou no Cinema São Jorge.
O realizador Rob Grant e o seu amigo de adolescência Mike Kovac fizeram sucesso no circuito de festivais com os seus filmes violentos. Um dia, Rob recebe um vídeo de fãs que explica como praticariam os seus actos de ficção na vida real. Concentrados em analisar os efeitos da violência no cinema nos espectadores, Rob e Mike acabam por cair numa rede de violência experimentando, na primeira mão, a vivência de verdadeiros criminosos e os efeitos reais nas suas vítimas.
Grant, Kovac e Michael Peterson assinam o argumento deste documentário sobre os efeitos da violência no cinema conseguindo, de forma hábil, inteligente e por vezes emocionalmente cómica embrenhar o espectador na sua história enquanto vítimas daquilo que investigavam. Tudo começa com a simples questão... "estaremos a influenciar pela negativa aqueles que assistem aos nossos filmes?"... Pergunta essa que lentamente acabaria por ser respondida das mais diversas formas sem nunca esquecer, no entanto, que a verdadeira temática desta obra não está naquilo que eles buscam mas sim nos efeitos que essa procura exerceu não só nas suas vidas como principalmente nas suas relações e efeitos de encarar o mundo sob uma perspectiva diferente.
Em Fake Blood, o primeiro momento destina-se a uma exploração sobre o cinema... do grunge ao mais violento, do sangue à consequente morte, levanta-se a questão sobre o que será pior... ter um filme no qual alguém é ferido mortalmente sem nunca exibir sinais de sangue ou, por sua vez, um no qual o espectador compreende que o resultado directo de um acto de violência é o sofrimento de uma vítima? Num mercado cinematográfico rendido às classificações etárias e cauteloso com a violência que exibe, Fake Blood - enquanto documentário - insere uma interessante perspectiva que elucida o espectador mais desatento que está, propositadamente, a assistir a algo que independentemente de ser violento... nunca observa um efeito ou consequência directa da mesma. Há sempre quem sobreviva a tiros, lutas intermináveis das quais ninguém sai, na realidade ileso, ou mesmo mortes que, afinal, não o são.
No entanto, é à medida que Fake Blood leva o espectador a embrenhar-se na dinâmica da violência no cinema que os seus mentores se deixam levar pela própria dinâmica querendo saber mais do que esses ditos efeitos mas sim algo sobre aqueles que voluntariamente são autores de actos de violência de forma a credibilizar o seu trabalho. Da investigação de um crime com o qual deparam durante a sua investigação à dinâmica do medo que daí advém, Rob e Mike transformam-se inesperadamente em vítimas - ou reféns - da sua própria curiosidade. Quando procuram respostas sobre as suas curiosidades como forma de amenizar os supostos efeitos do seu cinema, inesperadamente ambos transformam-se nas mais recentes vítimas de uma violência até então desconhecida que, em boa medida, condena a própria relação até então estabelecida entre ambos.
Com algum humor à mistura, afinal a dinâmica entre os dois amigos é explorada em boa parte da primeira metade deste documentário, é a segunda metade que reflecte sobre a sua deterioração e sobre um inesperado afastamento entre os dois mentores deste projecto. O medo que se instala como consequência de uma qualquer mórbida realidade da qual são desconhecedores mas que voluntariamente procuram, transforma-se na sua alma. Uma alma de e com medo... Medo de um desconhecido que paira sobre os seus actos, medo pela consciencialização de que as suas vidas não voltarão a ser iguais depois dos acontecimentos aqui retratados e, finalmente, medo de uma relação de amizade que termina repentinamente... Diz-se que quem vai a uma guerra e regressa já não é a mesma pessoa... Aqui este ditado aplica-se revelando um Mike Kovac distante de um amigo de longa data e um Rob Grant isolado de um mundo no qual parece estar privado de uma qualquer existência significativa... a não ser dar a conhecer a sua obra...
Não deixando de ter os seus momentos francamente irreais como, por exemplo, o momento em que o realizador entrega a um suspeito e potencial "assassino" o seu cartão de profissional da área ou, numa entrevista telefónica, em que revela conhecer todos os dados do seu passado, Fake Blood é, ainda assim um intrigante documentário pela veracidade que esta história pode - de facto - entregar ao espectador uma perspectiva sobre os limites (inexistentes) do controlo da violência, sobre os efeitos do cinema nos seus espectadores e mesmo das condições de pobreza que delimitam o olhar com que cada um de nós "enfrenta" o meio que nos rodeia, Fake Blood deixa em diversos momentos, no entanto, aquela ligeira sensação de que esta pode(ria) facilmente enquadrar-se no género mockumentary na medida em que tudo parece, em diversos momentos, irreal demais para ser verdade. Mas talvez seja aí que reside a sua essência transformando uma história perturbadora e potencial real num conto de terror moderno recheado de criminosos reais, de perseguições e stalkers que podem co-habitar ao lado de qualquer um de nós - afinal, quem vai imaginar que o vizinho do lado pode ser um criminoso violento?! -, todos enquadrando numa comunidade aparentemente inocente e feliz que esconde, no entanto, todo um conjunto de violentos podres.
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8 / 10
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Beatriz Segall

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1926 - 2018
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terça-feira, 4 de setembro de 2018

The Nun (2018)

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The Nun - A Freira Maldita de Corin Hardy (EUA) é a prequela mais que anunciada do franchising The Conjuring (2013) iniciado por James Wan e prolongado  no ano seguinte com Annabelle, de John R. Leonetti levando o espectador às origens de "tudo", quando o Padre Burke (Demián Bichir) e a noviça Irene (Taissa Farmiga) são enviadas pelo Vaticano para a Roménia onde, na companhia de Frenchie (Jonas Bloquet), investigam o estranho suicídio de uma freira.
No Mosteiro, todos encontram não só as mais temidas ameaças de um mundo paralelo que tentam emergir e dominar o mundo que pretendem transformar num paraíso para as trevas como principalmente os seus medos de um passado traumático e ainda não encerrado.
Gary Dauberman escreve o argumento de The Nun a partir de uma história também da autoria de James Wan em que os universos de The Conjuring e de Annabelle encontram aqui as suas origens. Assim, The Nun é a eterna vontade de encontra o princípio de todo o mal - neste caso - encontrando uma forma não só de explicar os acontecimentos já futuramente ocorridos - não esquecer que esta história é cronologicamente anterior àquela das outras obras já mencionadas - como também de prolongar uma história ao ponto do espectador se distanciar da ideia de que o mesmo se baseia em acontecimentos verídicos para aqui encontrar uma mescla sobrenatural que, por vezes, mais roça o mundo da fantasia ou dos medos mais básicos do que propriamente a dinâmica de uma história onde o espectador pense que... isto aconteceu.
Aquilo que fora iniciado com The Conjuring inseria-se muito facilmente naquele imaginário já preenchido com Amityville (1979) ou The Entity (1982) dando corpo a factos documentados sobre a presença de entidades paranormais que ocupam e se instalam num espaço que já não lhes pertence atormentado todos aqueles que estão num mundo terreno. The Nun como seu suposto e imediato predecessor, pretende ocupar aquele lugar de "aqui temos o início de tudo", a razão explicativa de todos os fenómenos paranormais que sucessivamente iam pondo um fim à tranquilidade de meros mortais que não sabem o que acontece à sua volta mas que, no entanto, são por esses acontecimentos atormentados condenando a sua vida a um inesperado mas forçado isolamento... afinal, quem irá acreditar que a sua casa está "possuída"? Mas, o que encontramos realmente aqui?
Independentemente de podermos estar perante uma longa-metragem que retrata essas origens, em que medida é que elas realmente se interligam com as demais histórias que não para lá de uma qualquer menção final que cruza personagens das diversas histórias? Existirá alguma ligação entre as mesmas ou uma mera casualidade que não as transforma nessa "origem" mas talvez sim num "cruzamento" macabro de universos? Poderá o espectador encontrar relação entre esta história e a de Annabelle? Conseguirá, para lá do óbvio, estabelecer uma qualquer ligação com The Conjuring? Talvez com The Conjuring 2 (2016) e, ainda assim, não sabemos em que medida está alterada a dinâmica da primeira obra ou mesmo a necessidade de encontrar forçosamente uma forma de tudo juntar e alargar o já referido franchising para fazer com que o espectador se deixe levar uma vez mais para estes meandros.
Assim, para lá dos sustos ocasionais mais ou menos bem conseguidos e que para os mesmos muito contribui toda a atmosfera recriada de um espaço medieval que, só por si, já reúne todo um imaginário sobrenatural - não se esqueça o espectador que nos encontramos na Roménia - recriada pela direcção de arte de Jennifer Spence, Adrian Curelea, Vraciu Eduard Daniel e Gina Calin, a direcção de fotografia de Maxime Alexandre que utiliza de forma hábil e inteligente a escassa luz e as sombras constantes e claro, não esquecer a música de Abel Korzeniowski que sabe criar toda uma muito própria atmosfera, The Nun é um filme que o espectador já conhece. Conhece os sustos, conhece o inesperado, entende que todos os pequenos detalhes dos quais esta história é construída são devidamente fabricados para proporcionar a espera tensão e é apenas o momento final em que esta história se liga às demais que consegue, de alguma forma, suscitar alguma curiosidade sobre como tudo realmente se conjuga não deixando, no entanto, de ser um legado frágil ainda que minimamente coerente, sobre o passado de uma assombração que insiste em atormentar as vítimas mais sensíveis e que espreita... dos locais onde já é esperado que ele (esse mal) se encontre. No final sobram ao espectador Bichir, Farmiga e Bloquet - não muito bom princípio de carreira norte-americana - muito aquém de todo um potencial dramático que já lhes reconhecemos e aqui em interpretações que tocam, de muito perto, o banal e pouco inspirado servindo apenas de aperitivo a uma qualquer noite de cinema fantástico que, no entanto, poderá ser superado com tantas outras histórias melhor concretizadas.
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4 / 10
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segunda-feira, 3 de setembro de 2018

European Film Awards - People's Choice Award 2018: os nomeados

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Começa hoje a votação para o People's Choice Award entregue anualmente pela Academia Europeia de Cinema. Entre os nomeados encontram-se não só alguns dos títulos mais emblemáticos do cinema europeu do último ano como também longas-metragens premiadas na última edição dos Oscars.
São os nomeados:
  • Aus dem Nichts, de Fatih Akin
  • Borg, de Janus Metz
  • Call Me by Your Name, de Luca Guadagnino
  • Darkest Hour, de Joe Wright
  • The Death of Stalin, de Armando Ianucci
  • Dunkirk, de Christopher Nolan
  • Le Sens de la Fête, de Olivier Nakache e Éric Toledano
  • Valerian and the City of a Thousand Planets, de Luc Besson
  • Victoria & Abdul, de Stephen Frears
A votação, que decorre no site da Academia Europeia de Cinema, decorre a partir de hoje e até ao próximo dia 31 de Outubro. Os vencedores desta e das demais categorias será conhecido na cerimónia a realizar no próximo dia 15 de Dezembro, em Sevilha.
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domingo, 2 de setembro de 2018

Conway Savage

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1960 - 2018
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sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Susan Brown

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1932 - 2018
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quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Vanessa Marquez

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1968 - 2018
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terça-feira, 28 de agosto de 2018

Fénix - Premio Iberoamericano de Cine - pré-selecção portuguesa 2018

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Foram hoje anunciados na Cidade do México as longa-metragens e séries da Ibero-América pré-seleccionados para a quinta edição dos Prémios Fénix a decorrer no final do ano na capital mexicana. Entre os pré-seleccionados encontram-se várias longas-metragens representativas de todos os países de língua espanhola e portuguesa entre as quais várias de produção ou co-produção nacional.
São elas:
  • Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos, de Renée Nader Messora e João Salaviza
  • Diamantino, de Gabriel Abrantes e Daniel Schmidt
  • Mariphasa, de Sandro Aguilar
  • Milla, de Valérie Massadian
  • Praça Paris, de Lucía Murat
  • O Termómetro de Galileu, de Teresa Villaverde
  • Zama, de Lucrecia Martel
Os nomeados serão conhecidos no próximo mês de Outubro e os vencedores revelados numa cerimónia a realizar no próximo dia 7 de Novembro, na Cidade do México.
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domingo, 26 de agosto de 2018

Neil Simon

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1927 - 2018
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Shortcutz Viseu - Sessão #108

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A Sessão #108 do Shortcutz Viseu regressa com mais um segmento de Curtas em Competição onde serão apresentados os filmes curtos The Voyager, de João Gonzalez e Snowball, de Tiago Iúri estando ambos presentes na sessão para apresentação dos seus filmes de animação e conversa com o público. 
Ainda na sessão, o segmento Curtas Convidadas apresenta dois filmes curtos do realizador Yuri Alves sendo eles Grind e On the Cusp ambos do género cinema documental de proximidade.
A sessão que voltará a decorrer na Quinta da Cruz - Centro de Arte Contemporânea no próximo dia 31 de Agosto, sexta-feira, a partir das 22 horas.
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sábado, 25 de agosto de 2018

Baltazar "Razat" Gallego

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1986 - 2018
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terça-feira, 21 de agosto de 2018

Craig Zadan

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1949 - 2018
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Barbara Harris

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1935 - 2018
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European Film Awards - pré-selecção 2018

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A Academia Europeia de Cinema divulgou hoje as 49 longas-metragens de produção europeia pré-seleccionadas à trigésima-primeira edição dos European Film Awards. Entre os pré-seleccionados encontram-se obras oriundas de trinta e cinco países revelando assim a "grande diversidade do cinema europeu".
As longas-metragens foram seleccionadas inicialmente a partir dos vinte países com maior presentação na Academia Europeia de Cinema - uma longa-metragem por país -, sendo os restantes vinte e nove escolhidos a partir de um Comité de Selecção composto pela direcção da Academia e por especialistas convidados sendo eles Giorgio Gosetti (Itália), Elise Jalladeau (Grécia), Christophe Leparc (França), Jacob Neiiendam (Dinamarca), Edvinas Puksta (Lituânia) e Alik  Shpilyuk (Ucrânia).
São as longa-metragens seleccionadas:
  • 3 Tage in Quiberon, de Emily Atef (Alemanha/Áustria/França)
  • Ága, de Milko Lazarov (Bulgária/Alemanha/França)
  • Ahlat Agaci, de Nuri Bilge Ceylan (Turquia/Alemanha/França/Bulgária/Macedónia/Bósnia Herzegovina/Suécia/Qatar)
  • Aritmiya, de Boris Khlebnikov (Rússia/Finlândia/Alemanha)
  • Ayka, de Sergey Dvortsevoy (Rússia/Alemanha/Polónia/Cazaquistão)
  • Beast, de Michael Pearce (Reino Unido)
  • Borg, de Janus Metz (Suécia/Dinamarca/Finlândia)
  • Carmen y Lola, de Arantxa Echevarría (Espanha)
  • Cobain, de Nanouk Leopold (Holanda/Alemanha/Bélgica)
  • Dene Wos Guet Geit, de Cyril Schäublin (Suíça)
  • Diamantino, de Gabriel Abrantes e Daniel Schmidt (Portugal/França/Brasil)
  • Dogman, de Matteo Garrone (Itália/França)
  • Donbass, de Sergei Loznitsa (Ucrânia/Alemanha/França/Roménia/Holanda)
  • Dovlatov, de Alexey German Jr. (Rússia/Polónia/Sérvia)
  • Egy Nap, de Zsofia Szilagyi (Hungria)
  • Foxtrot, de Samuel Maoz (Israel/Alemanha/França)
  • Fuga, de Agnieszka Smoczynska (Polónia/República Checa/Suécia)
  • Gaagua, de Savi Gabizon (Israel)
  • Girl, de Lukas Dhont (Bélgica/Holanda)
  • Gräns, de Ali Abbasi (Suécia/Dinamarca)
  • Handia, de Aitor Arregi e Jon Garaño (Espanha)
  • Der Hauptmann, de Robert Schwentke (Alemanha/Polónia/Portugal/França)
  • The House That Jack Built, de Lars Von Trier (Dinamarca/Suécia/França/Alemanha)
  • Hva Vil Folk Si, de Iram Haq (Noruega/Alemanha/Suécia)
  • Jusqu'à la Garde, de Xavier Legrand (França)
  • Kona Fer í Stríd, de Benedikt Erlingsson (Islândia/França/Ucrânia)
  • Lazzaro Felice, de Alice Rohrwacher (Itália/França/Alemanha/Suíça)
  • Leto, de Kirill Serebrennikov (Rússia/França)
  • Licht, de Barbara Albert (Áustria/Alemanha)
  • Michael Inside, de Frank Berry (Irlanda)
  • Milada, de David Mrnka (República Checa)
  • Muskarci ne Placu, de Alen Drljevic (Bósnia Herzegovina/Alemanha/Eslovénia/Croácia)
  • Nar Bagi, de Ilgar Najaf (Azerbaijão)
  • Oiktos, de Babis Makridis (Grécia/Polónia)
  • Ondes de Choc: Journal de Ma Tête, de Ursula Meier (Suíça)
  • Paddington 2, de Paul King (Reino Unido)
  • Pororoca, de Constantin Popescu (Roménia/França)
  • Petra, de Jaime Rosales (Espanha/França/Dinamarca)
  • Sashishi Deda, de Ana Urushadze (Geórgia/Estónia)
  • Den Skyldige, de Gustav Möller (Dinamarca)
  • Styx, de Wolfgang Fischer (Alemanha/Áustria)
  • Touch Me Not, de Adina Pintilie (Roménia/Alemanha/República Checa/Bulgária/França)
  • Transit, de Christian Petzold (Alemanha/França)
  • Twarz, de Malgorzata Szumowska (Polónia)
  • Undir Trénu, de Hafsteinn Gunnar Sigurosson (Islândia/Dinamarca/Polónia/Alemanha)
  • Utoya 22. Juli, de Erik Poppe (Noruega)
  • La Villa, de Robert Guédiguian (França)
  • Voyna Anny, de Aleksey Fedorchenko (Rússia)
  • Zimna Wojna, de Pawel Pawlikowski (Polónia/Reino Unido/França)
Os mais de 350o membros da Academia Europeia de Cinema irão agora decidir os nomeados nas principais categorias - Filme, Realizador, Actor, Actriz e Argumento - que serão anunciados no próximo dia 10 de Novembro no decorrer do Festival de Cinema Europeu de Sevilha e um júri de oito membros irá decidir os vencedores directos nas categorias de Fotografia, Montagem, Design de Produção, Guarda-Roupa, Maquilhagem e Cabelos, Música, Som e pela primeira vez em Efeitos Especiais Visuais.
A trigésima-primeira edição dos European Film Awards irá decorrer em Sevilha no próximo dia 15 de Dezembro.
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Shortcutz Viseu - Sessão #107

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De regresso à Quinta da Cruz  - Centro de Arte Contemporânea, a Sessão #107 do Shortcutz Viseu faz uma nova Sessão Competitiva na qual serão exibidos os filmes curtos Laranja Amarelo, de Pedro Augusto Almeida e Fugiu. Deitou-se. Caí., de Bruno Carnide estando, ambos os realizadores, presentes na sessão para a apresentação das suas obras.
Já no segmento Filmes Convidados, o Shortcutz Viseu apresenta o filme curto El Monopolio de la Estupidez, de Hernán Velit (Perú) numa sessão que irá decorrer na próxima sexta-feira dia 24 pelas 22 horas.
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sábado, 18 de agosto de 2018

Kofi Annan

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1938 - 2018
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sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Shortcutz Viseu - Sessão #106

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A Sessão #106 do Shortcutz Viseu  chega à cidade na próxima segunda-feira dia 20 e irá ter lugar na Feira de São Mateus numa noite que fica marcada pela presença de Nuno Rocha, o realizador convidado da sessão e na qual serão exibidos os seus filmes curtos 3x3, Momentos e Vicky & Sam.
Na sessão que é de entrada livre e se inicia a partir das 21e30, serão ainda exibidos os filmes curtos Luminaris, de Juan Pablo Zaramella e Porque Hay Cosas que Nunca se Olvidan, de Lucas Figueroa, ambas da Argentina.
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quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Vítor Reia Baptista

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1954 - 2018
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European Film Awards - Documentários pré-seleccionados 2018

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A Academia Europeia de Cinema anunciou ontem os quinze documentários pré-seleccionados para uma nomeação aos European Film Award a decorrer em Dezembro próximo.
Os documentários pré-seleccionados resultam de uma indicação de dez festivais de cinema associados sendo eles o Cinéma du Réel (França), CPH:DOX (Dinamarca), DocLisboa (Portugal), DOK Leipzig (Alemanha), IDFA (Holanda), Ji.hlava (República Checa), Festival de Cinema de Cracóvia (Polónia), Sheffield Doc/^Fest (Reino Unido), Festival de Cinema Documental de Tessalónica (Grécia) e Visions du Réel (Suíça) em conjunto com cinco indicações de um Comité de Selecção da Academia composto por Ira von Gienanth (Alemanha), Marek Hovorka (República Checa), Elena Subirà i Roca (Espanha), Nik Powell (Reino Unido) e Sari Volanen (Finlândia).
São os documentários pré-seleccionados:
  • A Woman Captured, de Bernadett Tuza-Ritter (Hungria/Alemanha)
  • Bergman - Ett Ar Ett Liv, de Jane Magnusson (Suécia/Noruega)
  • The Distant Barking of Dogs, de Simon Lereng Wilmont (Dinamarca/Finlândia/Suécia)
  • Druga Strana Svega, de Mila Turajlic (Sérvia/França)
  • End of Life, de Pawel Wojtasik e John Bruce (Grécia/EUA)
  • Meciar, de Tereza Nvotová (Eslováquia/República Checa)
  • Meteorlar, de Gürcan Keltek (Holanda/Turquia)
  • Of Fathers and Sons, de Talal Derki (Alemanha/Síria/Líbano/Qatar)
  • Al Otro Lado del Muro, de Pau Ortiz (Espanha/México)
  • Ouale lui Tarzan, de Alexandru Solomon (Roménia/França)
  • The Poetess, de Stefanie Brockhaus e Andreas Wolff (Alemanha/Emirados Árabes Unidos)
  • Samouni Road, de Stefano Savona (Itália/França)
  • The Silence of Others, de Almudena Carracedo e Robert Bahar (Espanha(EUA)
  • Srbenka, de Nebojsa Slijepcevic (Croácia)
  • Tara Moarta, de Radu Jude (Roménia)
Os nomeados serão revelados no próximo dia 15 de Novembro no decorrer do Festival de Cinema Europeu de Sevilha e os vencedores serão conhecidos na cerimónia a realizar a 10 de Dezembro seguinte na mesma cidade espanhola.
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Aretha Franklin

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1942 - 2018
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terça-feira, 14 de agosto de 2018

Eduard Uspenskiy

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1937 - 2018
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Prémios Condor - Asociación de Cronistas Cinematográficos de la Argentina 2018: os vencedores

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Foram ontem revelados os vencedores dos Prémios Condor de Plata entregues anualmente pela Asociación de Cronistas Cinematográficos de la Argentina numa cerimónia realizada no Centro Cultural Néstor Kirchner, em Buenos Aires. Zama, de Lucrecia Martel - uma co-produção de vários países entre os quais Portugal - foi o grande vencedor da noite arrecadando oito troféus nomeadamente os de Melhor Filme e Melhor Realização.
Foram os vencedores:
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Filme: Zama, de Lucrecia Martel
Primeira Obra: La Novia del Desierto, de Ceilia Atan e Valeria Pivato
Documentário: Cuatreros, de Albertina Carri
Audiovisual para Plataformas Digitais: Un Gallo para Esculapio, de Bruno Stagnaro
Filme Ibero-Americano:
Aquarius, de Kleber Mendonça Filho (Brasil)
Filme Estrangeiro: Toivon Tuolla Puolen, de Aki Kaurismaki (Finlândia) e Manchester by the Sea, de Kenneth Lonergan (EUA)
Curta-Metragem: De la Muerte de un Costero, de Carlos Alberto Diaz
Realização: Lucrecia Martel, Zama
Actor: Jorge Marrale, Maracaibo e Leonardo Sbaraglia, El Otro Hermano
Actriz: Sofía Gala Castiglione, Alanís
Actor Secundário: Claudio Rissi, La Novia del Desierto
Actriz Secundária
: Marilú Marini, Los que Aman Odian e Érica Rivas, La Cordillera
Revelação Masculina: Lautaro Bettoni, Temporada de Caza
Revelação Feminina: Loren Acuña, Madraza
Argumento Original: Diego Lerman e María Meira, Una Especie de Familia e Julia Solomonoff e Christina Lazaridi, Nadie nos Mira
Argumento Adaptado: Lucrecia Martel, Zama
Montagem: Pablo Barbieri, El Otro Hermano
Fotografia: Rui Poças, Zama
Música Original: Leo Sujatovich, La Novia del Desierto
Som: Guido Berenblum, Zama
Direcção Artística: Renata Pinheiro, Zama e Mercedes Alfonsín, Los que Aman Odian
Guarda-Roupa: Julio Suárez, Zama
Caracterização: Marisa Amenta e Alberto Moccia, Zama
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segunda-feira, 13 de agosto de 2018

The Meg (2018)

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Meg: Tubarão Gigante de Jon Turteltaub (EUA/China) é um dos blockbusters de Verão cuidadosamente "desenhados" para se transformarem num dos esperados êxitos de bilheteira.
Depois de ver toda a sua carreira destruída quando afirmou que durante um salvamento de pessoas avistou um tubarão pré-histórico gigante, Jonas Taylor (Jason Statham) é novamente chamado para um salvamento numa plataforma subaquática onde se encontra a sua ex-mulher e alguns dos seus amigos. Quando as notícias de que o seu tubarão gigante pode, afinal, ser real, a questão que se coloca a Jonas é sobre até onde está disposto a ir para efectuar a sua última missão e comprovar que a sua teoria é, afinal, verdadeira.
Desde que foi lançado o primeiro teaser de The Meg que qualquer um de nós pensou imediatamente em Jaws (1975), de Steven Spielberg. Os elementos estavam todos lá... uma personagem central em quem ninguém acredita quando este diz que há um tubarão à solta e com uma vontade inquestionada de caçar, um certo isolamento dessa mesma figura que é, por todos, desprezada e finalmente o tubarão em questão que, independentemente das suas proporções físicas, é o terror lá do sítio. Mudam apenas os cenários... da pacata cidade costeira no Atlântico para a plataforma de investigação no Pacífico, a realidade é que esta nova incursão no género tinha tudo para a óbvia recuperação histórica do clássico de Spielberg mas... nem de perto.
Ainda que The Meg seja um claro e óbvio entretenimento de Verão para os mais despreocupados que apenas querem passar um bom momento de cinema-pipoca, a realidade é que a longa-metragem de Turteltaub é apenas e só isso... entretenimento. Enquanto a já referida obra de Spielberg conseguiu, à altura, não só lançar o medo nos banhistas que passaram a encarar a paixão estival pela praia e pelo oceano como um potencial perigo eminente como também criar com breves acordes musicais de John Williams, todo um registo de intensidade e pânico até então não testemunhado no cinema, The Meg é um daqueles filmes que todos acabamos por apreciar pelos momentos de descontracção criados mas que também compreende o espectador que não irá passar daí... sendo que o seu contributo para a arte cinematográfica no seu todo seja, claramente, nulo.
Dito isto... o que é realmente The Meg?! Primeiro, e ainda que não seja esse o seu intuito imediato, a consciencialização para o espectador que tanto o oceano como o meio ambiente transportam consigo todo um conjunto de mistérios ainda por descobrir e resolver... afinal, quão profundos são os oceanos e quanto dos mesmos está ainda por desvendar? Que criaturas marinhas estão ainda por conhecer nessas mesmas profundezas e, em directa relação, que benefícios ou prejuízos ambientais trazem as mesmas? De seguida, e aqui sim a imediata questão que salta imediatamente para a mente do espectador prende-se única e exclusivamente com a produção desta obra que, tão convenientemente, tem de ser uma co-produção sino-americana dando assim asas para que a bilheteira da mesma avance a ritmo galopantes uma vez estreada no "gigante adormecido"... O capital de investimento chinês... Uma plataforma subaquática na costa de Hong Kong... uma actriz co-protagonista chinesa e estão lançados os alicerces para que The Meg, tendo ou não um conteúdo passível de explorar como o oceano, se transforme naquele êxito comercial que o ano tanto espera.
Ainda que capaz de funcionar como esse tal aperitivo de Verão, The Meg não funciona como um grande catalizador de desempenhos memoráveis... já vimos Jason Statham fazer melhor (apesar de se estar a colar demasiadamente ao género) e também Cliff Curtis fez melhor em The Whale Rider (2002) ou no recente Fear the Walking Dead mantendo-se nesta caça do tubarão como um breve apontamento de comédia que torna alguns dos momentos tensos em segmentos ligeiros e perfeitamente dispensáveis para a dinâmica do mesmo - lembro-mo-nos da dupla Roy Scheider com Richard Dreyfuss ou Robert Shaw para compreender que o balanço entre drama e comédia estava muito mais harmonizado e credível em Jaws - deixando apenas o departamento de efeitos especiais mais feliz ao concretizar o sonho de todo o "adulto criança" em ver as 20.000 léguas submarinas ganharem forma real... nos dias que hoje correm.
The Meg funciona, portanto, como o tal entretenimento despreocupado de Verão... como (mais) um piscar de olho ao investimento chinês e ao sucessivo ganho de bilheteira que o mesmo possibilita bem como um eventual cheque mais chorudo aos actores que nele participam deixando qualquer outro objectivo no seu percurso cinematográfico em pausa. Se todos nós gostamos de ver... é óbvio que sim... mas Turteltaub apenas entrega mais uma daquelas longa-metragens que, na realidade, nenhum de nós irá recordar no próximo Verão e que não virá acrescentar nada ao género, sendo incapaz de reivindicar um lugar de destaque nem no cinema de terror nem tão pouco no de acção limitando-se a ser aquele filme de suspense do qual o público se ri - ainda que não de forma negativa - mas sim porque não consegue criar a tensão dramática que a obra de Spielberg conseguiu há mais de quarenta anos.
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6 / 10
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Phil Mendrix

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1947 - 2018
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sábado, 11 de agosto de 2018

António Alves Vieira

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1987 - 2018
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terça-feira, 7 de agosto de 2018

Richard H. Kline

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1926 - 2018
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segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Shortcutz Viseu - Sessão #105

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O Shortcutz Viseu chega com a Sessão #105 totalmente dedicada ao Curtas Vila do Conde sendo, na mesma, exibido um conjunto de filmes curtos premiados no festival.
Assim, na próxima sexta-feira dia 10 de Agosto serão exibidos os filmes Raymond ou l'Évasion Verticale, de Sarah Van den Boom (França), vencedor do Prémio de Animação na Competição Internacional, Entre Sombras, de Alice Guimarães e Mónica Santos (Portugal/França), que venceu o Prémio do Público Nacional, Fry Day, de Laura Moss (EUA) galardoado com o Prémio de Ficção na Competição Internacional e finalmente Ce Magnifique Gâteau!, de Emma de Swaef e Marc James Roels (Bélgica/França/Holanda) vencedor do Prémio do Público na Competição Internacional.
E como vem sendo habitual, para uma noite de bom cinema em formato curto, será a Quinta da Cruz - Centro de Arte Contemporânea no próximo dia 10 de Agosto a partir das 22 horas.
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domingo, 5 de agosto de 2018

Charlotte Rae

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1926 - 2018
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The End (2013)

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The End de Raj Pathak e Crash Taylor (Reino Unido) recupera, no formato de filme curto, o imaginário de um mundo devastado por uma praga zombie no qual, Tina (Shelley Draper) e Sofie (Ava Nicholson) - mãe e filha - se refugiam numa velha casa abandonada para escapar de uma morte anunciada. Mas, é quando Tina julga que a sua filha está a salvo, que o perigo espreita... dentro e fora da casa.
Pia Cook e Tina Smith compõem um argumento que, no essencial, é fiel ao género proposto. Exibem uma história com um dilema existencial cujo foco principal é a sobrevivência das referidas personagens e daquilo que sobra da sua família mas, ao mesmo tempo, não esquecendo toda a sub-história que se prende através desse mundo desertificado de vida humana mas povoado por aquilo que pensamos ser uma extensa horde de perigosos zombies.
Com esta perspectiva em mente, e após a esperança poder encontrar o seu fim naquela casa abandonada, aquilo que o espectador observa é um conjunto de óbvias referências ao êxito britânico 28 Weeks Later (2007), de Juan Carlos Fresnadillo nos momentos mais elementares como, por exemplo, a descida da dupla protagonista por uma colina, o refúgio numa casa abandonada que é rapidamente invadida pelos mortos-vivos ou o dilema de uma mãe infectada versus a sobrevivência da sua própria filha. Neste âmbito, e considerando que The End não apresenta propriamente uma dinâmica original ou inovadora para o género - que apesar de já extenso o seu arquivo consegue, por vezes, encontrar interessantes obras -, aquilo que aqui temos é a clara homenagem ao mesmo feita pela dupla Pathak e Taylor que, ao mesmo tempo, poderá servir enquanto rampa de lançamento para algo maior (se, por exemplo, encontrássemos referências expressas a um passado não explorado) futuramente criado e que melhor represente o género de forma original e inovadora.
The End no entanto e no final - ironia à parte - independentemente da boa vontade de todos, nunca consegue transformar-se numa obra suficientemente apelativa para cativar o espectador.
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3 / 10
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The Colony (2014)

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The Colony de Jack Larkin (EUA) é mais uma curta-metragem a recuperar o género "mundo invadido por zombies" mas concentrado numa vertente de comédia de absurdo que, afastado da inteligência e do bom gosto, cai no eterno erro de ser apenas mais um "filme de amigos".
Uma área residencial próxima de uma floresta... um grupo de jovens sobreviventes. A falta de atenção e de rigor numa época de crise podem lançar a comunidade numa rota de colisão com a sua própria sobrevivência.
Com argumento de Jacob Ayres, The Colony cedo se assume como um filme amador e de amigos com o único propósito de divertimento que se deixa levar pela mútua paixão do género de cinema de terror que este grupo tem não adiantando, no entanto, nada não só para o género como principalmente para a esperada dinâmica que o mesmo pressupõe. Sempre num registo de humor encoberto onde o acaso e a ironia premeditam todo um conjunto de situações anómalas típicas de uma sociedade desfeita e de uma comunidade que pretende sobreviver às adversidades de um tempo de "fim", The Colony não adianta nada para lá do objecto de estudo que realizador e demais técnicos tentam retirar desta história.
Enquanto objecto experimental pode o espectador encontrar em The Colony um elemento prático de conhecimentos teóricos pré-estabelecidos e expectáveis não só género como de uma obra de cinema em potência. No entanto, analisada enquanto obra cinematográfica, The Colony é uma curta-metragem banal, tendencialmente desinteressante e pouco inspirada não conseguindo em momento algum ser dinâmica ou causar o sobressalto esperado que o género pede.
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1 / 10
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Oceansize (2009)

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Oceansize de Adrien Chartie, Romain Jouandeau, Gilles Maziers e Fabien Thareau (França) é uma curta-metragem de animação 3D cuja acção decorre numa plataforma petrolífera onde um mergulhador em missão para verificar os alicerces da mesma provoca não só um acidente como desperta um inesperado visitante que tudo irá transformar.
Os realizadores e também argumentistas criam com Oceansize uma interessante atmosfera que une o melhor do cinema do género ao conseguir neste brevíssimo filme criar uma história de animação onde se encontra a acção, o suspense e em boa medida o terror sem esquecer a clara referência a um certo cinema ambientalista onde os valores de proteção do planeta Terra são cada vez mais visíveis e nos quais se pretende uma consciencialização enquanto se entretém e anima o espectador.
A história, ainda que pretenda recriar o despertar de um monstro que pode, em boa medida, assumir várias formas e cujos objectivos não são sempre claros como se poderia pretender - e ainda bem que não pois um certo mistério é sempre desejado para este género de história -, acaba por assumir duas distintas vertentes. A primeira de todas elas prende-se com o facto de existir no subconsciente de todos nós um certo imaginário de que existe "algo" para lá daquilo que os olhos conseguem observar. Aqui esse inatingível ganha forma com o lado mais profundo dos oceanos onde tudo é ainda tão incerto e desconhecido que, na realidade, tudo (ou nada!) poderá existir numa dimensão que nos é desconhecida. Ao encontrarmos um escape para dar corpo a esse imaginário ocupado pela incerteza e pelo desconhecido, o "monstro" ganha vida assumindo a forma que cada um de nós pretende e, nesta curta-metragem, o mesmo ganha corpo através daquilo que em boa medida pode ser encarado como um dos grandes corruptores (e poluidores) do planeta... o petróleo. É, ao mesmo tempo, nesta medida que surge uma segundo dinâmica nesta história quando esse "monstro" decide enfrentar, dominar e destruir todo o aparelho "produtivo" que lhe deu corpo e vida. O "monstro" é assim visto como um defensor já não adormecido da Terra e, como tal, tudo faz para destruir o seu cancro... o Homem. Primeiro eliminando o seu espaço e finalmente tentando mesmo destruir a sua própria existência garantido, dessa forma, que o planeta continue a existir de uma forma o mais harmoniosa possível.
O terror encontra-se lá mesmo não se assumindo como uma história sobrenatural que confere ao espectador uma dinâmica de Homem versus Paranormal. O terror manifesta-se sobretudo - senão quase exclusivamente - como uma consequência da acção danosa e destrutiva do Homem que se assume como dono e senhor de um espaço que é partilhado e não apenas seu. Assim o tempo de assistir  inactivo e silenciosamente termina fazendo crescer esse tal "monstro" adormecido que agora decide controlar pela força aquilo que sempre fora seu e que tão vilmente havia sido usurpado e destruído pela sobrevivência desse mesmo espaço comum.
Com um olhar atento e de certa forma comprometido com essa dinâmica de consciencialização ambiental que aos poucos se manifesta no cinema de formato curto, a quadra de realizadores e argumentistas consegue criar com sucesso uma história com tanta potencialidade como a própria dimensão do oceano manifestando, ao mesmo tempo, a capacidade de criar uma história de acção e suspense (também um pouco sobrenatural há que admiti-lo) capaz de captar a atenção não só do espectador mais disposto ao género como também a um público mais alargado capaz de explorar um pouco mais das diversas vertentes que a história propõe.
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7 / 10
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sábado, 4 de agosto de 2018

Mulberry Night (2018)

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Mulberry Night de Daniel Nordlund e Simon Bergström (Suécia) é uma curta-metragem de suspense centrado numa noite da vida de John (Olle Rönnberg) que, sózinho em casa, vê o seu sossego subitamente interrompido quando uma presença parece ameaçar a sua tranquilidade.
Com uma interessante direcção de fotografia que, na globalidade desta curta-metragem funciona como o seu melhor atributo ao adensar um ambiente que se adivinha tenso e onde as sombras se constituem como uma certa alma viva, Mulberry Night forma-se a um lento passo que tudo parece querer revelar no seu último instante.
Da solitária viagem de regresso a casa sem esquecer a monotonia de um espaço isolado de qualquer sinal de civilização, é o tenso e até mesmo denso final de Mulberry Night que, mesmo sem grande surpresa ou inovação, consegue provocar o tão aguardado clímax e provocar reacção no espectador mais distraído ao apresentar a actriz Janna Jansson cuja personagem "Mary Atkinson" faz literalmente explodir o grande ecrã.
No final, o espectador compreende que não está perante uma obra cujo desfecho seja inovador ou inesperado pois rapidamente se recorda de diversas obras do género cuja conclusão seja próxima desta aqui alcançada com Mulberry Night mas, no entanto, é a segura convicção da sua elaboração que a torna uma obra segura e distinta mesmo que a originalidade não invada estas paragens.
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4 / 10
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Zombe Man: The Journey to Hell (2014)

Zombe Man: The Journey to Hell de George "Crane" Cruz (EUA) uma já não tão recente curta-metragem que expõe a sempre presente paranóia norte-americana face ao perigo (?) de uma potencial pandemia provocada por um dos seus opositores (aqui a Coreia do Norte) que provocou a "zombieficação" da sua população. Pelo caminho... um herói... Zombe Man que destrói todos os mortos-vivos que percorrem aquilo que resta do planeta Terra.
Comecemos pelos pontos positivos desta curta-metragem que são efectivamente muito poucos e o motivo único pelo qual atribuí uma pontuação tão alta à mesma... um dois. Ao entrar na dinâmica de Zombe Man: The Journey to Hell, reconheço-lhe a criação de um ambiente interessante através da sua direcção de fotografia - também pela mão do realizador - e da música utilizada para a dinamização da mesma que transforma toda a atmosfera em algo que para o espectador parece ter saído de um qualquer filme B - ou Z - da ida década de '70 mas... a potencial positividade que se possa encontrar... termina por aqui. Zombe Man: The Journey to Hell é desde o primeiro instante um filme que se percebe inicialmente tendencioso na medida em que encontra o inimigo num espaço político que o espectador compreende "conveniente" para a sua aceitação (nada melhor do que agora o inimigo ser a Coreia do Norte seja lá sob que perspectiva fôr), como a construção do próprio anti-herói neste "Zombe Man" se entende como uma réplica zombie de "Bane" em The Dark Knight Rises. No entanto, é no título que chega a maior surpresa ao transformar seja por erro, omissão ou um qualquer sentido de humor menos apropriado, o nome da personagem "principal" de "Zombie"... para "Zombe", como se este quisesse ser um filme sobre os mal-amados mortos-vivos mas... na realidade, nunca chegou a ser onde, tal como o protagonista, os próprios são um mero vislumbre numa história onde se assumiam (ou deveriam) como uma sua parte relevante.
Ainda que com um ritmo interessante e um exagero (esperado para o estilo) na dinâmica da vítima indefesa perseguida pelos zombies que estão sempre perto e no seu rasto, Zombe Man: The Journey to Hell é uma daquelas curtas-metragens que precisava de um pulso mais firme e um propósito mais concentrado, conferindo às suas personagens uma dinâmica tão forte e intensa como aquela tida na construção da atmosfera envolvente para que, no final, se assumisse como uma história relevante para que o espectador se recordasse dela enquanto referência no género... Para isso ajudaria que pequenos detalhes fossem também trabalhados, nomeadamente no que diz respeito ao guarda-roupa onde toda a vestimenta do protagonista - já de si preocupante pela óbvia referência que faz a outra personagem de outro filme - não fosse diminuída quando o espectador encontra um par de ténis a acompanhar que mais parece ter saído à cinco minutos da loja... Neste género de filmes é o detalhe que conta... e quando algo parece estar a correr bem... chega todo um conjunto de elementos que deita por terra tudo o que fora anteriormente construído.
No final, se existe viagem ao inferno é aquela tida pelo espectador sedento de uma história sobre "o fim" e encontra algo repleto de não duvidadas boas intenções mas muita falta de concretização que não fala... mas berra muito alto.
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2 / 10
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sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Boyfriend (2017)

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Boyfriend de Kyle Krieger (EUA) é uma curta-metragem que revela o encontro ocasional entre Indar (Indar Smith) e Jake (Jake Wilson) o qual dá origem a uma amizade que cedo se pode revelar num amor inesperado. Mas será retribuído?!
Esta curta-metragem que Kyle Krieger dirige e para a qual escreveu o argumento enquanto o seu primeiro trabalho cinematográfico por detrás das câmaras, rapidamente se revela como um filme curto com todo um conjunto de fragilidades que não se esperariam ver num filme que se quer levar a sério. Desde cedo encontramos todo um conjunto de falhas na captação de som exterior das quais o espectador apenas se distrai com as mise en scène perfeitamente amadoras dos actores que praticamente durante todo o filme estão mais preocupados na pose e em mostrar uma suposta perfeição física típica de um qualquer anúncio comercial de um produto de moda do que de facto revelar a história que está por detrás da imagem.
O argumento, expectável em boa medida, recupera o tradicional encontro ocasional de duas pessoas que se acham bonitas e querem conviver para se conhecer melhor mas falha em todas as frentes quando os actores parecem querer desfilar - aos próprios e os lugares comuns do primeiro encontro - esquecendo que existe uma história com um propósito (esperamos) que faça desta curta-metragem não o protótipo de um filme comercial mas sim de uma obra que se espera (e quer) cinematográfica. Mas ficamos pelas expectativas.
O final aguardado - e bem - confirma as suspeitas do espectador mais "desatento" e é apenas a direcção de fotografia de Daniel Seung Lee que confere um ar mais profissional a uma história que, já bem perto do final, parece querer assumir-se como um anúncio a um qualquer método contraceptivo com a típica ideia moralista de que... "bom, se tens uma relação... não andes à procura por fora". Boyfriend existe mas apenas como uma miragem do que poderia ter sido... mesmo que isso fosse apenas "mais um" filme romântico que na realidade não chega a ser.
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3 / 10
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quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Rick Genest

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1985 - 2018
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quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Mary Carlisle

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1914 - 2018
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Celeste Rodrigues

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1923 - 2018
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Y Yo a Tí (2016)

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Y Yo a Tí de Oliver Rondon (Venezuela) é uma curta-metragem que celebra o poder de uma amizade. Uma amizade intemporal e que não se prende por barreiras ou obstáculos... terrenos ou não.
Dois amigos conversam. A relação que têm é próxima e íntima. No entanto, de repente compreende-se uma distância entre ambos. Terá esta relação terminado?!
O realizador, e também um dos protagonistas Oliver Rondon, celebra com esta sua curta-metragem o poder de uma relação de amizade fraterna que o espectador pode facilmente confundir como algo sentimental e amoroso. A conversa encetada pelos dois actores revela para o espectador uma proximidade entre eles que fora temporariamente interrompida. Não sabemos nem compreendemos por ou a que motivos se deve esta separação até que o espaço envolvente se vai lentamente revelando e, como tal, denunciando as causas da mesma.
É pela simplicidade e principalmente pela cumplicidade das palavras que esta relação se denuncia, elucidando o espectador sobre os porquês de uma abrupta separação. O espectador compreende que esta será algo breve - pelo menos no espaço "temporal" em que um deles se encontra -, mas que para o outro esta será (foi) a perda mais significativa da sua vida encontrando-se, nesse momento, num impasse sobre a sua própria evolução e questionando-se sobre o que fazer "depois" daquela despedida que se anuncia. O que facilmente pode ser confundido com uma relação amorosa... é de facto... mas talvez não sob a forma como inicialmente o espectador pode ser conduzido a pensar.
Ainda que Y Yo a Tí possa parecer algo fragilizada pela sua construção aparentemente mais "amadora", é a sensibilidade depositada na mensagem desta curta-metragem que leva o espectador a ignorar pequenos detalhes da mesma e reflectir sobre o poder das palavras, dos gestos e de pequenos olhares que a transformam numa história sobre o poder da amizade e nas consequências de quando esta pode ser perdida... ainda que temporariamente.
Interessante pela sua mensagem e pela sensibilidade depositada no poder das palavras, Y Yo a Tí marca também pela interpretação sentida dos dois actores (realizador incluído) que prima pela celebração da amizade... surja ela sobre as mais diversas formas.
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6 / 10
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