domingo, 21 de julho de 2013

Priest (2011)

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Padre de Scott Stewart é uma longa-metragem pós-apocalíptica que mistura elementos de ficção científica e banda-desenhada numa história centrada num universo aparentemente paralelo que fora devastado por séculos de guerra que opuseram a Humanidade a uma imensa horde de vampiros.
Este filme conta-nos assim a história de um Padre (Paul Bettany) que era membro de um clã que tinha como função defender os últimos redutos da Humanidade dos iminentes ataques dos vampiros, bem como dar-lhes caça nos inúmeros ninhos que criavam ao longo das desérticas planícies ou em infra-estreturas que dominavam. Uma vez terminada a guerra, este Padre e os demais que compunham o seu clã foram afastados da sociedade e tomados como inadaptados dos quais todos se deveriam afastar, vivendo em locais obscuros das cidades fortaleza que são dominadas pela Igreja que incute nos seus cidadãos a "moral" e os valores que devem seguir.
Quando a sociedade parecia aparentemente pacificada, Lucy (Lily Collins), a sobrinha do Padre é raptada por um conjunto de vampiros que volta a atacar pequenas povoações espalhadas pelas planícies ele, na companhia de Hicks (Cam Gigandet) e de uma sua anterior parceira (Maggie Q), persegue todas as pistas que ficam no caminho para a encontrarem e evitar que a transformem numa vampira. É então nesta aventura que descobre quem está por detrás do início dos ataques vampíricos e que os planos vão muito para além daquilo que inicialmente pensava.
Este filme junta um interessante conjunto de elementos que fascinam imediatamente um vasto conjunto de espectadores. Por um lado temos uma típica história de vampiros que, por tradição, seduz qualquer cinéfilo pela potencialidade das suas histórias e, ao mesmo tempo, cria com o género um universo muito particular que está imediatamente interligado com o suspense e o terror. Se a isto juntarmos o típico universo pós-apocalíptico onde toda uma sociedade amedrontada pelo perigo do outro lado do muro bem como pelas devastadoras consequências de uma guerra e que vive ao mesmo tempo sob uma sociedade ultra-conservadora que os oprime voluntariamente, então temos os mais variados aspectos que podem unir o espectador à sua volta e convencer-nos das mais diversas formas.
Aquilo que faltava então antever seria a química existente (ou não) entre o conjunto de actores que o compunha e, felizmente, também essa parece estar aqui presente. Paul Bettany é convincente como o "Padre" destemido e capaz de ser o único receio de tão sanguinários vampiros, à medida que também ele vive os demónios do seu passado que parecem estar prontos para o alcançar. A seu lado tem uma enérgica Maggie Q que com os seus próprios dotes marciais entrega ao filme um dinamismo muito marcado, criando ainda com Bettany uma empatia e dedicação imediatas.
Lily Collins com uma interpretação contida e que só encontra um pouco mais de desenvolvimento já bem perto do final e Cam Gigandet como o aventureiro de serviço compõem o elenco mais jovem deste filme e que lhe poderia dar continuidade numa potencial saga (a/se existir), e finalmente Karl Urban que facilmente se assume como um "bom" vilão que consegue com a sua calma realmente amedrontar aqueles com quem se cruza.
Aquilo que mais me decepcionou com este filme foi o argumento de Cory Goodman não pelo potencial que tem, que é francamente positivo e que nos permite esperar mais títulos de uma eventual saga, mas sim pelo facto de que aqui não é suficientemente explorado deixando inúmeras pontas soltas principalmente a partir da segunda metade do mesmo. No fundo, se ao longo da sua acção nos começa a entusiasmar todo o universo e suas respectivas personagens, não é menos verdade que Padre não tem a conclusão que merece e que dele esperamos para podermos perceber por onde iria continuar a sua sequela que aliás já peca por tardia. Assim, aos poucos mas em crescendo, ficamos com uma sensação de que gostamos deste filme mas também sabemos que ele poderia ter sido muito mais do que aquilo que é, deixando assim um agridoce que não nos convence.
Interessante pela atmosfera, fotografia de Don Burgess que nos insere perfeitamente num ambiente apocalíptico e de devastação, e pela sua história e entretenimento mas, ao mesmo tempo, não nos consegue convencer na totalidade comprometendo até algum do potencial que conseguiu conquistar.
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5 / 10
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