sexta-feira, 20 de maio de 2016

American Ninja (1985)

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O Regresso do Ninja Americano de Sam Firstenberg é uma longa-metragem norte-americana com a interpretação protagonista de Michael Dudikoff.
Joe Armstrong (Dudikoff) é um errante que encontra numa base americana nas Filipinas a sua nova "casa" depois desta ser a sua opção face a uma provável prisão. Perito em artes marciais, Joe encontra dentro do exército muito da vida que o levou até ali mas... conseguirá ele agora resistir às pressões e sobreviver a um regime que parece cada vez mais aprisioná-lo?
Numa longa tradição de filmes do género que imortalizaram de uma ou outra forma um conjunto de actores como Chuck Norris, Jean-Claud Van Damme, Dolph Lundgren, Sylvester Stallone e até o próprio Arnold Scwarzennegger, American Ninja tentou fazer o mesmo com Michael Dudikoff transformando mais um actor versado de dotes "marciais", elemento no qual reside - aliás - grande parte (senão toda) da dinâmica deste filme.
O argumento de Paul De Mielche, Avi Kleinberger, Gideon Amir e James R. Silke não tem - na prática - nada de novo ao género. Tudo em American Ninja são os habituais lugares comuns da obra cinematográfica que tenta por todos os meios exaltar os valores americanos da honra e da pátria existentes no género onde o culto pela bandeira, pelas forças militares e pela "fraternidade" são os elementos primordiais da existência (humana). No entanto, nem tudo é perfeito e temos, claro, de embarcar na viagem onde a corrupção e a imoralidade tenta desviar do bem comum.
Num mundo onde os mais improváveis acabam transformados nos heróis de ocasião e onde aqueles já firmados única e exclusivamente pela farda que vestem são corruptos e passíveis de corrupção, restam apenas os "seguidores" para perceber que lado devem seguir. Se a isto juntarmos o já tradicional tráfico de armamento graças a um qualquer multimilionário com um sotaque europeu manhoso, então temos a obra cinematográfica perfeita para entender que estamos perante um filme para as massas - norte-americanas - e que tenta (a seu tempo) criar um certo preconceito para com o outro lado do Atlântico.
O que temos de novo em American Ninja? Absolutamente nada. Corrupção, militares, o "filho perdido" que salva a pátria, os mafiosos com ar "pouco americano" que conspiram contra a pátria noutro país que não o seu e finalmente - o elemento mais ou menos mistério - as artes marciais que fazem notar quem é realmente o herói no meio de tanto interveniente... porque os Estados Unidos são a terra das oportunidades onde todos têm a sua oportunidade de um cantinho ao sol... mas apenas e só depois das mais duras provações.
Com um conjunto de interpretações que parecem ter sido retiradas de um curso intensivo de formação profissional de três dias, onde se aprende um pouco de tudo menos de interpretação, nenhum dos actores se destaca por algum tipo de qualidade, e nem mesmo os momentos de artes marciais se destacam pela fluidez dos mesmos mas sim pela evidente manipulação de momentos e acontecimentos que após provocados prevêem o desfecho filmado. Dito isto... resta-nos alguma coisa desta longa-metragem? Pouco... muito pouco.
Aquilo no qual American Ninja consegue ser de facto exemplar é a sua capacidade de se afirmar como um filme do qual o espectador não espera absolutamente nada... Bom... espera nada esperar deleitando-se apenas com os breves momentos em que este filme o faz esquecer a realidade "lá fora" e as poucas gargalhadas - não se chega a tanto - que o espectador dá pelo amadorismo com que se filma uma história tão típica dos anos 80 em que sistematicamente se insistia em criar algo que espelhasse os dois lados de um mundo imaginariamente dividido.
De Michael Dudikoff pouco há a dizer para lá de conseguir manter-se ao longo de noventa minutos com uma personagem que pouco - se é que algo - de emoção ou expressão denota como que numa constante preparação mental para o próximo golpe marcial que pretende utilizar... e isto para não entrarmos na dinâmica de e com os demais actores que parece ser ou nula... ou num registo cómico que é facilitado pelas dobragens mal executadas. Afinal, por momentos parece que estamos a assistir a um conjunto de momentos manhosos daqueles filmes de artes marciais dos anos 60 e 70 totalmente dobrados num estúdio da "esquina" e que foi lançado sem o mínimo de verificação do trabalho final.
De pobre a fraco a classificação de American Ninja oscila sem limites... mas na realidade há que saber gabar-lhe a capacidade exímia que tem em fazer com que o espectador se divirta com uma história praticamente sem argumento e que se deixa levar sem rumo... a caminho de algo sem explicação.
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2 / 10
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