terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Headspace (2005)

.
O Rosto do Mal de Andrew van den Houten (EUA) promete o mais medonho dos horrores ao iniciar a sua narrativa com os eternos elementos das longas-metragens do género iniciando o espectador num conto de possessão demoníaca e morte. Alex (Christopher Denham) tem vinte e cinco anos quando, inesperadamente, um conjunto de memórias do seu passado ressurgem juntamente com assustadores pesadelos. Quando conhece Harry (Erick Kastel), uma estranha e enigmática energia emerge entre ambos e a ligação que aqui se despoleta não encontra explicação.
À medida que a inteligência de Alex se desenvolve a um ritmo acelerado e que as mortes dos que lhe são mais próximos ocorrem sem aparente explicação, ele terá de compreender que o perigo poderá não estar tão distante quanto pensa e que o seu passado finalmente o encontrou.
Diz-se que a três mãos o argumento resultou melhor mas aqui Troy McCombs, Steve Klausner e William H. Miller não conseguem nem criar um ambiente, nem afastar a previsibilidade da história ou tão pouco criar um conjunto de personagens que o espectador considere dignas daquilo que se pode chamar de facto como uma história de terror. O início desta longa-metragem promete quando são apresentados ao espectador um conjunto de momentos sinistros onde, numa casa relativamente isolada, uma família se vê atormentada por uma força que desconhece e que se apodera da mente da mãe (Sean Young) de "Alex" mas, muito rapidamente, não só esse ambiente desvanece para o futuro onde a jovem criança é agora um adulto como somos presenteados com um conjunto de banalidades que se compreendem apenas e só como fórmulas fáceis de "encher o saco". Headspace transforma-se assim num conto muito relaxado que recorre às banalidades do pior do género nomeadamente o conjunto de amigos que afinal não o são assim tanto, os novos conhecidos que o espectador cedo compreende quem realmente são e finalmente as teorias de bruxaria, possessão e perseguição natural da "vítima" que só terminarão com a eventual morte... dele ou do "mal" que se avizinha.
É curioso - e até interessante - observar como esta longa-metragem recupera (ainda que por breves instantes), não só a actriz Sean Young (eventualmente um dos pontos fortes do mesmo) como principalmente um dos rostos do cinema de terror dos anos '80 - e seguintes - como é Dee Wallace Stone que a todos encantou com a mãe no filme E.T. The Extraterrestrial (1982), de Steven Spielberg ou The Howling (1981), de Joe Dante, entregando-lhes breves personagens no enredo que curiosamente se transformam em duas das mais enigmáticas. Contrariando um argumento que se esquece de apresentar as origens do mal ou mesmo as suas motivações (não que delas necessite mas acaba sempre por conferir alguma maior credibilidade à história), as interpretações das actrizes conseguem, na sua curta duração, ser dos elementos mais positivos de uma longa-metragem que berra desastre desde o momento em que começa.
Não duvidando da vontade do realizador em construir uma história que o espectador considere apelativa, assustadora quanto baste pois, afinal, encontramo-nos perante um conto de horror, e até mesmo intrigante ao ponto de se transformar num culto do género - estas longas-metragens são aquelas que muito facilmente encontram esse "estatuto" -, a realidade é que a meio da sua duração torna-se evidente não só a saturação do seu público como (mais grave ainda), aquela tida pelos que lhe dão rosto e que, no fundo, são os que "pagam" pela sua falta de credibilidade.
O terror é, portanto, inofensivo. Inofensivo na medida em que não assusta, não faz tremer nem tão pouco entrega ao espectador a capacidade de se deixar levar hipnoticamente para aquilo que deveria... o tal espaço escuro onde o oculto prolifera e onde as mentes são momentaneamente transportadas para domínios que não conhece. Nada... aqui encontramos pouco mais de hora e meia de duração de uma história que tenta ser enigmática, que espera ser assustadora e que pretende ser um marco no terror mas que na prática nem consegue ser consistente ao estabelecer uma relação entre o terror psicológico de uma mente perturbada - possuída ou não - e que construiu o seu próprio horror fruto dos eventos traumáticos que uma infância perturbada e ausente de alicerces lhe conferiram. Estando o tal terror ausente... que história de terror é, afinal, esta?!
Por entre um conjunto de actores que parecem perdidos nas dinâmicas que pretendem construir com as suas personagens e destas para com a história à qual pretendem dar um corpo e uma alma, é apenas a direcção de fotografia de William H. Miller - o também argumentista - que salva um pouco (praticamente nada) desta longa-metragem que se afunda a cada passo que tenta dar, garantindo no entanto a opinião do espectador que nela encontra uma daquelas histórias de "sexta-feira à noite", que se vêem por entre um café e umas torradas mas da qual na manhã seguinte... já ninguém se recorda.
.
.
1 / 10
.

Sem comentários:

Publicar um comentário