sexta-feira, 15 de junho de 2012

De Grønne Slagtere (2003)

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Carne Fresca, Procura-se de Anders Thomas Jensen foi o filme vencedor da Semana dos Realizadores do Fantasporto, tendo vencido os prémios de filme, realizador e actor para Mads Mikkelsen.
Fartos da arrogância do seu patrão, Bjarne (Nikolaj Lie Kaas) e Svend (Mads Mikkelsen), dois talhantes de uma pequena cidade, decidem abrir o seu próprio estabelecimento e conseguirem assim a sua independência.
Se as perspectivas de negócio eram elevadas, a realidade cedo veio provar que o negócio não iria florescer para ambos, continuando assim a ser os falhados da cidade. (In)felizmente os imprevistos acontecem e a realidade muda constantemente, e aquilo que viria a acontecer por acidente tornou-se, num piscar de olhos, na salvação de ambos. Ou assim eles pensavam...
Este filme, que se assume em toda a frente como uma comédia bem negra onde os poucos momentos de riso dão lugar a uma sentida ironia e sarcasmo, consegue ser original e bem intencionado mas nunca chega a cumprir os requisitos de uma boa comédia negra onde, a dada altura, acabamos por sentir uma certa empatia pelas suas personagens principais.
Aqui se por um lado esperamos que Bjarne e Svend consigam vencer na vida e libertar-se de alguns estigmas que o seu pequeno meio os obrigou a sentir na pele, não deixa igualmente de ser verdade que também queremos que a vida não lhes corra pelo melhor para ver até que ponto vão eles chegar. No entanto, e sem grande esforço, tal como o próprio título português do filme deixa adivinhar, aquilo que nós esperamos acontece a um ritmo quase alucinante sem que se consiga estabelecer um sentido prático para as mortes que vão ocorrendo na cidade além de que pura e simplesmente "lhes apetece". A carne é boa e a marinada que a acompaha também e isso chega a ambos... bem como para todos aqueles que repentinamente começam a provar as suas tão deliciosas iguarias.
O argumento tem assim esta pequena grande dualidade que ora nos faz empatizar com as personagens e as suas hsitórias e neuras mas, ao mesmo tempo, não as aprofunda ou sequer as faz ter um lado mais "humano" com o qual nos possamos identificar (menos na parte homicida claro está).
Dito isto, e à parte de algum conteúdo pouco explorado relaticamente às próprias personagens que também impedem os dois actores principais de brilharem como poderiam com tão interessante argumento de base, este filme mantém-se, tal como o norte desta grande Europa, quase sempre frio nunca chegando a aquecer ou desenvolver o suficiente para nos entusiasmar e envolver nele ou mesmo criar alguma empatia maior com as suas tão características personagens que, em boa verdade se diga, quase parecem robóticas.
Interessante sem nunca se aproximar do bom, entretém pela premissa mas desinteressa pela sua fraca concretização.
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6 / 10
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