segunda-feira, 11 de novembro de 2013

El Lado Frío de la Almohada (2013)

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El Lado Frío de la Almohada de Hermínio Cardiel é uma curta-metragem espanhola de ficção que une a comédia e o drama de uma forma simples, harmoniosa e muito inteligente, conseguindo desta forma, e também graças a alguma ironia transmitir a verdadeira mensagem sobre a intimidade e os receios que o argumento que Cardiel assinou se torne tão presente e actual.
Ele (Antonio Velázquez) e Ela (Irene Visedo) conhecem-se e a química que sentem um pelo outro é exactamente proporcional aos medos que ambos vão revelando ao longo desta curta-metragem. Medos esses que são brilhantemente retratados através da armadura (literalmente falando) com que se protegem a dada altura desta narrativa e que os reflecte bem como algo mais profundo que lhe está inerente como é, por exemplo, a falta de confiança no "outro" que está tão presente em muitas relações modernas onde o prazer, apenas e só, se sobrepõe a tudo o demais.
A química entre Velázquez e Visedo é desde o primeiro instante de tal forma presente que sentimos que aquelas duas "pessoas" estão realmente a conhecer-se com o interesse mútuo de quem despertou algo mais forte do que apenas uma noite de prazer sem consequências ou sentimento. A espera dele e a lenta entrega dela são de tal forma interessantes e bem retratadas que percebemos ambas as atitudes por se perceber que tanto ele como ela esperam mais um do outro do que apenas passar por aquela noite sem qualquer efeito.
Hermínio Cardiel que já havia presenteado os espectadores com o seu brilhante trabalho na curta-metragem Nada, inteligentíssima num magnífico e inesperado final, consegue uma vez mais deliciar-nos com um argumento que não só nos faz pensar nas  relações interpessoais que estabelecemos com os demais, ou estes connosco, e na forma como ainda resta alguma esperança em poder conhecer alguém que realmente queira conhecer outras pessoas sem a pressão de uma noite de prazer inconsequente. A ironia estabelecida com a armadura, meramente imaginária mas que aqui é literalmente posta em cena, consegue estabelecer na perfeição um limite físico que, normalmente, é apenas imaginado pelo espectador depois de um retrato mais ou menos bem conseguido pelos actores. Aqui ao encontrar-se presente em cena, os actores centram-se apenas na vontade de demonstrar pelos seus olhares e conversas, que nos revelam que a empatia é crescente e muito além de algo meramente físico, que o passado os marcou de formas diferentes estando assim de certa forma limitados àquilo que querem ver, e ter, do outro.
Simpática, divertida e por vezes até reconfortante, El Lado Frío de la Almohada é a confirmação do trabalho de um realizador que tem muito ainda por dar ao cinema espanhol que aqui nos faz reflectir sobre aquilo que inicialmente muitos podem procurar, o frio e a ausência de emoções e sentimentos que os unam a outra pessoa mas que no fundo todos procuram aquele lado quente e reconfortante onde podem depositar as suas certezas e confianças deixando assim caminho livre para deixar cair as suas defesas aqui tão bem representadas.
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8 / 10
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