quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Hanna (2011)

.
Hanna de Joe Wright foi um filme muito aguardado por mim considerando que tem como uma das protagonistas uma actriz que muito estimo... a grande Cate Blanchett. Se a ela juntarmos os nomes de Saoirse Ronan e Eric Bana o filme torna-se uma promessa que será confirmada pelo excelente trailer que foi apresentado.
Hanna (Ronan) é uma adolescente criada pelo pai (Bana) para ser a assassina perfeita... sem sentimento, sem piedade e sem emoção. A sua missão é encontrar Marissa (Blanchett) uma agente da CIA e eliminá-la juntamente com todos os seus colaboradores. Para tal Hanna é atravessa parte da Europa numa perseguição entre "gato e rato" que terminará com algumas surpresas e com muitas vítimas pelo caminho.
Este filme que não só tem a história como os actores perfeitos e que conseguem atrair qualquer cinéfilo às salas foi, e sublinho o passado, um filme que não só aguardei ver como depois de o concretizar muito me desiludiu. E porquê? Bom, em primeiro lugar por considerar que tanto do realizador em questão como dos actores, foi uma obra francamente fraca. A realização de Joe Wright revela a sua intenção de dinamismo com alguns, muitos, segmentos de filmagem com a câmara em movimento. Na prática estes mesmos momentos mostram mais um filme aborrecido do que propriamente o dinamismo e acção que se lhe esperam.
A interpretação de Saoirse Ronan como "Hanna" acaba por ser a que, de todas, mostra um maior empenho. Ronan interpreta competentemente uma jovem adolescente que passou toda a sua ainda curta vida a aprender todos os truques e técnicas para se tornar numa assassina perfeita e sem coração. Mas, ao mesmo tempo, com toda a abertura que adquire a um mundo até aqui desconhecido, acaba por vivenciar e experimentar os sentimentos de uma jovem em crescimento. A primeira amizade, um primeiro rapaz por quem se pode vir a apaixonar e os perigos que o mundo lhe pode trazer.
Por sua vez a menos inspirada neste filme é mesmo Cate Blanchett. Não deixa de ser uma senhora do cinema que muito aprecio mas a sua interpretação aqui revela ter muito pouco sumo, ao contrário daquilo que lhe é habitual. Blanchett limita-se a estar quase sempre numa correria infernal atrás de "Hanna" e sabemos que eliminou todos os documentos que a ligavam a tão maquiavélico plano (não se percebe bem porquê considerando que ela própria o queria terminar) até que tem um merecido protagonismo no final que, se olharmos bem para o plano realizado em que a sua "Marissa" sai literalmente da boca do lobo antes de morrer às mãos do "Capuchinho"... "pouco vermelho".
Este filme tem uma enorme sensação agridoce. Por um lado a história e os actores são apelativos o suficiente para fazer deste um grande filme. Por outro, à medida que o visionamos ficamos com a sensação de que ele decorre a um ritmo acelerado demais para criarmos uma qualquer empatia por ele ou para com as suas diversas personagens independentemente de estarem de um ou do outro lado do bem.
Mas nem só de aspectos menos bons é feito este comentário... Há que destacar a excelente banda-sonora da autoria de Tom Rowlands e de Ed Simons, que é como quem diz dos The Chemical Brothers bem como do extaordinário trabalho de fotografia da autoria de Alwin Küchler que transforma este filme à medida da acção do momento. Temos os momentos de descoberta da jovem adolescente que há em Hanna cores mais vivas e fortes, quase de desejo por saber cada vez mais e, em contrapartida, aqueles em que as cores esbatidas revelam personagens desprovidas de sensações e sentimentos.
Depois de tudo isto dito não quero que passe a ideia de ser um mau filme. Mau não será de todo mas sim é um filme que poderia ter chegado muito mais longe com o simples facto desta linha de argumento em que "desperta" o facto de crianças criadas para se tornarem os assassinos perfeitos. Tivesse a continuidade da história sido mais dinâmica e estaríamos com certeza perante um dos melhores filmes do ano. Assim, não é bom... limita-se a ficar pelo razoável.
.
.
"Marissa: Sometimes children are bad people too..."
.
6 / 10
.

Sem comentários:

Publicar um comentário