domingo, 19 de maio de 2013

Feira de Óbitos (2013)

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Feira de Óbitos de João Pereira, que aqui assina igualmente o argumento, é uma curta-metragem portuguesa feita como projecto de artes duma turma de 12º ano do secundário.
Num clima de comédia Joaquim (Miguel Macedo), é apresentado ao espectador como um tipo verdadeiramente campónio e por quem a educação passou ao lado naquilo que facilmente seria apelido de "parolice" numa qualquer grande cidade.
Depois de encontrar uma bicicleta que lhe permite fazer-se à estrada e rumar para a cidade, Joaquim não pensa duas vezes e segue o seu caminho e uma vez lá chegado vê-se envolvido numa série de estranhos acontecimentos que o vão levar até Ermelinda (Carina Pintado), uma empresária de sucesso de quem irá gostar. Mas esta inesperada ligação não irá correr tão bem quanto pensam e rapidamente surge Pedro (Pedro Raposo) na vida de Ermelinda que a atormenta sem dó nem piedade.
Conseguirá esta inesperada atracção de Joaquim por Ermelinda triunfar mostrando que o amor é a mais poderosa força do Universo?
Os primeiros instantes desta curta-metragem são delirantes pois conseguem criar uma daquelas personagens bastante peculiares que fascinam qualquer espectador que aprecie a comédia simples e eficiente. Muito se deve ao "boneco" criado por Miguel Macedo que através de alguma "ingenuidade" da sua personagem recria alguns bem dispostos segmentos que tornam a curta-metragem ligeira e com um ritmo interessante. Todo o percurso que o seu "Joaquim" faz ainda no campo, os pequenos cómicos de situação da mais sentida "parolice" bem como a chegada à grande cidade onde tudo é novo, moderno e um mundo desconhecido que parece não ter fim são por si dos pontos mais fortes da curta-metragem garantindo-lhe uma veia cómica marcada da qual esperamos poder ter mais. E aos poucos vamos tendo, mesmo quando a sua personagem se transforma radicalmente mostrando que é mais do que aquele "parolo" vindo sabe-se lá de onde.
A química entre "Joaquim" e "Ermelinda" ainda que tentada, está muito por explorar. Talvez se se tratasse de uma longa-metragem fosse conseguida uma maior proximidade entre os dois que justificasse esta crescente empatia e relação, no entanto, considerando a excessivamente rápida aproximação entre ambos um tanto desconexa ao ponto de parecerem duas histórias independentes que aqui se cruzam, não consegue estar coerente o suficiente para se afirmar como a história romântica que se quer. Tem os seus momentos, que também eles poderiam ter sido mais explorados, mas não consegue ser suficientemente convincente talvez por essa mesma abordagem do "toca e foge". No entanto, como se diz que o amor tem caminhos misteriosos...
O segmento final onde Pedro Raposo e Rui Rodrigues contracenam com Carina Pintado (num dos mais conseguidos da segunda metade da curta), mostram algum humor nonsense, e por momentos conseguem fazer-nos sorrir pela sua simplicidade mas, tal como uma boa parte da linha condutora desta curta-metragem, falta-lhes mais tempo para poder ser convenientemente desenvolvidos aprofundando assim não só os seus objectivos como principalmente consolidando as suas ideias finais.
No final temos uma curta-metragem com aspectos originais e bem pensados aos quais só lhes ficou a faltar algum maior desenvolvimento narrativo que os "afirmasse". As interpretações são originais, bem dispostas e genuínas acabando apenas por ser afectadas pela "falta de tempo" sendo de notar que esta é uma curta que se fez com vontade, boa disposição e principalmente dedicação que conseguem fazer valer os pontos mais frágeis da mesma.
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6 / 10
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