quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

The Angry Hills (1959)

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As Colinas da Ira de Robert Aldrich (Reino Unido/EUA) transporta o espectador para o início da década de '40 quando, na Grécia, o jornalista norte-americano Mike Morrison (Robert Mitchum) recebe da resistência uma lista com nomes de cidadãos do país aliados dos agressores nazis. Perseguido pelos nazis e seus colaboradores, Mike terá de fazer chegar a lista a Londres e evitar que esta caia nas mãos dos inimigos.
A. I. Bezzerides adapta a obra de Leon Uris ao cinema entregando ao espectador uma inicial perspectiva sobre o drama da Segunda Guerra Mundial nos dos seus principais cenários... a Grécia. Inicialmente ocupada pelos italianos e seguidamente pelos alemães, o país, bem como a sua população, encontrava-se numa espiral de incertezas sem saber quem é quem... e quem trabalha para quem. Entre cidadãos que sobreviviam anonimamente por entre o jogo de bastidores e o colaboracionismo citadino, é no seio do meio rural que se encontra uma resistência à ocupação que pretende não só desocupar o país do agressor como principalmente voltar a ganhar o seu controlo. No entanto, ainda com a permanência de um conjunto de cidadãos norte-americanos cuja participação na guerra se resumia à observação não-participante (encontramo-nos no período pré-Pearl Harbor), é nos mesmos que se tenta encontrar um silencioso apoio como também um "correio" para com o mundo exterior ainda livre de ocupação.
Se o colaboracionismo e o denominado jogo de bastidores onde tudo vale por um nome, por uma denúncia e por um pequeno momento que possa fazer decidir quem manda em quem é aqui retratado de forma inteligente e convincente na medida em que o espectador consegue observar como todas as classes sociais do mais rico ao mais pobre, da clero ao camponês sem esquecer o mais insuspeito citadino tiveram a sua própria interferência no decurso da guerra é, no entanto, a praticamente inexistente química entre os actores que transforma e dispersa um pouco os relatos do conflito que em vez de serem dramatizados são dramaticamente romantizados para desviar a atenção do conflito e entregando-a ao romance criado entre Mitchum e as suas duas co-protagonistas. Dividido em segmentos que tentam explorar ao máximo a dinâmica do actor norte-americano com cada uma delas, The Angry Hills perde-se através de um conjunto de segmentos pouco apelativos ou dinâmicos que esquecem a guerra e colocam um romance compreensivelmente pouco sentido no topo da lista de interesses.
No entanto, se esta dupla dinâmica que, na realidade, nunca chega a funcionar acaba por destruir boa parte do interesse do espectador, é quando o argumento (e a obra) tentam humanizar o "Conrad Heisler" de Stanley Baker, o principal rosto nazi desta longa-metragem, que o descrédito cai totalmente por terra e existe uma certa revolta interior em quem assiste a esta obra, que obriga o mesmo espectador a distanciar-se de tudo aquilo que observa. A tentativa de ilustrar o nazi como um elemento humano e humanizador que tão depressa ameaça crianças como, de repente, se lembra que "afinal também elas são humanas" e que apenas faz o que faz porque "a isso é obrigado", cria um perigoso momento na compreensão daqueles que, desconhecendo ou não os trágicos acontecimentos da década de '40, tentam perceber um pouco mais desses temidos anos. Que se compreendam as diversas frentes - militares e sociais - de um continente devastado e delas se revela as mais diversas linhas comportamentais ou de pensamento é aceitável e até mesmo expectável. Mas, no entanto, quanto se chega ao momento de tentar humanizar alguns dos mais temidos carrascos do século passado... eis que chega o momento de eu, enquanto espectador, me distanciar de uma obra que parece começar a querer estabelecer uma perigosa linha de pensamento. Compreender o momento... sim... o carrasco voluntário... passo ao lado!
Interessante sob o ponto de vista histórico e comportamental de um povo face a uma das mais brutas ocupações territoriais do século assim como pela forma como toda uma sociedade colapsa esquizofrenicamente num rumo de não se conseguir compreender quais as diversas facções existentes no território que poderiam colocar vizinhos nas mais diversificadas frentes, The Angry Hills perde-se numa vã tentativa de inserir numa mesma longa-metragem dois romances sem rumo... um enredo de espionagem... o da ocupação... os vivos, os mortos, os resistentes e ainda um espectador que se motive por todas estas frentes narrativas. No final, tal como a sociedade de então... o espectador colapsa e distancia-se de todos os elementos não conseguindo, por nenhum deles, manter o seu interesse.
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4 / 10
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