quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Arpeggio (2012)

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Arpeggio de Helder Faria, também autor do argumento, é uma curta-metragem portuguesa de ficção que venceu a décima sessão do Shortcutz Xpress Viseu e que nos conta a história de Afonso (Ivo Lucas), um jovem e talentoso pianista que se dedica a limpeza da escola de música onde o seu pai (Luís Alberto) lhe ensinara a sua arte.
Com sonhos maiores para o seu futuro, Afonso vê-se agora preso à dura realidade devido à grave doença do seu pai não deixando, no entanto, de relembrar os sonhos que lhe servem como esperança de um futuro melhor.
Repleto de uma intensa emotividade desde os primeiros instantes, Arpeggio conquista o espectador desde o primeiro instante onde nos coloca a assistir ao triunfo de um jovem "Afonso" que se encontra a dar aquele que pensamos ser o concerto da sua vida para, num rápido momento, nos fazer ver que tudo não passa afinal de um sonho mais ou menos distante.
Muitos destes momentos que decorrem ao longo da curta-metragem são enaltecidos por uma direcção de fotografia de Tony Dias, de uma grande qualidade que ao captar a luz certa nos faz realmente crer que estamos dentro de uma importante sala de espectáculo onde um jovem talento dá provas do mesmo de forma apaixonada, e apaixonante, sem que no entanto nos revele nada dessa mesma sala ou do público que escutamos a aplaudir com igual dedicação.
Arpeggio é, na sua quase totalidade, realizada ao som de uma melancólica e sentida música clássica que exponencia um sentimento de estarmos perante um talento "perdido" ao mesmo tempo que nos identificamos com o mesmo por percebermos que a sua longa espera pelo estrelato se deve à sua mais forte dedicação ao seu pai que padece lentamente numa cama de hospital. Aos poucos sentimos a sua perda, que parece estar iminente, e sabemos que a vida de "Afonso" se prepara para uma mudança radical que é então brilhantemente representada pelo seu acto de revolta ao destruir aquilo ao qual sempre se dedicou com intensidade e paixão.
Feita na sua maioria sem o recurso a grandes diálogos, à excepção de momentos pontuais que nos inserem na realidade desta história que Helder Faria escreveu, Arpeggio sai vencedora pela honestidade com que transmite uma mensagem de entrega, de dedicação e sobretudo de perda reflectida primeiro num jovem que espera pelo seu momento de glória na sua arte e depois na perda do seu ente mais querido, conseguindo assim sem essas mesmas palavras transmitir uma mensagem maior sobre a dor e a forma como ela atinge e transforma cada um de "nós".
Ivo Lucas, intérprete principal e dominante em toda a história tem pela força do seu olhar e pelos actos que são inicialmente contidos mas finalmente de revolta, uma interpretação que o confirma como um nome para o futuro e que em breves minutos consegue ter um desempenho que será uma sua referência de qualidade e dedicação, pois consegue fazer de Arpeggio todo um "seu" trabalho onde consegue demonstrar ao espectador não só a força que os sonhos e o desejo que lhes é inerente têm como também o poder da derrota, da desilusão e da realidade que nos acompanha dia após dia.
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9 / 10
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