quinta-feira, 12 de maio de 2016

A Torre (2015)

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A Torre de Salomé Lamas é um documentário em formato de curta-metragem em co-produção portuguesa-alemã-moldava e um dos quatro filmes nomeados ao Sophia da Academia Portuguesa de Cinema na respectiva categoria.
Três indivíduos sentados numa clareira. Uma fogueira no meio. O som do vento a percorrer as árvores. Alguém percorre um caminho até ao topo de uma árvore.
Com uma direcção de fotografia de excelência que consegue captar a essência de um espaço natural e evidenciar o Homem no seu centro, A Torre é um filme documentário que se perde no meio de uma estranha irracionalidade. Se inicialmente o espectador deduz que irá estar perante um filme que irá documentar uma viagem através de um espaço natural onde o Homem e a Natureza vivem numa breve comunhão exibindo ainda a dicotomia Terra versus Céu como os dois elementos extra que se evidenciam, cedo este documentário se perde num espaço místico/misterioso do qual o espectador dificilmente chegará a uma conclusão.
De uma despedida da vida terrena ou prenúncio de um elaborado suicídio, A Torre elimina na quase totalidade o elemento Homem privilegiando o elemento Natureza e toda a sua dinâmica - e dominadora - presença "esclarecendo" que para lá deste... ela resistirá.
Se olharmos para este documentário através de uma perspectiva filosófica, A Torre poderá ser um filme interessante e sucedido na sua mensagem... se o abordarmos como um documentário tradicional, poderemos concluir que este é o trabalho da realizadora que mais aquém ficou das expectativas enquanto tal.
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3 / 10
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quarta-feira, 11 de maio de 2016

FESTin - Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa 2016: os vencedores

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Longas-Metragens
Longa-Metragem: A História da Eternidade, de Camilo Cavalcante
Menção Honrosa: Amores Urbanos, de Vera Egito
Prémio da Crítica: Ausência, de Chico Teixeira
Prémio do Público: A Família Dionti, de Alan Minas
Realizador: Camilo Cavalcante, A História da Eternidade
Actor: Cláudio Jaborandy, A História da Eternidade
Actriz: Adriana Esteves, Mundo Cão
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Documentários
Documentário: Central, de Tatiana Sager e Renato Dorneles
Menção Honrosa: Olhar de Nise, de Jorge Oliveira e Pedro Zoca
Prémio do Público: Olhar de Nise, de Jorge Oliveira e Pedro Zoca
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Curtas-Metragens
Curta-Metragem: De que Lado me Olhas, de Carolina Azevedo e Elena Sassi
Prémio do Público: Histórias com Música, de Fernando Morais (Cibelo) e Bá, de Leandro Tadashi
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O Campo à Beira Mar (2015)

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O Campo à Beira Mar de André Ruivo é uma curta-metragem portuguesa de animação e uma das quatro nomeados aos Sophia da Academia Portuguesa de Cinema na respectiva categoria.
Uma viagem à praia quando o campo que a circunda se transforma para receber os milhares de turistas citadinos que ali chegam para disfrutarem de um dia de sol. Mas, no meio do passeio, milhares de rituais e tradições bem lusitanas.
Com um argumento de Henrique Ruivo, O Campo à Beira Mar transforma-se lentamente numa pequena delícia de momentos bem portugueses começando pela tão típica desordem no estacionamento dá lugar aos habituais mirones aos exibicionistas, dos castelos na areia aos longos e demorados banhos no mar sem esquecer as "comezainas" que tantos fazem pela areia e a Bola de Berlim que agora é cantada com um português do Brasil, tudo se encontra nesta curta-metragem.
Repleto de momentos de humor, os oito minutos de duração de O Campo à Beira Mar brindam o espectador com alguns momentos que não são estranhos. Qual de nós já não passou pelo menos por um destes momentos e aqui reviu um pouco de um dos seus dias de Verão?!
Com um traço animado exagerado e quase satírico, O Campo à Beira Mar é vincadamente uma das mais interessantes apostas desta categoria para os prémios da Academia que serão entregues no Centro Cultural de Belém, em Lisboa na próxima sexta-feira.
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7 / 10
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Nossa Senhora da Apresentação (2015)

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Nossa Senhora da Apresentação de Abi Feijó é uma curta-metragem portuguesa de animação e uma das nomeadas ao Sophia da Academia Portuguesa de Cinema na respectiva categoria mesclando imagem real com animação numa história que recupera o poema de 1940 de Álvaro Feijó.
Instala-se lentamente no coração de todos os homens e mulheres que são, no fundo, reféns da sua Graça. Protege-os e tem uma capela no peito de todos os marinheiros. Nossa Senhora da Apresentação ou Maria, a mãe de Jesus.
Não sendo uma animação tradicional - ou tão pouco convencional na sua execução - Nossa Senhora da Apresentação revela-se uma curta-metragem intrigante pela história - baseada num poema - sobre uma calma mas intensa protectora dos que buscam salvação e redenção.
Numa mescla frenética que une a imagem real com movimentos animais que confere a toda a dinâmica algum surrealismo, esta curta-metragem nomeada aos prémios da Academia é, por momentos, um filme difícil de acompanhar e de lhe encontrar um fio condutor linear. Ora utilizando segmentos animados ora perdendo-se na animação do real, Nossa Senhora da Apresentação fica aquém do potencial que poderia ter enquanto um conto animado sobre a figura mitológica que se encontra no coração daqueles que se aventuram pelos mares.
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4 / 10
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Terra Mãe (2015)

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Terra Mãe de Ricardo Couto é um documentário em formato de curta-metragem português e um dos nomeados ao Sophia Estudante que será entregue pela Academia Portuguesa de Cinema no próximo dia 13 de Maio, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.
Numa aldeia do interior português o espectador conhece uma família. Avós, pais e neta que durante vários momentos acompanhamos nas suas mais diversas tarefas como, por exemplo, trabalhar a terra, o pastoreio dos animais, o trabalho no tear e as aulas da jovem criança.
Com os seus dias totalmente dedicados ao campo e ao trabalho aí implícito, Terra Mãe cedo se transforma numa alegoria sobre um modo e estilo de vida onde a terra para lá de local onde a família nasceu e cresceu, se transforma enquanto fonte de rendimento e de sustento dos mesmos. Os momentos de lazer são pequenos luxos que se prendem intimamente com a partilha de tempo do clã onde a música e um pequeno convívio no café imperam.
No final celebra-se um dia de trabalho ultrapassado. Um dia de tradições respeitadas e um dia de esforço conquistado estabelecendo, uma vez mais, a íntima relação entre esta família e a terra que os viu nascer, crescer e envelhecer.
Quase como um filme documental da história de uma família - ou pelo menos de um dos seus dias que se suspeita ser semelhante a tantos outros - Terra Mãe priva-se de artifícios, apenas cedendo à modernidade na existência de equipamentos que nos revelam que nos encontramos numa espécie de actualidade mantendo em todo o demais cenário a convicção de que a Terra e o Homem vivem próximos conferindo a primeira a subsistência dos demais.
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6 / 10
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Ghiocel (2015)

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Ghiocel de Mara Ungureanu é uma curta-metragem portuguesa de animação nomeada ao Sophia Estudante da Academia Portuguesa de Cinema que serão atribuídos no próximo dia 13 de Maio.
Uma jovem mulher recorda o passado enquanto lê A la Recherche du Temps Perdu, de Proust. Enquanto olha para uma flor seca dentro do mesmo, recorda os momentos em que brincava com a mãe no campo. Momentos que não se repetirão pelo avançar do idade de uma mãe que agora se prepara para visitar.
Seguramente uma das mais fortes curtas-metragens a competir para o Sophia na já referida categoria, Ghiocel - nome de uma flor semelhante àquilo que vulgarmente apelidamos de "campaínhas" - dinamiza toda a atenção do espectador para o poder do passado e a sua influência nos dias de hoje e naquilo que cada um - individualmente - é graças a essas mesmas experiências ganhas.
Mara Ungureanu vai mais longe ao questionar se uma vez tidas essas experiências às quais apenas anos depois conferimos importância e fundamentais no nosso próprio desenvolvimento, recordamos ainda aqueles que para elas contribuíram e em nós depositaram todo o seu amor e dedicação. Numa viagem que se pretende ao passado, Ghiocel deixa implícito que por vezes esse "valor" nem sempre é reconhecido até que, por vezes, já seja tarde demais.
Elaborada através de uma delicada e bem delineada animação que faz o espectador recordar tempos idos em que a mesma cruzava os ecrãs nacionais, Ghiocel é uma história fundamentalmente sensível e melancólica que leva uma espectador a uma auto-reflexão sobre o seu "eu" e aqueles que o ajudaram a formá-lo.
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7 / 10
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Afrodite (2015)

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Afrodite de Gonçalo Nobre de Almeida é uma curta-metragem experimental portuguesa nomeada ao Sophia Estudante da Academia Portuguesa de Cinema.
Num ambiente de entrevistador versus entrevistada, Afrodite espelha um ritual de sedução mais ou menos encenada onde o primeiro testa os momentos de três distintas mulheres e aquilo que as faz "mover" no dito momento.
Aqui a mulher é tida como um objecto de adoração, de desejo, de alguma manipulação - qual "prémio" conquistado, e o mote pelo qual os deuses da antiguidade foram - muitos deles - desafiados nos seus limites e perdidos nos seus caminhos. A procura da mulher ideal - ou pelo menos da respectiva noção enquanto tal - é uma busca incessante, sem limites e sem objectivos fixos delineados... é uma espera por quem desespera por tê-la.
Afrodite parte de uma interessante premissa - as relações humanas esperadas a dois - mas perde-se na banalidade dos momentos encenados que parecem querer tornar-se cativantes pela forma como o desejo e a sedução pretendem ser filmados. Sem nunca observarmos o entrevistador e manter as três entrevistadas no campo central de todas as atenções, Afrodite apresenta uma história - e filmagem - que poderia ter sido feita no café da esquina sem o recurso a grandes preparações e ensaios resumindo-se àquilo que qualquer um de nós designa por uma banal "conversa de esquina".
As intenções podem ter - algures no tempo - existido para a concepção deste filme mas, no entanto, o resultado final mantém-se muito aquém do esperado mais não parecendo do que um protótipo de algo "que vem" - experimental ou não... não será algo que cative um espectador menos "preparado".
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3 / 10
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A Glória de Fazer Cinema em Portugal (2015)

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A Glória de Fazer Cinema em Portugal de Manuel Mozos é um documentário em formato de curta-metragem português - nomeado ao Sophia da Academia Portuguesa de Cinema na categoria de Ficção - cuja base parte da descoberta de uma carta de 18 de Setembro de 1929 na qual José Régio escreve a Alberto Serpa onde manifesta o seu desejo de fundar uma produtora de cinema.
Depois de noventa anos onde o desfecho deste desejo nunca chegou a ser conhecido eis que são descobertas algumas bobines na posse do coleccionador Albano António Marques que podem trazer pistas para o que sucedera depois.
Com argumento de Eduardo Brito, A Glória de Fazer Cinema em Portugal é um documentário que se sub-divide em cinco distintos segmentos tendo, cada um deles, pistas que tentam estabelecer uma linha de condução e responder às questões levantadas sobre a eventual resposta àquela carta.
Da I - Abertura em que são descobertos os famosos quatro minutos que parecem confirmar a veracidade do movimento que pretendia desenvolver o cinema em Portugal passando por II - A Carta em que a já referida foi escrita revelando os seus planos e apresenta o grupo dos Ultra de fomento de cinema, A Glória de Fazer Cinema em Portugal passa ainda por III - Monsieur Caillaud que fora guarda do Museu Grévin, museu que recebera a gravação de diversos filmes franceses da época e combatente na frente de Reims, fez fortuna na roleta tendo visitado Portugal em 1928 onde gravou diversos festivais aéreos e que foi um dos potenciais envolvidos neste movimento. Finalmente este documentário passa ainda por IV - O Encontro onde se pensa que os tais famosos quatro minutos de película foram filmados e finalmente V - Epílogo onde são apresentados a Manoel de Oliveira.
Com um interessante trabalho de investigação que brinca o cinema português com toda uma nova perspectiva sobre o próprio, A Glória de Fazer Cinema em Portugal é, no entanto, um documentário que se centra mais na hipótese e na sugestão do que propriamente em factos comprovados. Se a teoria e a potencial ligação de factos parece ser cronologicamente coordenada e estabelecida, são mais as perguntas que se levantam do que propriamente as respostas que confirmam os factos.
Com uma passada muito própria e sem ser suficientemente claro para se constituir como um elemento fundamental - não esquecer que se baseia apenas em hipóteses - da história da História do cinema português, A Glória de Fazer Cinema em Portugal está longe de ser uma ficção mas aproxima-se de um documentário em construção, não preenchendo ou satisfazendo os requisitos mínimos para ficar na memória mas lança as bases para o que pode vir a ser.
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5 / 10
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terça-feira, 10 de maio de 2016

Se Eu Fosse Ladrão... Roubava (2013)

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Se Eu Fosse Ladrão... Roubava de Paulo Rocha é uma longa-metragem portuguesa de ficção e nomeada aos Sophia da Academia Portuguesa de Cinema em três categorias - Actriz (Isabel Ruth), Actriz Secundária (Carla Chambel) e Fotografia (Acácio de Almeida) - sendo ainda a última obra do realizador.
Numa visita ao passado, observamos fotos e momentos de um país perdido no tempo onde todos ambicionam o Brasil do outro lado do Atlântico. Encontramo-nos em 1917, ano de doença, de miséria e de um Portugal na Primeira Guerra Mundial.
Vitalino (Chandra Malatitch) deseja fervorosamente deixar o país em que nasceu e partir, como tantos outros, rumo a esse Brasil el-dorado. Para trás ficam três irmãs dispostas a convencê-lo a não as abandonar, aliciando-o com parte do dote.
Regina Guimarães, João Carlos Viana e o próprio Paulo Rocha assinam o argumento deste filme-testamento do realizador que elabora uma despedida da e à sua obra enquanto se despede igualmente de um país marcado pela desgraça, pela emigração, pela saudade e pelo lamento.
Não é por acaso o início de Se Eu Fosse Ladrão... Roubava caracterizado por um conjunto de memórias de um povo que não ficou e que, sentindo a sua terra, partiu rumo ao desconhecido esperando encontrar novas e melhores paragens. Em igual medida, Se Eu Fosse Ladrão... Roubava também termina com o tão eterno e sebastianista nevoeiro onde todos aqueles que nele desaparecem se esperam um dia ver regressar.
Num misto de acentuada crítica nacional - não fosse uma das imagens mais marcantes desta longa-metragem de Paulo Rocha o recurso ao comentário de "Catão" de A Raíz do Coração (2000) que admira uma "Lisboa imunda violada por políticos" - Se Eu Fosse Ladrão... Roubava não esquece ainda os tempos passados de um país que parece ter a sua população sempre numa constante espera da "ida" sem regresso marcado.
No entanto, para lá de um filme crítica a um Portugal sempre em queda, Se Eu Fosse Ladrão... Roubava é, acima de tudo, uma memória viva de um passado auto-biográfico, onde Paulo Rocha revisita não só o seu passado como a sua obra fragmentando-a a unindo-a numa tentativa de coerência e co-habitação de personagens, mundos e universos. Nesta viagem existe uma pergunta quase omnipresente que se prende com a necessidade quase pessoal de perceber o que é realmente Portugal - enquanto Nação e não Estado - quando todos parecem dele querer partir sem nunca esquecer o tal elo de ligação que os impede de jamais regressar. Se Eu Fosse Ladrão... Roubava viaja assim pela fome, pela doença, pela miséria, pela fuga, por um eventual regresso de e a um país que parece tão depressa odiar-se como amar-se profundamente - qual relação esquizofrénica - presentes na obra do realizador em filmes como Os Verdes Anos (1963), A Ilha dos Amores (1982), O Rio do Ouro (1998) e A Raíz do Coração (2000).
Igualmente omnipresente é a sua musa de sempre... Isabel Ruth que parece, também ela, navegar nesta mescla de momentos e situações que caracterizam um país - uma família - perdida na memória de si própria. As personagens que interpretou às mãos de Paulo Rocha parecem a determinada altura povoar Se Eu Fosse Ladrão... Roubava ganhando uma linha de continuidade que parecem ter - brevemente - sido cuidadosamente criadas e estudadas pela esta obra de despedida ganhando, elas próprias, uma presença constante na sua obra. Ao assistirmos como elas surgem ao longo desta narrativa, o espectador questiona-se se não terão sido elas próprias estudadas para este preciso instante da obra.
Num registo que roça o filme delírio - qual mescla "abusiva" de personagens que invadem os mútuos espaços -, Se Eu Fosse Ladrão... Roubava subtilmente ironiza com o próprio Paulo Rocha que recicla ("rouba") momentos dos seus filmes passados e cria uma nova abordagem à vida que as suas personagens outrora tiveram dando-lhes continuidade com aquelas para aqui criadas. "Nada resta da memória (...)" diz o jovem "Vitalino" sobre os pertences do seu pai.... aqui, pelo contrário, tudo sobra e encontra uma nova continuidade perpetuando não só a própria memória de Paulo Rocha como aqueles vários "eus" que foram sendo criados ao longo dos anos.
Não será, certamente, o melhor filme de Paulo Rocha - sendo "melhor" sempre algo tão subjectivo como os olhos daquele que o vê - nem tão pouco aquele que será considerado como o mais emblemático de toda uma carreira - facilmente qualquer espectador se irá recordar primeiramente de Os Verdes Anos - mas, no entanto, Se Eu Fosse Ladrão... Roubava será sem margem para dúvida aquele que ele utilizou para homenagear as suas memórias, as suas personagens, os seus actores e as histórias que sentia ter e precisar de contar.
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"Tia: Coisinha mais ruim que uma madrasta... a mãe pátria."
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6 / 10
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Jameson Notodo FilmFest 2016: os nomeados

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Gran Premio Jameson - Filme
Casi Tarde Igual Bastante Siempre, de Teo Palomo
Estribillo., de César Tormo García
Paris - Düsseldorf, de Daniel Goldmann
Save, de Ivan Sainz-Pardo
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Prémio Jameson Triple Destilación
El Afilador, de Nacho López Murria
Nein, de Ivan Sainz-Pardo
Posam, de Rosalinda Galán
Time Lapse, de Christian Avilés
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Prémio Paramount Channel Remake Tu Vida Pide Cine
2016: Una Odisea en el Empacho, de Miguel Mateos Martín e Alfredo Fernández Quintana
Esteban Torres, de Pablo Arreba
El Relamido, de Jorge Aguilar Olmo
Un Millión en la Basura. El Remake, de Jeromin Cantero
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Prémio LG - Corto Grabado con un Móvil
El Día que Marty McFly Llegó al Futuro, de Eli Navarro
Recuerdos, de Juanjo Rueda Sánchez
Una Mañana Cualquiera, de Eva Moreno
Uno, Dos y Tres, de Manuel Bartual
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Prémio Fundación Repsol Rompiendo Barreras
Algo Más que Decir, de Mónica (Asociación para la atención de personas con discapacidad intelectual e inteligencia lím Sánchez Muñoz)
Esteban Torres, de Pablo Arreba
Te Quiero, Papá., de Gabriel Lúgigo López
El Tiempo de los Ángeles, de Juan Ruiz Alonso
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Prémio Self Bank Hazlo a Tu Manera
Estribillo., de César Tormo García
Die Freundin, de Ivan Sainz-Pardo
Mi Amiga Leti, de Miguel Maroto
Niña de Papá, de Miki Esparbé
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Prémio El Corte Inglès Personaje Femenino
Ambiente, Una Pelicula de Suspenso., de Ana Fesser
La Graduación, de Javier Rodríguez Espinosa
Manuel, de Roger Grau Pérez e Maria Martín Medinilla
Molar Manuel, de Guillermo Guerrero Mara
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Prémio TVE Cámara Abierta 2.0 - Documentário
Eli, de Rafaella (AFIOCO) Gnecco
Encanto de Laguna, de Almaclara Radharani Goméz Guzmán
Fachadolid, de Álvaro Martín
El Tiempo de los Ángeles, de Juan Ruiz Alonso
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Prémio Filme de Animação
The Airplane, de Jesús Martínez Nota e Jotoni Pérez
Best Seller, de Alejandro Rey Miniño
Vivir, de Cesar Diaz Melendez
I Wish, de Damian Palleiro
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Prémio Latinoamerica en Corto
El Cuento de la Lechera, de Hugo Fernández Martínez
Encanto de Laguna, de Almaclara Radharani Goméz Guzmán
Los Fríos, de Daniel Sotomayor A.
I Wish, de Damian Palleiro
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Prémio Direcção de Produção
Encanto de Laguna, Almaclara Radharani Goméz Guzmán
Esteban Torres, Pablo Arreba
Modo Avión, Ernesto Filipe Díaz
Un Millón en la Basura. El Remake, Jeromin Cantero
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Prémio ECAM - Realizador
Almaclara Radharani Goméz Guzmán, Encanto de Laguna
César Tormo García, Estribillo.
Daniel Goldmann, Paris - Düsseldorf
Ivan Sainz-Pardo, Save
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Prémio Estudio Corraza - Actor
Mikel Bustamante, Teatro
Jon Rod, Paris - Düsseldorf
José Troncoso, Cariño, Me He Follado Bunbury
Lucas Vázquez, El Secuestro de Fermin Delgado
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Prémio Estudio Corraza - Actriz
Pilar Bergés, Haloperidol
Rosalinda Galán, Amor de Madre
Gloria March Chulvi, Paris - Düsseldorf
Ada Tormo, Estribillo.
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Melhor Argumento
Cariño, Me He Follado a Bunbury, Teresa Bellón e César F. Calvillo
Casi Tarde Igual Bastante Siempre, Teo Palomo
Haloperidol, José Manuel Carrasco
El Secuestro de Fermin Delgado, Marina Maesso e Lucas Vázquez
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Prémio IED Direcção Artística
Cumpleaños Feliz, David Pareja
Herencia, Agusin Rovatti
Iku Manieva, Isaac Ruiz Gastélum
Roe, Pablo Olivier
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Prémio Talento Visual
Estribillo., César Tormo García
Iku Manieva, Isaac Ruiz Gastélum
Rojo, Jaime Olías de Lima
Save, Ivan Sainz-Pardo
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Prémio Som
Ambiente. Una Pelicula de Suspenso
Estribillo.
Rock Star
Save
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Prémio Distribuição
Cariño, Me He Follado a Bunburry, de Teresa Bellón Sánchez de la Blanca e César F. Calvillo Solana
I Wish, de Damian Palleiro
Manuel, de Roger Grau Pérez e Maria Martín Medinilla
Mi Amiga Leti, de Miguel Maroto
Nadie, de David González Rudiez
Save, de Ivan Sainz-Pardo
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Prémio FILMIN
Casi Tarde Igual Bastante Siempre, de Teo Palomo
Estribillo., de César Tormo García
Nadie, de David González Rudiez
R & J, de Cándido Pérez de Armas
Save, de Ivan Sainz-Pardo
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segunda-feira, 9 de maio de 2016

Shortcutz Viseu - Sessão #75

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O Shortcutz Viseu está de volta na próxima sexta-feira dia 13 de Maio, para a sua Sessão #75. Na secção Curtas-Metragens em Competição que esteve em pausa durante o passado mês de Abril, serão exibidos os filmes curtos Prefiro Não Dizer, de Pedro Augusto Almeida e Que é Feito dos Dias na Cave, de Rafael Almeida estando, ambos os realizadores, presentes para a apresentação dos seus filmes.
Na secção Projecto Convidado será apresentado o novo videoclipe dos Azeitonas intitulado "Cinegirasol", da autoria de Bruno Caetano e Rui Telmo Romão numa co-produção Col.A / Easylab.
Assim, na próxima sexta-feira a partir das 22 horas o local para se estar é o Carmo'81, em Viseu para mais uma excelente noite de cinema em formato curto.
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Galope (2015)

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Galope de Raquel Felgueiras é uma curta-metragem portuguesa de animação que num único e breve minuto tenta relatar a evolução da História através da imagem de um cavalo. Ao mesmo tempo, Galope estabelece ainda, uma tímida relação desta imagem com a evolução do cinema e como o cavalo esteve presente no mesmo desde o primeiro instante.
Da Idade da Pedra e respectivas gravações rupestres passando pelos torneios medievais sem esquecer as histórias cinematográficas do far west ou as primeiras competições em recinto, Galope estabelece portanto uma relação entre o imaginário do animal com o do cinema marcando presença pelas diversas referências que estabelece neste breve minuto de duração.
No entanto é este exacto elemento o maior defeito desta curta-metragem que tendo um conjunto de momentos animados interessantes e que poderiam ser individualmente explorados estão aqui expostos sem uma sequência lógica entre si para além daquilo que se pode antever como um ensaio ou uma experimentação animada do mesmo. Interessante pela potencialidade da abordagem, Galope resume-se a um breve conjunto de imagens que, na prática, não funcionam enquanto um "filme" propriamente dito.
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2 / 10
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sábado, 7 de maio de 2016

Piélagos en Corto - Festival Internacional de Cortometrajes de Ficción 2016: os vencedores

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Terminou hoje a sétima edição do Piélagos en Corto - Festival Internacional de Cortometrajes de Ficción onde tive o prazer de, uma vez mais, ser o programador oficial do festival. Das mais de mil curtas-metragens apresentadas à selecção, foram sessenta os filmes seleccionados nas diferentes categorias a premiar - Internacional, Nacional (Espanha), Cantábria, Social, Fantástico, LGBT e Realizador Revelação -, sendo El Aspirante, de Juan Gautier e Revolution, de Markus Erhart os grandes vencedores da noite com quatro prémios cada.
Foram assim estes os vencedores:
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Prémios Dunas de Liencres
Internacional: Revolution, de Markus Erhart
Nacional: El Aspirante, de Juan Gautier
Cantábria: Broken Basket, de Roberto Ruiz Céspedes
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Prémios Costa Quebrada
Social: Break In, de Mikel Aristregri e José Bautista
Fantástico: El Pescador, de Alejandro Suárez Lozano
LGBT: Vida y Reflejo, de Julia García
Realizador Revelação: Hope, de Aleix Buch
Prémio da Crítica: El Jardín de las Delicias, de Jorge Muriel
Menção Especial da Crítica: La Graine, de Barney Frydman e La Creu, de Dani Seguí Florit
Prémio do Júri Jovem: De Vuelta, de Gabriel Dorado
Menção Especial do Júri Jovem: Die Badewanne, de Tim Ellrich e Napoléon y Yo, de Ander Duque
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Prémios Canallave
Realizador: Juan Gautier, El Aspirante
Actor: Patrick Corado, El Aspirante
Actriz: Anna Brodskaja-Bomke, Revolution
Argumento: Markus Erhart, Revolution
Montagem: Guillermo Villar e Juan Gautier, El Aspirante
Fotografia: Eugen Gritschneder, Revolution
Música Original: Florent Paris, Plumés
Caracterização: Laia López e Tamara García, Vida y Reflejo
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Prémio Uno Corto y Rapidito: Sobre Ruedas, de Marcos Sastre
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Prémio No te Cortes Haz tu Corto: La Carta (Boo de Piélagos)
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Prémio Valdearenas a la Promoción/Difusión: CortoEspaña
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sexta-feira, 6 de maio de 2016

Sobre Ruedas (2016)

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Sobre Ruedas de Marcos Sastre é uma curta-metragem espanhola de ficção elaborada no âmbito da sétima edição do Piélagos en Corto - Festival Internacional de Cortometrajes de Ficción que amanhã termina na Cantábria, em Espanha.
Chacho (Pablo Escobedo), Jose (Manuel Setién) levam Edu (Javier Uriarte), o seu amigo de infância, numa inesperada viagem de Madrid para a Cantábria. A acompanhá-los têm uma Drag Queen (La Farruka) e é quando chegam ao seu destino que os motivos desta viagem são finalmente desvendados.
De forma simples e muito breve, Marcos Sastre consegue com esta curta-metragem revelar de forma muito eficaz o poder das amizades que se perpetuam no tempo, livres de preconceitos e que conseguem ultrapassar todas as dificuldades que aqueles que a vivem... sentem.
Num mundo cada vez mais individualizado onde todos os pequenos dramas individuais são vividos "de e para mim", Sobre Ruedas consegue de forma coerente técnica e narrativamente - principalmente se considerarmos o curto espaço de tempo em que foi elaborada - estabelecer-se como um filme cómico/dramático no qual, apesar das adversidades da sua história, se retira o mais nobre e fundamental da essência da humana sem esquecer uma forte componente social explícita através de duas das suas personagens. Longe da descriminação, da exclusão e da noção de "diferença", Marcos Sastre faz com que Sobre Ruedas termine com uma sensação de "feel good movie" cumprida.
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7 / 10
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quinta-feira, 5 de maio de 2016

Paradigma (2015)

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Paradigma de Valentino R. Sandoli é uma curta-metragem espanhola de ficção presente na secção LGBT da sétima edição do Piélagos en Corto - Festival Internacional de Cortometrajes de Ficción a decorrer na Cantábria, em Espanha, entre os dias 2 e 7 de Maio.
Guille (Kuba Tarasiewicz) vive há meses secretamente apaixonado pelo melhor amigo. No entanto, consciente também dos preconceitos da sociedade, Guille não revela os seus sentimentos. Numa espiral de novas experiências que condicionam os seus verdadeiros desejos, Guille inicia uma vida à qual, até então, tinha sido estranho na esperança de um dia poder assumir os reais sentimentos.
Com argumento de Ignacio Campón e de Valentino Sandoli, Paradigma é o espelho de um despertar adolescente para uma vida onde os sentimentos e a sexualidade se misturam e confundem ao ponto de tudo querer fazer e experimentar para validar uma presença no mundo que, até àquele dia, havia passado - na mente do protagonista - pela sombra da indiferença e do anonimato. No fundo, a grande questão que é aqui levantada é apenas uma... o que fazer quando aquele alguém de quem se gosta não só não dá pela nossa presença como também ignora os sentimentos por si nutridos? No desespero de uma aceitação que nunca chega, "Guille" é então o jovem que embarca numa viagem que se inicia pela auto-descoberta e pela sexualidade a funcionar como mandante de toda uma relação interpessoal que, a seu tempo, poderá ser destrutiva se não fôr encarada apenas e só como uma "passagem".
Desde a experimentação virtual onde rostos anónimos se cruzam numa eventual - ou não - reciprocidade até às viagem por um submundo onde o prazer se confunde com a droga, com a relação com múltiplos parceiros - nem sempre com protecção - e com a presença de todo um conjunto de riscos de saúde e segurança que pairam no ar, Paradigma é portanto a imagem de um suposto modelo social e comportamental numa adolescência tão habituada a comunicar com tudo e todos que se esquece de conhecer e partilhar reais relações afectivas e de grupo com aqueles que pensa conhecer.
Com um retrato perspicaz de uma geração do século XXI com todos os meios ao seu dispôr para conhecer o mundo não retirando dele, no entanto, aquilo que de melhor tem isolando-se e refugiando-se na proximidade que a virtualidade lhes proporciona, Paradigma é ainda sustentada por uma interpretação estruturada e rica em emoções de Kuba Tarasiewicz no qual, aliás, reside uma importante parte da mensagem que a dupla de argumentistas e realizador pretendem mostrar sobre as (não tão) novas formas de expressar a afectividade neste - também ele -  já não tão novo século.
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8 / 10
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quarta-feira, 4 de maio de 2016

Ángel de Andrés López

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1951 - 2016
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One Step Ahead (2015)

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One Step Ahead de Caque Trueba e Juan Trueba é uma curta-metragem de ficção espanhola presente na secção Cantábria da sétima edição do Piélagos en Corto - Festival Internacional de Cortometrajes de Ficción que decorre naquela região espanhola até ao próximo dia 7 de Maio.
Javi (Juan Trueba/Alejandro Albarracín) acreditava num amor eterno. Sofía (Lara de Miguel/Aura Garrido) pensou que era uma coisa de crianças.
A relação entre os dois sempre foi de uma proximidade distante. De uma doce amarga experiência que insistia em separar os seus caminhos. Conseguirão alguma vez encontrar um ponto de mútuo encontro?
Com argumento da autoria dos dois realizadores, One Step Ahead é uma história de um amor interrompido. Uma história de um amor que sobrevive a vários anos de uma separação mais ou menos involuntária mas que reside não só nos corações dos dois protagonistas como nos pequenos símbolos representativos da sua união e da cumplicidade que, um dia, fora estabelecida.
De uma casa de árvore perdida no meio de um bosque à grande cidade onde se estabelecem para lá de vidas, algumas carreiras, One Step Ahead revela a evolução de uma relação cúmplice tida à distância e que se transforma pelas mais variadas vicissitudes e acasos da vida. Poderá o início de uma nova relação fazer esquecer aquela que foi não só a primeira como a mais verdadeira? Existirá um "depois" daquilo que foi o mais puro e sentido amor?
No seio de todo um conjunto de questões, algumas das quais de resposta óbvia mas, tantas outras que nunca ninguém conseguirá responder melhor do que após o tempo que ocorre entre um encontro e o posterior reencontro, One Step Ahead vive num misto de conto de amor e história infantil que, num passo muito próprio e repleto de uma energia quase de história de encantar revela uma história de amor, de descoberta, de separação, de ligação e finalmente de uma confirmação de que existem de facto duas almas que se completam, que se complementam e que sobretudo estão destinadas a ser o par perfeito... mesmo com todas as descobertas que, entretanto, foram feitas sobre o "eu" e sobre o "outro".
Com uma interessantíssima direcção de fotografia de Ignacio Aguilar que capta a essência da transformação e evolução temporal sem, no entanto, nunca perder aquela magia de história de encantar, One Step Ahead é, no fundo, um pequeno conto sobre um amor que nunca morre... mesmo quando esteve disfarçado de um afastamento intemporal.
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terça-feira, 3 de maio de 2016

El Aspirante (2015)

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El Aspirante de Juan Gautier é uma curta-metragem espanhola de ficção presente na secção competitiva Nacional da sétima edição do Piélagos en Corto - Festival Internacional de Cortometrajes de Ficción que decorre na Cantábria, em Espanha, até ao próximo dia 7 de Maio.
Carlos (Patrick Criado) é um jovem estudante recentemente chegado à Universidade. No entanto, aquele que deveria ser um espaço privilegiado de ensino rapidamente se transforma num espaço de perseguição e violência quando Carlos e outros caloiros são sistematicamente abordados pelas praxes de um grupo de impiedosos veteranos.
Depois de um emocionalmente forte Soy Tan Feliz, Juan Gautier regressa ao Piélagos en Corto com uma das mais fortes e intensas curtas-metragens do ano que explora uma temática ainda tabu como o é a das praxes universitárias. Aquilo que começa por ser um dos momentos mais importantes na vida de qualquer jovem adulto e estudante - o período em que abandona o conforto do seu lar para uma vida mais independente e possivelmente noutra cidade que não a sua - rapidamente se transforma num dos mais traumatizantes e vorazes períodos das suas vidas. Jovens aparentemente equilibrados e com toda uma vontade de viver uma independência recentemente adquirida são forçados a momentos de total e completa humilhação em que apenas resiste o mais apto e - normalmente - aqueles que exercem todo o tipo de assédio sobre jovens indefesos e perdidos num espaço que não é o seu.
Se em Soy Tan Feliz Juan Gautier nos revela o desbravar de um caminho interior que se afastava de um isolamento auto-imposto para uma necessidade cada vez mais crescente de se dar ao mundo - e às pessoas - feito pela sua protagonista, em El Aspirante, o realizador e argumentista apresenta-nos uma viagem que opera, por diversos momentos, no seu oposto na medida em que de uma personalidade livre e espontânea, "Carlos" começa a regredir e isolar-se ao ponto de ter medo que cruzem a sua porta e notem na sua existência.
As humilhações físicas e psicológicas são uma constante. De encenarem violações a exercícios físicos esgotantes e debilitantes, El Aspirante não esquece de exibir todo o tipo de humilhações psicologicamente degradantes e que levam as suas vítimas ao mais profundo desespero, lugar onde, até à morte é simulada. O assédio é um factor sempre presente e o exercício do poder bem como as ameaças a um futuro pouco "promissor" condicionam aqueles que, psicologicamente mais frágeis, cedem ao primeiro grito que escutam. Numa escalada de violência e de chantagem que parece não ter fim, El Aspirante revela que o poder - ou a sua simulação - quando nas mãos erradas pode ser - e é - sempre uma falácia revestida com ideias de grupo, inserção e companheirismo que cedo se transformam em domínio e humilhação para com aqueles que são aspirantes ao clã.
Diz-se que o bem e o mal não existem se não há liberdade para desobedecer. Em El Aspirante este pensamento é confirmado quando o espectador assiste aos seus "dois lados". Um brilhante Patrick Criado - o jovem "Carlos" - apresenta-se inicialmente como um estudante sedento dessa tal inserção que parece estar sempre a um passo de distância, inatingível faça o que fizer. Se começa por achar toda a humilhação "normal" e parte do processo, rapidamente compreende que o seu ritmo não só não abranda como aumenta no requinte de malvadez com que é perpetrado, fazendo-o questionar se será assim tão banal humilhar-se e esquecer a sua condição enquanto adulto em formação para pertencer a um grupo que, na prática, parece apenas querê-lo para os seus rituais sádicos. Coloca-se a questão... para quê pertencer a um grupo que primeiro tem de me colocar à prova, confirmando não aceitar a sua diferença e individualidade?
Sendo "Carlos" de Patrick Criado o lado bom - ou pelo menos aquele que começa por desafiar a ordem estabelecida - então os igualmente brilhantes - pois toda a face do "mal" (aqui cinematográfico) o é - Pepe Lorente, Pedro Rubio, Eugenio Santiago e Ahmed Younoussi conferem a ao mal o requinte de malvadez necessário para criar dois pólos distintos e a confirmação de que o mesmo tem de facto um rosto tão banal que facilmente se confunde no meio da multidão. Afinal, para lá dos ataques nocturnos que assediam a vida dos mais novos... alguém iria apontar o dedo a estes jovens tão "comuns"?
Se estes dois pólos são de tal forma bem interpretados que nos incomodam desde o primeiro instante - tal a veracidade e convicção com que este grupo de actores interpreta as suas personagens - não deixa de ser igualmente verdade que é quando a presa se torna predador que El Aspirante atinge o tal clímax que se desejava. Depois de um conjunto de noites indiscriminadas no tempo - será uma... duas... três semanas (?) - "Carlos" atinge o seu ponto de ruptura conseguindo finalmente fazer frente aos seus predadores que, independentemente das suas ameaças, encontram aquele que questiona o seu poder despótico e não se deixa intimidar pelo seu assédio. Afinal, o "poder" existe apenas na medida daquele que a vítima confere ao agressor.
Não direi que El Aspirante é um salto qualitativo relativamente a Soy Tan Feliz pois, afinal, sendo de géneros distintos, Juan Gautier consegue criar duas intensas e marcantes histórias sobre aspectos diferenes da sociedade moderna que, no entanto, se tocam no que à solidão diz respeito. É esta solidão que aprisiona a "Fran" (Olaya Martin) de Soy Tan Feliz a uma vida não vivida, e que ilusoriamente confere ao El Aspirante "Carlos" (Patrick Criado) a ideia de que necessita pertencer a um grupo e, como tal, sujeitar-se a todo o tipo de ritual de iniciação que lhe é colocado. Se por um lado a solidão auto-imposta de "Fran" gera uma auto-violência imposta, é também real que a mesma solidão expõe "Carlos" ao massacre social que o grupo de "veteranos" lhe impõe excluindo-o não só da sua individualidade como de um normal desenvolvimento e formação psicológica que deveria existir fruto da normal relação com os seus pares.
Intensa e desconfortante desde o primeiro momento, El Aspirante - que deveria ser filme obrigatório em campanhas de sensibilização nas escolas - é uma curta-metragem que deixa o espectador a pensar sobre todos aqueles que vivem a tortura e a perseguição num silêncio psicologicamente desconfortante e assassino, confirmando ao mesmo tempo Juan Gautier como um nome do cinema espanhol capaz de entregar histórias onde a ficção e a realidade se tocam e cruzam, por vezes, de forma alarmante. Numa palavra... El Aspirante é imprescindível.
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Algo que Decir (2015)

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Algo que Decir de José Ángel Lázaro é uma curta-metragem espanhola de ficção presente na secção competitiva Nacional da sétima edição do Piélagos en Corto - Festival Internacional de Cortometrajes de Ficción que decorre na Cantábria, em Espanha, até ao próximo dia 7 de Maio.
Durante vinte anos e mais de mil concertos, os Monkey Rumbers decidem separar-se. Na noite do seu último concerto, todos percebem que não conseguiram viver da música que faziam e que tanto as relações, como os sonhos e claro, as necessidades não são as mesmas do que quando eram jovens adultos.
O realizador e argumentista José Ángel Lázaro cria com Algo que Decir uma história que se centra essencialmente nas relações humanas tendo, no entanto, a música como o reflexo das mesmas. Numa única noite que comporta o peso de ser "a última", esta curta-metragem leva o espectador a uma viagem que tendo ultrapassado os sonhos de uma juventude onde estes brotavam por todo o lado - alguns dos quais como aspirações de marca e identificação pessoal -, consegue marcar o ponto final numa etapa da vida que se fecha encarando, de forma significativamente diferente, que o "amanhã" marcará o início de uma descoberta pessoal totalmente distinta do esperado. Por outras palavras, se no início daquela noite os membros dos Monkey Rumbers eram definidos - enquanto indivíduos - como tal, é a partir deste momento que todos têm de encontrar um novo, e quem sabe definitivo, rumo para as suas vidas.
Ainda que membros de uma banda que tem um notório sucesso - visível nas dezenas de fãs que se deslocaram ao bar em que se preparam para a despedida - "José", "Maité" (a vocalista) e "Nacho" fazem denotar uma evidente melancolia e sensação de missão por cumprir quer seja esta a que era esperada profissionalmente ou no caso dos dois primeiros, também a sentimental que ficou por se confirmar.
Sem grandes artifícios - aliás, o que aqui predomina é o desencanto e não o brilho de uma vida que fora, em tempos, esperada - Algo que Decir parece mergulhar numa completa rendição aos sonhos não cumpridos, às esperanças falhadas e às emoções reprimidas. No fundo, aquilo que a certa altura parece querer ser confirmado é que chegou - finalmente - o momento em que todos têm (precisam?) encarar que o tempo avançou sem esperar e que já não são os adolescentes com sonhos e esperanças que em tempos foram. Aqueles - sonhos - que se confirmaram já os viveram... os outros têm (?) obrigatoriamente de permanecer num recanto escondido da memória.
Mas será a mudança má? Será que ela chega realmente a ser confirmada ou tudo não é mais do que um breve momento no seu - deles - percurso que poderá ser um dia revertido tendo, no entretanto, de dar continuidade a um novo rumo e a novas escolhas e oportunidades? Será o mundo deles composto apenas por um estrada ou poderá nele existir mais do que uma escolha? Afinal, não serão estas escolhas tomadas a porta de entrada para todo um novo conjunto de momentos e situações?
É com este pensamento em mente que tranquilamente e sem palavras "José" se despede de um público que também cresceu com eles e naquele modo de vida depositou boa parte da sua confiança e expectativas. E despede-se da melhor forma... com a música que durante vinte anos tocou e que o fez sentir como ele sempre desejou. Se esta será uma despedida - e uma mudança - definitiva, nenhum de nós poderá saber... mas afinal, será que precisamos? A reflexão mantém-se única e exclusivamente sobre a noção de "mudança"... sobre a possibilidade do futuro não ser aquilo que dele esperamos - alguma vez o é?! - e que mesmo com uma eventual porta fechada, outras tantas poderão ser abertas (ainda que inesperadas). A única confirmação tida é que a vida - até àquele momento - foi vivida segundo os ditames do coração, da convicção e do sonho... a questão é se a partir dali poderá ou não continuar a sê-lo.
Sem artifícios mas com muita alma, Algo que Decir faz da música o sonho... das dúvidas a percepção do tempo e do desencanto a certeza que uma vez - pelo menos uma - algo foi esperado, desejado e amado.
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segunda-feira, 2 de maio de 2016

Kuru (2016)

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Kuru de Francisco Antunez é uma curta-metragem portuguesa de ficção presente em competição no Shortcutz Viseu e que nos apresenta Joana (Sara Barros Leitão), Maria (Inês Aires Pereira) e Sofia (Jani Zhao), três amigas que se preparam para uma noite de diversão e que por entre algum consumo de alcoól e droga encontram um misterioso Homem (José Mata) em diversos locais por onde passam.
Entre este Homem e Joana nasce uma imediata atracção... Poderá ela resistir-lhe?
Miguel Braga dá corpo a uma história que poderia muito facilmente ser um daqueles casos bizarros aos quais os espectadores pouca importância dão nos noticiários mas que, ocasionalmente, fazem tremer o imaginário colectivo sobre uma qualquer realidade mais obscura que qualquer um de nós prefere nem equacionar. Inicialmente temos o grupo de amigas que se preparam para uma noite de "despedida" de uma delas e, como tal, os abusos e as loucuras de uma jovem idade impõem-se. Esses mesmos abusos parecem estar lentamente a criar todo um espaço psicológico de menor discernimento e de um certo risco que se instala silenciosamente.
Num ritmo relativamente descontraído que mescla sensualidade e alguma sexualidade nas personagens que dão corpo a esta história, Kuru - nome de uma variante da doença Creutzfeldt-Jakob que seguramente a maioria dos espectadores desconhece - começa a desvendar que algo de perigoso se esconde por detrás de rostos mais ou menos inocentes mas que escapam ao imaginário daquilo que o público espera do seu potencial desfecho. Por outras palavras, Miguel Braga induz o espectador a imaginar aquilo que "vai ver" estando, no entanto, longe desta concretização que se perfila para outros domínios que seguramente qualquer um considera mais macabro.
As conversas entre o grupo de amigas são banais... Aliás, banais de mais considerando que se centram apenas em histórias do (seu) passado e momentos de flirt semi-inocente que apenas o calor da noite consegue fazer despoletar com mais intensidade. Aquilo que o espectador recebe de Kuru é, na sua essência, uma história sobre a noite de um grupo de amigas igual a tantas outras jovens mulheres que apenas querem viver a sua jovem idade. É, no entanto, graças a um misterioso José Mata - que parece perfilar-se (e bem) como o novo vilão de serviço - que a real dimensão da vida de uma delas se revela.
Ao assistirmos a Kuru e aos comportamentos das três jovens, pensamentos como tráfico de orgãos ou até um eventual abuso sexual parecem quase instintivamente ser as "realidades" que esperamos encontrar fruto de sucessivos noticiários que propagam estas situações a um ritmo que se perfila como absurdamente anormal. No entanto, aquilo que Miguel Braga consegue com o seu argumento é instalar toda uma nova realidade - e surpresa - mantendo o potencial destino de "Joana" como uma nova realidade ainda abominável demais para a considerarmos como eventual. Tal é esta (ir)realidade que o espectador nem tão pouco associa o nome desta curta-metragem a algo... real.
Sara Barros Leitão recentemente saída de Pecado Fatal (2013) e de Marta (2015) - longa e curta-metragem onde revela e firma todo o seu potencial enquanto jovem actriz - é o foco de Kuru no qual, no entanto, parece deixar muito por revelar da sua personagem. Temos todo um início que não explora a sua vontade de "conhecer o mundo" ou tão pouco a potencial "aventura" com o predador que a persegue - como a encontrou ou porque motivo a escolheu - e, por sua vez, o próprio José Mata fica com toda uma consumada fuga e eventual "sobrevivência" que gostaríamos de conhecer deixando apenas como momento mais frágil a revelação das verdadeiras intenções do "Homem" a quem dá corpo.
Com Sofia Grilo, Filipe Vargas, Pedro Hossi e Luciano Gomes como secundários, Kuru destaca-se ainda pela sua direcção de fotografia de Gonçalo Roquette que capta as cores e o calor de uma noite de Verão que tudo tem para acabar da pior forma e pela conseguida tensão que recria na segunda metade da sua narrativa deixando, no entanto, muito que poderia ter sido explorado.
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7 / 10
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Atopia (2015)

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Atopia de Luís Azevedo e Alexandre Marinho é um documentário em formato de curta-metragem português exibido no âmbito do Shortcutz Viseu e um dos nomeados ao Sophia da Academia Portuguesa de Cinema na respectiva categoria.
José António Baptista partiu da sua terra rumo ao Porto para tentar encontrar um trabalho. Onze anos depois regressa com a intenção de se dedicar à literatura e a todo um processo criativo.
Nesta viagem - física e psicológica - o espectador encontra um indivíduo perdido entre dois mundos distintos. O primeiro aquele que é o seu mas do qual se afastou com propósitos maiores que ali não conseguirá encontrar. O segundo, a grande cidade - Porto - no qual iniciou toda uma tentativa de concretizar um sonho mas que, devido a condicionantes económicas, sociais e políticas, nunca concretizou. A dicotomia campo versus cidade - representando a primeira uma liberdade sem limites apenas equiparável ao próprio espaço físico onde o olhar vê o horizonte e a última um constante fronteira e limite criativo - é uma das componentes mais fortes de Atopia no qual não só acompanhamos o Homem como também a sua transformação intelectual que o colocam num patamar de incertezas e de solidão.
Este regresso ao campo, que por breves momentos parece um regresso não só impossível como improvável, conferem através das palavras de José António Baptista, um dos mais coerentes e sólidos pensamentos que uma qualquer vida poderia transmitir quando compara duas distintas "estruturas" e o seu contributo para o meio. Por um lado - diz - temos uma casa que, uma vez edificada, necessita ser habitada ou morre pela sua degradação. No entanto, uma outra estrutura como o é a árvore, apenas consegue o seu desenvolvimento quando abandonada. A natureza encontra o seu caminho que dificilmente será travado como fruto de uma renovação e regeneração natural do espaço. Assim o é a criatividade. Sem limites e barreiras e usufruindo apenas do descanso mental daquele que a ela se propõe alcança o (im)possível deixando o seu próprio contributo para o mundo. No entanto, quando condicionada por elementos externos... limita-se ao banal e ao expectável.
Com algumas interessantes reflexões sobre a criatividade e seu respectivo processo que podem facilmente ser equiparadas à vida e ao (seu) percurso que leva, Atopia deixa num certo lume brando os destinos deste homem - e do próprio documentário - que, por momentos, parece estar perdido entre dois mundos... aquele no qual a sua criatividade e obra podem ser concretizadas fisicamente... e aquele que o ajudou a despoletar materialmente o mesmo.
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6 / 10
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Piélagos en Corto - Festival Internacional de Cortometrajes de Ficción 2016

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Piélagos
Santander
Torrelavega
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2 a 7 de Maio de 2016
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domingo, 1 de maio de 2016

Madeleine Lebeau

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1923 - 2016
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IndieLisboa - Festival Internacional de Cinema Independente 2016: os vencedores

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Competição Internacional
Longas-Metragens
Grande Prémio de Longa-Metragem Cidade de Lisboa: Jia, de Shumin Liu (Austrália/China)
Prémio Especial do Júri Canais TV & Séries: Kate Plays Christine, de Robert Greene (EUA)
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Curtas-Metragens
Grande Prémio de Curta-Metragem: Nueva Vida, de Kiro Russo (Argentina/Bolívia)
Menções Especiais:
Animação: Velodrool
, de Sander Joon (Estónia)
Documentário: La Impresión de una Guerra, de Camilo Restrepo (Colômbia/França)
Ficção: Another City, de Lan Pham Ngol (Vietname)
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Competição Nacional
Prémio Allianz - Ingreme Melhor Longa-Metragem Portuguesa: Treblinka, de Sérgio Tréfaut (Portugal)
Nescafé Dolce Gusto - Ingreme Melhor Curta Metragem Portuguesa: The Hunchback, de Gabriel Abrantes e Ben Rivers (Portugal/França)
Prémio Novo Talento Fnac - Curta-Metragem: Campo de Víboras, de Cristèle Alves Meira (Portugal)
Menção Honrosa: Viktoria, de Mónica Lima (Alemanha/Portugal)
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Prémio FCSH/NOVA Melhor Filme Secção Novíssimos: Maxamba, de Suzanne Barnard e Sofia Borges (Portugal/EUA)
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Prémio RTP Longa-Metragem na Secção Silvestre: Eva no Duerme, de Pablo Agüero (França)
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Prémio FIPRESCI (Primeiras Obras): Short Stay, de Ted Fendt (EUA)
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Prémio Format Court (Silvestre Curtas): World of Tomorrow, de Don Hertzfeldt (EUA)
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Secção Árvore da Vida
Prémio Árvore da Vida Filme Português: Ascensão, de Pedro Peralta (Portugal)
Menção Honrosa: Jean-Claude, de Jorge Vaz Gomes (Portugal)
Prémio IndieJúnior Árvore da Vida: Le Nouveau, de Rudi Rosenberg (França)
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Secção Amnistia Internacional
Prémio Amnistia Internacional: Flotel Europa, de Vladimir Tomic (Dinamarca/Sérvia)
Menção Honrosa: Balada de Um Batráquio, de Leonor Teles (Portugal)
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Secção Escolas e Universidades
Prémio Culturgest Universidades: Flotel Europa, de Vladimir Tomic (Dinamarca/Sérvia)
Prémio Culturgest Escolas: Le Gouffre, de Vincent Le Port (França)
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Prémios do Público
Prémio Longa-Metragem: Le Nouveau, de Rudi Rosenberg (França)
Prémio IndieMusic Schweppes: Sonita, de Rokhsareh G. Maghami (Alemanha/Suíça/Irão)
Prémio Curta-Metragem Merrell: Small Talk, de Even Hafnor e Lisa Brooke Hansen (Noruega)
Prémio IndieJúnior Trinaranjus: The Short Story of a Fox and a Mouse, de Camille Chaix, Hugo Jean, Juliette Jourdan, Marie Pillier e Kevin Roger (França)
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Piranha 3D (2010)

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Piranha 3D de Alexandre Aja é uma longa-metragem norte-americana que faz renascer o terror e o perigo das mais insuspeitas águas.
Durante uma festa de Primavera que reúne mais de 50 mil jovens no Lake Victoria, milhares de piranhas pré-históricas são libertadas para o mesmo depois de um repentino tremor de terra subaquático.
Com o risco de provocarem milhares de vítimas, apenas a acção de um improvável grupo, do qual fazem parte o Delegado Fallon (Ving Rhames), a Xerife Julie (Elisabeth Shue) e os conhecimentos científicos de Carl Goodman (Christopher Lloyd), poderá evitar que o Lake Victoria se transforme num banho de sangue.
Qualquer um de nós não pode ser levado a sério quando a um filme do género de Piranha 3D se une uma expressão como "conhecimento científico". A improbabilidade destes dois se encontrarem sob o mesmo "tecto" é tão grande que mais rapidamente se conquistaria uma fortuna vinda de um reino desconhecido do que encontrá-las num filme onde se reconheça coerência ao seu argumento. No entanto, aquilo de que o espectador beneficia com este filme é exactamente do melhor dos dois mundos encontrando não só uma história que é feita com o único propósito de fazer soltar algumas gargalhadas enquanto, ao mesmo tempo, tenta dar alguma credibilidade àquilo que pretende retratar. Se o resultado final é positivo... bom, isso será outra história - Piranha 3DD que o diga...
Com alguns momentos francamente banais onde a catástrofe se anuncia e o espectador parece adivinhar todos os momentos em que a mesma se vai concretizar, Piranha 3D é o típico filme que pede muitos momentos graciosamente sem graça, piadas banais que já presenciámos em inúmeros filmes do género - uma corrente cinematográfico que parece não ter fim ora com piranhas, tubarões, morcegos, mosquitos, abelhas ou até rãs assassinas... - e interpretações insípidas de um conjunto de actores que já tendo o seu estatuto confirmado em Hollywood parecem necessitar desesperadamente de um filme "menor" na sua carreira... que o digam os já referenciados Shue, Rhames e Lloyd e aos quais se juntar Richard Dreyfuss que poderia certamente investir o seu tempo em algo mais... digamos... relevante - ok, certo... a homenagem a Jaws (1975) aqui em tamanho reduzido.
Que se desenganem aqueles que pensam que daqui vão retirar alguma coisa... Bom, poderemos sempre assistir a um serão mais ou menos descontraído onde o absurdo, o banal e o banho de sangue se encontram sob os mesmos noventa minutos e com isso conseguir até esboçar alguns sorrisos... afinal, nenhum de nós é forte o suficiente para não desejar - em diversos momentos - que as piranhas realmente levem a sua missão avante e exterminem aquilo que parece ser um ritual de alarvidades - Team Piranha here - cometidas por um grupo de pessoas já nos seus trinta's que representam adolescentes cuja preocupação é o maior par de "tetas" ou o mais volumoso.... bom... you know what I mean...
Se o argumento é a falta de argumento, então Piranha 3D parece estar no caminho certo. Seja graças a um tremor de terra, à erupção de um vulcão extinto desde a pré-história ou a um ritual religiosa que liberta a ira de Deus, parece que a catástrofe e a calamidade estão à porta de todas as pequenas localidades norte-americanas onde, só por acaso, existem grandes concentrações de adolescentes que nada têm ou querem pensar tornando-se as vítimas "indefesas" ideais para que o banho de sangue e o extermínio mais ou menos "planeado" se iniciem e onde o caos seja e esteja instalado.
Com tudo isto dito seria de pensar que Piranha 3D é o filme "a evitar". Pelo contrário... Piranha 3D é o filme perfeito que todos queremos e gostamos - secretamente - ver. Que nos leva àquele reino fantástico do não ter que pensar na trágica realidade da vida ou nos problemas existenciais - ou não - que a todos afectam num dado momento da vida. Aqui a única obrigatoriedade é deixar-mo-nos levar por um sem fim de lugares comuns e banalidades que primam pelo óbvio, onde tudo já foi pensado, visto, filmado e exibido ao espectador centenas de vezes mudando apenas o nome do local em que "nos" encontramos no referido momento e pela exibição de um conjunto de interpretações de grandes actores que aqui dão vida a um conjunto de personagens que parecem estereotipadas e desprovidas de uma alma. Resumindo, o filme perfeito para deixar o cérebro navegar no reino do "nada".
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4 / 10
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Festival de Málaga de Cine Español 2016: os vencedores

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Biznaga de Oro
Filme: Callback
, de Carles Torras
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Biznaga de Plata
Prémio Especial do Júri: La Propera Pell (La Próxima Piel), de Isaki Lacuesta e Isa Campo
Realizador: Isaki Lacuesta e Isa Campo, La Propera Pell (La Próxima Piel)
Actor: Martín Bacigalupo, Callback
Actriz: Emma Suárez, La Propera Pell (La Próxima Piel)
Actor Secundário: Óscar Martínez, Kóblic
Actriz Secundária: Silvia Maya, Julie
Argumento: Carles Torras e Martín Bacigalupo, Callback
Montagem: Domi Parra, La Propera Pell (La Próxima Piel)
Fotografia: Rodrigo Pulpeiro, Kóblic e Carles Gusi, Quatretondeta
Música: Silvia Pérez Cruz, Cerca de Tu Casa
Menção Especial: Quatretondeta, de Pol Rodríguez
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Prémios Paralelos
Prémio Especial do Júri da Crítica: La Propera Pell (La Próxima Piel), de Isaki Lacuesta e Isa Campo
Prémio do Público: La Noche que Mi Madre Mató a Mi Padre
, de Inés París
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Longas-Metragens Zonazine
Filme: El Perdido, de Christophe Farnarier
Realizador: Christophe Farnarier, El Perdido
Actor: Adri Miserachs, El Perdido
Actriz: Laura López, La Pols (Cenizas)
Prémio do Público: Los Comensales, de Sergio Villanueva
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Território Latino-Americano
Filme: Mi Amiga del Parque, de Ana Katz
Menção Especial: Hijos Nuestros, de Juan Fernández Gebauer e Nicolás Suárez
Realizador: Sandra Kogut, Campo Grande
Actor:
Carlos Portaluppi, Hijos Nuestros
Actriz: Julieta Zylberberg, Mi Amiga del Parque
Prémio do Público: El Acompañante, de Pavel Giroud
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Documentários
Documentário: Nosotras.Ellas, de Julia Pesce
Realizador: Pau Faus, Alcaldessa e Jorge Caballero, Paciente
Menção Especial: Mariano Nante, La Calle de los Pianistas
Prémio do Público: La Calle de los Pianistas, de Mariano Nante
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