sábado, 6 de abril de 2013

A Cidade e o Sol (2012)

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A Cidade e o Sol de Leonor Noivo foi mais uma das curtas-metragens presentes na secção competitiva do FESTin a decorrer no Cinema São Jorge e Lisboa, e que conta com a presença de Sara Gonçalves como exclusiva protagonista.
À medida que o Sol espalha a sua luz, e respectivas sombras com a sua ausência, pelas ruas da cidade, uma mulher vive numa encruzilhada sobre a separação e a morte de alguém a quem em tempos amou. Com a sua vida pela frente e um passado por terminar, ela precisa de arrumar a casa onde já não vive e tratar dos dois cães que em tempos foram também seus.
Quer a forte luz do Sol quer as memórias do seu passado são ambos fortes demais para poderem ser olhados de frente deixando-os assim para trás sem nunca os resolver e perceber o que foram e são, partindo rumo a um futuro incerto onde a memória poderá ocupar tão simplesmente esse espaço.
Aquilo a que mais gostei de assistir com este curta-metragem foi, sem margem para dúvidas, à presença de uma Sara Gonçalves que ainda mantém aquele mesmo brilho especial no olhar desde os tempos da série Riscos que a deu a conhecer a um público então adolescente. Brilho esse que sem grandes discursos ou monólogos auxiliares, consegue transmitir um mundo de sentimentos e de emoções capazes de caracterizar tudo aquilo que a sua mente pretende que o espectador saiba, constituindo assim um dos, senão o, elemento mais forte de todas as produções nas quais participa, transformando-se assim numa peça fundamental de qualquer produção em que participe seja ela secundária ou protagonista como aqui acontece.
Quanto à curta-metragem propriamente dita, fica uma certa sensação dual. Por um lado compreendemos as limitações que tem por não ser uma longa-metragem onde quer a relação quer a personagem principal sejam mais desenvolvidas mas, por outro lado, permanece uma ligeira sensação de incómodo quando percebemos que esse mesmo desenvolvimento é essencial e que a sua falta não transformou esta curta num trabalho essencial mas sim num daqueles em que ficamos a pensar que poderia ter sido mais sendo, no final, um filme interessante mas não marcante.
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6 / 10
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