sábado, 3 de outubro de 2015

Kicking & Screaming (2005)

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Um Treinador Genial de Jesse Dylan é uma longa-metragem norte-americana de comédia que marca a primeira colaboração entre Will Ferrell e Robert Duvall aqui como Phil e Buck Weston respectivamente.
Phil (Ferrell) é uma vítima do comportamento ultra-competitivo de Buck (Duvall), o seu pai. Quando Phil toma as rédeas de uma equipa de futebol que irá entrar em competição contra o seu pai, todas as apostas estão contra ele... e quando o seu espírito de competição parece assemelhar-se àquele que inicialmente Phil pretendia combater, as hipóteses da sua equipa vencer parecem tornar-se irreais.
Kicking & Screaming é a típica comédia à qual qualquer espectador pode facilmente associar Will Ferrell. Se o argumento de Leo Benvenuti e Steve Rudnick centra a sua acção na perturbada dinâmica entre pai e filho que vivem desde sempre numa acentuada e competitiva relação - diga-se que Duvall consegue encarnar uma personagem que é em toda a dimensão perfeitamente insuportável -, percebemos que o tentado humor aqui depositado fica a milhas de distância de uma história que cative o espectador pela sua qualidade mas sim pelo elevando nonsense que é fomentado desde o primeiro instante pela exagerada interpretação de Ferrell.
Ainda que Kicking & Screaming não traga nada que seja assumidamente novo para o género, o filme consegue criar breves momentos de comédia graças a algumas das suas personagens nomeadamente através de alguns dos jovens que compõem a equipa de futebol ou até mesmo da participação especial de Mike Ditka que aqui se assume como um inesperado treinador assistente de "Phil" e o pior pesadelo do insuportável "Buck". Mas, enquanto estas personagens secundárias pouco aproveitadas brilham nos seus breves apontamentos, é o "Phil" de Ferrell que falha em todo um constante e quase desnecessário excesso que o coloca em situações perfeitamente absurdas e algo descontextualizadas. Afinal, será ainda hoje necessário fazer piadas com "máquinas de café em cada sala das casas na Europa" ou "crianças italianas que trabalham em talhos com horários iguais aos dos adultos" para que um filme de comédia funcione enquanto tal? Os excessos e o exagero de Ferrell que tentam aqui funcionar enquanto pontos altos - e cómicos (?) - de um filme que parece não avançar do mesmo momento - deixando lá "no fundo" pairar a ideia de que é tudo para agradar e talvez vencer um pai repisador e intolerante como é o "Buck" de Robert Duvall - apenas conseguem criar esse mesmo clímax no preciso instante em que se sucedem deixando para trás toda uma história que com bom humor e doses de drama à mistura poderiam ter salvo um filme que (se) repete uma fórmula já tida noutros contos (lembro-me rapidamente de Elf (2003), de Jon Favreau) e que parecem querer arruinar uma carreira que insiste em desgastar-se com comédias... pouco cómicas.
Kicking & Screaming serve o momento... O espectador percebe a tentativa de lição de moral aqui incutida mas, no entanto, está pouco disponível para a mesma na medida em que o filme não primou pela comédia de qualidade nem tão pouco em dinamizar essa mensagem para que chegue - pelo menos da melhor forma - a um público que pretende, acima de tudo, divertir-se com uma hora e meia de um bom filme (dentro do género) e que aqui apenas encontra uma dispersão de exageros de um Ferrell que... talvez tenha bebido café a mais para pensar no que pretende transmitir a quem vê o seu filme.
Com falta de interpretações que inspirem - ou que estejam inspiradas - centrando-se única e exclusivamente num actor que está rapidamente a desgastar a sua própria imagem, só resta última questão ao espectador mais "distraído"... Servirá Kicking & Screaming o momento? Sim... é possível que sirva pois, na realidade, até tem um ou dois apontamentos que conseguem provocar um sorriso... mas, no entanto, se pensarmos que existem comédias apontadas como referência (dentro do género claro!) para tempos futuros então aqui o espectador não se encontra perante um desses exemplares mas sim algo que vê no Domingo de tarde e rapidamente o esquece porque no dia seguinte... é tempo de voltar ao trabalho.
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5 / 10
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