sábado, 14 de setembro de 2013

The Conjuring (2013)

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The Conjuring - A Evocação de James Wan presente nesta sétima edição do MOTELx - Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa e que fechou o seu terceiro dia numa sessão dupla em conjunto com o filme V/H/S/2, era não só um dos títulos de terror mais desejados deste festival como possivelmente aquele que todos os fãs de terror esperavam ver este ano.
Quando no início dos anos 70 Carolyn (Lili Taylor) e Roger Perron (Ron Livingston) se mudam com as suas cinco filhas para uma quinta isolada, longe estavam de imaginar que um conjunto de estranhos fenómenos os iria perturbar todas as noites à mesma hora.
É no momento em que as estranhas ocorrências os começa a incomodar drasticamente ao ponto de existirem contactos físicos que Carolyn decide entrar em contacto com Ed (Patrick Wilson) e Lorraine Warren (Vera Farmiga), um casal de investigadores paranormais que os irá ajudar a perceber, e afastar, as forças demoníacas que assolam os Perron.
É difícil no género em questão lembrarmo-nos do último grande filme que vimos. Nem sempre as obras de terror nos entregam aquilo que pretendemos por diversos motivos sendo eles, na sua maioria, a fraca capacidade que têm em ser coerentes na sua história ou em provocar aquilo que deles esperamos... o verdadeiro terror. Aqui, no entanto, James Wan que já no tinha entregue os excelentes Saw e Insidious consegue captar muito da essência do género e fazer-nos ver um filme que nos atormenta durante todos os seus extensos e intensos minutos.
Esta história escrita por Chad Hayes e Carey Hayes baseado em factos reais (não esquecer que os Warren estão por detrás do famoso caso Amityville), mantém-nos em suspenso não só pela força das suas imagens que inicialmente nos fazem perceber que nos encontramos perante uma força demoníaca desconhecida mesmo sem revelar abertamente absolutamente nada da mesma mas, aos poucos, vai-nos fazendo perceber que esta irá muito rapidamente não só mostrar a sua força como a sua forma. E é aqui que reside a sua força maior onde primeiro pela força da sugestão e depois pela força das imagens somos confrontados com um dos mais bem elaborados filmes de terror dos últimos anos, poi tudo aquilo que não vemos consegue ser desarmar qualquer um com mais eficácia e só depois estando fragilizado é que se "anuncia" dando assim o seu último golpe.
E não vamos esquecer aquele quarto onde os "Warren" guardam todos os artefactos dos seus anteriores trabalhos que, só por si é assustador e mais ainda o é se pensarmos na quantidade de histórias que cada um deles poderia eventualmente contar. É apenas depois deste presente poder de sugestão é The Conjuring auxiliado pelo poder de uma igualmente bem executada caracterização que coloca a figura do demónio como um dos mais assustadores dos últimos anos e às personagens ditas reais confere um aspecto de desgaste que revela a sua condição de vítima de algo desconhecido e ameaçador.
Das interpretações tenho obrigatoriamente de destacar as duas actrizes principais que cada uma à sua forma tomam o pulso de toda a reconstituição dos factos. Em primeiro lugar Lili Taylor que se poderia facilmente dizer já ser uma especialista no género, mas que aqui consegue conferir alguma humanidade à sua personagem afastando-se assim das típicas interpretações do género que estão longe de ter algum conteúdo para além de serem almas possuídas ou simplesmente para sacrifício. Aqui Taylor consegue demonstrar que a sua "Carolyn" pressente que algo de errado lhe está a acontecer sem conseguir no entanto conferir uma designação ao que é. Ela percebe que não se encontram sózinhos naquela casa enorme e que os barulhos são tudo menos normais mas, como qualquer outra pessoa encontra-se longe de poder perceber ou encontrar uma explicação para todos os fenómenos a que assiste (in)voluntariamente.
Por seu lado Vera Farmiga encarna o lado mais racional de todo o enredo sem que, no entanto, esqueça o lado humana da sua "Lorraine", também ela mãe e a compreender a dor e o sofrimento daquela família que parece aos poucos desintegrar-se ao mesmo tempo que a sua própria família assiste ao ressurgir de alguns demónios do passado.
Cada uma, à sua forma, debatem-se não só com a sua sobrevivência mas também com aquela da sua família que desejam acima de tudo resguardar de um mal desconhecido mas que as tenta e atormenta tendo sempre como pano de fundo todo um recente processo de mudança ou transformação pelo qual ambas passam. No caso de "Carolyn" é a sua recente deslocação para uma casa nova e que lhe é ainda desconhecida, enquanto que "Lorraine" se vê a recuperar de um outro caso, pouco esclarecido, que a fez ver a alma (ou falta dela) de uma outra entidade e que a perturbou pelas imagens que lhe foram transmitidas.
Os protagonistas masculinos Patrick Wilson e Ron Livingston, ainda que funcionem como os seus alicerces, não deixam de carecer de alguma dramatização que conseguisse elevar a sua personagem, ou seja, sabemos que eles são fundamentais para a história mas, na prática, apenas como suporte das acções das duas actrizes não funcionando se elas lá não se encontrassem. No entanto, há a destacar que Wilson consegue ser determinado e assertivo enquanto Livingston mantém uma personagem mais apagada relativamente ao decorrer de todos os acontecimentos.
Ainda que The Conjuring não seja necessariamente o melhor filme de terror do género casa assombrada (o já referido Amityville está ainda no topo dessa lista), não é menos verdade que é um dos mais bem elaborados do género de sempre e que nos consegue manter em suspenso durante toda a sua duração. Vibramos com os pequenos mas reveladores ruídos, e estão garantidos genuínos sustos que nos fazem saltar da cadeira muito graças à suspensão que nos é assegurada desde os instantes iniciais onde o terror pelo que não se vê garante um maior efeito do que expôr todos os pequenos detalhes do género que o explicam em vez de o fazerem sentir. Para os amantes de cinema é uma boa aposta e para os seguidores do género é uma obrigatoriedade.
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"Ed Warren: The devil exists. God exists. And for us, as people, our very destiny hinges on which we decide to follow."
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8 / 10
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