quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

4 Copas (2008)

4 Copas de Manuel Mozos conta com a participação de Margarida Marinho, Filipe Duarte, Rita Martins e João Lagarto nos principais papéis.
A antecipação por este filme era alguma na medida em que já estava há algum tempo feito e, os filmes deste realizador teimam em estrear.
Uma história simples em torno de quatro pessoas. João Lagarto homem casado pela segunda vez após o abandono da primeira mulher. Rita Martins, a filha. Margarida Marinho, a mulher que o trai com Filipe Duarte, o segurança do centro comercial onde trabalha. Quando descoberta pela enteada inicia-se um ritual de auto-destruição por parte de Marinho que se sente não só esquecida pelo marido como abandonada pelo amante.
Ao contrário do que li por algumas críticas à altura da estreia do filme sobre "ser um filme simples que não pretende ser mais do que é", acho que não é esse o objectivo de todo e qualquer filme? A meu ver sim é um filme simples pois relata uma história sem pretensões de imaginar um futuro mas sim dar um relato sobre um potencial presente que se pode passar em qualquer lugar e a qualquer momento. É um filme sobre emoções humanas. Os desejos muitos deles reprimidos que tentamos afastar mas que existem sempre presentes no nosso subconsciente. As dependências.
Dependências estas que estão especialmente retratadas nas personagens de Margarida Marinho e de João Lagarto. Este por procurar o amor e não o encontrar. Abandonado pela primeira mulher de quem não recuperou pois mesmo após casar com a segunda não lhe dá atenção alguma esquecendo a sua presença. Esta, interpretada pela brilhante Margarida Marinho, recuperada da sua grave dependência do jogo mas ignorada pelo marido que a tirou desse vício procura refúgio nos braços de outro homem numa nova tentativa de se sentir viva, presente e notada por alguém.
As mesmas emoções que se encontram nas personagens de Rita Martins e de Filipe Duarte. A primeira incapaz de amar alguém e que facilmente larga quem dela gosta fruto da ausência e abandono da sua mãe. E Filipe Duarte, também ele entendemos que um recuperado do jogo, que pretende amar mas que apenas é visto como "o outro".
Presente e comum a todos está apenas um aspecto. O amor. O amor que uns têm em si mas ninguém a quem o dar, e o amor que uns querem mas ninguém de quem receber. Tal como o título do filme, quatro copas... quatro corações diferentes mas com o mesmo sentimento presente a todos.
De facto sim, é um filme simples porque conta a história de tantos de uma forma agradável de se ver/ler e de entender. É ainda simples porque conta com excelentes interpretações de todos os actores (João Lagarto num papel mais secundário) de uma forma eficaz onde em muito também contam as suas expressões e os seus olhares.
Gostei de o ver e é bom perceber que afinal o cinema português ainda tem bons exemplos para dar ao seu público, e não me espantaria se na próxima edição dos Globos de Ouro nacionais não aparecesse uma Margarida Marinho, uma Rita Martins ou um Filipe Duarte nomeados aos prémios de interpretação.

7 / 10

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