segunda-feira, 10 de junho de 2013

Portugal e a Crise (2013)

.
Portugal e a Crise de Giovanni Alves é um documentário divulgado online desde o passado dia 25 de Abril, motivo pelo qual aqui o publico na íntegra, diz respeito à crise que actualmente está presente no país mas que, ao contrário do que se pensa, não só é económica como também social e política.
Dividido em três segmentos,  sendo eles a Natureza da Crise, A Precarização do Trabalho e Perspectivas de Portugal, este documentário dá a conhecer, através de entrevistas elaboradas a algumas das mais destacadas figuras da actualidade portuguesa, nomeadamente Vasco Lourenço, Octávio Teixeira, André Freire, José Manuel Pureza, Carvalho da Silva ou Boaventura Sousa Santos, um pouco mais sobre os difíceis meses que Portugal tem vindo a atravessar bem como as potenciais soluções (ou falta delas), bem como o respectivo impacto não só no país como a nível mundial e também nas perspectivas que se apresentam a toda uma população que parece perdida no meio de uma crise que é mais política e das denominadas "elites" do que propriamente do povo.
No entanto, é através daqueles três característicos segmentos que ficamos com algumas noções, mais ou menos presentes, sobre o que é realmente o clima de instabilidade que se sente em Portugal. Uma dessas noções prende-se com o facto realçado por Francisco Sarmento sobre a população já se sentir em crise permanente há diversos anos e como tal, ao contrário do que se pensa, não é um fenómeno dos últimos dois anos sendo que se tem acentuado drasticamente nos mesmos.
É já durante o segundo segmento que chegam algumas das declarações mais polémicas deste documentário, uma delas através de Octávio Teixeira, que se prende com algumas realidades sentidas nos últimos anos nomeadamente a ideia, ou mentalização pelo medo, de que é um luxo, e não um direito, ter um trabalho e como tal ser quase "ofensivo" quando um trabalhador se manifesta ou reivindica algo pelo seu bem-estar, e finalmente pelas palavras de Vasco Lourenço que afirma que iremos "assistir a uma nova revolta de escravos", numa alusão aos povos do sul da Europa, e que "os portugueses são de brandos costumes mas nos momentos cruciais mais violentos do que os mais violentos", numa alusão explícita do sentimento geral do povo português.
Finalmente, é durante o terceiro segmento onde se teoriza sobre as perspectivas que nos são dadas algumas ideias base sobre o que nos espera. Por um lado, e talvez num domínio mais metafórico (?), o facto de Portugal e Espanha se encontrarem numa Jangada de Pedra que, tal como o Nobel José Saramago preconizava, à deriva tentando encontrar o seu lugar, e finalmente como Boaventura Sousa Santos refere, este projecto Europeu já "morreu", mas que a Europa tem ainda dois caminhos possíveis. O primeiro prende-se com uma hipótese de reconstrução e de verdadeira solidariedade e o segundo, menos desejado, refere-se ao ressurgimento dos nacionalismos que, todos sabemos, já aconteceu várias vezes dando origem aos maiores conflitos alguma vez vistos.
No que diz respeito à mensagem, este documentário de Giovanni Alves é rico e um interessante objecto de estudo que nos revela, ou confirma, algumas ideias e teses dignas que estudo e de atenção, no entanto, no que diz respeito à execução do mesmo enquanto documentário, não é tecnicamente o melhor exemplo do género limitando-se quase exclusivamente a um conjunto de entrevistas das quais são retirados um conjunto de excertos e ideias-tese. Se mantivermos este último aspecto em mente (e apenas este), o documentário é eficaz e abre porta para que os interessados possam eventualmente aprofundar os seus conhecimentos sobre a presente realidade portuguesa e o futuro (incerto) que nos espera.
.
.
7 / 10
.

Sem comentários:

Publicar um comentário