terça-feira, 19 de junho de 2012

Cat People (1982)

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A Felina de Paul Schrader é o remake do clássico dos anos 40 do século passado que junta Nastassja Kinski, Malcolm McDowell e John Heard nas principais interpretações.
Com a acção centrada num Louisiana mistico onde as superstições do passado vivem bem presentes na actualidade, temos a chegada de Irena (Kinski) a New Orleans onde vai finalmente reencontrar Paul (McDowell) o seu irmão, que para com ela desenvolve uma invulgar e quase incestuosa empatia, e reatar laços depois de anos de vivência em orfanatos e numa família adoptiva.
Ignorante quanto ao seu misterioso passado, Irena sente uma imediata atracção e fascínio pela pantera do jardim zoológico da cidade e irá muito rapidamente descobrir que a mesma lhe é muito mais familiar do que pensava, numa viagem que explora a auto-descoberta e a libertação sexual que irá partilhar com um Oliver (Heard) um dos tratadores dos animais.
Este argumento de Alan Ormsby baseado no original de DeWitt Bodeen torna todo o enredo mais explícito e gore do que a história original. Quer pelos momentos mais macabros, acentuados não só pelo excelente trabalho de fotografia de John Bailey que capta com grande destaque a misticidade da cidade não a transformando de imediato numa cidade apelativa e receptiva mas sim num espaço onde a mudança e a novidade não são bem recebidas, quer claro está, pelos segmentos onde sucessivos cadáveres ou ossadas são descobertas pela cidade, aquilo que aqui temos é essencialmente um filme que pretende primar mais pelas suas componentes gráficas do que propriamente por uma história ou qualidade fílmica no seu todo.
Mas este filme não pretende ser um exemplo apenas pelo gore que, ainda que tímido, está constantemente presente, tendo como um dos seus principais aspectos uma sexualidade e componente erótica muito marcada, juntando assim sexo e morte num só caminho onde, ciclicamente, se tocam lançando a ideia de que qualquer tipo de relação sexual só é possível entre os da mesma espécie incestuosamente, e que quando este comportamento é desviante apenas a morte os poderá salvar, naquilo que é um claro manifesto sexualmente desviante e socialmente condenável.
Nastassja Kinski, que não tem um desempenho maior mas que, no entanto, o suporta devido ao seu ar angelical e vítima de uma situação que não controla, torna-se assim todo o centro de um filme que pouco tem para dizer, além dos segmentos mais gráficos que, tendo os seus notados erros, não deixam de ser os mais dinâmicos e fortes. McDowelll que ficará eternamente ligado à sua interpretação em Laranja Mecânica, dá um pouco de si mesmo neste filme como o irmão que sabe mais do que conta e que está preparado para pôr à prova a inocência alheia. Ainda que um desempenho forte no que diz respeito ao seu conteúdo não deixa de ser, comparativamente ao que a sua personagem poderia "dar", um desempenho muito controlado e contido, se bem que sempre ameaçador.
Positiva sim é a banda-sonora de Giorgio Moroder e o tema principal composto em parceria com David Bowie que tem acordes e sonoridades bem mais "felinas" do que todo o restante filme que, sem ser uma obra-prima, não deixa de emanar algum encanto e fascínio pela transformação anjo-demónio composta por Kinski e que em última análise é o que sai de mais interessante de todo este projecto.
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4 / 10
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