quarta-feira, 25 de julho de 2012

The Curse of the Jade Scorpion (2001)

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A Maldição do Escorpião de Jade de Woody Allen é uma longa-metragem norte-americana onde o actor/realizador volta a participar enquanto intérprete dando vida a CW Briggs, um perito de seguros que, juntamente com Betty Ann Fitzgerald (Helen Hunt) a sua superiora na empresa, é hipnotizado por Voltan (David Ogden Stiers) e levado a assaltar as casas em que instalou alarmes para roubar as jóias aí existentes.
Poderá CW descobrir o verdadeiro criminoso e ilibar-se de um crime que não cometeu?
À semelhança das demais obras de Allen, além de dirigir The Curse of the Jade Scorpion também escreveu o argumento desta história dando vida a personagens repletas de pequenas neuroses que giram em torno de um protagonista (ele próprio), naquela que poderá facilmente ser considerada como uma personagem extensão do próprio Allen. "CW Briggs", personagem à qual da vida, dificilmente poderia ser confundida com outro que não o próprio Allen, não só por ser o centro de toda uma trama que parece não ter fim ou solução como apresenta todas as neuroses a que o cineasta já habituou o seu público e pequenas mas determinantes características como, por exemplo, ter todas as mulheres com quem contracena literalmente "aos seus pés". Se alguém iniciasse uma visualização deste filme sem saber quem era o seu realizador... certamente lá chegaria sem grandes ajudas.
Dito isto, o que é The Curse of the Jade Scorpion? Ambientado nos anos idos anos 40 com a piada de circunstância sobre o "alemão de bigode pequenino" a pairar no ar, o espectador sabe que se encontra numa Nova York ainda afastada da guerra e que ainda poderia perder o seu tempo com crimes e hipnoses a si associadas, enquanto que o resto do mundo vivia o seu grande drama ao qual, do outro lado do Atlântico, poucas atenções parecia receber. Aliás, se este filme pudesse em algo suscitar crítica a esses tenebrosos anos, essa residiria no facto de toda uma população (alemã) aparentar viver sobre a tal hipnose que ou os fazia ignorar o que acontecia pelas suas ruas ou então os levaria a cometer "sem consciências" a maior barbárie a que o século passado assistiu... Ambas as hipóteses são, como poderemos calcular, assustadoras demais para pensar que Allen foi assim tão longe.
De regresso a The Curse of the Jade Scorpion e esquecendo as hipóteses mirabolantes com que escreveu e dirigiu este filme, o que aqui temos afinal? Contrariamente ao inicialmente divulgado, The Curse of the Jade Scorpion é mais uma das inúmeras neuroses de Allen em funcionamento. Longe de qualquer humor capaz de nos fazer sorrir, esta história apresenta alguns actores com desempenhos sólidos para a longa-metragem em questão como por exemplo a já mencionada Hunt, Dan Aykroyd ou até mesmo Charlize Theron e uma improvável Elizabeth Berkeley com personagens secundárias mas que, pela força de um "necessário" e exigido protagonismo do realizador não conseguem desenvolvê-las e suplantar um neurótico Allen que obriga toda a produção a girar à sua volta com pouco conteúdo e incapaz de dinamizar uma história que até poderia ter algum potencial. Terá alguém, de facto, presenciado alguma comédia à custa do seu "CW"? Altamente improvável!
Com uma sólida composição técnica na direcção de fotografia de Zhao Fei e até mesmo a direcção artística, guarda-roupa e caracterização, aquilo que falta a The Curse of the Jade Scorpion é, no fundo, um protagonista capaz de dinamizar a atenção do espectador ou, por outro lado, um realizador capaz de se afastar da constante necessidade de expôr uma parte de si nas personagens que cria como se tudo no mundo fosse sobre o próprio. Encontramos potencial naquilo entregue pelos demais actores, e possivelmente com maior vontade de as conhecer do que ao próprio "CW" mas tendo todo o protagonismo e todas as acções ou direccionadas ou vindas do próprio... que espaço resta para os demais?
De um argumento que depende única e exclusivamente das suas acções e da sua presença, de personagens que giram à sua volta ou mesmo, no caso feminino, que parecem desejá-lo como se o mundo fosse terminar "amanhã", The Curse of the Jade Scorpion acaba por ser mais um devaneio "Alleniano" com muita parra... e pouquíssimo sumo. Salvem-se os secundários pois deles poderiam ter existido histórias interessantes... da afirmação da "Betty Ann" de Helen Hunt à insegurança do "Magruder" de Aykroyd passando pela sensualidade e sexualidade extrema da "Laura" de Charlize Theron sem esquecer a veia criminosa do "Voltan" de Ogden Stiers... todos eles poderiam ter feito um filme mais interessante e eventualmente com o tal humor que faltou a The Curse of the Jade Scorpion que apenas pode entusiasmar os mais acérrimos defensores de Woody Allen... esquecendo todos os demais cinéfilos.
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2 / 10
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