segunda-feira, 25 de junho de 2012

North Atlantic (2010)

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North Atlantic de Bernardo Nascimento é uma extraordinária curta-metragem já com uma boa "carreira" em festivais de cinema e agora seleccionada para o Your Film Festival no youtube, e que não hesito em dizer ser dos mais admiráveis trabalhos cinematográficos dos últimos tempos.
Hugo (Francisco Tavares) dirige-se para a torre de controlo da Ilha do Corvo para fazer o turno de um amigo que se prepara para ir ao aniversário do seu filho.
Naquela que seria uma noite tranquilo e deveras solitária como se adivinham os primeiros instantes desta curta, Hugo repara que está sinalizado no painel um avião. É James (Clive Russell) que o pilota. Perdido no ar depois de uma tempestade, com pouca reserva de combustível e com os comandos e rádio danificado, James percebe que a sua precária situação lhe poderá ser prejudicial.
Mas é já bem perto do final que percebemos o quão fácil está ao alcance de cada um poder suavizar a vida dos outros... mesmo que seja por muito breves instantes.
Independentemente do conjunto irrepreensível de festivais por onde esta curta já passou, que por si já dariam um bom sinal da qualidade da mesma, o que é certo é que quando a começamos a ver percebemos o quão justa é tal seleccção.
Dotada de uma impressionante sensibilidade através do argumento também da autoria do realizador e inspirado em acontecimentos reais, esta curta-metragem destaca também pela esmagadora qualidade das sentidas interpretações quer de Francisco Tavares (olhos postos nele pois juntamente com o seu desempenho em Sangue do Meu Sangue mostra que veio felizmente para ficar), quer de Clive Russell que através de alguns escassos mas igualmente sentidos diálogos e uma profunda expressividade nos seus gestos e olhares comprovam que não é só de elaborados discursos que um filme é feito. Em muitos casos, como aqui poderemos constatar, simples olhares que expressam uma profunda tristeza pela inevitabilidade das circunstâncias podem (e conseguem) demonstrar o quão nobre e impotente pode ser a natureza humana.
Poucas são as palavras que poderão justamente descrever este filme que merece tão simplesmente ser visto, além daquilo que já inicialmente referi... Extraordinário.
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"James: One day we'll play together again. Take your time."
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" Hugo: Are you there?
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James: And I'm always away from everywhere..."
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9 / 10
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