quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Garotas da Moda (2012)

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Garotas da Moda de Tuca Siqueira é uma curta-metragem documental brasileira presente na secção de Curtas-Metragens em Competição do QueerLisboa - Festival Internacional de Cinema Queer a decorrer no Cinema São Jorge, em Lisboa.
Esta curta-metragem leva-nos ao interior profundo de um Brasil praticamente desconhecido longe da modernidade do século XXI mas altamente influenciado pelas cores e pelo brilho que chega através dos canais de televisão.
Garotas da Moda, ou "Fashion Girls" como se auto-denominam, é um conjunto de amigas transsexuais que realizam pequenos espectáculos de playback no Pernambuco divertindo as massas que para lá se dirigem nos eventos que animam as diversas localidades do interior brasileiro.
Aquilo que começa como um documentário distante e algo impessoal transforma-se muito rapidamente num simpático e bem disposto relato sobre a vida deste conjunto de amigas que perdidas no meio de um interior perdido resolvem transformar as suas próprias vidas num sonho colorido repleto de fama e estrelato entretendo aqueles que, tal como elas, se encontram distante do reboliço de um mundo dito "moderno".
Bem disposto e com um passo ritmado e muito humorado, Garotas da Moda é o tal "ice-breaker" que este festival precisava ao mesmo tempo que se compromete a mostrar uma história real e pessoal.
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7 / 10
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Boa Noite Cinderela (2014)

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Boa Noite Cinderela de Carlos Conceição é uma curta-metragem portuguesa de ficção presente na secção de Competição de Curtas-Metragens desta 18ª edição do QueerLisboa - Festival Internacional de Cinema Queer que decorre no Cinema São Jorge, em Lisboa.
Estamos em 1859. Após a meia-noite Cinderela - a Criada - (Joana de Verona) foge deixando para trás um dos seus sapatos de cristal. O Princípe D. Luís (João Cajuda) quando escontra este invulgar sapato resgata-o encetando uma missão para encontrar o seu par com a ajuda do seu fiel escudeiro D. Afonso (David Cabecinha).
Lembram-se da história da Cinderela e todo aquele conto infantil de encantar? Esqueçam-no... Aqui não só a perspectiva apresentada por Carlos Conceição é através do olhar do Principe e não de uma qualquer potencial Princesa como, acima disso, passamos de um conto de encantar a uma história carnal e de um fetichiscmo lascivo que nos faz apontar Boa Noite Cinderela como o primeiro grande filme erótico da década. Aqui o romantismo que qualquer conto de encantar nos habituou ficou à porta dando lugar a uma história onde o desejo - carnal ou não - é o elemento chave para todas as acções.
Quando esperamos de um conto de encantar uma história onde o romance é o mote principal para o desenrolar da história, Boa Noite Cinderela prova ao espectador que o romantismo apenas existe nas exuberantes paisagens naturais de Sintra onde esta história é filmada ao mesmo tempo que confirma que os contos apresentados por Conceição são, à semelhança do que já acontecera com Carne (2010) e Inferno (2011), verdadeiras histórias de desejo, carnais, intensas, físicas e suficientemente exibicionistas para tornarem qualquer espectador num elemento participativo e, como tal, voyeurista per si.
O trio de personagens são também elas bastante curiosas. Se normalmente temos o principe e a princesa que desejam viver uma história de amor que está na maior parte do tempo desencontrado sendo ocasionalmente auxiliados por algumas das personagens que lhes estão mais próximas, Boa Noite Cinderela apresenta toda uma diferente e entusiasmante dinâmica quando coloca como protagonistas "Principe" e "Escudeiro" numa relação homo-erótica "assumidamente não assumida". "D. Luís" enquanto principe que desespera por encontrar o sapato perdido e satisfazer assim o seu mórbido desejo por um par de sapatos exuberante e vistoso que o excita sexualmente, não deixa de demonstrar ao mesmo tempo uma constante atracção pelo seu mais próximo "D. Afonso" que se percebe exercer sobre ele um fascínio evidente.
A presença da "Criada/Cinderela" é apenas uma afronta a "D. Afonso" que teme perder o seu lugar de eleição junto de "D. Luís" estando este unicamente interessado em satisfazer o seu fetiche... O encontro deste último com a portadora do sapato assim o prova... ele satisfaz o seu fetiche pelos pés da mesma não por sentir por ela qualquer desejo, ou sequer interesse, mas sim por esta ter usado nos seus pés tão preciosos sapatos. Que o confirme o único momento "sexual" deste filme entre o principe... e o sapato.
Aqui nem o principe é encantado, nem a "Cinderela" uma devota apaixonada. Pelo contrário, ambos sentem apenas prazer com aquilo que o outro lhes pode fornecer. O Principe apenas deseja satisfazer o seu fetiche que "Cinderela" lhe pode fornecer sendo que esta, no entanto, deseja fortemente um outro estilo de vida apenas possibilitado pelo primeiro... Num mundo imperfeito onde as classes bem estratificadas existem, apenas o principe se safa podendo ignorar que lhe é "inferior" e vivendo de uma qualquer entrega carnal - não confirmada - de um fiel "D. Afonso" que além de um potencial amigo será também seu fiel amante e zelador dos seus (de ambos) interesses, vivendo esta três personagens num seio de intrigas palacianas, silêncios ruidosos e desejos nem sempre escondidos numa trama assumidamente carnal, física e quanto baste explícita.
Se Joana de Verona é já um nome confirmado para o - bom - futuro do cinema português (sorte do realizador que a consegue ter num filme) pois consegue impôr-se naturalmente tanto em interpretações mais suaves como - aqui confirmado - nas mais intensas e desafiantes, João Cajuda assume-se como a grande e agradável surpresa com o seu "D. Luís", não só pela exposição em que se coloca como pela intensa perversão com que interpreta o seu principe pouco encantado. Raras são as interpretações ditas "de risco" que conseguem cativar o espectador pela sua entrega e disponibilidade para um desempenho que certamente não será fácil. Mais raras são quando denotam que o seu intuito é pouco altruísta mas assumidamente egoísta ao representar apenas e só o seu próprio ímpeto para com um desejo que quer satisfazer, ignorando todos os demais em seu redor ainda que, por um deles, mantenha um igual desejo (talvez por conveniência) não assumido.
Finalmente, e longe de ser menos importante, é a intensa e possivelmente central interpretação de David Cabecinha como "D. Afonso", o escudeiro, fiel amigo e muito provavelmente amante do principe que tudo vê, tudo sabe e tudo faz para salvaguardar a sua posição junto do mesmo e satisfazendo assim os seus próprios desejos homo-eróticos (mais ou menos reprimidos nunca sabemos), eliminando - pensamos - toda a concorrência à sua volta naquele que é um improvável, mas aqui certo, triângulo não amoroso mas de consumação de desejos.
E se o argumento de Carlos Conceição é uma intensa e brilhante reflexão sobre o desejo e a sua materialização, e se as interpretações dos três actores se complementam pela excelência, Boa Noite Cinderela é ainda um dos mais fortes filmes do ano a nível técnico ao entregar alguns dos mais ricos elementos de composição de espaço que vi nos últimos tempos. A direcção artística de João Rui Guerra da Mata é, sem margem para qualquer dúvida, um dos pontos fortes deste filme colocando todos os espaços com pequenos detalhes que desejamos devorar visualmente onde tudo tem o seu espaço numa magnífica composição de época que é enriquecida por um guarda-roupa e uma caracterização de Rita Alvares Pereira dificeis de superar.
Finalmente um apontamento à direcção de fotografia de Vasco Viana que transforma toda a Serra de Sintra num espaço enigmático - tão ou mais que as personagens aqui retratadas - e que a transformam numa misteriosa quarta "personagem" capaz de definir muito do clima perfeitamente imperfeito que se pretende retratar.
Boa Noite Cinderela dá assim continuidade a uma obra de Carlos Conceição que retrata um certo despertar sexual das suas personagens mas aqui livre de complexos, de culpa, de restrições ou de tabus, exacerbando não só os desejos como a vontade de os tornar parte de um quotidiano - o deles - distanciando-se de qualquer conto de fadas que, apesar de presente, se torna apenas num pequeno alicerce de algo maior... o lado escuro de cada uma dessas personagens "encantadas".
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10 / 10
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But You Are a Dog (2014)

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But You Are a Dog de Malin Erixon é uma curta-metragem de animação sueca que esteve presente na secção Competição de Curtas-Metragens do QueerLisboa - Festival Internacional de Cinema Queer a decorrer no Cinema São Jorge, em Lisboa.
Nesta animação o espectador é levado a um teatro no qual se prepara um espectáculo. Enquanto se espera deparamos com uma plateia concentrada nos seus próprios problemas mas que, no entanto, consegue ter um pouco de tempo para reparar na invulgar relação entre um homem... e o seu melhor amigo.
Ainda que Malix Erixon nos entregue uma, também ela, invulgar abordagem sobre o que é de facto uma relação e o quão alternativa a mesma pode ser, But You Are a Dog não deixa de ser uma animação interessante pela mensagem que pretende transmitir sem que, no entanto, crie uma proximidade para com o espectador. Com alguns momentos cómicos muito pontuais e com uma abordagem à relação Homem/Animal (aqui óbvio graças ao seu título), não deixa de ser curioso como se retrata uma potencial "relação" entre duas espécies que, em certa medida, mal comunicam. No entanto a abordagem e a analogia aqui recriada conseguem ser vencedoras pela forma perspeciaz e atenta como se interligam e que dão real destaque a uma relação - pouco convencional - forçando o espectador a conscientemente pensar sobre a verdadeira questão: o que é de facto uma relação "normal"?
Sem diálogos e com alguns momentos excessivos, But You Are a Dog é uma daquelas curtas-metragens às quais não ficaremos indiferentes mesmo que a animação, ou até mesmo as suas personagens, não sejam as mais amistosas para se criar um elo de ligação visto que, entre elas, existe também uma própria desmistificação do "papel" que cada uma delas deverá (deveria?) desempenhar.
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6 / 10
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terça-feira, 23 de setembro de 2014

Cigano (2013)

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Cigano de David Bonneville é uma curta-metragem portuguesa de ficção em competição na secção de Curtas-Metragens do QueerLisboa - Festival Internacional de Cinema Queer a decorrer no Cinema São Jorge, em Lisboa e que já tem o seu próprio percurso em festivais internacionais de cinema.
Sebastião (Jaime Freitas) é um jovem de classe alta que tem um pneu furado no seu carro. Zé-Tó (Tiago Aldeia), é um cigano que se encontra nas redondezas e se dispõe a ajudá-lo.
Quando o serviço termina Sebastião tenta pagar pelo tempo de Zé-Tó mas, no entanto, aquilo que este pretende é uma boleia até ao Casalinho da Ajuda... irá esta inesperada boleia fomentar uma inesperada relação entre ambos?
David Bonneville assina o argumento desta complexa e sedutora história que o espectador pode interpretar sob diferentes perspectivas. Por um lado, e talvez aquela em que pensemos logo de início, reside na perspectiva em que um elemento se impõe ao outro - Zé-Tó em relação a Sebastião - e na qual a sua presença se faz sentir de uma forma desagradável e invasiva. Se na prática ninguém lhe pediu ajuda, "Zé-Tó" assume que o seu auxílio é o último reduto. Mais ninguém de todos aqueles que por ali circulam poderá ajudar "Sebastião" e, ao mesmo tempo, também ele precisa de ajuda (será?) para chegar ao seu destino.
A segunda perspectiva, e que de certa forma funciona como um apêndice da anterior, prende o espectador a um momento em que certas barreiras culturais - e talvez étnicas - se esfumam dando lugar a dois intervenientes que aos poucos se assumem como iguais. Ainda que forçadamente, o "cigano" impõe a sua presença de forma incómoda... apesar de o olharmos como uma figura simpática não sabemos qual o seu real intuito nem tão pouco as suas motivações mas, aos poucos, quebra a barreira que pode separar o "betinho do Restelo" do potencial "marginal do Casalinho da Ajuda" tornando-se naquilo que na prática é desde o primeiro momento... um seu semelhante. Se as barreiras sociais e culturais existem inicialmente, não é mesmo verdade que aos poucos se esbatem... primeiro pela cedência - forçada - de uma boleia, depois por um cigarro que se tira do mesmo maço e depois pelo "charro" que se fuma e, finalmente, pela potencial cerveja que ambos vão beber - ou que é pelo menos seguerida por um deles - como se de dois amigos se tratassem.
Finalmente temos ainda uma perspectiva mais íntima, uma que apela à sedução que "Zé-Tó" inicialmente exerce sobre "Sebastião" e que, apesar de não ser directamente retribuída, também não é negada ou repudiada, sendo que é quando o primeiro pretende sair do carro que o segundo o tranca e arranca rumo a parte incerta denotando uma presença que aos poucos se tornou indispensável misturando no seu segmento final uma forte combinação física ao mesmo tempo que induz o espectador para um desfecho que apesar de incerto pode não ser o mais positivo... Afinal o que aconteceria se o condutor do carro em que seguimos o trancasse impedindo-nos de sair?
A tensão que aos poucos aumenta dentro daquele carro transforma-se a cada segundo que passa um terceiro elemento na medida em que aquele espaço que existe entre um e outro diminui radicalmente, muito também graças a uma direcção de fotografia de Vasco Viana que parece com a luminosidade que capta fazer de uma aparentemente normal tarde num clima que parece saído de um local exótico e tropical onde os corpos transpiram e as mentes ficam impacientes. Repentinamente eles tornam-se semelhantes e a curiosidade que ligou um ao outro torna-se mútua ainda que não assumida. Num momento inicial "Sebastião" não deseja que "Zé-Tó" esteja por perto mas, ao mesmo tempo, também não o renega abrindo-lhe sempre a porta. Quando pensa que o seu "invasor" desapareceu estranha e olha em seu redor e é quando este reaparece que o deixa, uma vez mais, entrar dentro do seu carro impedindo até, momentos mais tarde, que este saia levando-o com ele numa viagem da qual desconhecemos o seu final.
Ainda que Jaime Freitas seja a presença silenciosa de Cigano, não deixa de ser verdade que é aquela que mais tensão provoca não só pelos seus incomodativos silêncios num claro reflexo de que pretende ignorar quem se encontra ao seu lado como, ao mesmo tempo, se transforma naquele que consegue ter o único olhar intimidante de toda esta curta-metragem já próximo do seu final quando pensa perder a companhia de "Zé-Tó". Tiago Aldeia é, por sua vez, a encarnação do cool ao tornar-se na ajuda para todo o serviço, no descontraído que se apodera mais ou menos naturalmente do espaço em que se encontra entregando todos os momentos cómicos da curta-metragem e, finalmente, no "sedutor" do qual o "seduzido" já não se pode - ou quer - livrar.
Cigano tem ainda o grande bónus de nos permitir equacionar qual o destino destas duas personagens - incerto em certa medida - e desejar a sua continuidade. Saber o "e depois"... o que lhes aconteceu, como, e se, se relacionaram. De que forma esta inexplicável e improvável amizade se transforma aos olhos do espectador numa aparente e desejada cumplicidade que cresce em cada um deles de forma distinta e pausada. Cigano é, no final, aquele filme que queremos ver e que nos permite pensar (imaginar) mais ou menos ponderadamente sobre a inevitabilidade de certas relações, conhecimentos ou amizades e como elas mudam de uma ou outra forma os destinos de cada um de nós.
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"Zé Tó: 'Tás com medo do cigano?"
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9 / 10
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Carreteras (2013)

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Carreteras de Denisse Quintero é uma curta-metragem mexicana de ficção presente na secção competitiva de Curtas-Metragens no QueerLisboa - Festival Internacional de Cinema Queer a decorrer no Cinema São Jorge, em Lisboa.
Carmela é uma jovem que leva uma vida pacata no campo onde cuida do seu avô, até que Abril, uma jovem mais cosmopolita chega à loja onde trabalha. Quando o carro desta avaria e ela passa duas noites na casa de Carmela, as duas desenvolvem uma atracção física e sentimental que irá quebrar o estilo de vida de ambas.
É no final, quando tudo aparenta tomar um novo ritmo que as duas jovens têm de tomar a decisão das suas vidas.
Nesta primeira curta-metragem enquanto realizadora Quintero, também a autora do argumento, entrega uma história que se inicia quase como pueril e vivida em silêncio como, muito rapidamente, faz o espectador emergir numa história carnal e de sedução latente que tão depressa se inicia como termina. A história, fluente e interessante, merecia um maior desenvolvimento eventualmente só possível com uma longa-metragem que explorasse um pouco do passado destas duas jovens mulheres e que permitisse assistir ao seu envolvimento não numa perspectiva voyeurista mas sim pelo interesse na sua assumida e crescente dedicação, empatia e sedução limitando-se aqui apenas aos lugares comuns de um amor homossexual correspondido mas que se ameaça perder em pouco mais de 48 horas.
Simpática pelas interpretações e pela conclusão (in)esperada, Carreteras é, no final, uma curta-metragem que demonstra ser capaz de ir muito mais longe na sua potencial concretização em algo "maior".
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6 / 10
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I Love Hooligans (2013)

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I Love Hooligans de Jan-Dirk Bouw é uma curta-metragem de animação belga-holandesa presente na secção competitiva de curtas-metragens do QueerLisboa - Festival Internacional de Cinema Queer a decorrer no Cinema São Jorge e que possivelmente constituiu a maior surpresa do dia devido à sua temática e à forma como esta é abordada.
Nesta curta-metragem cujo argumento é também da autoria de Bouw, o espectador explora através de uma fantástica animação, o universo do holliganismo. Desde os rituais diários que passam pela droga e pelo alcoól até um fanatismo quase cego a favor de um clube desportivo e da sua consequente glorificação.
No entanto, o que acontece quando um desses mesmos hooligans leva uma vida dupla onde em público é um fervoroso fanático pelo seu clube de futebol e em privado alguém que sofre com a solidão, com a falta de segurança e amor e por ter de aparentar um carácter rude para esconder a sua (homos)sexualidade.
Jan-Dirk Bouw wxplora assim um mundo de aparências, de inuendos e de jogos sociais que funcionam apenas para bem das aparências e de um status de grupo que poderia ser danificado caso a verdade sobre os sentimentos deste indivíduo fossem revelados para o mundo. Sentimentos esses que são assim sacrificados colocando de lado toda a sua integridade emocional e afectiva que o transformam não num pária social mas num ser só e solitário que apenas anseia aquilo que a sua vida dita pública não lhe permitem ter. Em nome de um tem de sacrificar o outro e para se sentir completo tem (terá!) de abdicar de uma das suas grandes paixões ou, segundo ele, ser o alvo de uma ostracização imediata.
Bouw recria esta história baseada em factos reais de uma forma pertinente e muito inteligente na qual recorre ao uso da animação - mais ou menos violenta tanto na mensagem como nas palavras - suavizando a temática que é, essencialmente, forte, mordaz e suficientemente preocupante se pensarmos num indivíduo e numa vida não completos e que são, na prática, o fruto de uma socialização nunca completa.
No final o espectador questiona-se qual o ponto que determina que as acções praticadas em nome desse tal bem-estar social são justificadas principalmente quando se coloca em risco o bem-estar psicológico e emocional de um indivíduo que tudo faz para ser feliz mas que na prática definha a cada dia que passa por se sentir obrigado a esconder - e não viver - uma parte significativa da sua vida.
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8 / 10
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Frei Luís de Sousa (2014)

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Frei Luís de Sousa do Colectivo Silly Season é uma curta-metragem portuguesa de ficção a concurso na secção competitiva de Curtas-Metragens da décima-oitava edição do QueerLisboa - Festival Internacional de Cinema Queer a decorrer no Cinema São Jorge.
Esta curta-metragem é a recriação da história homónima de Almeida Garrett que tem a particularidade de nos apresentar todo o conto não através de um conjunto de elaborados cenários mas sim através das expressões dos actores tendo ao mesmo tempo a narração de toda a história a acompanhar.
Se este conto é uma história intemporal e capaz de dinamizar qualquer cinéfilo mais atento e disponível para a mesma, é igualmente verdade que o breve vislumbre que temos do guarda-roupa aqui utilizado, da autoria de Os Burgueses, dá um toque de modernidade à curta-metragem e despoleta uma curiosidade em que este pudesse ter mais "tempo de antena". No entanto, Frei Luís de Sousa mantém-se quase única e exclusivamente numa narração desenfreada - e repetida - da obra tal como a conhecemos e num ritmo acelerado que nos dá uma leve impressão de que ou nós, ou a referida narração, estamos numa breve trip de ácidos e a ler um texto como se fosse missão chegar ao final sem qualquer expressividade dramática.
Este ritmo fast-forward com que a história dramática é contada é de tal forma sem nexo que a certa altura o espectador é forçado a pensar que está de facto a alucinar tornando todo o projecto - e filme - numa experiência risível e perfeitamente hilariantes desejando apenas que o final chegue para rapidamente tudo se esquecer, tendo de seguida dado origem a um Q&A tão silencioso que se escutavam as moscas a percorrer a sala.
Ainda com boa parte da competição de curtas-metragens por ver é seguro dizer que Frei Luís de Sousa é assumidamente a mais fraca - não frágil - de todas pois tem implícito um potencial que não explora e um detalhe técnico - o guarda-roupa - que poderia ser um dos pontos fortes de todo o filme mas que aqui é apenas "sugerido" e nunca absolutamente confirmado.
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1 / 10
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Fucking Tøs (2013)

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Fucking Tøs de Kira Richards Hansen é uma curta-metragem dinamarquesa de ficção presente na secção competitiva de Curtas-Metragem do QueerLisboa - Festival Internacional de Cinema Queer a decorrer no Cinema São Jorge até ao próximo dia 27 de Setembro.
Alex (Rosalina Krøyer) é uma pré-adolescente cujos únicos amigos são rapazes com quem se diverte a beber, fumar e grafitar as paredes de locais abandonados. Quando um dos seus amigos lhe revela gostar da sua companhia e esperar mais dela, ao primeiro beijo sucede-se um conjunto de comportamentos de repúdio que irão testar a amizade de ambos.
É então que o espectador é confrontado com a possibilidade de Alex estar, ou não, preparada para a sua primeira abordagem à sexualidade...
O argumento da autoria de Signe Søby Bech remete-nos para a tal existência pré-adolescente onde quase fora de uma juventude inocente na qual as diversões são o único propósito de vida, os seus intervenientes vêem-se a braços com a descoberta da sua identidade sexual, do corpo e dos potenciais parceiros com os quais sentem uma maior proximidade. É então que a jovem "Alex" - numa forte interpretação mas ainda com muito por explorar de Krøyer - sente com algum repúdio a feminilidade do seu corpo e dos comportamentos que se esperam de uma jovem adolescente que se vê de certa forma forçada a gostar do rapaz que mais perto de si se encontra. É esta mesma pré-adolescência que é por si repudiada com comportamentos mais masculinos (ou pelo menos mais indiferentes) para com aquilo que deve sentir e particularmente para com as demais raparigas que já exibem as alterações físicas típicas da idade.
Auto-remetida para um contexto mais masculino, mais físico e rude, "Alex" é assim impelida a afastar aquele que é o seu mais próximo amigo como claro sinal de que a aparente e inevitável mudança não é desejada nem sequer admirada. Pelo contrário, ela entende que o estado dito normal é aquele que teve até então, despreocupada mas já não infantil onde a afirmação chega não pelo corpo ou sexo que tem mas sim pelos comportamentos de grupo que havia exibido até então.
Interessante pela abordagem diferente ao chamado "coming of age", Fucking Tøs deixa, ao mesmo tempo, a sensação de filme por cumprir onde claramente existe tanto por explorar mas que a certa altura ficou resolvido apenas explorar aquele interesse natural do espectador sem, no entanto, lhe permitir fica a conhecer toda a história que está para além do que foi mostrado. Ainda que não seja um aparente candidato ao prémio da referida competição Fucking Tøs não deixa de ser "aquele" projecto que deveria mais tarde transformar-se numa longa-metragem.
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7 / 10
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Matterhorn (2013)

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Matterhorn de Diederik Ebbinge é uma longa-metragem holandesa presente na secção Panorama da décima-oitava edição do QueerLisboa - Festival Internacional de Cinema Queer a decorrer até ao próximo dia 27 de Setembro no Cinema São Jorge e na Cinemateca Portuguesa, em Lisboa.
Fred (Ton Kas) é um conservador e respeitável viúvo que vive uma vida solitária. Subitamente surge na sua vida Theo (René van't Hof), um homem com alguns problemas psicológicos que Fred acaba por proteger de forma instintiva e quase paternal.
A próxima relação entre estes dois homens começa a afectar a pequena comunidade onde Fred vive ao mesmo tempo que faz ressurgir velhos problemas que tem por resolver do seu passado.
Ebbinge também escreveu o argumento de Matterhorn naquela que é uma história que vai muito para além da simples amizade "construída" entre dois homens. Este argumento faz-nos viajar até um mundo que de certa forma desconhecemos pela rudeza com que os sentimentos, ou a sua expressão, são socialmente reprimidos e condenados antes sequer de poderem nascer dando lugar e especial atenção a comportamentos ditos mais aceitáveis para a comunidade onde a acção se desenrola. No fundo aquilo que assistimos em Matterhorn não se prende tanto com o que será socialmente aceite mas sim com aquilo que será mais socialmente compreensível para a manutenção de uma paz podre, falsa e com um código estabelecido e que ninguém discute.
No entanto, e como as boas histórias de auto-descoberta assim o permitem, a história por detrás de Matterhorn faz com que o espectador se emocione com a simplicidade daqueles que se permitem um dia o luxo de "sentir". Sentir a falta, a perda, o luto, a mudança, a novidade, o desconhecido, todos ou um só que pouco a pouco vão modelando o comportamento daqueles que se deixam afectar. Tudo começa com uma rotina que durante tempos não especificados se torna o dito "normal", aquelas situações que ninguém questiona por culturalmente sempre foram tidos como os correctos a seguir mas, no entanto, quando um elemento novo se instala - ainda que naturalmente - todos os demais vão  sentir os seus efeitos, e aqui esse elemento surge pela presença de um homem - "Theo" - que após um acidente que o deixou mentalmente afectado se transforma num ser simples, praticamente infantil, para quem os prazeres da vida (se os entender como tal) mais não são do que comunicar com os animais na sua própria linguagem e fazer inadvertidamente rir aqueles que com ele se cruzam. É esta relação estabelecida com "Fred" que vai mudar este último e obrigá-lo a quebrar as suas enfadonhas rotinas que o prendiam a costumes que, na prática, nunca deveriam ser os seus. Primeiro com a inserção de uma nova pessoa na sua vida com o propósito de auxiliar alguém em necessidade e depois através dos hábitos que quebra para refundar um novo sistema e uma nova vida, este homem ultra-conservador desafia toda uma comunidade que agora o irá questionar e pressionar a uma vida que não se conjuga com os seus padrões.
Matterhorn é assim uma reflexão sobre a aceitação da - e pela - diferença que obriga o espectador a questionar-se sobre o que é verdadeiramente a "normalidade" (será que ela existe realmente), e sobre os novos estilos de vida, aqueles que independentemente de não serem comuns são os que definem e caracterizam cada um de nós na sua especificidade e que em primeira e última análise nos fazem sentir e viver. Os segmentos da vivência em comunidade com que Matterhorn nos apresenta aquela pequena comunidade são reveladores. Desde os instantes em que inicialmente conhecemos aquela pequena e fechada povoação passando pelos momentos em que o repúdio pela novidade e, como consequência, para com aquele que a permite entrar, o espectador percebe de imediato a incongruência com que as personagens "vivem" quando têm como momento alto da sua existência palavras de "paz" mas como quando alguém dela necessida lhe fecham a porta por não ser "um do grupo". A hipocria sobre as palavras de Deus afecta de imadiato a atenção do espectador na exacta proporção com que simpatiza e se entrega à vivência daqueles dois homens entre os quais nasce uma relação de profunda amizade, conforto, carinho e entrega que se percebe não poder se abalada e que faz "Fred" questionar-se sobre todas aquelas pequenas situações e momentos que considerara, até então, como importantes e prioritárias. Sendo ele um homem com uma família desfeita pela tragédia, não estará em condições de abraçar aquilo que tem e que repudiou?
Com uma interpretação desarmante e intensa, Ton Kas conquista o espectador desde o primeiro instante; do seu conservadorismo até à revelação de um coração maior que ninguém - talvez nem o próprio - percebia ter, é da sua expressividade que surge um calor intenso que nos obriga naturalmente a empatizar com aquele homem e com a sua história... ele não é mau, talvez um pouco severo, mas nada que não seja o resultado directo de uma educação austera e, também ela, conservadora.
Por sua vez René van't Hof é, com a sua interpretação praticamente minimalista, a força motora de toda uma transformação que na prática afecta uma comunidade inteira ainda que por pequenas parcelas de cada vez. É na sua consequência que se descobrem velhos medos, rivalidades e inseguranças mas ao mesmo tempo é através dela que se conquistam todos os momentos de comédia, sem excepção, para com a qual facilmente nos rendemos, fazendo desta dupla improvável de actores uma das mais apetecidas dos últimos tempos.
Energético, comovente e divertido, Matterhorn é um daqueles filmes que sem se focar directamente numa temática homossexual característica do QueerLisboa consegue, no entanto, abordar uma diferente perspectiva sobre os nossos estilos de família, de relacionamentos e de amizade que por muito diferentes e alternativas possam parecer aos olhos dos demais são, na prática, aquelas que se apresentam mais fiéis, honestas e receptivas e que através da diferença caracterizam aquela réstia de humanidade que existe dentro de cada um de nós. No fundo, Matterhorn é uma agradável e sentida surpresa cuja sensibilidade a ninguém deveria ficar indiferente.
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8 / 10
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segunda-feira, 22 de setembro de 2014

The Madwoman of Chaillot (1969)

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A Louca de Chaillot de Bryan Forbes é uma longa-metragem de produção norte-americana e britânica à qual a actriz Katherine Hepburn dá corpo enquanto a "Condessa Aurelia".
Numa Paris em convulsão ideológica, a Condessa Aurelia (Hepburn) terá de enfrentar os perigos de uma nova sociedade. Nesta chamada à realidade por parte daqueles ilustres sonhadores que com ela convivem diariamente, a Condessa terá ainda uma última palavra a dizer sobre aquilo que tanto a faz (fez) mover... o verdadeiro amor. 
O argumento de Edward Anhalt, baseado livremente na peça homónina de Jean Giraudoux, leva o espectador a uma Paris em pleno calor social e ideológico dos finais dos anos 60 onde uma excêntrica mulher interpretada por Katherine Hepburn vive na (des)ilusão de uma sociedade perfeita onde o bem reina sobre o mal, a justiça sobre o engano e onde a realidade mais não é do que um mero desejo de alguém que resolveu esquecer os malefícios de uma sociedade onde os valores de moral não correspondem àqueles que a mesma viveu e idealizou.
Neste mesmo mundo, as pessoas já não se movem por ideais de nobreza, por valores de fraternidade ou tão pouco pelo mútuo respeito a que deveriam ser obrigados. O mundo, depois de duas guerras mundiais e de uma convulsão e agitação social e política, mudou... Mudou para outro tipo de valores mais "modernos" e tidos como os verdadeiros deste século XX que parecia - então - estar realmente no seu início. O poder, a ganância, a mentira, o dinheiro e o lucro fácil e rápido movem agora os homens de todos os estratos, de todas as profissões e de todos os quadrantes... A influência que estes exercem ou podem ter sobre os demais condiciona não aos próprios mas os mundos que habitam e onde circulam sendo tudo uma questão de preços e favores, de inuendos e de esquemas fáceis onde ludibriar é a palavra de ordem.
É nesta Paris que a "Condessa Aurelia" repentinamente "acorda" depois de um sonho profundo que vivera de olhos abertos fruto de um qualquer desgosto amoroso que se cumprira anos antes. "Aurelia" é, para o bem e para o mal, o resultado final de uma outra sociedade tida como nobre de valores, de condição e de moral que se perdera pelos trágicos destinos que o mundo assistira anos antes e que o levariam a uma destruição e divisão sem limites e fins aparentes. Neste mundo onde todos aparentam querer sobreviver "à grande", poderá existir ainda um lugar para os eternos sonhadores que esperam algo mais de uma nova ordem destinada a preservar apenas os mais fortes... e por "mais fortes" entenda o espectador que são aqueles capazes de sobreviver graças ao poder da sua influência sobre os demais e dinheiro que exibem?!
Excessivamente teatralizado - eventualmente o problema maior deste The Madwoman of Chaillot - aquilo que aqui sobressai - para lá do elenco de luxo do qual fazem parte a já referida Hepburn e ainda Yul Brynner, Paul Henreid, Oskar Homolka, Richard Chamberlain, Edith Evans, Giulietta Masina e ainda Donald Pleasence - é a forma como se retratam os vários sectores que, dentro de uma sociedade, deveriam zelar pelo bem-estar, prosperidade e igualdade de toda uma comunidade... do poder político ao judicial, da ordem moral e religiosa às instituições financeiras e políticas, todos zelam apenas e só pelo seu próprio bem-estar, pela sua própria prosperidade e pelo seu próprio enriquecimento fácil e rápido desprezando violentamente todos os demais considerados pelos próprios como líricos, poéticos e facilmente manobráveis. Assim, a sociedade mais negra, desconfiada e realisticamente negativa avança rumo a nada, sobriamente (des)contentes com uma nova realidade que os amordaça a uma vida feita dia-a-dia sem perspectivas, sonhos ou ideais agora lentamente declarados como mortos.
The Madwoman of Chaillot é uma longa-metragem poeticamente tentada mas desencantada pela realidade da sua época em plena transformação e que apenas se confirmaria ainda mais pelos anos vindouros que "celebra" a percepção de um mundo desejado mas desaparecido... os sonhos sonhados mas perdidos e a confirmação de que no mesmo vence o anonimato, o desdém e um certo cinismo face àqueles que ainda os ousam tentar e ter... do sonho ao desejo... da esperança de um amor a uma vida... feliz agora compreendidos como (im)possíveis.
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"The Ragpicker: No one is involved with anyone anymore. There - there's been an invasion, an infiltration. The world isn't beautiful any longer. The world is not happy.".
6 / 10
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European Film Awards 2014 - Filmes de Animação nomeados

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A Academia Europeia de Cinema cuja cerimónia dos seus prémios anuais se realizará no próximo dia 13 de Dezembro em Riga, na Letónia, acaba de anunciar os três filmes de animação nomeados na respectiva categoria, representantes de três países europeus.
Estão assim nomeados os filmes:
  1. L'Arte della Felicitá, de Alessandro Rak (Itália)
  2. Jack et la Mecanique du Coeur, de Mathias Malzieu e Stéphane Berla (França/Bélgica)
  3. Minuscule - La Vallée des Fourmies Perdues, de Thomaz Szabo e Hélène Giraud (França/Bélgica)

sábado, 20 de setembro de 2014

George Sluizer

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1932 - 2014
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Wicker Park (2004)

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O Apartamento de Paul McGuigan é uma longa-metragem norte-americana e remake da obra francesa L'Appartement (1996), de Gilles Mimouni que relata a história de Matthew (Josh Hartnett), um publicitário de Chicago que no momento em que prepara uma viagem para a China julga encontrar Lisa (Diane Kruger), a mulher por quem se havia apaixonado dois anos antes.
Numa luta contra o tempo, Matthew tenta reconstruir todos os passos desse tempo, encontrar Lisa numa cidade onde os pequenos reencontros parecem proporcionar-se ao mesmo tempo que se depara com Alex (Rose Byrne), uma outra mulher que assume a identidade de Lisa vivendo todos os momentos que ela vive com um único propósito... o amor de Matthew.
Brandon Boyce adapta ao ambiente norte-americano o enredo da longa-metragem francesa criando pouca, se é que alguma diferença, mantendo dessa forma a inevitável comparação e comentário óbvio do seu espectador... "já o vi no filme francês... e melhor". Não retirando qualquer potencial a esta obra, Wicker Park consegue manter um interessante elemento... a direcção de fotografia de Peter Sova que consegue recriar todo um ambiente que, por vezes, se assemelha a uma thriller hitchcokiano - sem o ser - mantendo toda uma atmosfera negra onde ocasionais vultos, percepções erradas que oscilam com os desencontros habituais e espaços potencialmente amplos que se fecham num "lar" de sombras se assumem para formar um insuspeito drama onde o romance tarda a chegar.
Não existem grandes novidades dignas de registo em Wicker Park. Aquilo que aqui temos acaba por ser uma réplica em língua inglesa do seu original potencialmente dirigida para um público norte-americano que, dificilmente, opta por um filme com legendas. Temos todos os lugares comuns esperados para esta obra, todos os momentos matematicamente estudados para que corresponda, na íntegra, à obra francesa e apenas os actores divergem mantendo-se aqui uma saga transcontinental com actores norte-americanos, alemães e australianos naquele que poderá ser um piscar de olho aos respectivos mercados.
É um facto que esta obra entretém, na medida do possível, e que o tempo passa muito rapidamente não deixando espaço para indecisões ou momentos mortos. Das interpretações, dinâmicas quanto baste, existe o claro destaque para Rose Byrne como a (não) secundária que acaba por fazer mover e interferir nos destinos de todos mantendo-se como o motor de um enredo que se alterou no tempo graças à sua acção. Nenhuma das personagens ao seu redor - nem a interpretada por Hartnett, nem a de Kruger ou tão pouco a de Lillard - teriam qualquer conteúdo não fosse a sua decisão de alterar os seus destinos em própria conveniência. Por amor, por solidão ou até mesmo pela simples capacidade de o poder fazer, a "Alex" de Byrne é uma mulher desesperadamente solitária capaz de tudo para poder ter um vislumbre do seu amor. Incapaz de prejudicar por mal ou despeito, "Alex" é uma mulher que conhece de perto a solidão e teme-a com mais ímpeto do que o próprio receio de ser descoberta em todo o seu jugo e é apenas o seu olhar desesperado que consegue revelar - ao espectador - que as suas motivações no passado foram alvo de uma extrema necessidade de encontrar em "Matthew" alguém que a ame... tal como ela é... ignorando o "patinho feio" que sempre se achou e que pensa que os demais encontram no seu rosto.
À parte da imensa interpretação de Byrne - motivo pelo qual esta longa-metragem obteve a pontuação tão "alta" que lhe conferi -, Wicker Park é um filme com todosos lugares comuns das histórias de amor baseadas em encontros e desencontros que definem vidas, momentos, histórias, romances, perdas ou vitórias. Tudo o que gira em torno de "Alex" é perfeitamente reconhecível em todos os demais contos românticos que encontramos na Sétima Arte inclusive os dramas vividos por estas personagens.
Satisfatório mediante um ponto de vista global enquanto obra de género e potencialmente desnecessário enquanto remake de uma obra que era - à altura - ainda recente no imaginário do cinéfilo mais atento, Wicker Park é o filme esperado para qualquer noite de cinema mais tranquila onde não sejam de esperar grandes acontecimentos da obra, para os fãs dos actores em questão ou mesmo para aqueles que se sintam curiosos sobre até que ponto o remake pode ser diferente... quando na realidade quase nunca o chega a ser. Para todos os demais apreciadores de um bom drama ou romance... certamente no final perceberá que já viu mais... e francamente mais coeso.
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"Matthew: Things don't have to be extraordinary to be beautiful, even the ordinary can be beautiful."
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6 / 10
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sexta-feira, 19 de setembro de 2014

QueerLisboa - Festival Internacional de Cinema Queer 2014

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QueerLisboa
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Festival Internacional de Cinema Queer
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19 a 27 de Setembro de 2014
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Cinema São Jorge
e
Cinemateca Portuguesa
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quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Shortcutz Xpress Viseu - Sessão #34

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O Shortcutz Xpress Viseu está de volta para a sua 34º sessão com o habitual segmento das Curtas em Competição no qual serão exibidas as curtas-metragens Homecoming, de Filipe F. Coutinho e ainda Cigano, de David Bonneville que estará representado pelos actores Tiago Aldeia e Jaime Freitas.
Finalmente no segmento Shortcutz Around the World, o SXV irá exibir a curta-metragem Little Hands, de Rohin Raveendran Nair, da Índia.
Para todos aqueles que pretendem passar uma boa noite de cinema curto não se esqueçam de se dirigirem, depois das 22 horas, à Só Sabão, no Largo de São Teotónio nº30, por detrás da Sé e disfrutar daquilo que se faz de bom no cinema em formato mais curto.
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Água para Tabatô (2014)

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Água para Tabatô de Paulo Carneiro é um documentário português em formato de curta-metragem que inicia a sua acção após uma viagem para África, mais concretamente para a Guiné-Bissau, onde o realizador se preparava para a produção de outro filme enquanto primeiro assistente.
Depois de um início onde assistimos a alguns pequenos contratempos com a embarcação onde seguem, o próprio espectador segue para aquilo que se esperava ser uma viagem tranquila de duas horas até que inesperadamente o barco pára.
Parados no meio do oceano num espaço limitado, com pouca luz e uma embarcação cheia de pessoas, o espectador começa a questionar-se sobre os destinos daquelas almas que se encontram a uma distância suficientemente longe da costa para puderem conseguir rápida e seguramente instalar-se em terra.
Se pensarmos que o tempo passa rápido demais facilmente poderíamos equacionar que horas de espera mais não seriam do que o tempo ideal para pôr uma boa conversa em dia e contar umas quantas anedotas mas, no entanto, quando esse mesmo tempo é passado dentro de uma embarcação em alto mar e com a percepção de que a costa está "mesmo ali" sem que se a consiga vislumbrar, então Água para Tabatô assume-se como uma experiência de um crescente pânico onde todos os pequenos grandes medo do nosso subconsciente começam a tomar conta do lado racional de qualquer um. Nos minutos em que decorrem estas filmagens devidamente editadas, mas que representam algumas horas, o espectador sente um crescendo de tensão e todo um transtorno e impaciência que povoam as almas daqueles que se encontram naquele barco, tensão essa que aumenta exponencialmente quando o mesmo começa a ser "invadido" pelas águas do Atlântico deixando-os numa maior incerteza sobre o seu futuro.
Apesar de algum pânico que se instala, e sem uma evidente confusão, todos parecem aguardar com tranquilidade. Talvez uma tranquilidade como de alguém que tem a morte como certa e que, como tal, já a aceitou. A confusão essa apenas se instala quando os escassos barcos surgem através da escuridão para transportar os passageiros para terra salvando-os assim de um barco já meio submerso.
É talvez este o momento mais intenso para o espectador que na ausência de imagens claras - impossíveis de obter uma vez que nos "encontramos" no mar - sobre aquilo que está ao seu redor inicia a sua própria sensação de aflicção e de claustro ao não detectar qual a sua real condição ou os meios que tem para poder escapar a algo que é neste momento uma certeza.
O facto mais curioso de Água para Tabatô reside então no facto do seu realizador se manter activo desde o primeiro instante face a um momento que inicialmente não era preocupante mas que aos poucos se transforma numa aparente tragédia silenciosa onde o pânico, apesar de controlado, se sentir em todos os instantes principalmente quando os tripulantes daquele barco que vão sendo salvos desaparecem na escuridão da noite deixando para trás os demais face a um destino incerto.
Interessante é, e talvez um dos aspectos mais importantes de todo o considerando que nele se baseia uma grande parte da mensagem transmitida ao espectador, é a sua captação de som. Água para Tabatô é, na sua essência, um documentário que para além de grandes imagens ou factos transmitidos visualmente, um filme que se centra quase exclusivamente nos diálogos e nos sons ou ruídos que escutamos vindos de uma maior distância. Sons esses que contribuem para fazer chegar a mensagem ao espectador não só dos acontecimentos como do estado de espírito daqueles que por eles atravessam.
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7 / 10
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quarta-feira, 17 de setembro de 2014

China Zorrilla

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1922 - 2014
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terça-feira, 16 de setembro de 2014

Contactos 2.0 (2014)

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Contactos 2.0 de Bernardo Gomes de Almeida e Rodrigo Duvens Pinto é também uma das treze curtas-metragens seleccionadas para o Prémio MOTELx de Melhor Curta-Metragem de Terror desta oitava edição do Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa que terminou no passado dia 14 no Cinema São Jorge, em Lisboa.
Num mundo em que as novas tecnologias se apoderam cada vez mais das nossas actividades diárias, o que aconteceria se Jorge (Diogo Amaral), o pivot de um telejornal, tivesse um telemóvel no qual uma nova aplicação conseguisse fazer-nos livrar daqueles que o incomodam com os seus caprichos e más vontades?
É exactamente um programa destes que Jorge compra a Pipo (Rodrigo Saraiva), sem pensar nas consequências que o mesmo pode realmente transportar. Conseguirá ele próprio sobreviver a algo que parece modificar irremediavelmente os destinos de todos aqueles com quem se cruza?
Bernardo Gomes de Almeida escreve o argumento desta curta-metragem que obriga o espectador a uma interessante reflexão sobre o papel das novas tecnologias no dia-a-dia de cada um de nós que delas quase "dependemos". Seja um telemóvel ou um qualquer rede social, quão longe está realmente a verdade desta história onde à custa de um simples toque "eliminamos" da nossa vida (supostamente), aqueles que nos incomodam ou com quem atravessamos momentos menos positivos? Não o fizémos já todos em locais como essas mesmas redes sociais que tantos de nós pensam ser "a vida real"? Ou eliminar o contacto de um qualquer telemóvel como se ao apagar aquele número apagassemos também todo o tipo de contacto que possamos ter com a pessoa que o detém?
Ao mesmo tempo, e como um interessante twist final, Contactos 2.0 coloca também a sua personagem principal - e de certa forma o próprio espectador - na perspectiva daquele que é "eliminado". Quando aparenta ser tão simples e fácil retirar os outros da nossa vida, até que ponto pensamos realmente no quão fácil é sermos retirados da vida dos outros com esse tal "click"?
Finalmente, este argumento obriga-nos ainda a questionar o empobrecimento das relações inter-pessoais em favor daquelas que são virtuais (e muito pouco reais) questionando-se (nos) sobre o universo desumanizado em que vivemos de uma forma negra e repleta de suspense não sem antes deixar uma última e ímplicita questão sobre para onde caminharemos nessas mesmas relações.
Com uma direcção de fotografia da autoria de Hélio Costa que dá um toque sombrio a todos os pequenos recantos e tornando o ambiente e o espaço incerto, Contactos 2.0 tem ainda uma interessante música/tema original da autoria de Diogo Dias, e um elenco cheio de caras conhecidas como por exemplo Virgílio Castelo como o pouco tolerante produtor do noticiário e os já referidos Diogo Amaral e Rodrigo Saraiva que aqui assume uma cativante e pouco habitual interpretação no seu registo.
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7 / 10
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Se o Dia Chegar (2014)

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Se o Dia Chegar de Pedro Santasmarinas é uma curta-metragem portuguesa de ficção e uma das treze finalistas ao Prémio MOTELx de Melhor Curta-Metragem Portuguesa de Terror nesta oitava edição do festival de cinema internacional de terror de Lisboa que decorreu até ao passado dia 14 no Cinema São Jorge, em Lisboa.
Matilde (Adriana Sá) e João (Filipe Vargas), o seu pai percorrem uma floresta rumo ao desconhecido. Aos poucos percebemos que este mundo mais não é do que uma recordação daquilo que em tempos fora ao encontrar-se povoado por mortos-vivos que os perseguem.
Conseguirá a miragem desta família resistir a um mundo onde as adversidades espreitam por todos os recantos?
Ainda que inserido num universo apocalíptico onde a morte e os mortos-vivos imperam, o argumento da Santasmarinas e de Inês de Castro faz com que Se o Dia Chegar se distancie deste mundo mantendo-o apenas como um pano de fundo para uma história que se pretende ter enquanto um relato sobre a sobrevivência, sobre a união mas principalmente sobre o poder da despedida entre duas pessoas que partilham um importante elo familiar.
Num ambiente que nos remete para um total isolamento do mundo, ou pelo menos do mundo conforme o conhecemos, Se o Dia Chegar tem ainda uma interessante excelência na sua direcção de fotografia, da autoria de Raul Sousa, que nos transporta em alguns segmentos para o imaginário e para a memória compostos pelas recordações que adquirimos ao longo dos tempos e que, de certa forma, recorrem aos conselhos e experiências que adquirimos ou nos foram transmitidos ao longo do tempo.
É nestes mesmos momentos que o espectador adquire mais alguns conhecimentos sobre o que se passou na vida recente da jovem "Matilde" e os elementos que a levaram a encontrar-se ainda como uma sobrevivente num espaço e num tempo tão adversos, e especialmente a relação que mantinha com o seu pai - num inspirado registo de Filipe Vargas - que se constata na recordação que esta tem de uma última conversa que não só servia de alerta como de certa forma de uma sentida e emocionada despedida entre ambos.
No final, Se o Dia Chegar coloca-nos ainda uma interessante questão ao obrigar-nos a pensar sobre o que fazer quando aparentemente já nada faz sentido e toda a existência mais não é do que uma penosa experiência que nos faz aproximar de um abismo onde nenhuma resposta é satisfatória. São estes acontecimentos trágicos que "Matilde" vive e que transformam esta curta-metragem num filme diferente do habitual colocando questões até então não exploradas e um desfecho confirmado para as duas personagens principais apesar da temática de fundo estar já um pouco explorada.
Curioso é ainda o facto de Santasmarinas regressar à temática zombie após o seu último trabalho Zombies4Kids no qual, tal como em Se o Dia Chegar, entrega através das suas personagens centrais, um olhar mais juvenil mas igualmente consciencioso sobre o fim, a morte e a despedida contrariando a habitual perspectiva mais "adulto" sobre estes mesmos temas demonstrando assim que não só são referências presentes no imaginário de qualquer indivíduo independentemente da sua idade e ao mesmo tempo faz uma interessante reflexão sobre como num momento trágico ou de uma iminente crise todos, sem excepção, amadurecem face a um ambiente que se tem como hóstil.
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7 / 10
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European Film Awards 2014 - os filmes pré-seleccionados

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A Academia Europeia de Cinema divulgou hoje os filmes pré-seleccionados aos seus prémios anuais que serão atribuídos a 13 de Dezembro próximo em Riga, na Letónia.
Desta selecção fazem parte alguns dos filmes mais premiados do último ano nomeadamente em Cannes, nos David da Academia Italiana ou nos Goya da Academia Espanhola assim como alguns dos filmes mais aguardados para a próxima temporada de prémios num conjunto de produções que chegam dos quatro cantos do continente num total de 49 obras. São elas:
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  1. Adieu au Langage, de Jean-Luc Godard (França)
  2. Amour Fou, de Jessica Hausner (Áustria/Alemanha/Luxemburgo)
  3. Die Andere Heimat - Chronik Einer Sehnsucht, de Edgar Reitz (Alemanha/França)
  4. Bande des Filles, de Céline Sciamma (França)
  5. Betoniyö, de Pirjo Honkasalo (Dinamarca/Suécia/Finlândia)
  6. Bird People, de Pascale Ferran (França)
  7. Blind, de Eskil Vogt (Holanda/Noruega)
  8. Calvary, de John Michael McDonagh (Irlanda)
  9. Când se Lasa Seara Peste Bucuresti sau Metabolism, de Corneliu Porumboiu (Roménia/França)
  10. Caníbal, de Manuel Martín Cuenca (Espanha/Rússia/Roménia/França)
  11. Il Capitale Umano, de Paolo Virzì (Itália)
  12. Deux Jours, Une Nuit, de Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne (Bélgica/França/Itália)
  13. Fair Play, de Andrea Sedlackova (República Checa/Alemanha/Eslováquia)
  14. Das Finstere Tal, de Andreas Prochaska (Áustria/Alemanha)
  15. Fehér Isten, de Kornél Mundruczó (Hungria/Suécia/Alemanha)
  16. Frank, de Lenny Abrahamson (Reino Unido/Irlanda)
  17. Haganenet, de Navad Lapid (Israel/França)
  18. Harchek Me Headro, de Karen Yedaya (Israel)
  19. La Herida, de Fernando Franco (Espanha)
  20. Hermosa Juventud, de Jaime Rosales (Espanha/França)
  21. Hross Í Oss, de Benedikt Erlingson (Islândia/Alemanha/Noruega)
  22. Ida, de Pawel Pawlikowski (Polónia/Dinamarca)
  23. Kertu, de Ilmar Raag (Estónia)
  24. Kis Uykusu, de Nuri Bilge Ceylan (Turquia/França/Alemanha)
  25. Kraftidioten, de Hans Petter Moland (Noruega)
  26. Kuzu, de Kutlug Ataman (Alemanha/Turquia)
  27. Leviafan, de Andrey Zvyagintsev (Rússia)
  28. Life in a Fishbowl, de Baldvin Zophoníasson (Islândia/Suécia/Finlândia/República Checa)
  29. Locke, de Steve Knight (Reino Unido)
  30. Macondo, de Sudabeh Mortezai (Áustria)
  31. Le Meraviglie, de Alice Rohrwacher (Itália/Alemanha/Suíça)
  32. To Mikro Psari, de Yannis Economides (Grécia/Alemanha/Chipre)
  33. Miss Violence, de Alexandros Avranas (Grécia)
  34. Mr. Turner, de Mike Leigh (Reino Unido/Alemanha/França
  35. Nymphomaniac, de Lars Von Trier (Dinamarca)
  36. Otchujdenie, de Milko Lazarov (Bulgária)
  37. Papusza, de Joanna Kos-Krauze e Krzysztof Krauze (Polónia)
  38. Plemya, de Myroslav Slaboshpytskiy (Ucrânia)
  39. Razredni Sovraznik, de Rok Bicek (Eslovénia)
  40. Shemtkhveviti Paemnebi, de Levan Koguashvili (Geórgia)
  41. Starred Up, de David Mackenzie (Reino Unido)
  42. Still Life, de Uberto Pasolini (Reino Unido/Itália)
  43. Traumland, de Petra Volpe (Suíça)
  44. Turist, de Ruben Östlund (Suécia/Afeganistão/Dinamarca/França/Noruega)
  45. Under the Skin, de Jonathan Glazer (Reino Unido)
  46. Vi Är Bäst!, de Lukas Moodyson (Suécia/Dinamarca)
  47. Violette, de Martin Provost (Bélgica/França)
  48. Vivir es Fácil con los Ojos Cerrados, de David Trueba (Espanha)
  49. Walesa. Czlowiek z Nadziei, de Andrzej Wajda (Polónia)
  50. Wolf, de Jim Taihuttu (Holanda)
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