sábado, 13 de maio de 2017

Cerca de Tu Casa (2016)

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Cerca de Tu Casa de Eduard Cortés é uma longa-metragem espanhola exibida durante a oitava edição do Piélagos en Corto - Festival Internacional de Cortometrajes de Ficción que hoje termina na Cantábria, e que fora premiada na última edição dos Goya - prémios atribuídos anualmente pela Academia Espanhola de Cinema - com o troféu para a Melhor Canção Original e que conta uma história - entre tantas - de uma Espanha em plena crise económica onde Sónia (Sílvia Pérez Cruz) é despejada da sua casa juntamente com o seu marido e a filha regressando, anos depois, a casa dos seus pais. Uma história que nos revela Pablo (Oriol Vila), o empregado bancário que contribuiu para que a sua situação económica se tornasse cada vez mais precária e ainda Jaime (Ivan Benet), o polícia que tem de retirar Sónia e a sua família da casa que agora já não lhes pertence.
O realizador Eduard Cortés e Piti Español escrevem o argumento deste filme que, infelizmente, tão próximo está das realidades mediterrânicas dos últimos anos sendo portanto muito fácil a qualquer um de nós criar pontos de referência com o mesmo. A história (não) tão simples apresenta-se através de três distintas perspectivas; por um lado temos a protagonista e, no fundo, aquela que acaba por viver todos os pequenos grandes caminhos de um momento difícil quando ela e a sua família se vêem forçados a abandonar a casa para a qual trabalharem e que é, afinal, o seu lar. "Sónia" é uma mulher como tantas outras a quem, inadvertidamente, tudo na vida parece começar a correr mal. A falta de trabalho do marido e o seu parco salário, uma filha em jovem idade que necessita toda uma orientação e agora a braços com toda uma espiral de perda e desilusão que a irão condenar ao (in)esperado... o tão anunciado despejo da sua casa. A acompanhar esta história encontramos o "Pablo" de Oriol Vila, o bancário cujo único propósito é garantir o seu trabalho e fazer cada vez mais dinheiro impressionando, dessa forma, os seus superiores. "Pablo" foi quem vendeu a casa a "Sónia" e é seu vizinho de longa data... será ele o rosto de todo um sistema para quem os números e os cifrões representam mais do que as pessoas... será o seu rosto aquele que vemos directamente como o emissário de uma crise agora real e que bateu à porta de mais uma família. Finalmente "Jaime", o polícia com um dilema moral entre cumprir o seu dever e expulsar as famílias sempre que as autoridades competentes assim o ordenam ou, por outro lado, viver com uma consciência mais tranquila recusando-se a fazê-lo mas, como consequência, ter de abandonar o trabalho que, no fundo, o caracteriza.
É com este conjunto de personagens e seus respectivos dilemas que o espectador se vê comprometido em conhecer esta história cheia de pequenos grandes momentos de reflexão sobre a (sua) sociedade e comunidade, revendo nestas experiências mais ou menos ficcionadas, momentos que lhe são próximos, familiares e até por vezes sentido na primeira pessoa. Cerca de Tu Casa é portanto não só o mais recente filme sobre a crise mas sim um em que o espectador pode encontrar não relatos sobre os números e as perdas mas sim sobre as pessoas que estão por detrás dos mesmos e... dos ditos dois lados da barricada. Se por um lado vemos a espiral de decadência e de perda desta família enganada não só por aqueles em quem inicialmente confiou mas também por aqueles que prometeram auxílio em tempo de crise e todas as pequenas consequências que se desenrolam subitamente mais parecendo não quererem terminar nem dar a tal oportunidade esperada, em Cerca de Tu Casa conhecemos também as histórias daqueles que são vulgarmente conhecidos como os vilões... os "homens sem rosto"... aqueles que executam as ordens (de despejo... de despedimento...) e que estão, também eles, a alterar toda a sua vida em nome de uma acção que irá transformá-los em toda a sua essência. Desde o "Pablo" que prometeu mundos e fundos por cumprir, as oportunidades de sucesso num dia de amanhã que agora sabemos não ir chegar sem esquecer o polícia "Jaime" que como braço armado de uma lei injusta executa a expulsão e o afastamento dos sonhos de tantos desiludidos sendo, também eles, meras vítimas de um sistema que espalhou os seus tentáculos à volta de todos. Se estes se recusarem a executar aquilo para o qual são pagos... não serão eles as próximas vítimas do próprio sistema para o qual (agora) trabalham?!
É nesta espiral cíclica e, como tal, assumidamente viciosa que encontramos um conjunto de personagens aprisionadas ao medo da perda... ao receio de encontrarem as suas vítimas sistematicamente penhoradas e sem esperança de um dia melhor. O medo que os condena a um fim mais ou menos esperado no qual apenas podem contar com um núcleo restrito de pessoas que quase sempre se resume à sua família mais próxima mas que, em tantos outros encontram os seus inesperados pares, que partilham experiências, momentos e histórias em comum. Os milhares de pessoas que um dia resolveram sonhar em construir uma vida, ter planos, objectivos e metas por cumprir mas que o chamado "mundo da finança" resolveu testar, encurtar e destruir. Vidas adiadas? Interrompidas? Mortas?!
Mas se toda esta linha narrativa baseada - no fundo - naquilo que todos nós conhecemos desses últimos anos, a grande inovação de Cerca de Tu Casa chega através não da dramatização que lhe está obviamente inerente mas sim pela forma como Eduard Cortés resolve musicar alguns desses momentos. Se este não pode ser considerado um musical tradicional onde a quase totalidade do filme está musicado/cantados pelos respectivos actores, a realidade é que os seus lamentos, tristezas e afinal, todas as confissões das suas desilusões e sonhos perdidos ganham toda uma nova dimensão quando assistimos àquilo que deveriam ser os pontos altos do filme (pela elaboração das coreografias e histórias cantadas) transformados em testamentos de vidas que ainda não terminaram. Através dos pequenos relatos cantados com que brindam o espectador, este assiste a todo um desabar de esperança compreendida e a uma invulgar tristeza que se deixar transmitir por olhares agora sem brilho, sem luz e, assumindo-o, sem qualquer réstia de esperança. A vida, nestes instantes musicados, terminou para estas personagens... Tal é a qualidade da interpretação deste conjunto de inspirados actores capazes de se "despir" da sua personalidade conferindo alma àqueles que (não) existem para lá deles próprios.
E é aqui que reside o trunfo maior de Cerca de Tu Casa. Várias são as histórias sobre a crise, sobre as pessoas que a ultrapassaram e aqueles que com ela definharam. Tantas conhecemos e outras tantas ficaram por contar. No entanto, conseguir transmitir essas tristezas e esses sonhos perdidos através de segmentos musicais que fazem culminar toda uma dor sofrida é obra de mestre, e estes momentos valem por todo um filme que, claro está, prende o espectador ao seu lugar fazendo-o recordar tanto que escutou, viu, presenciou ou conhece da sua própria realidade. Se a realidade nua e crua tal como é apresentada se sente, estes breves mas intensos momentos onde se despem os rostos do dia-a-dia e se confessam as tristezas que são, agora, um estado normal, tornam vulneráveis actores e público que comungam de uma experiência comum e de uma vivência que não consegue esquecer.
No final, e ainda que Cerca de Tu Casa termine da forma como esperamos desde os instantes iniciais, seria injusto dizer que esta empatia criada com o espectador não lhe deixe uma certa esperança. Não é uma esperança qualquer ou tão pouco aquele sentimento renovado de que "amanhã" tudo será melhor. Qualquer um de nós sabe que esse "amanhã" irá tardar e que nada voltará a ser como aquilo que em tempos fora conhecido. Mas, no entanto, existe uma esperança que para lá de tudo o que foi vivido e de tudo o que foi perdido, "Sónia", "Pablo", "Jaime" e tantos outros anónimos que acabam por viver experiências semelhantes serão assumidamente pessoas diferentes. Não necessariamente melhores mas simplesmente diferentes... Para uns é a ideia de uma esperança renovada, para outros a oportunidade de começar de novo e para outros, ainda que não tão feliz, é a certeza de que a haver uma nova vida, esta não será tida como garantida, agarrada como uma possibilidade incerta tida com confiança e despreocupação mas sim uma oportunidade de ver a vida não com os olhares de alguém sonhador mas de alguém que sabe que tudo o que conquistou pode ser facilmente perdido.
Intensamente triste e dotado de um conjunto de interpretações que coroam essa tristeza, Cerca de Tu Casa brilha ao dar cor a essas histórias (anónimas) de perda, de redenção, de encontro e de uma tentativa de renovação que exalam através de todos aqueles grandes momentos musicados capazes de transmitir através de uma intensa coordenação, todo um desequilíbrio, insatisfação e compreensão de que a perda está sempre à espreita ao virar da esquina.
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8 / 10
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sexta-feira, 12 de maio de 2017

El Mercadillo (2016)

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El Mercadillo de Pedro Herrero García é uma curta-metragem de ficção espanhola presente na secção Social da oitava edição do Piélagos en Corto - Festival Internacional de Cortometrajes de Ficción que amanhã termina na Cantábria, em Espanha.
Esta curta-metragem apresenta-nos duas mulheres já de idade avançada que em amena conversa se dirigem ao mercado. Mas este não é um dia qualquer e, para lhes fazer companhia, levam uma outra mulher bem mais jovem que, no entanto, não parece muito motivada para esta viagem.
Naquela que já poderá ser uma corrente cinematográfica do cinema espanhol dedicada quase exclusivamente à temática da crise - nunca em tão pouco tempo havia visionado uma quantidade tão grande de filmes curtos que se dedicassem com veemência a esta temática - El Mercadillo poderia ser facilmente considerado como "mais um" do género. No entanto, aquilo que aqui observamos não é uma obra qualquer. Herrero García não se centra nas pequenas grandes histórias motivacionais sobre a crise e o drama dos despejados ou tão pouco sobre alguém que perdeu o emprego e tem, agora, de encarar a sua vida sobre toda uma nova perspectiva. Não... Aqui o espectador observa outra realidade.
Longe dos despejos... longe da perda de trabalho e até mesmo longe dos dramas familiares que rodeiam todas estas temáticas, o realizador aqui leva o espectador àquilo que vulgarmente qualquer um de nós poderia apelidar como os efeitos ou as consequências de uma vida que se desmoronou lentamente e que agora se vê obrigada - a mulher mais jovem - a recorrer àquilo que nunca imaginou.
El Mercadillo não é sobre a dificuldade em efectuar as compras mensais... ou tão pouco sobre a falta de dinheiro. Aqui aquilo que observamos é quando esse já não existe e a fome aperta... Quando tudo o que resta é tentar as sobras indesejadas por aqueles que ainda conseguem (sobre)viver sem recorrer ao que é deitado fora como indesejado. Uma história sobre a situação limite de tantas e tantas pessoas que têm de se contentar com uma repetida refeição diária feita com tudo aquilo que, nos mercados, foi considerado lixo estando, no entanto, ainda em perfeitas condições de consumo.
No fundo, aquilo que El Mercadillo questiona - ou leva o espectador a questionar - é sobre o que sobre de "nós" quando recorremos a essas "sobras". Como nos definimos quando tudo o demais foi tentado e, sem sucesso, nos levou àquela condição limite de recorrer ao desperdício... ou "lixo"... que, uma vez esquecido e deitado fora, servirá agora de alimento àqueles que nada mais têm... Que sociedade é esta onde em vez de partilhar prefere desperdiçar e, apenas então, considerar "bom" para aqueles que nada têm...
Simples (ou talvez não), El Mercadillo cedo se apresenta como uma história sobre duas (ou três) amigas que falam de banalidades, da telenovela do dia anterior ou até mesmo sobre as dificuldades da vida sem que, no entanto, se assumam como "membros" desse clube não tão exclusivo que aumenta todos os dias. Mas, no final, aquilo que o espectador retém é uma história sobre a sobrevivência... sobre o ultrapassar vergonhas e embaraços últimos que têm de ser esquecidos em nome de uma possibilidade de observar um dia... um dia mais... o dia seguinte... Aquele em que - talvez - se possa voltar a uma condição não necessariamente mais nobre mas, pelo menos, uma em que o seu sustento não seja fundamentado com aquilo que os outros consideram como o "lixo" que fica para aqueles que pouco ou nada têm.
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8 / 10
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Lurna (2016)

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Lurna de Nani Matos é uma curta-metragem espanhola de ficção e uma das seis nomeadas na secção Social da oitava edição do Piélagos en Corto - Festival Internacional de Cortometrajes de Ficción que decorre até amanhã dia 13 de Maio na Cantábria, em Espanha.
Lurna (Diaryatou Daff) é uma jovem mulher africana que sonha com uma potencial vida melhor. Poderá ela alguma vez tê-la numa terra que não é a sua?
Numa época em que tanto se questiona a entrada de refugiados nesta opulenta e em crise (de valores) Europa, a curta-metragem de Nani Matos não poderia ter chegado em melhor altura. Em Lurna acompanhamos as recordações de uma mulher que tem toda uma história por detrás da sua existência que comprova a sua luta e a sua viagem até uma Espanha onde agora se encontra. "Lurna" é portanto, mais do que uma simples mulher - que de simples nada tem - mas sim o rosto de todo um conjunto de homens e mulheres que atravessaram meio mundo com a promessa e a ideia de algo melhor do que aquilo que, até então, lhes tinha sido dado a conhecer na sua vida. Mas, no entanto, como todos as promessas de um el dorado inexistente, também agora neste admirável mundo novo, "Lurna" volta a sofrer às mãos de uma mafia que tudo exige e nada tem intenção de fazer cumprir.
Ao ritmo dos anunciados flashback, Lurna revisita toda a sua viagem até Espanha. Das carrinhas repletas de migrantes na mesma situação que ela às detenções pela polícia. Das ameaças de arma apontada aos bares de alterne e destes à consequente separação dos seus filhos tudo é, em breves minutos, apresentado nesta curta-metragem que reflecte este mundo novo - infelizmente não tão ficcionado como se poderia desejar - e uma vida pouco admirável.
A alma desta história é uma intensa Diaryatou Daff que consegue com a sua interpretação levar o espectador a toda uma nova dimensão aproximando-o de uma realidade assumida mas voluntariamente ignorada. Do submundo do crime a todo um sofrimento tido em silêncio, Daff prende o espectador ao ecrã graças a esta não verbalização de todo um passado que acima de tudo a envergonha. O espectador desconhece as origens de "Lurna" mas, no entanto, conhece todo este seu percurso até ao momento em que se encontra e sabe que a história desta personagem mais não é do que o rosto tido de tantas outras que escuta diariamente nos diversos noticiários. "Lurna" é portanto mais do que uma mulhe... um símbolo. Um símbolo de tudo o que se viveu... do que se perdeu... do que se sonhou sem nunca conquistar. É o rosto de uma vida de sonhos apagados, de esperanças perdidas e de momentos que se sentem (e percebem) mais não serem do que memórias idas de uma vida que se esperou. Para lá do desencanto está a perda... a perda daquele pouco que ainda se sentia poder possuir. A perda como a única referência possível de uma vida que se extingue e que lhe retirou todos os seus mais preciosos bens. No olhar de Daff temos tudo... e ela não necessitaria dizer absolutamente nada para que com ela o espectador criasse todas as empatias possíveis... Assim intensa é a sua interpretação.
Ainda que o espectador esteja perante uma história ficcionada, esta poderia ter sido retirada e inspirada nos inúmeros documentários e reportagens que diariamente inundam as nossas televisões. Ali a única coisa que pode, de facto, ser ficção é o nome e a identidade daquela mulher que, no entanto, representam tantas outras cujas histórias ocorreram mais ou menos dentro daquele relato. Desta forma, Nani Matos cria não só uma obra-prima do género pela veracidade dos factos que ali decide contar como sobretudo uma história com a qual aproxima as realidades destas pessoas deslocadas das sociedades onde elas chegaram tão opulentas de bens e por vezes tão cerradas àquilo que mais falta faz... o humanismo e a compaixão que qualquer um de nós desejaria ter quando chegados a outros territórios de onde não são originários.
Comovente... comovedora... intensa... forte... Lurna é uma curta-metragem simplesmente brilhante.
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8 / 10
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quinta-feira, 11 de maio de 2017

Limbo - Por um Resquício de Paz (2016)

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Limbo - Por um Resquício de Paz de Rui Pedro Sousa é uma curta-metragem portuguesa de ficção presente na competição Internacional da oitava edição do Piélagos en Corto - Festival Internacional de Cortometrajes de Ficción que decorre na Cantábria, em Espanha.
Miguel (Jorge Mota) conta uma história. Uma história de amor. A história do amor entre Miguel (André Júlio Teixeira) e Susana (Joana Ji Antunes) surgido de uma casualidade. Do conhecimento à cumplicidade e da entrega à perda, poderão estes dois amantes ficar alguma vez separados?
Três anos depois da sua curta-metragem Tsintty (2013), o realizador Rui Pedro Sousa regressa com esta história sobre os diversos caminhos de um amor intenso. Com um argumento também da autoria do realizador em colaboração com Luís M. Ferreira e Renata Ramos adaptando um conto de Guy de Maupassant, Limbo é um conto sobre a casualidade das relações humanas, os (des)encontros e as coincidências que fazem dois seres pisarem o mesmo caminho e, através da busca de cumplicidades, sobre a forma como estes encontros se transformam em relações sentimentais fortes, dinâmicas e intensas mas nem sempre comprometidas ou imaculadas.
A história, contada num futuro já distante, remete-nos para as lembranças e memórias de um "Miguel" agora desgastado pelo tempo, pela perda e pela revelação de acontecimentos que o desiludiram. Para a confirmação de uma ilusão agora compreendida enquanto tal e que compromete(u) toda uma lembrança. O que acontece quando numa relação cúmplice e de total entrega se descobre todo um engano e uma traição que comprometem o então sentido? À medida que este "Miguel" regista os acontecimentos tal como os viveu, compreendeu e sentiu permanece - para o espectador - a imagem de um futuro negro, solitário e desiludido não só pelas revelações com que se deparou mas principalmente pela forma como o futuro (seu presente) vivem comprometidos e condicionados pelas descobertas que fez da sua grande e única - percebemos - paixão. É então que esta solidão (acompanhada pelo desgosto) ganha forma. Primeiro pelo seu desnorte - enquanto novo - e depois pela habituação a uma vida que jamais poderia ser igual ao que foi. "Susana" foi para "Miguel" o símbolo de todo um renascimento, de toda uma entrega e sobretudo de uma jamais sentida paixão que nunca voltaria a ser igualada. "Miguel" foi assim - de certa forma - enfeitiçado pelo amor. Pela pureza de um amor sentido e que guarda(va) como único e especial.
Num misto de drama e romance com sérios toques de fantasia e até sobrenatural, Limbo subdivide-se em dois importantes momentos; o primeiro que dá corpo a uma intensa história de amor que leva o espectador numa viagem de encanto, dedicação e entrega. Uma história de paixão que tenta arrebatar o espectador e o deslumbra com alguns belíssimos segmentos vibrantes e repletos de cor e vida para, num segundo momento, o deixar melancólico, perdido, abatido e até mesmo enganado pela percepção de que na vida - tal como no amor - nem tudo é perfeito e que as personagens - como reflexo de tantos espectadores - também se sentem enganadas, traídas, trocadas e até mesmo desiludidas com os rumos nem sempre compreensíveis de uma carne fraca que cede face às tentações.
É neste segundo momento que o realizador nos surpreende ao inserir toda uma história sobrenatural onde as penitências têm de ser pagas e expiadas através das almas - agora putrefactas - e, tal como em séculos idos, denunciadas publicamente para que todos os pecados - e respectivos pecadores - sejam agora conhecidos e apontados... Incapazes de ter descanso eterno, estas almas vagueiam agora pelos caminhos da noite fria, solitária e pesada... de certa forma como um interessante paralelismo para com o "Miguel" nos anos futuros que se adivinham. Ele, eventualmente por uma opção ou incapacidade de voltar a confiar e amar, vagueia pela vida incapaz de sair das suas quatro paredes onde recorda tudo o que viveu de bom... sem nunca mais o ter experimentado e vivido. "Miguel" a ela se dedica... mesmo na sua morte cruzando a perda com o amor, com a paixão e a loucura... todos se interligam num ciclo de dependência.
Ainda que cruzando diversos estilos e géneros, Limbo é fiel ao tradicional conto dramático. O espectador tem o romance, o drama, o encantamento e a fantasia, a perda, a morte, a dedicação extrema e fiel e o relato ou registo de um amor eterno que cruza a vida, a morte, os mortos e até mesmo a possibilidade de uma nova redenção. Sempre acompanhado de uma belíssima música de Alexander Arntzen que enquadra cada momento no seu contexto próprio dando cor - ou revelando a sua ausência - a cada instante, e embelezado com a direcção de fotografia de Hugo Fortes e uma caracterização de Catarina Pimentel e Hugo Magalhães, Limbo (con)firma a intensa dramatização de uma forte interpretação de André Júlio Teixeira que prende o espectador a um olhar de encantamento, de dedicação quase devota a um amor realmente sentido mas que é corrompido primeiro pela morte e depois pela confirmação de uma traição impossível de esquecer.
Se há coisa que Limbo nos consegue demonstrar é que o verdadeiro amor pode existir e ser eterno mas que, de igual forma, pode prender e lançar armadilhas psicológicas e sentimentais àqueles que o sentem e são traídos remetendo estes últimos a uma existência tão errante em vida como aquela tida pelos mortos daquele cemitério, com amores desfeitos e não confirmados comparando-os apenas ao pó com que tudo "vive" nesse tal futuro distante onde se recordam os dias passados.
De Tsintty a Limbo, Rui Pedro Sousa demonstra não só um amadurecimento na forma de filmar uma história como na sua própria concretização unindo de forma coesa todos os elementos e conseguindo dirigir um conjunto de actores que se complementam e que deixam a sua marca pessoal em personagens vivas e que sentem, que transmitem emoção e, no final, (des)ilusões compreendidas por todos aqueles de nós - espectadores - que os sentem e nos quais se podem rever.
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9 / 10
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Encerrada (2016)

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Encerrada de Rogelio Sastre é uma curta-metragem espanhola de ficção presente na secção Cantábria da oitava edição do Piélagos en Corto - Festival Internacional de Cortometrajes de Ficción que decorre até ao próximo dia 13 na Cantábria, em Espanha e no qual tive o prazer de marcar presença enquanto programador oficial do festival.
Nora tem uma depressão e encontra-se no zoológico onde os animais a olham enquanto ela tenta comunicar com alguém pelo telefone. Nora sente-se só.
Naquela que é uma aparente analogia da sociedade moderna onde qualquer um de nós se encontra num mundo tecnologicamente desenvolvimento mas onde as relações pessoais e humanas perdem cada vez mais significado ou relevância, Encerrada é, portanto, a história de uma mulher presa num estado psicológico mais frágil que tenta desesperadamente contactar com aqueles com quem, em tempos, partilhou uma boa parte das suas histórias e que agora lhe estão distantes.
Perdida num aparente desespero, "Nora" é apenas observada por aqueles que, estranhamente, poderão sentir-se numa mesma condição que ela... enquanto a sua depressão a obriga a tomar uma constante quantidade de medicamentos dos quais se queixa de forma vã ao telefone, também aqueles animais parecem presos num mundo diferente - e igualmente distante - do seu habitat natural que lentamente os doma a um estado não natural. Se "Nora" se encontra solitária na sua "selva urbana", também aqueles que agora a observam "compreendem" o seu isolamento por serem vítimas de um mal semelhante que os condiciona nos seus movimentos e liberdades inatas. "Nora" vive portanto a sua própria prisão... também ela a céu aberto... que a aprisiona a uma ilusão de liberdade que não sente não só pela medicação a que está sujeita como também pela ânsia que todos os locais lhe parecem conferir deixando-a apenas "livre" naquele zoológico onde tanta estabelecer uma qualquer comunicação. Tal como os demais animais, "Nora" é assim uma réstia da mulher que outrora fora limitando-se a deambular por espaços que aparentam permitir-lhe essa tal liberdade mas que, na prática, mais não são do que ilusões que a permitem ir sobrevivendo.
Com um interessante argumento que explora a analogia entre Homem versus Animal presos na liberdade das sociedades modernas, Encerrada fragiliza, no entanto, na sua vertente prática quando, num mise en scène, se perde na turbulenta concretização da história revelando algum amadorismo que transforma esta história de semelhanças entre os vários intervenientes num conto banal repleto de boas intenções mas assumidamente perdido na sua tentativa de concretização. Ainda que o potencial narrativo exista ele fica, na prática, ausente desta história da qual o espectador apenas pode retirar a boa intenção com a qual o seu realizador pretendeu contar uma história sobre os problemas de uma sociedade onde tudo parece correr mais depressa do que aquilo que a mente humana consegue inicialmente processar.
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3 / 10
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El Tren de las 8 (2016)

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El Tren de las 8 de Ross Manso é uma curta-metragem espanhola presente na secção Cantábria da oitava edição do Piélagos en Corto - Festival Internacional de Cortometrajes de Ficción que decorre na região espanhola até ao próximo dia 13 de Maio.
Bruno, Noé e Gustavo são três irmãos que se dirigiram para um bosque onde planeiam enterrar um corpo. Depois de uma discussão, Bruno - o mais novo - entra pelo bosque indo parar a um terminal de comboios onde todo um conjunto de personagens esperam pacientemente pelo das oito horas.
Aquilo que começa como uma mais ou menos inspirada história de gangsters e mafiosos que saíram do seu último crime cedo se transforma numa enigmática história sobre uma qualquer perdição da qual os seus protagonistas foram alvo. Nem sempre perceptível naqueles instantes iniciais que remetem o espectador para um conto de vingança e fuga mas El Tren de las 8 é um pouco mais do que um simples filme onde os malfeitores procuram ficar e dividir aquilo que pilharam.
Nem sempre perceptível ao longo da sua história mas é - para o espectador - a viagem de "Bruno" aquela em que deste lado do ecrã merece a maior atenção. Distante dos objectivos dos dois irmão, "Bruno" entra por um caminho por entre o bosque onde vai dar a uma estranha plataforma de um terminal de comboios perdida no meio das árvores onde várias personagens parecem esperar intemporalmente por um comboio que nunca mais chega. Pergunta-se o espectador se esta espera se prende com algo mais do que com uma simples viagem para a cidade mais próxima... ou até mesmo se estas personagens que ali esperam se encontram dentro do mesmo espaço terreno em que "Bruno" se encontra. Desfeitas algumas dúvidas, aquilo que nos espera é então uma história que se aproxima de uma redenção algo sobrenatural onde todos parecem esperar a sua penitência e a sua oportunidade num "além" que está, afinal, mais perto do que aquilo que se poderia imaginar.
No entanto, e se o argumento de El Tren de las 8 parece sedutor pela mescla de história de vingança que encontra a sua plataforma sobrenatural, a dinâmica das suas personagens e algumas interpretações mais fragilizadas tolhem todo o conjunto desta curta-metragem que quer pela sua duração quer pelas deficiências narrativas com que o espectador se vai deparando com uma história que se prolonga para lá daquilo que seria aceitável e compreensível de e para com o seu argumento.
O purgatório aqui assumido como aquele terminal perdido no meio de um bosque (imaginado?) onde todos penam pelos seus pecados e esperam por uma sentença que pode levar toda uma (além) vida é, no conjunto desta curta-metragem, o ponto mais forte e que lhe confere toda uma estranha mas original dinâmica, distanciando a tradicional imagem do mesmo e conferindo-lhe um aspecto mais terreno com o qual todo o espectador poderá criar uma ligação... afinal, quantos de nós já não (des)esperámos por um transporte que aparentava nunca mais chegar?! Mas, no entanto, se esta originalidade aqui sentida credibiliza todo o trabalho final... a falta de inspiração de algumas das suas personagens (interpretações) retiram a dinâmica até então sentida parecendo que cada um ruma numa direcção oposta sem saber quando chegar a bom porto... de um eventual desnorte a um erro/fragilidade na direcção de actores, El Tren de las 8 parece provocar no espectador o mesmo sentimento que aquelas personagens perdidas aparentam... uma total perda do seu sentido de orientação que o leva a questionar-se sobre o seu próprio porto ou objectivo...
Desta forma, e ainda que as boas intenções e a verve de originalidade se sintam presentes, El Tren de las 8 perde-se pela vontade de contar uma história que se alonga... e alonga... para lá daquilo que o seu argumento permitia originalmente, constituindo-se este como o seu maior déficit de dinamismo e o suficiente para criar desconexão entre público e história.
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5 / 10
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The Trader (2017)

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The Trader de Manuel Alvarez Diestro e Sergio Belinchon é uma curta-metragem espanhola de ficção presente na secção Cantábria da oitava edição do Piélagos en Corto - Festival Internacional de Cortometrajes de Ficción que decorre até ao próximo dia 13 de Maio na região espanhola.
Um corretor da bolsa embarca numa estranha e improvável viagem numa busca pelo local onde pode finalmente libertar-se do mundo em que vive.
Claramente metafórica, esta curta-metragem espanhola dá corpo a todo um imaginário de reflexão do "homem" que se afasta - ou abandona? - do mundo atribulado em que vive. Ao longe o espectador escuta os ruídos de uma cidade em constante movimento, das suas várias ocupações aos seus vários habitantes "diurnos" e, por entre o mesmo, reina um permanente anonimato que o coloca - ao homem - num isolamento urbano entre tantos outros da sua espécie. Percorrendo toda uma planície acidentada, este homem atravessa todo um deserto - talvez o seu refúgio mental - que o posicionam distante do seu quotidiano e da sua rotina sem que, no entanto, abstraia o espectador daquele espaço de onde ele provém. Para o bem e para o mal estamos ali, com ele, numa cidade percebida mas não visível e, aos poucos, percebemos que ele é uma das suas partes mas não suficientemente importante para que dela se consiga distanciar... ela acompanha-o... ele vive-a... Ambos sentem-se.
Apenas percebemos que ele está brevemente abstraído do espaço quando, perante toda uma imensidão natural, aquele homem se despe como se no interior do seu espaço (talvez da sua casa) se encontrasse e entra na água como se da sua própria banheira se tratasse. Estará (será?) todo este ambiente natural como que um mero elemento subconsciente da vivência do Homem - no seu sentido lato - que o abraça como o seu escape mas o assume como o seu covil?
Dotado de uma direcção de fotografia que se assume como uma personagem silenciosa de The Trader e uma edição de som que compõem - e muito - toda a dinâmica da viagem que este homem enceta - afinal, é através do som que o espectador consegue captar muita da dimensão sensorial que se espera desta história -, a curta-metragem de Alvarez Diestro e Belinchon perde-se, no entanto, na sua incapacidade de relatar uma vertente de ficção que transmita facilmente o seu objectivo mantendo-se portanto numa plataforma experimental que confere ao seu público toda a manobra para interpretar livremente a sua mensagem. Este factor tanto lhe permite - ao espectador - perceber esta viagem como um espace voluntário de uma vida no rebuliço de uma cidade sempre em movimento (tal como o protagonista que avança rumo a nenhures de forma anónima) como, por sua vez, encará-la como uma viagem monótona, interminável e (in)voluntariamente exasperada permanecendo numa dinâmica de positivo versus negativo conferida pela percepção de cada um.
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6 / 10
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Pompas de Jabón (2016)

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Pompas de Jabón de Patricia Hernández é uma curta-metragem espanhola de ficção e uma das cinco nomeadas na secção Cantábria da oitava edição do Piélagos en Corto - Festival Internacional de Cortometrajes de Ficción que decorre na referida região espanhola até ao próximo dia 13 de Maio.
Duas mulheres e uma verdade escondida. Dois destinos e a vontade de um caminho cruzado em comum. Coração ou razão... qual deles sairá como vencedor?
Numa história que oscila entre o drama amoroso e a redenção sentimental, Pompas de Jabón apresenta ao espectador a vivência de duas mulheres que partilham e trilham um mesmo caminho. Se uma delas vive dividida entre a vida que teve - aquela trilhada pela razão e pelo moralmente aceitável pela sociedade - e aquela que sente ser a sua - dominada pelo seu coração e respectivos sentimentos - e uma outra mais jovem que, fruto de uma mentalidade mais aberta e um complexo ultrapassado, encara as razões do coração com uma espontaneidade diferente da primeira. Ambas percorrem no silêncio dos seus corações e na privacidade dos seus espaços, um caminho que as une pelo sentimento, pela paixão, pela entrega e pelo amor deixando, lá para trás, todos os preconceitos que uma sociedade pouco habituada à mudança ainda espelham.
Para a mulher mais velha, ainda dominada por um passado já vivido, permanecem as dúvidas existenciais e a vida familiar que, não esquecendo, resguarda num passado já experimentado. Agora tenta viver o presente e aquele amor que sempre dominou os lugares mais escondidos de um coração que, à sua medida, viveu anos num sofrimento desesperante à espera do tal dia onde pudesse finalmente viver aquilo que sentia... e exprimia com breves e pontuais olhares escondidos e tolhidos pela repressão. Viver antes que seja tarde demais ou, por sua vez, continuamente esconder o seu "eu" que tanto desesperava por (agora) viver?
Com uma dinâmica e passada temperada por vários silêncios que tentam comunicar com o espectador, Pompas de Jabón transmite uma interessante mensagem graças ao seu moderado argumento mas que as moderadas interpretações das suas duas actrizes (por vezes) não deixam voar para lá dessa contenção. Se percebemos o drama sentido e vivido por ambas as personagens, não deixa de ser uma realidade que as mesmas vivem uma constante auto-repreensão que difícil e esporadicamente consegue chegar ao espectador enquanto um sofrimento de um amor vivido mas não completo pelo medo da pressão alheia e de todos aqueles não tão breves pensamentos sobre o que se poderá perder se ele fôr consumado para uma sociedade nem sempre tolerante.
Apaixonada mas contida, Pompas de Jabón mantém-se a uma longa distância do filme que poderia ter sido mantendo-se, na sua quase totalidade, na esperança de se afirmar enquanto uma história que se permite ler nas entrelinhas onde o espectador cria empatia com um sofrimento de duas personagens que esperam o momento no qual possam reclamar, em toda a plenitude, o momento em que finalmente "vivem".
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5 / 10
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30 Minutos con Laura (2017)

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30 Minutos con Laura de Juanjo Haro é uma curta-metragem espanhola de ficção presente na secção Cantábria da oitava edição do Piélagos en Corto - Festival Internacional de Cortometrajes de Ficción a decorrer até ao próximo dia 13 de Maio na Cantábria, em Espanha.
Laura (Laura Heredero) tem uma vida complicada... e agora um novo homem (Javier Uriarte) entrou na sua vida. Irá Laura sair desta sua aparente existência?
Juanjo Haro cria com este genial argumento aquilo que todo e qualquer espectador anseia numa história, ou seja, a capacidade de não ter nenhuma margem de desatenção que lhe permita sequer olhar para o lado. Sim... estamos perante uma daquelas histórias que pedem - e até exigem - que durante os seus mais ou menos breves instantes detenham o espectador como seu refém.
Inicialmente o espectador pensa que está perante uma qualquer banal história mais ou menos romântica que o vá distrair durante uns quantos minutos. No entanto, aquilo que 30 Minutos con Laura lhe confere é algo que vai bem mais longe do que os referidos trinta minutos que se supõe ir durar a acção deste conto moderno. Aqui, acompanhamos um conto sobre a memória... A memória de uma mulher sobre os seus espaços do passado, sobre as suas histórias e sobre as recordações que guarda de uma vida mais ou menos feliz... mais ou menos atribulada mas que, percebemos, mais não é do que um pequeno lugar da sua já extensa memória. Mas, no entanto, e se essa memória escondesse por detrás da sua componente idílica algo mais do que a positividade de uma relação tida até então? O que aconteceria se, por detrás de todos os acontecimentos de uma vida, se escondesse algo mais negro e terminal que agora já não lhe pertencem. No fundo, e se agora depois de toda uma vida com um significado inabalável se escondesse toda uma história de traição, ciúme, paixão e loucura que têm - como tudo na vida - as suas consequências mais ou menos imediatas e que estão prestes a ser cobradas?
Desta forma "Laura" (Heredero) e "Ele" (Uriarte) encontram-se num restaurante. Não são aquilo que inicialmente poderíamos imaginar nem tão pouco um casual encontro que se proporcionou através dessa casualidade ou tão pouco fruto de uma qualquer rede social onde tantos encontram o seu escape para uma nova "vida social". Não... em 30 Minutos con Laura aquilo que o realizador e argumentista Juanjo Haro nos revelam é uma surpreendente história onde não só todos os pequenos detalhes têm uma importância inquestionável para a resolução de um conto impossível como também os desempenhos dos seus actores conferem - depois de descoberta toda a verdade por detrás das suas acções - toda uma nova dinâmica que destroem a tal "zona de conforto" do espectador mais preparado para resistir à surpresa.
No final, onde tudo é entretanto percebido pelo espectador, aquilo que lhe resta compreender e acompanhar é, não o percurso de uma "Laura" entretanto encaminhada para a sua nova realidade mas sim o trajecto já passado, mas recente, d'"Ele" enquanto aquele que mais directamente privou com esta mulher e a compreendeu nas suas limitações imediatas... Acompanhamos os seus instantes... os seus pensamentos que, como desabafos, nos empurram para um destino final relativamente inesperado mas igualmente surpreendente e, m pouco menos de dez minutos, compreendemos toda uma vida de "Laura"... as suas aspirações, as suas paixões mas sobretudo a sua compreensão daquele preciso momento em que reage à ideia desse tudo agora perdido.
Raras são as ocasiões em que um filme consegue de forma engenhosa e brilhante surpreender com os seus twists finais e conferir todo um novo significado a um filme que o espectador já tinha assumido como "garantido". No entanto, 30 Minutos con Laura consegue não só prender o espectador ao banco da sala de cinema como especialmente dinamizar toda uma história com a irreverência de alguém que sabe fazer bom cinema, cativar o seu público e sobretudo não se deixar inibir pelas ideias assumidas do espectador sobre uma história que surpreende até ao último instante. Aqui não estamos simplesmente a ver um filme... pelo contrário... aqui estamos a assistir a uma obra de arte em formato curto e a um dos mais brilhantes, enigmáticos e assumidamente surpreendentes filmes dos últimos tempos que consegue ainda ter duas intensas e bem estruturadas interpretações que se complementam na descoberta do um aparente impossível.
Bravo! Two thumbs up!
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8 / 10
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quarta-feira, 10 de maio de 2017

Nelson Xavier

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1941 - 2017
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Shortcutz Viseu - Sessão #92

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Regressa o Shortcutz Viseu com a sua sessão #92 onde a sua programação em competição está dedicada à realizadora Joana Maria Sousa que no segmento Curtas em Competição apresenta os seus filmes curtos Cavalo e We Are Desperate tendo ainda no segmento Projecto Convidado o seu filme Tomé, o Filme e ainda no Doc Xpress Viseu o documentário Like a Tree.
Desta forma, e como já é habitual nas noites de sexta-feira, o local onde passa bom cinema em formato curto é o Carmo'81 a partir das 22 horas.
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Ojos Claros (2016)

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Ojos Claros de Ricardo Vargas Lozano é uma curta-metragem mexicana presente na secção competitiva Internacional da oitava edição do Piélagos en Corto - Festival Internacional de Cortometrajes de Ficción que decorre na Cantábria, em Espanha.
Um homem aparentemente solitário recebe, ao regressar do trabalho, uma misteriosa caixa que fora deixada à porta da sua casa. No interior encontram-se, em vídeo, as memórias de Carlos, um jovem com quem tem uma ainda não explicada mas forte relação.
A curta-metragem de Vargas Lozano é desde os instantes iniciais, aquele género de filme ao qual o espectador se prende de forma inexplicável. Dividida em dois claros momentos - aquele em que o homem mais velho e desgastado por uma vida aparentemente difícil e um segundo em que o próprio observa a vida que supõe (supomos) feliz de "Carlos" e "Karen" (a sua namorada) -, Ojos Claros é cativante pela forma como deixa o espectador ser levado por uma história passada reflectida no presente e que, ainda que previsível em certa medida, se transforma numa revelação que esperamos ter aquele desfecho de "encontro" entre as suas personagens principais.
Entre passado e presente - ambos inconclusivos -, o espectador conhece este homem mais velho, solitário e aparentemente desgostoso na vida que leva, minimalista não pelos poucos pertences que possa eventualmente ter mas sim pela condição em que se apresenta como alguém desprovido de ligações reais com o mundo "lá fora", entregando-se a uma continuidade esperada que tem como fim último a sua própria extinção. Por outro lado, ao receber aquela caixa misteriosa com um vídeo sobre a vida do jovem "Carlos", compreendemos que a sua vida ganha um estranho e até improvável novo alento esperando - talvez - encontrar naquela vida sentimentalmente bem sucedida uma qualquer redenção para a sua que está, como sabemos, incompleta.
É naquele vídeo que observamos vida, felicidade, amor, alguma tristeza, cumplicidade e entrega. Encontramos a soma de todos os sentimentos e sensações que, na realidade, todos deveriam experimentar e viver nesta breve passagem a que vulgarmente todos chamamos de vida mas, ao mesmo tempo, este vídeo teve um objectivo e um propósito que apenas mais tarde compreenderemos. Algo teria de suceder para que estes dois homens - frutos de duas distintas gerações - se encontrassem e se conhecessem... talvez não da forma esperada... ou talvez daquela que era a única e possível, mas o seu encontro e o saber que ambos existiam foi, de forma mais ou menos trágica, a confirmação de que ambos existiam, viveram e experimentaram todas as alegrias mas também os dissabores de uma realidade presente.
Para ambos aquela praia é o símbolo de uma vida desejada - confirmada ou por confirmar apenas o futuro o poderá ditar -, que os completa e que lhes dá algum tipo de significado e validação. Duas vidas que os seus actores encarnam como uma alma reveladora dos seus âmagos, das suas fraquezas mas sobretudo das suas inesperadas forças. Duas vidas que, no momento certo, confirmam que eles tiveram e presenciaram essa tal "breve passagem" independentemente da sua respectiva duração... ambos experimentaram o amor e, em certa medida, ambos existem sob formas diferentes como um resultado directo desse mesmo amor... confirmado, perdido mas sobretudo vivido.
Ricardo Vargas Lozano cria portanto uma curta-metragem emotiva, emocionante mas sobretudo que espelha de forma exemplar os caminhos de um coração que viveu. De um coração que simplesmente existiu e para lá da perpetuação - ou não - do seu fruto, conseguiu trazer de uma vida desaparecida as suas almas de volta ao reino dos ditos vivos.
Intensa e capaz de deixar o espectador esperar pelo instante seguinte com ânsia e o seu próprio sofrimento, Ojos Claros é a confirmação de um belíssimo contador de histórias como o é Ricardo Vargas Lozano e um dos filmes maiores da edição deste ano do Piélagos en Corto.
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9 / 10
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Non Toccate Questa Casa (2017)

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Non Toccate Questa Casa de Americo Melchionda é uma curta-metragem italiana presente na secção Internacional da nona edição do Piélagos en Corto - Festival Internacional de Cortometrajes de Ficción que decorrem na Cantábria, em Espanha.
Durante o Mundial de Futebol de 2014 Itália enfrenta o Uruguai. Ao mesmo tempo a família de Filippo (Marco Marra) de doze anos vê-se a braços com o despejo da sua casa pelo excesso de dívidas por pagar. Enquanto o Giuseppe (Americo Melchionda) o pai, ameaça fazer explodir a casa, Filippo tenta encontrar uma solução vendendo a caderneta do Mundial de '82... mas falta o cromo de Gaetano Scirea.
Americo Melchionda para lá de realizador e um dos actores desta curta-metragem assume também as funções de argumentista em colaboração com Emanuele Milasi criando assim uma história que infelizmente ainda se encontra na ordem do dia ao criar mais uma das inúmeras histórias da crise económica que atingiu o sul da Europa nos últimos anos privando, dessa forma, o normal desenvolvimento social de tantas famílias que, de um dia para o outro, se viram sem a sua tranquilidade e despejados de todos os (poucos) bens que passaram vidas a construir. A casa, como o bem maior de todos, símbolo de estabilidade e segurança social é em Non Toccate Questa Casa o marco principal de uma luta que aparenta não só não ter uma resolução pacífica como pode igualmente representar o ponto principal de uma discórdia que se prepara para terminar de forma violenta.
A família, ameaçada pela desgraça económica e financeira bem como pelos seus imediatos carrascos nas figuras dos emissários bancários, sente já não ter nada a perder. Em vias de serem afastados da sua casa (ainda em construção) e encontrarem-se três gerações na rua sem qualquer forma de subsistir, só encontram uma solução... se saírem dali toda a casa será explodida impedindo de cair na mão de qualquer outra pessoa que possa assim continuar o sonho daqueles que a começaram. No entanto, enquanto este acto de violência extrema - não da família mas sim dos bancos sobre a mesma - se prepara para ser consumado, o clímax desta história encontra-se, no entanto, no rumo e nas acções do jovem "Giuseppe" que sente, em tão jovem idade, que pode fazer algo que irá transformar a vida da sua família para sempre.
Perdido e sem acção junto da sua família que vê em total desespero e num misto de vergonha e incerteza com o testemunho da sua desgraça pessoal por parte de toda uma vizinhança que apela em seu favor, "Giuseppe" decide encontrar a solução para todos os problemas da família tentando vender um bem máximo - seu - legado desde o seu avô... a caderneta do Mundial de '82 com a selecção de futebol italiana vencedora do torneio. Mas, quanto tenta solucionar todos os problemas da família descobre que lhe falta apenas um cromo para completar toda a colecção... ou talvez não falte. Na inocência da sua jovem idade em que pensa que num objecto ao qual dá tanto significado e valor pode residir a solução para todos os problemas desse "mundo dos adultos" que ainda não compreende, "Giuseppe" perde-se na ilusão de um mercado próximo dos seus amigos que jogam o desperto pelo qual tem tanta paixão.
Os instantes em que o jovem "Giuseppe" - numa brilhante e silenciosamente emotiva interpretação de Marco Marra - joga pela vitória, em que compreende a sua limitação face a problema grandes demais para que os entenda na sua totalidade e em que descobre que a sua luta não tem salvação possível, levam o espectador a conter as suas emoções ao assistir a toda uma transformação de uma jovem criança no homem prematuro em que se transforma. Naqueles breves instantes "Giuseppe" perdeu toda a sua inocência, todos os seus sonhos de criança que é, entrando prematuramente na dita idade adulta em que as expectativas, sonhos, ambições e desejos de quem ainda ousa tê-los, se perdem pela amargura de um mundo que não espera e que é implacável para todos os que anseiam ser um pouco mais do que aquilo que lhes está reservado.
Melchionda dirige uma história que, para lá da sua imaginação, contém todo um significado simbólico sobre aqueles que perderam tudo, principalmente a sua vontade de viver, num mundo onde as tramas financeiras os colocaram no seio de um desespero sem fim. Enquanto elemento presente de uma história que o próprio dirige, Melchionda cria com Non Toccate Questa Casa, uma atmosfera violentamente melancólica, desesperante até por momentos, e onde a realidade chega sem que seja convidada destronando e destroçando qualquer ilusão, sonho, perspectiva ou vontade revelando, neste que é a sua mais recente obra enquanto realizador, todo um potencial para contar histórias que podem não ser mágicas mas conseguem relatar os nossos dias.
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9 / 10
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En la Boca (2016)

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En la Boca de Matteo Gariglio é um documentário em formato de curta-metragem suíço-argentino exibido na décima-quarta edição do IndieLisboa - Festival Internacional de Cinema Independente que a decorrer até ao próximo dia 13 de Maio, em várias salas de Lisboa.
Perto do estádio dos Boca Juniores em Buenos Aires, a família Molina vive de pequenos esquemas que lhes garante a sua sobrevivência. Da venda de bebidas aos bilhetes falsos para assistir aos jogos, os Molina estão em constante conflito com a polícia. Mas um dia, a tragédia bate-lhes à porta.
Logo no início deste documentário, o realizador apresenta ao espectador a sua conclusão. Tendo como figura central uma mãe - numa família que é claramente matriarca -, dá dado a conhecer ao espectador que outro dos protagonistas - o seu filho mais velho - morrera na prisão vítima de outro dos encarcerados. A família, que é até então compreendida como vivendo nas margens da lei, ganha toda uma nova perspectiva quando se percebe que um dos seus principais elementos e contribuidores para a sua subsistência perdera a vida mesmo antes deste filme ser finalizado.
Vários são os elementos desta narração que são de tomar em conta. O primeiro prende-se de imediato com as condições de vida desta família. Se o espectador assiste a um relato na primeira pessoa da forma de estar e viver de todos os seus elementos, cedo compreende que o estilo de criminalidade a que pertencem está longe de ser prejudicial como um todo. Na casa onde vivem e na forma como se apresentam ao espectador não existe um nível exterior de riqueza fruto do seu modo de vida. Pelo contrário, tudo o que vemos da sua casa, do seu estilo, das suas posses e até mesmo da forma como vivem a sua vida está longe de os aproximar de um qualquer enriquecimento exacerbado fruto daquilo que fazem. Residentes numa casa para lá de modesta - em qualquer lugar ocidental facilmente classificaríamos o seu espaço como uma vulgar "barraca" num qualquer bairro da lata, a família Molina parece sobreviver e subsistir apenas nesta franja da sociedade à custa destes pequenos golpes e esquemas que passam pela venda de bebidas, dos tais bilhetes falsos para o jogo e claro... de uma manutenção da sua ordem graças à corrupção policial que, a própria, retira o seu próprio lucro do negócio alheio.
O segundo momento desta história está presente nesta mesma perspectiva, ou seja, por muito que não se queira ou possa ignorar a criminalidade desta família, o espectador é forçado a questionar-se sobre a sua perpetuação na medida em que a própria autoridade - a lei e a ordem através daqueles que a impõem - sai também beneficiada da mesma lucrando com o "trabalho" dos demais. Afinal, se a vontade fosse de impedir que o crime subsistisse... não teria um qualquer agente da autoridade impedido a sua perpetuação? E, nesta medida, não iriam as prisões ficar cada vez mais lotadas com perpetradores de pequenos crimes económicos que, na realidade, poderiam ter rapidamente encontrado o seu fim?
Finalmente, e aqui directamente direccionado para o espectador, até que ponto é condicionada a visualização deste filme quando, desde os primeiros momentos, conhecemos o desfecho de um dos protagonistas? O que sucede junto do espectador quando, aprisionado a uma condição pré-existente, observa os últimos dias e instantes de alguém que, na realidade, já não está presente? Condicionará o seu julgamento perante o estilo de vida desta família ou, por sua vez, terá o espectador a mesma opinião sobre a sua actividade agora que sabe que o filho mais velho dos Molina... já não está entre os vivos?
Interessante relato sob perspectiva de análise social do espaço, da comunidade e do país em questão, preso a um ideal de corrupção light com a qual geralmente ninguém se preocupa e que, de certa forma, contribui para um mínimo (ou não!) enriquecimento daqueles que dela beneficiam mas sobretudo pela forma como permitindo ao espectador um conhecimento prévio da condição de uma família, lhe permite analisá-la ou empatizar com a mesma desde o início facto que, poderia não se verificar, caso esta informação lhe fosse reservada até ao final. En la Boca constitui-se assim um brilhante registo cinematográfico de Gariglio que transforma esta história num imediato drama familiar.
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7 / 10
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domingo, 7 de maio de 2017

Prémios Simón 2017 - Academia de Cine Aragonés: os vencedores

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Foram ontem conhecidos os vencedores dos Prémios Simón atribuídos anualmente pela Academia del Cine Aragonés, numa cerimónia que se realizou no Auditorio de Zaragoza.
São os vencedores:
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Longa-Metragem: Bestfriends, de Carlos Val e Jonas Grosch
Documentário: La Ciudad de las Mujeres, de Vicky Calavia
Curta-Metragem: El Morico, de Jorge Aparicio García
Videoclip: Luces de Neón, para Playa Cuberris, de Jacob Santana
Produção: Camino Ivars, La Ciudad de las Mujeres
Realizador: Carlos Val e Jonas Grosch, Bestfriends
Interpretação:
Laura Contreras, Luz de Soledad
Argumento: Carlos Val e Jonas Grosch, Bestfriends
Fotografia: Francisco Fernández Pardo, Rewind
Categoria Especial: Ara Malikian, Le Chat Doré (música original)
Simón de Honor: María José Moreno
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sexta-feira, 5 de maio de 2017

Encontro Silencioso (2017)

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Encontro Silencioso de Miguel Clara Vasconcelos é uma longa-metragem portuguesa presente na Competição Nacional da décima-quarta edição do IndieLisboa - Festival Internacional de Cinema Independente que decorre em Lisboa até ao próximo dia 14 de Maio.
Lisboa. Época de praxes universitárias. O Dux Boris (Alexander David) convocou uma reunião com alguns veteranos para uma revitalização de valores académicos. Numa quinta abandonada nos arredores da cidade, Carlos (Filipe Abreu), Caio (Nuno Fonseca), Marta (Ágata Pinho) e Rafaela (Isabel Costa) preparam-se para uma praxe que definirá os limites da sua existência.
Para lá de qualquer semelhança com a realidade - que pode ser detectada em muitas ocorrências -, o argumento de Miguel Clara Vasconcelos centra-se numa experiência académica levada ao extremo e que é, ainda hoje, alvo de um secretismo "exemplar". Tido como um momento de inserção na vida académica, a praxe é vivida por alguns como o ritual máximo de união entre estudantes que a ela "aderem" como um elemento indispensável para se sentirem "pertença". Assim, e no reino do "vale tudo", Encontro Silencioso reflecte não necessariamente na vida académica enquanto um meio de inserção novo mas sim na cega adesão a uma etapa que independentemente das suas consequências é, no seu todo, como um exercício ditatorial de um poder bacoco que se instituiu formalmente como o "certo" para que tudo o demais se desenrole. Por outras palavras, a vivência académica apenas existe quando todos, caloiros e veteranos, compreendem que o poder está nas mãos de um... o mais velho e "respeitado" do local que escolhe e determina as regras, os meios, os propósitos e, entre pares, se sente e faz sentir que é o senhor todo poderoso.
Como directa consequência desta realidade, o espectador dá por si a questionar-se sobre a forma como existe e (se) vive o espaço universitário considerando que não só nada (re)conhece destas personagens como tão pouco do meio de onde vêm ou mesmo qual a sua realidade académica. Pelo contrário, a única coisa que conhecemos são os rituais ditatoriais que seguem cegamente e que os condiciona a uma eterna realidade de escravos pouco intelectuais de alguém que assumiu um qualquer poder sem nunca ser contestado pelos seus pares. A ditadura começa então naquele meio onde se espera que os seus intervenientes (ou ocupantes) são tidos como seres pensantes e que vão contribuir para uma realidade futura posterior mas que, naquele preciso momento, se refugiam perante a ordem de alguém que apenas aparenta ser mais sábio ou mais forte. Aí, e num belíssimo paralelismo na relação entre Dux e veteranos, Miguel Clara Vasconcelos filma um rebanho de ovelhas que se refugia numa sala de umas ruínas de um velho palacete (onde os universitários se encontram para a repetição do seu ritual de iniciação), temerosas dos estranhos ocupantes que parecem mais fortes do que eles, esquecendo que num colectivo facilmente os dominariam.
É nestas mesmas ruínas que veteranos, longe da acção de um Dux desaparecido, parecem perdidos numa realidade que desconhecem sintomática da sua passagem de poder (e conhecimento) a alguém que os usa como meros instrumentos da sua própria manutenção nessa ilusão de governação que os condiciona não só à incapacidade de livre arbítrio como sobretudo aos despóticos mandos de alguém que está, ele próprio, ultrapassado na sua época. Comprova esta noção irreal de poder as abusivas praxes onde apenas se dá crédito à humilhação alheia como sobretudo as pouco enérgicas e naturais recriações teatrais que encenam numa sala onde a própria "realidade" remonta a uma monarquia já não existente ou mesmo o mote final dessa iniciação em que Dux, entretanto reaparecido, os benze com a sua urina como um bem precioso que "oferece" aos pobres coitados desprovidos de acção e pensamento.
No final, quando tudo parece finalmente ter terminado, o espectador observa os cinco universitários numa última actividade... um banho na lagoa. Cinco entram na água mas só assistimos a uma de lá sair... "Marta" (Ágata Pinho) esquecida por todos, sai da água e usa o apito para indicar a sua posição. Ninguém lhe responde. Este momento poderá fazer com que o espectador se recorde de momentos passados mais presentes e reflectir sobre o destino daqueles quatro estudantes que... nunca regressaram. Terão saído dali e esquecido a sua colega? Terão simplesmente desaparecido nas águas? Terão combinado não voltar? Ou simplesmente terão obedecido - mais uma vez - a uma qualquer ordem que os (auto)condenou a uma realidade que voluntariamente não quiseram reconhecer?!
Num passo lento muito próprio, Encontro Silencioso acaba por livremente caracterizar toda uma estranha e decadente realidade académica que condena os seus membros não a uma inserção no espírito - que na prática e para muitos nunca se traduz numa real vivência do mesmo -, mas sim num ensaio ou exercício sobre o abuso do poder, sobre a sua inata consciencialização como uma norma ou prática a respeitar, mas sobretudo (e também) sobre a forma como todos os demais que, não liderando, optam por o seguir cegamente não questionando qualquer das suas vontades, desejos ou caprichos condicionando não só a sua liberdade de acção como principalmente a de pensamento. Assim, e como sua directa e única consequência, na realidade académica como naquela tida por qualquer um de nós diariamente... perpetua-se um mal que cresce e floresce sem qualquer desafio ou contradição.
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"Boris: As sombras que vêem são as verdades que apaziguam os cidadãos."
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7 / 10
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Inside Lumberjacks (2014)

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Inside Lumberjacks de Marco Barbosa é um documentário português em formato de curta-metragem que retrata na primeira pessoa, e de forma intimista, a dinâmica de uma equipa portuguesa de futebol americano, os Paredes Lumberjacks em preparativos para o jogo de apuramento para a final do Norte.
Dividido em dois segmentos específicos, Inside Lumberjacks inicia a sua dinâmica com o momento Dias de Treino onde o espectador conhece os conselhos dados pelo treinador da equipa sobre o rigor, a disciplina, a táctica e a estratégia como meios para alcançar uma vitória sem esquecer, pelo processo, todo um ritual de fé, integridade da equipa e irmandade que são estabelecidos. O segundo segmento deste documentário intitulado Dia de Jogo dedica-se à disputa pelo título - não ganho pela equipa cujo documentário pretende retratar - mas sobretudo ao conjunto de esforço e trabalho que os levou até aquele instante. Mas, é sobretudo sobre a disciplina dos jogadores (não tida em campo) que este momento mais reflecte estabelecendo uma próxima relação entre o respeito (pela impulsividade para com os outros) e liderança que ali se trabalham e que pode ser uma preparação para um futuro fora de campo, em sociedade, também em grupo (a comunidade) e em futuras tarefas ou obrigações que esperam cada um destes jogadores.
Interessante pela forma como o realizador se estabelece desde o primeiro instante como uma parte integrante e observadora dos Paredes Lumberjacks - ainda que só durante o período de produção desta obra cinematográfica - este documentário regista ainda a dinâmica recriada a propósito do espírito de equipa (sempre presente) e sobre a forma como se constrói todo um ritual que tem como fim último a vitória. Mais, Inside Lumberjacks permanece na mente do espectador principalmente pela forma como depois de todo um árduo trabalho desportivo - mesmo tendo o resultado final sido diferente do expectável - consegue fazer persistir essa mesma consciencialização de "equipa" e sobretudo como se faz da ideia de liderança (de grupo) num valor fundamental para uma vivência em sociedade que ultrapassa toda a dinâmica ali existente em campo com vista a um mundo "lá fora" onde também será preciso vencer.
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6 / 10
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quinta-feira, 4 de maio de 2017

Colo (2017)

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Colo de Teresa Villaverde é a longa-metragem portuguesa escolhida para a Sessão de Abertura da mais recente edição do IndieLisboa - Festival Internacional de Cinema Independente que decorre na capital até ao próximo dia 14 de Maio.
Portugal, actualidade. Um pai (João Pedro Vaz), a mãe (Beatriz Batarda) e a filha Marta (Alice Albergaria Borges) vêem as suas vidas alteradas com os efeitos de uma crise económica que abalou o país. Mas, e quando os efeitos estão para lá da situação económica?
O mais recente filme da realizadora de Três Irmãos (1994), Os Mutantes (1998), Transe (2006) e Cisne (2011), cuja história também assina, insere-se numa corrente que é agora tendencialmente explorada no cinema português e que leva o espectador às entranhas - literalmente falando - dos negros dias da crise económica que abalou o país nos inícios desta segunda década do século XXI. Os primeiros instantes de Colo são o reflexo imediato da história que o espectador vai testemunhar. De uma despedida isolada numa qualquer mata que confere um desejado anonimato a um presente sentimento que o desaparecimento de alguém lá de casa é algo que se espera confirmado e não explicado. A crise, percebe então o espectador, será agora testemunhado por uma versão daquilo que os olhos e o pensamento de uma jovem "Marta" vai depreender. Um pai desempregado e relativamente apático da realidade que o rodeia não só no imediato, e uma mãe que faz horários alargados para garantir um mínimo sustento para uma casa que aparenta estar cada vez mais desertificada de bens... e de vida; não é só a família que se distancia mas também o único animal que têm em casa que parece não querer voar sentindo (talvez) a apatia social dos temos que correm.
No café - o único divertimento comum que ainda lhes é permitido - mantêm-se os sinais dessa crise cada vez menos anónima... alguém que vai buscar os restos do restaurante para levar para casa num espaço que, noutros tempos, se constituía como o símbolo máximo do convívio entre amigos lá do bairro. A vida social agora inexistente, dá lugar aos silêncios que são apenas interrompidos pelos noticiários que falam da crise económica e pelo potencial vislumbre de mais um estabelecimento que poderá (agora) ser encerrado - fica para o espectador a noção de que caso encerre... mais famílias irão entrar nessa espiral de decadência financeira deixando de ali poder recorrer para se alimentarem.
Tanto a mãe como o pai distanciam-se. Não pela falta de amor ou cumplicidade mas sim pela percepção de que estão impotentes para resolver os problemas comuns de uma família que, noutros tempos, vivia de forma mais desafogada. Habitam nos silêncios. Nas ideias e pensamentos que ficam por dizer. Nos sentimentos que são abandonados. Habitam numa distância que se prolonga e num mundo onde apenas se lhes é permitido pensar no "eu" que insiste em não se afogar. Ela, uma mãe ausente, trabalha até não conseguir. Evita a sua casa. Evita a família. Ele, mantendo-se desempregado pela falta de oportunidades, por um orgulho ferido e por uma (auto)humilhação sentida, passeia-se pelo telhado do prédio e alimenta-se dos restos lá deixados por uma qualquer festa anónima que lá decorreu numa noite passada.
A inércia versus apatia e esta última versus a incapacidade de agir apenas são interrompidos para o "pai", através da presença da amiga de "Marta" que, ainda adolescente, confessa estar grávida. A sua gravidez, sentida por "Mário" (o pai) como sendo uma sua responsabilidade, aparenta ser o seu único motor e dá-lhe uma estranha motivação para viver uma vida que, na prática, não é sua. Enquanto a relação entre o casal se degrada de forma proporcional, também a "mãe" se degrada fisicamente enquanto no "pai" esta degradação é a nível psicológico. Entra em contacto com um ex-colega e amigo... rapta-o... perde-se... leva-o a uma praia... é humilhado... vagueia pelas ruas e depende da boa vontade de estranhos que se intrigam com a sua situação.
Enquanto a família se degrada - e "Marta" compreende-o -, distanciam-se também pais da filha. Enquanto ele vê uma nova oportunidade numa jovem adolescente que assume perante a sogra (Simone de Oliveira) como a filha e neta da família, a mãe embarca numa nova aventura distante de ambos e junto de uma amiga com quem agora partilha casa. O "eu" impõe-se perante todos eles que se distanciam, tornam indiferentes e assumem de forma silenciosa que tentam construir uma nova vida... cada um no seu novo mundo. Ninguém se lembra de "Marta" que, também ela, vagueia perdida, distante e indiferente ao mundo que parece ter esquecido a sua presença e quebrado um vínculo que se esperava primário.
Ainda que desenvolvendo as suas histórias pessoais praticamente de forma independente e não como um cúmulo entre os três, Colo acaba por ser em boa medida o testemunho silencioso de uma família que lentamente se desfaz. A incapacidade de se olharem e compreenderem os problemas em comum... ou mesmo até a saturação que os mesmos lhes provocaram, leva cada um deles a procurar um novo lugar num mundo que se alterou. Uma nova família, um novo rumo profissional ou até mesmo a compreensão de que aquilo que antes foi o seu porto de abrigo se tornou num espaço de indiferença pessoal, intelectual e até mesmo carnal, leva cada um deles a decidir que aquele espaço - casa e família - já não são o que um dia esperaram de cada um deles.
De uma Beatriz Batarda perdida num esgotamento físico e mental que a levam a querer libertar-se da rotina e da vida tal como a conhece - e grande interpretação como sempre -, a um João Pedro Vaz que consegue finalmente afirmar-se como protagonista de uma história que dá a conhecer toda a sua componente dramática e, também ele, num momento de plena ruptura - com a mulher e com a filha encontrando (talvez) para ambas uma perfeita substituta - é, no entanto, a jovem Alice Albergaria Borges e a sua intensa interpretação como "Marta", a jovem testemunha da crise, da dissolução da sua família e da própria concepção de um seu novo "eu" capaz de se adaptar à sua nova realidade, que se destacam nesta longa-metragem de Teresa Villaverde e naquela que é a mais recente obra pós-crise. Intensa pela forma como capitaliza os silêncios e dinâmica nos momentos em que tem de conter toda a sua expressividade e emotividade, Albergaria Borges consegue manter o espectador num constante suspenso desejando saber qual o momento seguinte desta jovem. Lentamente despede-se de um pai e de uma mãe que parecem não ter tempo, capacidade ou vontade de perceberem o que ela sente ao ter de se afastar do seu mundo, de um namorado com quem vive as suas primeiras experiências e até mesmo de uma amiga que parece querer encontrar no seu espaço, o dela. "Marta" transforma-se, de forma lenta mas acutilante, uma personagem anónima... para pais, para amigos e namorado... até mesmo para uma avó que não sabe se está ou não na sua presença. "Marta" apenas encontra refúgio - ainda que temporário - junto de um dos muitos anónimos que vagueiam pelas ruas, metidos com a sua própria vida e que compreendem não só a transformação como também a necessidade de escape de uma vida que aparenta já não os querer.
Complementado com uma irrepreensível direcção de Acácio de Almeida - genial como sempre - que transforma a sempre luminosa cidade de Lisboa num espaço opaco, por vezes negro e quase sempre desprovido de vida, Colo recupera a já tradicional narrativa da obra de Teresa Villaverde, exímia em contar as histórias - imaginadas e não - daqueles que vivem nas margens... na margem da sociedade, da crise, de um caminho, aqueles que se tentam adaptar, viver, resistir mas sobretudo sobreviver. Sobreviver ao inesperado, ao indesejado, ao inevitável e principalmente sobreviver a si próprios... até mesmo à ideia que de cada um deles foi criada. Resistindo ao julgamento... à condenação e principalmente àquilo ao qual ninguém escapa... sobreviver a um novo dia.
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quarta-feira, 3 de maio de 2017

Ariel - Academia Mexicana de Cinema 2017: os nomeados

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Foram anunciados há instantes os nomeados aos Ariel atribuídos anualmente pela Academia Mexicana de Cinema destacando o filme La 4ª Compañia, de Amir Galván e Mitzi Vanessa Arreola com um total de vinte nomeações incluindo a de Melhor Filme e Melhor Primeira Obra.
São os nomeados:
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Melhor Filme
La 4ª Compañía, de Amir Galván e Mitzi Vanessa Arreola
Bellas de Noche, de María José Cuevas
Desde Allá, de Lorenzo Vigas
Desierto, de Jonas Cuarón
Me Estás Matando, Susana, de Roberto Sneider
El Sueño de Mara'Akame, de Federico Cecchetti
Tempestad, de Tatiana Huezo
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Melhor Primeira Obra
La 4ª Compañía, de Amir Galván e Mitzi Vanessa Arreola
Bellas de Noche, de María José Cuevas
Desde Allá, de Lorenzo Vigas
Distancias Cortas, de Alejandro Guzmán
Maquinaria Panamericana, de Joaquín del Paso
El Sueño del Mara'Akame, de Federico Cecchetti
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Melhor Documentário
La Balada del Oppenheimer Park, de Juan Manuel Sepúlveda
Bellas de Noche, de María José Cuevas
Somos Lengua, de Kyzza Terrazas
Tempestad, de Tatiana Huezo
The Weekend Sailor, de Bernardo Arsuaga
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Melhor Filme Ibero-Americano
Anna, de Jacques Toulemonde (Colômbia)
El Ciudadano Ilustre, de Mariano Cohn e Gastón Duprat (Argentina)
Que Horas Ela Volta?, de Anna Muylaert (Brasil)
Sin Muertos no hay Carnaval, de Sebastián Cordero (Equador)
Tarde para la Ira, de Raúl Arévalo (Espanha)
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Melhor Curta-Metragem de Ficção
Australia, de Rodrigo Ruiz
Fisuras, de Roberto Fiesco
El Ocaso de Juan, de Omar Deneb Juárez
El Tigre y la Flor, de Fabiola Denisse Quintero
Verde, de Alonso Ruizpalacios
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Melhor Documentário - Curta-Metragem
13,500 Volts, de Mónica Blumen
Aurelia y Pedro, de Omar Robles e José Permar
La Casa de los Lúpulos, de Paula Hopf
Club Amazonas, de Roberto Fiesco
Memórias del Table Dance, de Silvana Lázaro
Semillas de Guamúchil, de Carolina Corral
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Melhor Curta-Metragem de Animação
Los Aeronautas, de León Rodrigo Fernández
Ascensión, de Samantha Pineda e Davy Giorgi
Elena y las Sombras, de César Gabriel Cepeda
Los Gatos, de Víctor Alejandro Ríos
Taller de Corazones, de León Rodrigo Fernández
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Melhor Realizador
Amir Galván e Mitzi Vanessa Arreola, La 4ª Compañía
Jonás Cuarón, Desierto
Roberto Sneider, Me Estás Matando Susana
Federico Cecchetti, El Sueño del Mara'Akame
Tatiana Huezo, Tempestad
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Melhor Actor
Gael García Bernal, Me Estás Matando Susana
Danny Glover, Mr. Pig
Noé Hernández, Tenemos la Carne
Adrián Ladrón, La 4ª Compañía
José Carlos Ruíz, Almacenados
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Melhor Actriz
Adriana Barraza, Todo lo Demás
Varónica Langer, La Caridad
Ludwika Paleta, Rumbos Paralelos
Maya Rudolph, Mr. Pig
Claudia Sainte-Luce, La Caja Vacía
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Melhor Actor do Elenco
Andoni Gracia, La 4ª Compañía
Hernán Mendoza, La 4ª Compañía
Gabino Rodríguez, La 4ª Compañía
Gerardo Taracena, La Carga
Harold Torres, La Carga
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Melhor Actriz do Elenco
Angélica Aragón, Mr. Pig
Martha Claudia Moreno, Distancias Cortas
Arcelia Ramírez, Jirón de Niebla
Norma Reyna, La Carga
Mariana Treviño, El Sueño del Mara'Akame
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Melhor Actor Secundário
Diego Cataño, Desierto
Mauricio Isaac González, Distancias Cortas
Hoze Alberto Meléndez, Almacenados
Manuel Ojeda, La 4ª Compañía
Antonio Parra Parra, El Sueño del Mara'Akame
Dario T. Pie, La 4ª Compañía
Carlos Valencia, La 4ª Compañía
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Melhor Actriz Secundária
Carmen Beato, Los Parecidos
Adriana Paz, La Caridad
Xochiquetzal Rodríguez, La Carga
Tiaré Scanda, El Cumple de la Abuela
Mariana Treviño, La Vida Inmoral de la Pareja Ideal
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Revelação Masculina
Luciano Bautista, El Sueño del Mara'Akame
Paco de la Fuente, El Alien y Yo
Luis Carlos Ortega, Distancias Cortas
Luis Silva, Desde Allá
Aliocha Sotnikoff Ramos, Las Tinieblas
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Revelação Feminina
Natasha Dupeyron, Treintona, Soltera y Fantástica
María Evoli, Tenemos la Carne
Gloria Carina López, La Casa más Grande del Mundo
Irene Ramírez, Maquinaria Panamericana
Camila Robertson Glennie, Las Tinieblas
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Melhor Argumento Original
La 4ª Compañía, Mitzi Vanessa Arreola
Desierto, Jonás Cuarón e Mateo García
Distancias Cortas, Itzel Lara
Maquinaria Panamericana, Joaquín del Paso e Lucy Pawlak
El Sueño del Mara'Akame, Federico Cecchetti
Tempestad, Tatiana Huezo
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Melhor Argumento Adaptado
El Alien y Yo, Fernando del Razo, Jesús Magaña e Emiliano Flores
Almacenados, David Desola
Las Aparicio, Leticia López, Verónica Bellver, Natassja Ybarra e Lucia Carreras
Jirón de Niebla, Julio César Estrada, Gustavo Moheno e Ángel Pulido
Me Estás Matando Susana, Luis Cámara e Roberto Sneider
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Melhor Montagem
La 4ª Compañía, Mitzi Vanessa Arreola, Francisco X. Rivera e Camilo Abadía
Bellas de Noche, Ximena Cuevas
Desierto, Jonás Cuarón
El Sueño del Mara'Akame, Pierre Saint Martin Castellanos e Raúl Zendejas
Tempestad, Lucrecia Gutiérrez e Tatiana Huezo
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Melhor Fotografia
La 4ª Compañía, Miguel López
Desierto, Damián García
Epitafio, Emiliano Fernández
Mr. Pig, Damián García
Tempestad, Ernesto Pardo
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Melhor Música Original
La 4ª Compañía, Ramiro del Real, Renato del Real, Takaakira "Taka" Goto e Javier Umpierrez
Desierto, Yoann Lemoine "Woodkid"
El Sueño del Mara'Akame, Emiliano Motta
Tempestad, Leonardo Heiblum e Jacobo Lieberman
Las Tinieblas, Carlo Ayhllón
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Melhor Som
La 4ª Compañía, Javier Umpierrez, Isabel Muñoz, Jaime Baksht e Michelle Couttolenc
7:19, Christian Giraud e Pablo Lach
Me Estás Matando Susana, Fernando Cámara, Stan Mak, Jaime Baksht, Steven Avila, Trip Brock e Michelle Couttolenc
El Sueño del Mara'Akame, Daniel Rojo e Alicia Segovia
Tempestad, Federico González Jordán, Lena Esquenazi e Carlos Cortés
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Melhor Direcção Artística
La 4ª Compañía, Jay Aroesty e Carlos Cosío
7:19, Alejandro García
La Carga, Jay Aroesty
Me Estás Matando Susana, Eugenio Caballero
Las Tinieblas, Alisarine Ducolomb
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Melhor Guarda-Roupa
La 4ª Compañía, Bertha Romero e José Guadalupe López
La Carga, Adelia Cortázar
Epitafio, Alisarine Ducolomb
Macho, Natalia Seligson, Juan de Dios Ramírez, Alberto Escamilla e Gianfranco Reni
El Sueño del Mara'Akame, Mariana Gandía
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Melhor Caracterização
La 4ª Compañía, Carla Tinoco e Alfredo García
7:19, Gerardo Muñoz
La Carga, Felipe Salazar e Antón Garfias
Los Parecidos, Marco Hernández, Cristian Pérez e Gerardo Muñoz
El Sueño del Mara'Akame, Roberto Ortiz
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Melhores Efeitos Especiais
La 4ª Compañía, Luis Eduardo Ambriz
7:19, José Manuel Martínez
Desierto, José Manuel Martínez
KM 31-2, Ricardo Arvizu Fernández e Ricardo Arvizu Solis
Tenemos la Carne, Adrián Durán
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Melhores Efeitos Visuais
La 4ª Compañía, Ricardo Robles
7:19, Omar Molina
Desierto, Anthony Lestramau
KM 31-2, Rodrigo Echevarría e Eduardo Viladoms
Las Tinieblas, Gustavo Bellón, Benoit Manequinn, Andrés Palma e David Camiro
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Os vencedores serão conhecidos numa cerimónia a realizar no Palacio de Bellas Artes, na Cidade do México no próximo dia 11 de Julho.
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