quinta-feira, 16 de abril de 2015

One Way Or Another (Reflections of a Psykokiller) (2012)

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One Way Or Another (Reflections of a Psykokiller) de Edgar Pêra é uma curta-metragem (ou proto-filme) de produção portuguesa e sul-coreana de ficção que transporta o espectador para as movimentadas ruas de Busan, na Coreia do Sul, onde um psicopata se movimenta à procura da sua potencial próxima vítima.
Queira isto dizer o que quiser, mas ao assistir a One Way or Another (Reflections of a Psykokiller) o mais atento espectador das obras de Edgar Pêra - nomeadamente A Janela (Maryalva Mix) (2001), Oito Oito (2002) ou O Barão (2011) - irá imediatamente reconhecer o ambiente muito característico em que vivem as suas personagens assim como toda uma atmosfera envolvente que se percebe ser muito própria das obras do realizador português. Quer sejam os marialvas de uma Lisboa alternativa, os fanáticos ideológicos de Oito Oito ou uma bizarra personagem de um interior perdido de Portugal, todos eles vivem num universo alternativo quase tido como paralelo que fascinam nem sempre pelos seus actos mas sim pela forma como se impõem e à sua individualidade.
É ao reconhecer este traço de "personalidade" das personagens que identificamos uma obra de Pêra... e em One Way or Another (Reflections of a Psykokiller) voltamos a encontrar essa especificidade que nos faz olhar para aquele psicopata não como uma personagem que consigamos compreender mas sim como uma da qual queremos saber mais e documentar o seu ambiente - por mais sinistro ou tortuoso possa parecer.
Quanto a este homem - numa impressionante, intensa e muito forte interpretação de Danwoo Jung que estou convencido Edgar Pêra teria (terá?) gostado de mais desenvolver - encontramo-lo perfeitamente perdido nos seus pensamentos psicopatas onde reflecte sobre todos os pequenos detalhes reais ou imaginados que encontra nos demais para torná-los no seu próximo alvo. Desde um olhar ou andar diferente passando pela cor de um casaco que o irrita ou uma postura inapropriada, este psicopata encontra um qualquer pretexto para saciar a sua vontade de sangue e morte.
Sem que este desejo seja consumado - pelo menos não o é neste proto-filme que espera a sua devida continuidade - este homem observa todos aqueles com quem se cruza e pretende materializar os seus pensamentos mais hediondos eliminando todo um conjunto de pessoas que abomina e despreza. Os rostos - os dos outros - são sempre turvos e distorcidos tornando-os anónimos em ruas imensas, transformando qualquer um deles - de nós! - em potenciais alvos, provocando uma reflexão imediata do espectador que se questiona sobre quão alvo e observado é para os outros com quem diariamente se cruza na rua!
A sobreposição de imagem bem como a sua distorção - elementos já característicos nas obras de Pêra - transformam esta perturbação mental numa realidade aos olhos do espectador que vibra com a calma tensão de alguém que aparenta poder explodir a qualquer momento. Facto este que é apimentado com uma genial música original de Miguel Urbano e Edmundo Rivotti que criam um ambiente inseguro, instável e caótico.
Como fã confesso de Edgar Pêra apenas poderia - posso?! - esperar o melhor do seu trabalho (como aqui se comprova) e lamentar o facto de não existirem apoios à produção que transformariam esta curta-metragem (ou proto-filme como lhe chama) num intenso thriller de suspense que facilmente seria uma muito bem sucedida e original longa-metragem portuguesa não só junto da crítica como do público.
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"Psycho Killer: One way or another I will find you."
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8 / 10
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