quinta-feira, 11 de julho de 2013

The Celestine Prophecy (2006)

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A Profecia Celestina de Armand Mastroianni é a longa-metragem baseada na obra homónima de James Redfield que nos conta a história de John Woodson (Matthew Settle), um homem desiludido com o rumo que a sua vida levou. Através de um conjunto de estranhas coincidências com que se depara, John embarca numa viagem ao Peru onde os eventos que aí ocorrem o colocam no caminho em busca das profecias Celestinas, um conjunto de ideais espirituais que anunciam um novo despertar das mentalidades e das consciências para a Humanidade, abrindo portas a um caminho espiritual e de irmandade.
John mantém a sua incredulidade para com estes acontecimentos, até perceber que à medida que se sucedem os acontecimentos que o colocam no caminho e outros tantos importantes intervenientes, mais próximo se encontra da sua auto-descoberta bem como desse caminho espiritual que as profecias anunciam, percebendo assim que é possível um novo rumo em que a Humanidade e a espiritualidade se abraçam como uma só. No entanto, numa época em que as adversidades parecem trilhar o caminho dos homens e que a sede de poder é uma constante nas elites no poder, até que ponto conseguirá John e os seus novos amigos praticar uma revitalização da sua consciência e dos seus valores em nome de um bem comum que está constantemente ameaçado? Será esta nova realidade possível ou até mesmo desejada?
Com um conjunto de intérpretes interessante que reúne nomes como Thomas Kretschmann, Annabeth Gish, Joaquim de Almeida, Hector Elizondo ou Jürgen Prochnow, e com uma premissa que poderia fazer dele um filme francamente desafiante para o pensamento, não será menos justo dizer que aquilo que temos mais se assemelha a um banal filme publicitário de um qualquer culto emergente que tenta aos poucos cativar a mente das populações a que se pretende dirigir.  Sim, é verdade que temos uma mensagem interessante sobre a reflexão da sociedade, das energias que cada um de nós emana para os demais e, principalmente, sobre as potencialidade que temos face não só aos outros e à Humanidade no seu todo mas também em relação a nós próprios, à nossa descoberta e àquilo que podemos retirar do "eu" quando o conhecemos realmente, mas não é menos verdade que todos estes aspectos são aqui retratados como se nos encontrássemos numa reunião de um qualquer culto que no final da sua exibição nos vai cobrar a devida dízima.
Com este pensamento em mente, nem sequer o facto da conspiração religiosa, militar e política que se encontra sempre presente na trama ou as debilidades que um regime dito militarizado impõem ao seu povo conseguem ser suficientes para elevar este filme e colocá-lo num patamar de credibilidade mínimo, tão fraco é. As suas personagens são e estão francamente debilitadas por um qualquer êxtase que se pretende transmitir mas que na prática não sai do âmbito de uma publicidade religiosa barata, exibidos com um conjunto esperado de efeitos místicos e sem qualquer enquadramento, esquecendo assim qualquer tentativa de nos remeter para o campo de uma mensagem espiritual sobre a reflexão do Homem enquanto tal ou sequer sobre a sua potencialidade de fraternidade e de convivência pacífica com o seu semelhante e com a Natureza... mesmo que as supostas energias estejam "presentes".
No final temos uma interessante direcção de fotografia de R. Michael Givens e uma inspirada música original de Nuno Maló mas que, também eles, estando desenquadrados pela positiva, daquilo que este filme é, acabam por funcionar mais como um anúncio publicitário de uma suposta harmonia que um folheto de um culto pretende, do que propriamente entregarem-nos aquele esperado lado etéreo a que o filme inicialmente se propunha.
Visto o conjunto excessivo de banalidades e ideias pré-fabricadas que este filme apresenta, no final encontro-me a pensar qual terá sido o seu propósito ou mesmo a necessidade de alguns destes actores a nele participarem pois pertence ao conjunto de filmes que qualquer um de nós preferiria esquecer rapidamente do que tê-lo como um dos trabalhos em que se havia participado.
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2 / 10
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