sábado, 18 de maio de 2013

Queens Logic (1991)

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Uma Ponte em Nova Iorque de Steve Rash é uma longa-metragem de comédia que conta com um elenco de estrelas onde se destacam Kevin Bacon, Linda Fiorentino, John Malkovich, Joe Mantegna, Ken Olin, Chloe Webb, Tom Waits e Jamie Lee Curtis.
Tudo se desenrola em torno do iminente casamento de Ray (Olin) para o qual se reunem todos os seus amigos... o já casado e pai Al (Mantegna), Dennis (Bacon) a estela de cinema desaparecida e Eliot (Malkovich) o amigo gay e solitário que não consegue encontrar o amor, enquanto do outro lado temos Patricia (Webb) a noiva sempre acompanhada por Carla (Fiorentino), a sua eterna amiga e mulher negligenciada de Al.
Ao longo de um fim-de-semana onde todas as máscaras vão estar definitivamente removidas e todos eles têm de enfrentar não só as opiniões uns dos outros como também a realidade das suas próprias vidas e as mudanças que elas levaram e do qual só subsistiu um único elemento... a sua constante e inabalável amizade.
O argumento deste filme da autoria de Tony Spiridakis e Joseph W. Savino compõe um conjunto de personagens que, de uma ou outra forma, representam o despertar para uma idade adulta pela qual todos passam. Os medos de assumir um relacionamento e da perda de uma certa independência individual que colidem com um igual medo de perder a pessoa amada e com a qual se antevê a possibilidade de constituir uma vida, uma família e um legado para o futuro vivem lado a lado com os receios daqueles quejá tendo encontrado essa pessoa teimam em não encarar essa mesma idade dita "adulta", permanecendo insistentemente num mundo muito particular para os quais nada se diferenciou da adolescência, bem como com o medo de nunca encontrar a "tal" cara metade.
São estes mesmos medos que subsistem ao longo de todo o filme encontrando apenas alguma redenção com os próprios ensinamentos que aquele fim-de-semana decisivo parece querer fazer demonstrar a todo o momento e com todo o tipo de provações aos quais estas personagens são sujeitas. Todos, sem excepção, encaram o casamento de um deles como um teste... Uma prova não só à sua amizade que, mesmo à distância, parecia estar incólume, como também exercem uma reflexão sobre os rumos que as suas vidas levaram e aquele que pode levar a partir destes aparentemente decisivos dias, como se de um "ou tudo ou nada" se tratasse.
Todos eles, sem excepção, procuram uma espécie de segunda oportunidade que julgam poder alcançar com o casamento bem sucedido de "Ray" mas, no entanto, este não está tão certo sobre se o quer celebrar, ao mesmo tempo que sabe não querer perder "Patricia", a única mulher que alguma vez amou, e é em torno das suas próprias experiências pessoais que toda uma nova vida para cada um deles é equacionada sabendo que, é nos seus amigos... naqueles amigos, que se encontra a resposta para todas as suas perguntas bem como o único porto seguro que alguma vez irão encontrar e alguém que sem os julgar terá sempre o conjunto certo de palavras para dizer.
Se todas estas personagens se compõem de uma forma geral e onde todos contribuem para o desenvolvimento uns dos outros, desde o amigo que casou mas não cresceu, passando por aquele que está prestes a fazê-lo e pensa demais no seu futuro e terminando naquele que possivelmente nunca o irá fazer e temos também presente aquele que sem estabelecer qualquer tipo de laços afectivos se concentrou numa dinâmica profissional que, na prática, nunca foi completada com sucesso e claro, as mulheres que suportam todos os caprichos e devaneios de adultos-criança num quase total silêncio vivendo elas infelizes para que eles nunca o sejam... temos assim um pouco de tudo. No entanto se isto é verdade, também não o deixa de ser que as interpretações de Tom Waits como o excêntrico "Monte" ou a tentadora Jamie Lee Curtis como a solicita "Grace" são meramente decorativas e pouco contribuem para uma trama que já fala e bem por si, e se por um lado Fiorentino e Webb encarnam a dupla "adulta" do elenco, com reflexões sentidas sobre a possibilidade de abdicar da sua própria felicidade em nome daquele dos homens que amam, não é menos verdade que Bacon, Mantegna, Malkovich e Olin compõem com os seus "comportamentos" um homem adulto no seu todo, ainda que com algumas infantilidades que são esquecidas à medida que o final de aproxima.
Assim, este Queens Logic, que supõe uma dinâmica bairrista da qual ninguém escapa por muito longe que se afaste do bairro de Nova-York, mais não é do que um "despertar" para uma idade adulta daqueles que na prática já o são, sendo bem sucedido na química e nas dinâmicas que são estabelecidas pelo conjunto de actores mas um pouco visto para os dias que hoje atravessamos. Vale pelo conjunto de actores que qualquer bomcinéfilo reconhece de inúmeras interpretações que tem visto ao longo dos anos mas não é aquele grande filme que poderíamos esperar deles ou, pelo menos, não o é para os nossos dias onde já vimos inúmeras histórias que versam sobre a mesma temática.
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6 / 10
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