segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

A Dangerous Method (2011)

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Um Método Perigoso de David Cronenberg marca o encontro de três grandes actores como é o caso de Michael Fassbender, Keira Knightley e Viggo Mortensen secundados por outro não menor actor como é Vincent Cassel.
Este filme conta-nos a história de Carl Jung (Fassbender) um médico que após os estudos de Freud (Mortensen) sobre psicanálise, aplica os mesmos a Sabrina Spielrein (Knightley), uma doente que lhe é enviada para o hospital onde trabalha.
Ao mesmo tempo que assistimos à relação de amizade estabelecida entre os dois médicos, inicialmente mestre e discípulo, depois dois amigos e finalmente ao distanciamento crescente entre ambos, assistimos também a íntima relação que nasce entre Jung e Spielrein que de médico e paciente passam rapidamente a uma relação sexual e sentimental.
Apesar de ter uma primeira parte algo parada, que serve essencialmente para a introdução das personagens que o compõem, este filme tem interpretações bastante fortes que o tornam uma obra muito competente. Michael Fassbender que tem em 2011 o ano mais importante de toda a sua carreira, teria com este filme a hipótese perfeita para ser nomeada a um Oscar não fosse a existência de um muito mais forte Shame. Carl Jung, o psicanalista que interpreta está, com a sua composição, perfeito. Temos o retrato de um homem que começa por ser firme e convicto das suas posições, seguro de si e do que pretende para, ao longo do filme, percebermos que existe por detrás de toda essa segurança, um homem que teve na mais improvável pessoa, o amor e a companheira que na sua mulher não conseguiu encontrar.
De Keira Knightley temos aqui uma intepretação que, arrisco dizer, é mais adulta. Na continuidade do seu Expiação, temos uma interpretação onde se liberta da faceta de "menina bonita" para dar corpo a uma personagem real e sem qualquer pudor que a confirma (se ainda existiam algumas dúvidas) como uma das mais fortes actrizes a ter em consideração para o futuro. Não fosse este ano forte no que diz respeito às interpretações femininas e arriscaria dizer que seria a sua segunda nomeação a Oscar, mas para um BAFTA acredito que seja ainda possível.
Já no que diz respeito a Viggo Mortensen, nesta que é a sua terceira colaboração com David Cronenberg, não haverá muito mais a dizer além de que está uma composição perfeita de Sigmund Freud. Uma interpretação discreta e secundária para aquilo que já tanto nos habituou mas, ainda assim, segura e fiel ao retrato que temos do psicanalista.
O argumento da autoria de Christopher Hampton, já galardoado com um Oscar pelo brilhante Ligações Perigosas, não foca só a temática da psicanálise, mas principalmente as relações estabelecidas entre estas três pessoas num período conturbado que iria culminar com a Primeira Guerra Mundial, precedida de um brilhante momento em que o Carl Jung de Fassbender relata um sonho onde a "água que invadia o território se transformou no sangue da Europa". Brilhante a contextualização que foi feito deste tão importante período da História. Mas não menos importantes são as referências feitas ao anti-semitismo que, sem ser claro, está constantemente presente nos diálogos que estas mesmas personagens têm dando assim uma dimensão deste problema que desde o início do século XX crescia lentamente um pouco por toda a Europa.
Excelentes, e essas sim arrisco mesmo dizer que poderão reverter-se em nomeações aos tão ambicionados prémios da Academia norte-americana de cinema, são o austero guarda-roupa da autoria de Denise Cronenberg, bem como a brilhante e fria fotografia de Peter Suschitzky que retrata na perfeição essa mesma austeridade no ambiente social e político da época.
Seria igualmente impossível falar deste filme sem referir uma estrondosa, e pouco contida, banda-sonora da autoria desse grande mestre de seu nome Howard Shore já vencedor de três Oscars e que aqui poderá ter mais uma nomeação. Sem dúvida um dos elementos mais fortes e consistentes de todo o filme.
Não é um filme "fácil". Possivelmente da mais recente filmografia de David Cronenberg aquele que é mais complicado de assistir mas, ainda assim, um dos que assumo ser dos meus preferidos, tal como toda a sua recente obra. Será provavelmente um daqueles filmes que muitos irão ver apenas pelo apreço que têm dos actores que dele fazem parte mas que se irão desiludir pelo seu ritmo. No entanto, é uma aposta certeira para os amantes de bom cinema e que, se o forem, não saírão desiludidos da sala de cinema pois é,sem dúvida, uma obra bastante forte e intensa.
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8 / 10
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