quarta-feira, 11 de julho de 2012

[REC]³ Génesis (2012)

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[REC]³: A Origem de Paco Plaza é o terceiro título da saga que nos transporta para um ambiente completamente diferente daquele que conhecemos. Enquanto nos dois primeiros filmes a acção decorre naquele tão tenebroso prédio de Barcelona durante uma madrugada, aqui somos levados para umas alucinantes vinte e quatro horas de um casamento e respectiva boda onde, como já será de esperar, tudo vai correr mal... muito mal.
Clara (Leticia Dolera) e Koldo (Diego Martín) são o casal perfeito. Jovens e apaixonados vivem um para o outro. O seu passo natural é o casamento para o qual convidam todos os seus familiares e amigos. Depois de um animado casamento todos se dirigiram para a boda onde comer, beber e dançar seriam a forma perfeita de homenagear aquele perfeito casal. Este é o dia mais feliz das suas vidas.
Ainda que lhe dêem pouca ou nenhuma atenção, afinal estão num casamento onde as bebedeiras são mais que normais, alguns estranhos acontecimentos começam a suceder a um ritmo alucinante e percebemos que algo está prestes a começar.
Sem darmos conta a infecção alastra por aquele casamento como um fogo e no meio de tanta confusão e agitação perdemos a noção (por mais pequena que seja) de quem está afinal infectado ou a tentar fugir deles. O pânico é a partir deste momento geral e os sobreviventes, ao que cedo iremos perceber, são muito poucos.
Apesar de na sua essência a história ser em muito semelhante à dos dois anteriores filmes, não podemos deixar de realçar alguns detalhes diferentes que aqui ganham vida. Este filme retrata os acontecimentos prévios àquilo que iremos ver nos outros dois títulos. Esta é, como o próprio nome indica, a história que deu origem aos trágicos acontecimentos do prédio de Barcelona. No entanto ainda não está clara a verdadeira origem daquele vírus, ou possessão demoníaca, se bem que a menina de Medeiros e alguns outros acontecimentos durante a boda dão uns indícios daquilo que realmente se passa por detrás de todo este enredo e que suspeito teremos um convincente desfecho no próximo [REC] Apocalipse e que será, pelo menos assim tudo o aponta, o último título desta tão macabra saga.
Outro interessante aspecto que este título nos revela é um maior desenrolar da acção ao ar livre. Temos alguns momentos o segundo título em que temos momentos em exteriores mas nada que ponha os infectados em campo aberto. Aqui, pela primeira vez, é o que sucede. Para o terceiro título, mas temporalmente o primeiro, deparamos com um surto infeccioso ainda sem contenção, permitindo assim aos infectados percorrerem um vasto território livres para capturar todos aqueles que lhes façam frente.
Uma outra inovação que este filme nos dá é que ao contrário dos dois primeiros títulos, a gravação do que se passa deixa de ser em tempo real para mescla de tempo real/câmara na mão para o tradicional filme de terror em que a história nos está a ser relatada. Estamos num casamento... Para além do típico câmera que está a gravar toda a cerimónia, temos também um conjunto vasto de pessoas que com os seus telemóveis e câmaras portáteis gravam, também eles, todo o casamento e boda à medida que ele decorre. Além de uma única perspectiva dos acontecimentos teremos, talvez nesse agora tão aguardado título, um relato do que se passou contado pelas diversas câmeras que ali se encontravam. Mais realista ou não, terá o seu interesse ver o que sucedeu à medida que um grupo de infectados entrou pela boda e aterrorizou todos os convidados.
Finalmente outro aspecto inovador que este filme nos dá a conhecer é a existência pela primeira vez na saga de uma verdadeira heroína. A "Clara" de Leticia Dolera está para a saga [REC] aquilo que Sigourney Weaver esteve para a saga Aliens. Ela com muito medo, mas só com ele sobrevive a coragem, enfrenta aquele bando de infectados com uma moto-serra como se não houvesse dia de amanhã (e na volta não haveria mesmo). O aparecimento desta heroína era um dos factores essenciais para transformar este conjunto de filmes numa verdadeira saga, algo que Manuela Velasco não conseguiu, sendo apenas a vítima perfeita dos dois primeirs títulos.
Algo me faz suspeitar que a madrugada na qual decorre esta boda é a mesma, temporalmente falando claro está, do primeiro filme, colocando a infecção em dois lugares distintos e fazendo assim com que ao efectuar a reportagem aos bombeiros a "nossa" Manuela Velasco não soubesse ainda de tão misteriosos acontecimentos. Talvez a própria Jennifer fosse uma das convidadas deste casamento que tão surpreendentemente "sobreviveu" ao sucedido... Afinal todos nós sabemos o que sucedeu àquele autocarro cheio de crianças...
Algo me faz suspeitar que a caracterização deste filme da autoria de David Ambit, Kevin Carter, Juan Olmo e Patricia Reyes terá, também ela, uma nomeação aos Goya do próximo ano. Seria minimamente justo considerando a transformação que muitos destes actores tiveram e que os torna, no mínimo, medonhos.
Destaco ainda a química perfeita entre o par protagonista. Leticia Dolera e Diego Martín são encantadores. Quando os acontecimentos se iniciam esperamos e desejamos que pelo menos eles consigam aqui escapar dos infectados e que os possamos ver no próximo filme. As suas imagens do passado que vemos no decorrer das gravações que os seus amigos fizeram são no mínimo uma esperança de que algo de bom pode, e deve, acontecer... Mas só para quem fôr ver o filme é que saberá o que realmente acontece, pois de mim não levam grandes informações a esse respeito...
Finalmente e para encerrar este comentário destaco ainda a poderosa fotografia de Pablo Rosso que transforma o dia mais feliz da vida daquele casal, e de certa forma da vida de todos os convidados (ou pelo menos assim parece) de algo perfeito e celestial repleto de luz e alegria, num sinistro e macabro espaço onde a escassez de luz confunde quem é quem. Exemplo perfeito é o estado de sítio em que fica o salão e o túnel onde Clara vai finalmente colocar os pontos nos is.
Se forem tão entusiastas desta saga como eu já esperam o quarto e último (?) título para terem todas as respostas às vossas perguntas satisfeitas. Até lá a única coisa que posso acrescentar é que se gostaram dos dois primeiros títulos vão com toda a certeza gostar também deste. Apesar do estilo da narrativa ser um pouco diferente... não vai desiludir ninguém. Apenas vai aguçar o apetite para o próximo título onde como o próprio indica... teremos o Apocalipse.
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"Clara: El dia más feliz de mi vida!"
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8 / 10
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