sexta-feira, 25 de novembro de 2011

The Tempest (2010)

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A Tempestade de Julie Taymor é a adaptação da obra literária homónima de William Shakespeare na qual assistimos a uma luta não só de poderes como de intelectos e influências.
Neste filme, cujo argumento foi igualmente escrito pela realizadora, a personagem principal é agora feminina e dá pelo nome de Prospera (Helen Mirren), uma mulher que depois da morte do marido, o Duque de Milão, vê o seu trono ser usurpado pelo irmão Antonio (Chris Cooper), sendo de seguida enviada à sua sorte para o mar.
Uma vez chegada a uma ilha Prospera e a sua jovem filha (mais tarde Felicity Jones), encontram Caliban (Djimon Hounsou) que mostrará a Prospera onde se encontram todos os recursos da ilha e a quem esta depois despreza em nome da segurança da sua filha. Prospera e Caliban vivem a partir de então uma relação de inimizade crescente com constantes acesos diálogos sobre a inteligência e os direitos de que este último se vê privado.
No entanto a vingança de Prospera irá um dia consumar-se ao aproximar-se da ilha um barco que transporta todos aqueles que outrora a haviam desprezado e com a ajuda de Ariel (Ben Whishaw), um espírito, ela enceta o ajuste de contas por que tanto esperava.
Como todas as obras de Shakespeare, e esta não poderia ser uma excepção, a vingança e o ajuste de contas interligam-se em diversas histórias que envolvem diversas e riquíssimas personagens. As turtuosas viagens e esquemas a que Prospera sujeita todos aqueles que giram em seu redor são extremamente elaboradas levando-nos quase a crer que aquela personagem é realmente maléfica, mas é só mais tarde que percebemos quais as suas reais intenções.
A partir do momento que tomei conhecimento de mais um filme realizado por Julie Taymor, imediatamente fiquei curioso. Falamos da realizadora que nos entregou filme como Frida, Titus ou Across the Universe, ricos não só no seu argumento e interpretações, mas também no aspecto visual onde são verdadeiros estrondos onde a música, a cor e o espectáculo se cruzam harmoniosamente.
É este mesmo espectáculo visual que transforma certos momentos do filme em perfeitos delírios. Já o tinhamos em Titus e principalmente em Across the Universe, e aqui são novamente evocados momentos em que, neste caso concreto, esta riqueza visual roça de muito perto a loucura em momentos encarnados por Ben Whishaw numa brilhante interpretação que com o seu ar angélico e actos cruéis me fez recordar outra sua grande interpretação em Perfume.
E por falar em interpretações seria impensável falar neste filme sem referir os outros dois grandes actores que dão corpo e alma a este filme. A primeira é a espantosa Helen Mirren que, uma vez mais, dá vida a uma mulher forte e completamente determinada a fazer valer não só os seus direitos como principalmente a sua vingança face a todos aqueles que contra ela conspiraram.
Por outro lado temos Djimon Hounsou, actor que já tantas magníficas interpretações nos deu como em Amistad, Na América ou Diamante de Sangue (estes dois últimos onde foi nomeado ao Oscar de Actor Secundário), aqui com o seu Caliban, um homem enganado e atormentado por alguém em quem confiou mas que o usou para seu proveito próprio em nome de uma vingança que com ele não estava relacionada.
Como em todos, sem excepção, os filme de Julie Taymor, o espectáculo faz-se também graças a outros dois importantes factores. Tão importantes como a história ou as interpretações em si pois são eles que em muito contribuem para o sucesso da narrativa dramática. A banda-sonora e o guarda-roupa. A primeira assinada por Elliot Goldenthal que aqui compõe uma partitura rica, vibrante e emocionante em todos os momentos mais intensos e dramáticos. O segundo assinado pela já vencedora de três Oscars da Academia, Sandy Powell que recria na perfeição um vestuário de época bastante característico do ambiente austero que se propõe recriar.
Este filme é uma adaptação diferente daquilo que estamos normalmente habituados a respeito de uma obra de Shakespeare. No entanto não nos podemos esquecer que por detrás das câmaras está uma realizadora que recria qualquer tipo de universo a uma filmografia muito especial e que faz do espectáculo visual e da opulência aspectos tão importantes como a própria narrativa em si. Julie Taymor torna-os parte integrante da história como se de uma personagem se tratassem.
É de facto uma filmografia muito particular mas aqueles que se preocuparem a apreciar não só a história como toda a opulência que dela faz parte, ou mesmo se já tiverem conhecimento de outras obras desta realizadora, certamente irão saber ver, apreciar e admirar o estrondoso espectáculo que ela nos proporciona. Àqueles dispostos a correrem o "risco", tenho a certeza que não se irão arrepender.
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"Prospera: We are such stuff as dreams are made on, and our little lives are rounded with a sleep."
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8 / 10
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