sexta-feira, 4 de maio de 2018

Frightening Woods (2017)

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Frightening Woods de Álvaro de la Hoz (Espanha) é uma das curtas-metragens presentes na secção Cantábria da nona edição do Festival Internacional de Cine de Piélagos que amanhã termina na região espanhola.
Num bosque há uma clareira central que esconde um mistério que nunca alguém viu. Para conhecê-lo há que pagar um preço... e os passos de uma mulher anunciam uma visitação.
Filmado em Super 8, Frightening Woods é uma sincera homenagem aos filmes série B dos idos anos '70 onde um inexplicável mal parecia atormentar a presença daqueles que cruzavam o seu caminho. Pacífico quando imperturbado mas mortal quando os seus limites são invadidos, este mal carece de compaixão para com os mais aventureiros que pretendem quebrar velhos mitos... A única questão que se coloca é se serão capazes de lhe sobreviver?!
Como uma única personagem central que o espectador segue, encontramos uma mulher que vestida de vermelho irrompe pelo bosque verdejante. Aliás, é a cor das suas vestes que indica que algo de macabro poderá ter acontecimento naquele local quando os vestígios de sangue são, também eles, assumidos ao longo deste dramatização. Ao vendar-se todos os sons ao seu redor se tornam mais presentes... desde ruídos que se assemelham com vozes humanas e o barulho dos insectos que percorrem o seu entorno, esta mulher vagueia por um espaço desconhecido, inóspito e onde se sente a todo o instante que um perigo extremo espreita pronto para a atacar.
Se os seus sentidos ficam mais apurados deixando-a, obrigatoriamente, mais consciente do que a rodeia, o espectador percebe também que este mal que se aproxima a começa a rodear e enclausurar num recinto aberto, tolhendo não só os seus sentidos como os seus potenciais passos e espaço de fuga que lentamente se torna desconhecido.
Numa clara mescla entre a mitologia celta e o cinema de terror de culto, Frightening Woods celebra uma linha ténue entre a sexualidade extremada com o perigo presente e a mesma como culminar de um momento de tensão e medo que potencializam os sentidos e o prazer.
Funcional enquanto cinema de homenagem ao género em questão, Frightening Woods apenas se deixa levar pela pouca duração enquanto curta-metragem que inibe o espectador de encontrar mais explicações para o bizarro ritual ao qual tinha observado mas que, ao mesmo tempo, lhe permite deixar fluir o seu pensamento para os confins de um espaço tão supostamente abandonado.
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7 / 10
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