quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Potasio (2013)

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Potasio de Pedro Moreno del Oso, que também assina o argumento, é uma curta-metragem espanhola de ficção que retrata em tom de comédia agri-doce, muitos dos problemas que afectam a sociedade e os nossos dias.
Pablo (Rodrigo Sáenz de Heredia) e a sua mulher Inés (Elisa Lledó), viagem para o casamento da irmã desta naquele que deveria ser uma viagem descontraído não fosse ele escutar num misto de atenção e pânico as notícias que a rádio faz chegar sobre a crise e as perdas económicas que afectam a actualidade.
É no momento em que Pablo percebe que toda a sua vida está prestes a mudar que resolve demonstrar que se sente perdido num mundo que parece querer engoli-lo e ao qual pensa não pode escapar.
Del Oso assina um argumento que consegue reter em escassos minutos todos os problemas que afectam todos aqueles que (sobre)vivem nesta sociedade contemporânea. Se por um lado nos entrega através de uma comédia ligeira e bem disposta a dinâmica entre um casal que parece inicialmente conter apenas elementos de mais uma viagem "social" onde um deles, o marido, aparenta não ter muita disposição para estar presente, cedo percebemos pelas notícias que nos faz chegar que há algo mais por detrás de todo aquele incómodo.
Assim, Del Oso faz-nos pensar sobre a forma como estas perdas económicas do casal podem afectar a sua dinâmica, bem como somos obrigados também a encarar a relação destes com o mundo actual onde o status e a aparência tanto contribuem para uma vida dita "estável" em sociedade.
No entanto, esta curta-metragem está longe de querer ser "séria" mas sim abordar todos estes temas de forma ligeira e com isso falar sobre os nossos dias mas num tom menos drástico. E este aspecto é bem sucedido a partir do momento imediato em que olhamos para os magníficos desempenhos de Lledó e Sáenz de Heredia que sendo levados ao extremo e são transformados em momentos descontraídos e muito dinâmicos que, no final, nos revelam que tudo pode ser uma fase passageira desde que se consiga encontrar um ponto de união e encarar todos os bens como não sendo essenciais, passageiros e passíveis de ser recuperados... um dia... desde que essa mesma cumplicidade entre os dois não esteja perdida. Assim, e acima de tudo o demais, o essencial é que "Pablo" e "Inés" consiga olhar-se e encontrar a mesma cumplicidade que tinham no primeiro dia que se conheceram.
Elisa Lledó e Rodrigo Sáenz de Heredia estão numa química perfeita e como tal entregam-nos duas fortes e calorosas interpretações que oscilam entre o cómico e o dramático (este último mantendo sempre elementos do primeiro) e que denotam uma acentuada cumplicidade que nem sempre é visível em pares protagonistas, e conseguem fazer de todo aquele espaço de passagem e desértico num local onde eles se conseguem finalmente olhar e encontrar após anos em que viveram segundo as aparências de uma vida economicamente abastada. Local esse onde, ao seu jeito, lhes proporcionou a paz que tinham perdido.
Finalmente deixo ainda um breve, mas merecido, destaque à direcção de fotografia de Paco Cintado que consegue captar cores fortes e a perfeita luz do pôr-do-sol,  e assim transformar todo um espaço e ambiente num momento que apesar de denotar uma tragédia familiar, num ambiente caloroso e reencontro que deixa o espectador tranquilo quanto ao final destas duas tão fortes personagens.
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9 / 10
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