terça-feira, 10 de maio de 2011

The Lost City (2005)

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Havana Cidade Perdida realizado, produzido, interpretado e com música de Andy Garcia, com quem ainda não consegui criar uma daquelas ligações que me leve a ver todos os filmes que faz era, no entanto, um filme que já há algum tempo esperava ver.
Este tipo de filmes que têm como base principal factos e acontecimentos verídicos da nossa História mundial bem como histórias pessoais "contadas" por aqueles que por eles passaram, conseguem geralmente ter não só a minha atenção como a minha simpatia. Nada melhor do que estes relatos para saber o que se passou num qualquer canto do globo terrestre e, com isso, poder retirar algum tipo de conhecimentos até então escondidos.
Foi com esta perspectiva que embarquei nesta aventura de ver este Havana Cidade Perdida e daqui poder, de uma ou outra forma, retirar alguns conhecimentos além de, claro está, ver um bom filme (pensei).
Este filme acompanha a história da família Fellove. Fico (Garcia), juntamente com os seus dois irmãos, cunhadas, pais e tio, são uma abastada família de Cuba no período da presidência de Fulgêncio Baptista e da mão ditatorial com que este governava o país. Fico, dono e gerente de um importante cabaret no país e indiferente ao que nele se passava na realidade, é rodeado por dois irmãos conscientes dos problemas sociais que o assolavam juntam-se, na clandestinidade, aos movimentos que reclamavam pela mudança do regime. Um deles é morto e o outro junta-se ao movimento liderado por Fidel Castro e Che Guevara que, mais tarde, viria a governar o país até aos nossos dias.
Com este filme ficamos a conhecer não só o país que Cuba era... aquele em que se viria a transformar, primeiro cheio de promessas e vontades e de seguida a dura realidade que também se avizinhava mas, principalmente, ficamos a conhecer os trágicos destinos de todos estes intervenientes que se viram colocados no meio de uma verdadeira transformação política e social que afectaria as suas vivências para sempre e, como tal, à queda da própria família Fellove.
Toda esta breve explicação parece imediatamente apelativa para um bom drama quase "histórico" onde não só ficamos a conhecer os factos já referidos como também sabemos estar quase a si associada a "necessidade" de ter também um bom romance/drama pelo meio. E realmente temos isto tudo presente no filme.
O problema de imediato que lhe noto é a excessiva vontade que Garcia teve de fazer uma extensa homenagem à sua Cuba natal que passa não só por marcadas referências a locais frequentados, à altura, pela camada social mais priviligiada do país como também acompanhar praticamente todo o "santo" momento do filme com os ritmos musicais do país, tornando-se em muitos deles difícil de perceber se estamos a assistir a um momento mais dramático ou se havemos antes disso de dar uns pézinhos de dança enquanto assistimos ao filme.
Sem ser um musical, este Havana torna-se, em grande parte do filme, uma homenagem a esse estilo cinematográfico sem que, com isso, consiga melhorar a homenagem a que realmente se propõe... aquela que pretendia ser feita a Cuba.
O elenco, que gira essencialmente à volta de Andy Garcia, também não consegue ser muito feliz. À excepção de um Bill Murray que lá consegue ter uns rasgos daquilo em que é muito bom, a comédia, e dos dois actores que interpretam os irmãos de Fico, Nestor Carbonell (Luis) e Enrique Murciano (Ricardo), os demais actores além de mal caracterizados, limitam-se quase a ler os seus diálogos em vez de os representarem e entregarem aos mesmos algum empenho dramático.
Dito isto do filme, pouco mais há a acrescentar. Excepção seja feita claro, à necessidade quase extrema que Garcia tem de denunciar não só o regime de Baptista como aquele que em tantos cubanos gerou esperança, o de Castro. Aqui Garcia não se poupou a claras e directas críticas. E sabendo nós, espectadores de cinema que acompanhos algumas actividades sociais destes actores de destaque, que Garcia é um claro opositor ao regime de Castro, então aí o seu filme pode ter conseguido alcançar o seu objectivo. No entanto, enquanto consegue servir como um seu meio de denúncia não deixa também de ter perdido algo... a própria qualidade do filme enquanto drama que retrata uma história real. Resumidamente... cumpre mas não promete e além disso perde-se pelo meio.
Como objecto de curiosidade e para aqueles que não podem passar sem ver um filme do Andy Garcia então sim, este valerá a pena ser visto. Para os demais... é mais um filme.
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5 / 10
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