sábado, 1 de junho de 2013

Ela por Ela (2012)

Ela por Ela de Nuno Franco é um dos telefilmes que a TVI produziu durante o ano de 2012 e que agora viu a sua estreia.
Joana (Mafalda Vilhena) recebe um telefonema do seu marido Diogo (Nuno Homem de Sá) que iria mudar a sua vida de forma radical. Depois de ser apanhado a investir fundos da empresa em que trabalha e de ser denunciado pelo seu patrão Eduardo (António Capelo), Diogo diz a Joana que a única forma de se poder safar de vários anos de prisão é se a sua mulher falar com Eduardo, o seu antigo amante.
Relutante, Joana aborda Eduardo que a tenta com um plano para salvar o seu marido se, em contrapartida, fôr sua amante durante um mês. Se inicialmente estava pronta para recusar, é a velha chama da paixão que irá falar mais alto...
Os telefilmes da TVI revelam na sua maioria um estranho potencial não reconvertido em bons filmes do género. Este não é desta premissa uma excepção. Com um argumento da autoria de Tozé Martinho, Rita Martinho e Rute Moreira repleto de banalidades e interpretações que se contradizem a todo o momento, este telefilme resvala facilmente na banalidade que apenas alguns dos seus exemplares actores conseguem safar... e mesmo assim, nem todos.
Nuno Homem de Sá, ainda que convincente e credível, está neste telefilme longe de ser aquele intérprete dominante e forte que tanto caracteriza as suas personagens, interpretando aqui o homem desnorteado com as más escolhas do seu passado e uma vida que parece estar condenada a uma qualquer mazela da qual não vai recuperar. Por sua vez Mafalda Vilhena, igualmente uma actiz habituada a interpretar mulheres fortes e de garra que facilmente nos seduzem aparece, também ela, aqui como uma pessoa afastada da realidade em que vive disposta a, nas suas incertezas, deitar tudo para o lado e seguir um sonho que percebe ser logo desde o início, impossível.
As restantes interpretações de destaque estão a cargo de uma Melânia Gomes que com a sua "Teresa" tanto parece incentivar como condenar a amiga a assumir um relação extra-matrimonial, que não se assume bem como um alicerce num momento complicado, e um sempre competente António Capelo que demonstra poder, como ninguém, interpretar vilões modernos e cheios de carisma sendo que, de uma forma geral todas estas personagens estão longe de ser aproveitadas e desenvolvidas em todo o seu potencial limitando-se por ser um pouco ocas ou desprovidas de grande motivação, e a própria edição dos vários segmentos é quase feita como se de "cimento à parede" se tratasse, tornando muitos desses planos não só desnecessários como totalmente inadequados para uma boa continuação da história a contar.
Na essência este, tal como a maioria dos telefilmes que a TVI tem vindo a produzir, tem todo o meu apoio por patrocinarem o trabalho dos profissionais portugueses e assim contribuir para o desenvolvimento da ficção nacional, no entanto há que ver também a questão por aquilo que ela é e, na prática, além do potencial da história que poderia ter sido muito melhor filmada, explorada e desenvolvida, bem como o potencial que este conjunto de actores tem e que é indiscutível, verdade seja dita que este filme não é mau mas jamais chega a um patamar de qualidade aceitável, limitando-se a ser mais um a juntar na prateleira.
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4 / 10
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