segunda-feira, 12 de maio de 2014

Eslogan (2013)

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Eslogan de Álvaro de la Hoz é uma curta-metragem espanhola de ficção também inserida na secção Cantabria da quinta edição do Piélagos en Corto - Festival Internacional de Cortometrajes de Ficción que decorreu entre 5 e 10 de Maio na referida região espanhola.
Num local isolado todos os dias se encontram um conjunto de pessoas anónimas numa paragem de autocarro que os irá transportar para os mais diversos destinos. É quando uma jovem rapariga (Marta Hazas) com os seus sonhos de um destino e local diferente daquele em que se encontra, chega àquele local que uma invulgar personagem (Sergio Mur) sente por ela uma igualmente invulgar atracção.
O argumento da autoria de Pedro Pablo Picazo consegue criar um interessante contraste ao colocar a acção, e o próprio espectador, num local que embora inicialmente deserto e aparentemente desprovido do calor de uma vida se torne no centro de uma invulgar mas muito bem delineada história de amor.
Os próprios intervenientes não poderiam ser mais opostos quando "Ela" (Hazas) é de carne e osso e "Ele" (Mur) é apenas uma imagem num cartaz publicitário. Mas, no entanto, a ideia principal que aqui se pretende transmitir é o facto do poder do amor, quando sentido, puro e honesto, poder mover montanhas e unir os dois mais improváveis seres numa união que dificilmente se poderá separar.
Hazas e Mur têm uma química instantânea e conseguem convencer o espectador da sua (pouco) natural ligação. Os pequenos toques de sedução de Mur que, preso num cartaz publicitário, tudo experimenta para conquistar aquela que lhe tocou no coração ao ponto de a poder ter, um dia quem sabe, junto a si, são não só originais como imediatamente românticos dando origem a esta talvez difícil história de amor não só pela presença pouco física de um deles como pelo próprio facto de para a concepção desta história ter de se recorrer a uma execução animada que possibilitasse a movimentação e expressividade de um dos principais intervenientes.
Ritmada e sentida, Eslogan, funciona sem o recurso a um discurso verbal que é brilhantemente substituído pelo lado físico da comunicação e que coloca Mur e Hazas  num perfeito jogo de sentidos que percebemos apenas ir resultar na sua esperada união e que nos revelam a força da linguagem cinematográfica que transmite uma poderosa mensagem sem que seja necessário verbalizá-la.
No final apenas nos questionamos sobre a felicidade... Estará ela realmente expressa nas inúmeras imagens que nos tentam fazer chegar ou será que afinal ela não é mais do que uma ilusão que não está ao alcance de todos mas que alguns, meros personagens no jogo da vida, ousam poder alcançar e que a tudo estão dispostos para a poder saborear nem que seja por breves e esporádicos momentos?
Com uma história sensível mas marcante situada num cenário aparentemente agressivo e selvagem, Eslogan prima pela sua história emotiva e com uma réstia de esperança que emociona pela sua entrega e veracidade.
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8 / 10
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