sexta-feira, 4 de abril de 2014

Perto (2013)

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Perto de José Retré é uma curta-metragem portuguesa de ficção e a última a ser apresentada no segundo dia da competição respectiva do FESTin - Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa que decorre pelo quinto ano no Cinema São Jorge, em Lisboa.
Esta curta-metragem cujo argumento é também da autoria de José Retré, conta-nos a história de um emigrante (Sérgio Praia) que anseia por conhecer o seu filho recém nascido estando, no entanto, pendente da decisão do seu patrão (José Raposo) de o deixar viajar.
No entanto, o austero patrão não está disposto a ceder, obrigando assim este jovem emigrante a encetar um plano que talvez lhe garanta a tão ansiada viagem.
Retré, também o autor deste argumento, coloca em causa várias interessantes questões com este curta-metragem que é apenas ambientada graças a uma rica banda-sonora que dá vida aos sentimentos, expressões e olhares sem qualquer recurso a diálogos. Se por um lado nos coloca numa dinâmica actual graças à crescente vaga de emigração que obriga famílias recém formadas a separarem-se no desejo de dias melhores, não é menos verdade que não deixa de colocar a mão nas constantes problemáticas laborais entre empregador e empregados assim como reflecte sobre a vida moderna que em busca do capital máximo faz com que a família e seus respectivos valores sejam relegados para segundo plano.
Num mundo onde a bondade e as acções altruístas são cada vez mais escassas como uma miragem que se deseja ser real, Perto consegue, no meio de uma carga e mensagem mais negativa, estabelecer um caminho em direcção a uma esperança e a uma Humanidade que parece já não existir levando o espectador a sonhar e esperar que os seus bons pensamentos possam, de alguma forma, encontrar repercussão naqueles tidos pelos demais.
Ainda com a interpretação de Manuela Couto e de Bruno Bravo que apesar de manter uma interpretação secundária consegue ser suficientemente marcante e inconfundível, são os desempenhos de Sérgio Praia e de José Raposo que marcam toda a dinâmica de Perto. O primeiro como o pai saudoso e que vive dias difíceis com desejos de estar perto da sua família mas que se encontra impossibilitado pelas agruras da distância. O segundo que apesar de ter tudo aquilo que um homem pode desejar desde um trabalho seguro e uma família presente, se mantém ele próprio distante dos mesmos com uma ambição crescente e da qual parece estar disposto a sacrificar o bem-estar emocional dos demais. Ambos com interpretações marcantes e sentidas, acabam por estabelecer uma improvável dupla antagónica da qual, esperamos, prevaleça pela positividade que ambos podem mutuamente usufruir.
Original pela forma como se apresenta e pretende transmitir a sua mensagem, Perto é um excelente retrato sobre a forma como as pessoas podem mudar quando decidem encarar tudo aquilo que de bom têm nas suas mãos mas que tantas vezes é esquecido e ignorado voluntariamente.
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9 / 10
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