domingo, 20 de dezembro de 2009

Good (2008)

Um Homem Bom de Vicente Amorim centra-se numa história situada durante a Segunda Guerra Mundial na Alemanha. Tendo como principal interprete Viggo Mortensen num espantoso e extraordinário papel Good de seu título original conta o percurso de um jovem e proeminente professor universitário e reputado autor que vê a sua obra seleccionado como importante e fundamental para o fortalecimento no nacional-socialismo na Alemanha de Hitler e, como tal, passa de um estimado professor a um membro destacado do partido nazi.
Pelo percurso, passa de uma família conturbada a uma imagem impecável onde reina a perfeição (apesar de ela nunca no fundo existir), passa por uma nova família e especialmente pela formação de novos amigos socialmente aceites.
É então esta a ideia que o filme nos quer transmitir. Até que ponto a moral e a decência humana existem em tempo de crise e principalmente que está disposto esse mesmo ser humano a fazer, e a abdicar, para o bem e para a segurança daqueles que em tempos lhe foram estimados.
Apesar de ser um filme que tem a sua acção a decorrer durante o maior conflito armado da História, este filme trata principalmente das escolhas. As escolhas que optamos para o nosso destino e para a nossa vida e também como estas contribuem para um determinado rumo a seguir. Tivessem elas sido diferentes e teria essa mesma vida continuado? Seguido um rumo também ele diferente? Que pessoas estariam à nossa volta? Qual a influência que teríamos sobre elas? E elas sobre nós?
Uma mensagem ou ideia se assim se quiser que o filme também nos transmite é a de que até que ponto o meio em que estamos inseridos nos influencia, ou determina as nossas acções. Se estivesse um ndívuo noutro contexto tomaria outras medidas? É válido abdicar dos valores pelos quais sempre regeu a sua vida?
Não é um filme de grande acção e não é de todo um filme de guerra. É um filme sobre a guerra e sobre como esta modifica um indivíduo e a sua forma de olhar o mundo. É uma reflexão sobre acções e sobre atitudes. Sobre os comportamentos.
É essencialmente um filme que reflete sobre a condição em que o indivíduo fica depois de ter abandonado os seus próprios princípios e abraça aqueles que lhe são impostos. E sobre isto temos o brilhante desfecho do filme que vale por todo ele.
Vicente Amorim entrega aqui um brilhante filme com um argumento de John Wrathall e uma muito sóbria banda-sonora de Simon Lacey.
Impossível será também deixar de novamente referir o extraordinário desempenho que Viggo Mortensen tem neste filme, prova mais que certa do seu enorme talento para densos e profundos papéis dramáticos.




8 / 10


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