sábado, 14 de novembro de 2009

Entre os Dedos (2008)

Entre os Dedos de Frederico Serra e Tiago Guedes era um daqueles filmes que me despertava enorme interesse ver pois já ia com a boa impressão dos realizadores após ter visto o Coisa Ruim e também por ser interpretado por um dos meus actores portugueses preferidos, o Filipe Duarte.
O próprio trailer do filme além de simples é extremamente eficaz pois desperta ainda mais a curiosidade sobre o que nos poderá reservar o filme, como tal merece já aqui uma referência positiva.
Quanto ao filme uma vez visto há em primeiro lugar que destacar uma brilhante realização da dupla Tiago Guedes e Frederico Serra (para quando o próximo?) que aqui nos presenteiam com um filme cru e muito bem dirigido onde são abordados temas como a solidão, a traição, a tão em voga crise, o desemprego, as relações afectivas entre os membros da família, a morte e também a humanidade de cada um de nós. É à custa destes últimos quatro elementos que se desenvolvem alguns dos elementos mais tensos do filme e também alguns dos seus melhores. A relação entre pai e filho (Filipe Duarte e Luís Filipe Rocha) tensa em todos os momentos e que no final acaba terna e próxima. O toque, esse tão por vezes distante factor entre as pessoas e que ali se assume como o elemento em falta entre dois indíviduos. O mesmo que falta entre marido e mulher (Filipe Duarte e Isabel Abreu) e que só aparece com a traição desta.
Os desempenhos, fantásticos acrescente-se, só vêm aumentar a qualidade do filme. Todos os actores mesmo os secundários por vezes quase com participações especiais estão de parabéns. Brilhantes estão Filipe Duarte neste registo mais rude e distante e que atinge o clímax no momento quase final em que se confronta com o pai, Isabel Abreu no seu papel sofrido e entregue à sua família e Gonçalo Waddington (eu bem já disse no comentário ao Mal Nascida que este homem precisa destes grandes papéis), passando também pelo fantástico papel de Luís Filipe Rocha como pai rude e ausente, de Fernanda Lapa como mãe que sofre com a doença do seu filho, de Lavínia Moreira como a irmã dedicada e de Paula Sá Nogueira como a fiel amiga. De destacar aqui a amizade entre Isabel Abreu e Sá Nogueira que me fez lembrar por momentos a mesma relação que existe no filme A Janela em Frente entre Giovanna Mezzogiorno e Serra Yilmaz.
Uma novidade para mim e que muito apreciei com esta filme foi a sua excelente cinematografia a preto e branco. Que tenha conhecimento no cinema recente português não é muito comum vermos um risco destes mas compensou. Não nos distraímos com pequenos detalhes que a cor nos proporciona e centramo-nos em absoluto na fantástica história e mensagem deste filme. No distanciamento entre uma família. Nas suas amarguras e nas suas mazelas psicológicas.
Aliado a isto... a banda sonora algo minimalista mas extremamente pesada contribui decisivamente para a excelente carga dramática que este filme nos transmite.
É um filme pesado.. seco.. bruto... mas muito dramático e com um desfecho francamente emocionante e sentimental onde a química entre Filipe Duarte e Isabel Abreu é mais do que evidente. Um aplauso aos seus desempenhos que foram ambos nomeados aos Globos de Ouro de Actor e Actriz este ano, e os quais afirmo sem desprimor para os que saíram vencedores, deveriam ter sido recompensados na cerimónia deste ano, bem como o Filme também ele nomeado.
Destaque ainda para os inúmeros prémios que o filme teve, no Festival de Cinema de Cartagena das Indias onde saiu vencedor do Prémio Primeira Obra e de Melhor Actor para Filipe Duarte, em Turim onde ganhou o Prémio Cipputi e dos Caminhos do Cinema Português em Coimbra onde ganhou o Prémio de Melhor Filme com especial destaque para as interpretações de Filipe Duarte, Isabel Abreu e Gonçalo Waddington.
Um filme 5 ***** que não deve passar despercebido e que mostra como o cinema português quando bem feito nos entrega pérolas cinematográficas que fazem uma marca decisiva no panorama nacional. Uma pena que não tenha sido aposta para os Oscar deste ano e especialmente para os European Film Awards. Mas não será isso que fará deste filme um marco menor.




10 / 10


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