domingo, 12 de agosto de 2012

Local Hero (1983)

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Local Hero de Bill Forsyth - longa-metragem britânica - conta com a participação de Burt Lancaster numa das interpretações principais enquanto Happer, um magnata do petróleo que pretende comprar uma pequena localidade na Escócia para a transformar num estaleiro e aumentar o seu poder económico.
Para estudar o terreno e a população Happer envia para a Escócia Mac (Peter Riegert), um dos seus funcionários, que rapidamente faz parceira com Danny para assim iniciar aquelas que se adivinham como umas difíceis negociações pelos direitos de propriedade da terra que, afinal, não será assim tão complicada quando perceber que os locais apenas querem a sua oportunidade de lucro fácil rapidamente revelado por Urquhart (Denis Lawson), o seu contabilista e representante.
Mac quer o regresso à sua Houston natal e voltar à sua vida, Danny está encantado com Marina (Jenny Seagrove), uma estranha bióloga com guelras, Happer vive encantado com astronomia e os direitos da propriedade não serão assim tão facilmente vendidos graças a Ben (Fulton MacKay), aquele que é realmente o dono daquela terra.
Todo o argumento deste filme, premiado pela crítica de Nova York e nomeado para o BAFTA da Academia Britânica de Cinema, reflecte sobre duas distintas vertentes. Na primeira delas temos uma análise ao mundo empresarial e dos negócios, nem sempre claros, como forma a obter mais lucro e quase sempre fácil, mesmo que para isso sejam colocados de lado todos os valores morais que são facilmente abafados em nome do mesmo. Normalmente aquilo que temos como sua directa consequência é um enorme levantamento popular que em nome do seu espaço, das suas terras e dos seus costumes se recusa a ceder face a um iminente aumento deste poderio económico que se impõe tendo como objectivo uma mudança nem sempre favorável a esse savoir faire instaurado. Aqui, pelo contrário, temos expressa a clara vontade dessa mesma população que (des)espera por ter a sua própria parte neste lucro, podendo assim alcançar outro tipo de vida mas que, até então, lhe tinha sido negada, esquecendo definitivamente as suas origens, costumes e claro, a sua própria terra.
Do outro lado temos esse mesmo poder económico, aqui representado na figura de "Happer", o multimilionário que tudo fará para alcançar os seus objectivos mas que, na prática, apenas está interessado em obter o maior prazer que a natureza - e os seus infinitos recursos - lhe pode(m) proporcionar, estando para isso disposto a alterar todos os seus planos financeiros iniciais que o opunham ao espaço que se preparava para descaracterizar.
Assim, e dada esta estranha e improvável equação temos uma comunidade que se deixou "corromper" pelo provável lucro fácil e pelas perspectivas que o mesmo lhe poderia proporcionar enquanto que o dito poder económico parece querer preservar o que resta de um não tocado ecossistema que muito terá para dar ao futuro da Humanidade - e também ao seu -, e finalmente aquele que funcionou como intermediário entre ambos que se encontra num verdadeiro dilema sobre o que será realmente importante para a sua vida retirado desta experiência que o coloca como um "aluno" em constante aprendizagem e compreendendo que nem tudo é tão simples ou tão "natural" como as noções pré-concebidas que retinha daquele para quem trabalhava ou sobre aqueles que seriam (supostamente) as vítimas desta comunidade - e sociedade - em transformação.
Um filme que reflecte assim sobre a sociedade e as suas prioridades e como estas podem ser redireccionadas - ou deturpadas - para caminhos que inicialmente não seriam concebidos tanto pela origem como pelo seu destinatário deixando brilhar, ainda que não como um directo protagonista, um eterno e lendário Burt Lancaster mas que, ainda assim - e assumidamente infelizmente -, não consegue criar uma total empatia com o espectador que seguramente aqui "chegou" para o poder ver mais uma vez, não desenvolvendo mais a sua personagem limitando-se, na sua essência, a caracterizar não um (uns) mas sim um todo que sabe - o espectador - nem sempre ser tão linear ou lírico como aqui se pretende transformando não só esta longa-metragem como o seu presumível herói como alguém banal e longe de ter um objectivo moral superior que pudessem conferir a Local Hero alguma dinâmica social mais presente e intensa.
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5 / 10
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