sexta-feira, 8 de março de 2013

Fat Pizza (2003)

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Fat Pizza de Paul Fenech é uma longa-metragem australiana que exibe um conjunto muito peculiar de personagens todas elas centradas a partir de uma pizzaria onde trabalham dando, ao mesmo tempo, um olhar corrosivo sobre as diferentes etnias a residir na Austrália e todo um conjunto de situações que podem parecer à partida como incómodas.
Sempre acompanhados pelas personagens principais, o espectador é, de certa forma, inserido na trama quando um dos principais "pizza boys" assume uma interpretação que o obriga a apresentar-nos todos os demais. Desde o maníaco chefe de origem italiana que age como um serial killer (será que não o é?), passando pelas seus colegas de profissão drogados, sexualmente dependentes e os concorrentes de profissão que tudo fazem por destruir o negócio alheio, não sem esquecer todos aqueles que enquanto clientes, são também eles um conjunto de personagens muito característicos e que a todo o momento contribuem para um ambiente bem esquizofrénico e de múltipla personalidade.
As piadas que o argumento do próprio Paul Fenech em colaboração com Tahir Bilgic se centram vão desde o mais étnico ao religioso, da tragédia internacional aos pequenos grandes stresses internos sem poupar nada nem ninguém. Afinal... "a dingo ate my baby", é uma das expressões mais célebres que este filme teima em não esquecer.
Ao ritmo de uma viagem alucinante que cruza vários momentos, situações e personagens demasiadamente neuróticas para serem verdade, este filme não poupa nada. Um negócio mal gerido por um italo-descendente neurótico que pretende casar com uma refugiada vietnamita que conhecera online e que está preparada para entrar de qualquer forma no país. Um "pizza boy" que tem o seu próprio conjunto de amigos com quem vive uma vida bem alternativa  onde nada é respeitado, mas sempre com muito humor e cujas aparências são bem mais importantes do que aquilo que realmente se é, são os ingredientes que fazem deste filme uma comédia explosiva.
No entanto, como nada é perfeito muito menos em filmes do género, aqui se por um lado temos este conjunto de personagens bem alternativas e características entre si, não deixa igualmente de ser verdade que nenhuma delas é suficientemente relevante para se tornar memorável. E este aspecto apenas se agrava quando temos um conjunto de situações que, apesar de conectadas entre si, não deixam de ser meras representações de uma sociedade multicultural que permite que esses mesmos momentos existam e sejam assim retratados quer pelo aspecto mais cómico quer pelo cliché do preconceito que muitos deles trazem a si associados.
Não sendo assim uma história com profundidade suficiente para ser explorada mas sim uma colagem de momentos mais ou menos cómicos, muitos dos quais apenas conseguem ganhar relevância extra-fronteiras pelo seu lado "grotesco" mas que, na realidade só têm algum destaque dentro da sociedade que eles próprios representam.
Simpático e divertido é um facto. Que não ofende ninguém com as suas piadas cliché, é outro facto. Mas também é um facto que apenas consegue reunir momentos divertidos pelo absurdo de situação em que se coloca e pouco mais do que isso não deixando, no entanto, de nos conseguir provocar uns quantos sorrisos ao longo dos seus oitenta e pouco minutos de duração.
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3 / 10
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