quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

The Curious Case of Benjamin Button (2008)

O Estranho Caso de Benjamin Button de David Fincher e tem como actores principais Brad Pitt e Cate Blanchett secundados por tantos outros nomeadamente Tilda Swinton, Taraji P. Henson e Julia Ormond.

O brilhante argumento de autoria de Eric Roth centra-se na história de um bébé que nasce já velho e à medida que a sua idade avança o seu aspecto torna-se cada vez mais jovem. O seu nascimento é o mesmo dia em que a Primeira Grande Guerra termina. Interessante a escolha do momento em que a guerra que iria pôr fim a todas as guerras marca também o nascimento de uma vida. Mas uma vida diferente. Uma vida que funciona ao contrário onde à medida que cresce o seu aspecto rejuvenesce. Um exemplo do mundo que se viveu durante o século XX... um mundo ao contrário.

Um mundo marcado pelas diferenças fossem elas de que natureza fossem, mas um mundo onde elas estariam vincadamente marcadas e onde se sentem em tudo e em todos. A diferença. Não existiria unidade pela diferença mas sim uma franca separação. Seria ela que iria definitivamente marcar posição. Seria por ela que a mensagem desta filme seria transmitida... a solidão. Um mundo em crescente expansão, desenvolvimento e aumento populacional mas onde a solidão seria o principal sentimento sentido em todos. Acordar só. Despertar só. Viver só. Trabalhar só. Andar num transporte só. Conhecer outro país só. Ver um pôr-do-sol só. Envelhecer... só. Passar pelo mundo mas só. Tudo... mas só.

Contrariando isto temos o par Brad Pitt e Cate Blanchett com uma química on-screen francamente boa e que nos dão um dos pares românticos mais sólidos e credíveis dos últimos anos que nos entregam o relato de uma história de amor e de cumplicidade que nem a distância que ambos possam ter durante as horas de duração do filme se apaga ou desaparece. Essa cumplicidade existe sempre. É por ela que passam a juventude, bem como a velhice, de ambos juntos mas sempre, sempre, marcada pela diferença que de certa forma os separa apesar da sua união.

Este fantástico filme recheado não só de boas interpretações como referi logo ao início, entrega-nos também um aspecto curioso na medida em que é um filme que se torna essencialmente contemplativo na medida em que nos revela inúmeros frames para apreciar como se fossem quadros. Momentos entre os actores ou destes para com o cenário que os envolve. Temos disso exemplo quando Thomas Button contempla nos seus últimos minutos um fantástico pôr-do-sol. No entanto, e apesar de marcadamente contemplativo, é impossível não referível uma grande interpretação entregue por Taraji P. Henson. É com ela que criamos as primeiras empatias e em quem vemos a humanidade de um indivíduo que ultrapassa toda a diferença que possa existir entre as pessoas. É através dela que percebemos que independentemente daquilo que nos separa à primeira vista, no íntimo acabamos todos por ser o mesmo... indivíduos. Mas é ela que os torna especiais. São desejados apesar de anos de separação. São queridos apesar de não terem laços de familiaridade. São recebidos como se tivessem saído de manhã. Taraji P. Henson entrega devoção, dedicação e calor a uma personagem rica, transparente e sincera.

Ao contrário de outros filmes que foram sucessos imediatos, muito devido a grandes campanhas de marketing, este filme é sem dúvida um dos grandes do ano. Temos grandes interpretações por parte de todos os actores sem qualquer excepção aliados a grande romance, grandes cenários, uma banda-sonora da autoria de Alexandre Desplat que apenas intensifica a contemplação que deveremos ter por cada frame que nos é mostrado que num todo criam um belíssimo e extraordinário filme.

Quem parte para o visionamento deste filme não pode, ou deve, esperar ter grandes sequências de acção ou sequer um filme com um ritmo mais acelerado. Como disse este é um filme essencialmente contemplativo mas dirigido de uma forma a que nos interessemos por ver mais e mais dele. Quando chega o final esperamos ainda mais. Esperamos ainda um último toque. Não é ele no entanto que o separa de se tornar numa das grandes obras-primas desta primeira década do século XXI.




"Benjamin Button: My name is Benjamin Button, and I was born under unusual circumstances. While everyone else was agin', I was gettin' younger... all alone."


10 / 10


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